falana v comissao africana dos direitos humanos e dos povos requerimento inicial no 0192015 2015 afchpr 41 20 novembro 2015
The Court lacks jurisdiction to hear the application because the respondent is not a State Party to the Charter or Protocol and has not made the declaration under Article 34(6); the applicant therefore lacks standing. The Court also cannot compel the Commission to refer cases to it, as the institutions are...
Source-derived case information.
- Citation
- falana v comissao africana dos direitos humanos e dos povos requerimento inicial no 0192015 2015 afchpr 41 20 novembro 2015
- Parties
- Applicant: Femi Falana; Respondent: Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos
- Court
- TANZLII
- Jurisdiction
- Tanzania
- Judgment Date
- 1 January 2015
- Procedural Posture
- Application / Preliminary Order
- Outcome
- application rejected for lack of jurisdiction
- Legal Topics
- Jurisdiction, Standing, African Charter on Human and Peoples' Rights, African Court Protocol, Complementarity
- Source Language
- en
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Femi Falana
Applicant
Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos
Respondent
Procedural Posture
Application / Preliminary Order
Legal Issues
- 1 Whether the African Court has jurisdiction over an application brought against the African Commission on Human and Peoples' Rights
- 2 Whether an individual applicant has standing to bring a case against the Commission under the Protocol
Ratio Decidendi
The Court lacks jurisdiction to hear the application because the respondent is not a State Party to the Charter or Protocol and has not made the declaration under Article 34(6); the applicant therefore lacks standing. The Court also cannot compel the Commission to refer cases to it, as the institutions are complementary and independent.
Court Disposition
application rejected for lack of jurisdiction
Orders
- The Court finds it lacks jurisdiction and rejects the application.
- The Court finds it cannot compel the respondent to refer cases to it.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
AFRICAN UNION UNION AFRICAINE UNIÃO AFRICANA AFRICAN COURT ON HUMAN AND PEOPLES’ RIGHTS TRIBUNAL AFRICANO DOS DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS NO CASO FEMI FALANA Vs. COMISSÃO AFRICANA DOS DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS REQUERIMENTO INICIAL Nº 019/2015 ORDEM O Tribunal, composto por: Augustino S.L. RAMADHANI, Presidente, Elsie N. THOMPSON, Vice-Presidente, Fatsah OUGUERGOUZ, Duncan TAMBALA, Sylvain ORÉ, Ben KIOKO, El Hadji GUISSÉ, Rafâa Ben ACHOUR, Solomy Balungi BOSSA, Ângelo Vasco MATUSSE – Juízes, e Dr. Robert ENO - Secretário. Nos termos do espírito do Artigo 8 (4)(d) do Regulamento do Tribunal (doravante designado “o Regulamento”), o Juiz Gérard Niyungeko, cidadão do Burundi, solicitou a sua dispensa e não participou na apreciação do Requerimento. No caso: FEMI FALANA Contra COMISSÃO AFRICANA DOS DIREITOS HUMANOS E DOS POVOS Após deliberações. Emite a seguinte ordem: Natureza do Requerimento 1. O Tribunal recebeu a 7 de Setembro de 2015 um Requerimento submetido por Femi Falana (doravante designado “o Requerente”) a intentar um processo contra a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (doravante designado “o Requerido”). 2. O Requerente é Advogado Sénior na Nigéria (SAN), com escritórios nos Estados de Lagos, Abuja e Ekiti na República Federal da 2 Nigéria. O Requerente submeteu um Requerimento na sua capacidade individual e em nome das vítimas de alegadas violações dos direitos humanos no Burundi. 3. O Requerente alega o seguinte: a) que submeteu uma Comunicação junto do Requerido a 4 de Maio de 2015 relacionada com as violações sistemáticas e generalizadas dos direitos humanos no Burundi, solicitando ao Requerido a remessa da Comunicação ao Tribunal; b) a Comunicação submetida ao Requerido relacionava-se com a alegada continuação das violações dos direitos humanos pelo Governo do Burundi, em particular os ataques contra manifestantes pacíficos, jornalistas e activistas dos direitos humanos na sequência dos protestos que se seguiram à decisão tomada pelo Presidente Pierre Nkurunziza de concorrer para um terceiro mandato; c) até ao presente, o Requerido ainda não remeteu a Comunicação ao Tribunal, apesar de o pedido ter sido feito nos termos dos artigos 84(2) e 118(3)(4) (sic) do Regulamento Interno do Requerido; e d) a falta e/ou a recusa do Requerido de remeter a Comunicação ao Tribunal continua a negar o acesso e a busca de soluções efectivas a favor das vítimas de violações dos direitos humanos no Burundi. 4. O Requerente roga ao Tribunal que tome as seguintes medidas: a) Ordene que o Requerido remeta ao Tribunal a Comunicação contra o Burundi submetida a 4 de Maio de 2010 (sic) ao Tribunal; e b) Considere o caso do Requerente nos termos do Artigo 29 do Regulamento e dos poderes de apreciação do Tribunal. Posição do Tribunal: 3 5. O Tribunal constata que o Requerido contra o qual o Requerimento é apresentado é um Órgão da União Africana criado nos termos da Carta Africana dos Direitos do Homem e dos Povos (doravante designada “a Carta”). 6. Ao abrigo do Artigo 3(1) do Protocolo, a competência do Tribunal estende-se a todos os casos e litígios submetidos ao Tribunal relacionados com a interpretação e a aplicação da Carta, do Protocolo e de quaisquer outros instrumentos de direitos humanos pertinentes ratificados pelo Estado requerido. 7. O Tribunal constata que, pese embora os factos que deram origem ao Requerimento se refiram a alegadas violações dos direitos humanos no Burundi, o Requerente apresentou o Requerimento contra o Requerido, que é uma entidade que não é Estado-Parte na Carta nem no Protocolo. 8. O Tribunal constata ainda que o Requerente submeteu o Requerimento, na sua capacidade pessoal, contra o Requerido. Nos termos do disposto no Artigo 5(3) e no Artigo 34(6) do Protocolo, os requerimentos só podem ser submetidos ao Tribunal por pessoas singulares quando o Estado contra o qual a petição é apresentada tiver depositado a Declaração prevista no Artigo 34(6) do Protocolo. 9. Considerando que o Requerido não é um Estado Parte na Carta e não depositou a Declaração prevista no Artigo 34(6), o Tribunal considera que o Requerente não tem legitimidade para apresentar o Requerimento contra o Requerido nos termos do Artigo 5(3) e do Artigo 34(6) do Protocolo. 4 10. Para apresentar o seu Requerimento, o Requerente também recorreu ao disposto no Artigo 29 do Regulamento. Outrossim, o Requerente alega que a Comunicação submetida ao Requerido havia sido apresentada nos termos dos artigos 84(2) e 118(3)(4) (sic) do Regulamento Interno do Requerido. 11. O Artigo 29 do Regulamento, conjugado com os artigos 2 e 8 do Protocolo, estatuem sobre as relações entre o Tribunal e o Requerido. 12. Nos termos do Artigo 2 do Protocolo, o Tribunal complementa o mandato de protecção conferido ao Requerido, tendo em devida conta as disposições do Protocolo. 13. Nos termos do Artigo 8 do Protocolo, o Tribunal definirá as condições detalhadas que deverão ser satisfeitas para o Tribunal apreciar casos a ele submetidos, tendo em consideração a complementaridade entre o Requerido e o Tribunal. 14. Ademais, nos termos do Artigo 5(1)(a) do Protocolo, o Requerido goza do direito de apresentar casos ao Tribunal, enquanto o Artigo 6(3) estatui que o Tribunal pode transferir casos para o Requerido. 15. Uma apreciação do disposto no Artigo 2 do Protocolo e no Artigo 29 do Regulamento, assim como das disposições conexas do Protocolo acima mencionadas, demonstra que, pese embora o Requerido goze do direito de demandar o Tribunal, o Tribunal não pode obrigar o Requerido a demandá-lo. 16. As relações entre o Tribunal e o Requerido baseiam-se na complementaridade. Por conseguinte, o Tribunal e o Requerido trabalham como instituições parceiras independentes, mas que se 5 fortalecem mutuamente com a finalidade de defender os direitos humanos em todo o continente. Nenhuma das instituições tem competência para obrigar a outra a tomar qualquer medida. Pelas razões acima expostas, e por unanimidade, o Tribunal: 17. Considera que, nos termos dos artigos 3(1), 5(3) e 34(6) do Protocolo, não tem competência para ouvir o caso e rejeita o Requerimento. 18. Considera que, nos termos do Artigo 2 do Protocolo e do Artigo 29 do Regulamento, o Tribunal não pode obrigar o Requerido a demandar o Tribunal. Em conformidade com o Artigo 28(7) do Protocolo e o Artigo 60(5) do Regulamento, a opinião separada do Juiz Fatsah OUGUERGOUZ é anexa à presente Ordem. Feito em Arusha, neste 20.º dia de Novembro do ano de 2015, nas línguas inglesa e francesa, sendo o texto na língua inglesa o texto fidedigno. Assinado: Augustino S.L. RAMADHANI, Presidente Elsie N. THOMPSON, Vice-Presidente Fatsah OUGUERGOUZ, Juiz Duncan TAMBALA, Juiz Sylvain ORÉ, Juiz Ben KIOKO, Juiz 6 El Hadji GUISSÉ, Juiz Rafâa Ben ACHOUR, Juiz Solomy B. BOSSA Juíza Ângelo Vasco MATUSSE, Juiz; e Robert ENO, Escrivão. 7