REsp 1986200 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque as matérias que se pretendiam aclaradas (utilidade pública, interesse social, demolição e sequência de medidas ambientais) já foram analisadas e fundamentadas no acórdão recorrido; os embargos não podem ser utilizados para reexame de provas ou para produzir efeito...
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- Parties
- Autor: Ministério Público Federal; Réu: Iate Clube de Caiobá; Réu: Complexo Recreativo Pousada de Ganchos Ltda. Me; Réu: Município de Governador Celso Ramos; Réu: União Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2025
- Procedural Posture
- Ação Civil Pública Ambiental / Embargos De Declaração Rejeitados (segunda Turma, Sessão Virtual De 13/03/2025 a 19/03/2025)
- Outcome
- Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Área De Preservação Permanente, Restinga, Desocupação De Terras De Marinha, Demolição E Recuperação Ambiental, Ação Civil Pública, Embargos De Declaração, Enunciado N. 7 Da Súmula Do STJ, Utilidade Pública E Interesse Social
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Parties
Ministério Público Federal
Autor
Iate Clube de Caiobá
Réu
Complexo Recreativo Pousada de Ganchos Ltda. Me
Réu
Município de Governador Celso Ramos
Réu
União Federal
Réu
Procedural Posture
Ação Civil Pública Ambiental / Embargos De Declaração Rejeitados (segunda Turma, Sessão Virtual De 13/03/2025 a 19/03/2025)
Legal Issues
- 1 Caracterização de APP/restinga
- 2 Obrigação de demolir edificações e promover recuperação ambiental
- 3 Cabimento de embargos de declaração para rediscutir mérito e reexame de provas
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque as matérias que se pretendiam aclaradas (utilidade pública, interesse social, demolição e sequência de medidas ambientais) já foram analisadas e fundamentadas no acórdão recorrido; os embargos não podem ser utilizados para reexame de provas ou para produzir efeito modificativo do julgado, nos termos do art. 1.022 do CPC/2015 e do Enunciado n. 7 da Súmula do STJ; a caracterização da APP/restinga e a necessidade de demolição e recuperação ambiental foram assentadas em elementos fático-probatórios, autorizando a manutenção da decisão que determinou demolição e medidas de recomposição ambiental.
Court Disposition
Embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitam-se os embargos de declaração
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/03/2025 a 19/03/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO IRREGULAR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CARACTERIZAÇÃO. RESTINGA. CONCLUSÕES ASSENTADAS EM ELEMENTOS FÁTICO-PROBATÓRIOS. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. RECONHECIMENTO DE FATO INCONTROVERSO. NECESSIDADE DE DEMOLIÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL. PRECEDENTES. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INEXISTÊNCIA. I - Na origem, trata-se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o Iate Clube de Caiobá, Complexo Recreativo Pousada de Ganchos Ltda. Me e Município de Governador Celso Ramos e União Federal objetivando a desocupação de terras de marinha, de área de preservação permanente e de uso comum do povo (faixa de praia) por parte de particulares, na Praia de Calheiros, no Município de Governador Celso Ramos, bem como sua recuperação ambiental. II - Na sentença, julgaram-se procedentes os pedidos. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para afastar a determinação de demolição das edificações objetos do litígio. Esta Corte negou provimento ao recurso especial do Iate Clube de Caioba e deu-se provimento ao recurso especial do Parquet. III - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. IV - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. V - Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao mérito recursal (utilidade pública e interesse social do bem imóvel e a demolição das construções), foram tratados no acórdão embargado, o que afasta a alegação de omissão. VI - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Negou-se provimento ao recurso especial interposto pelo Iate Clube de C a ioba e deu-se provimento ao recurso especial interposto pelo Ministério Público Federal, com fundamento no art. 105, III, a e c, da CF/1988. Os recursos especiais visam reformar acórdão do Tr ibunal Regional Federal da 4ª Região, nos termos assim ementados: DIREITO ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DESOCUPAÇÃO DE BEM DA UNIÃO. TERRENO DE MARINHA. Trata-se de área de preservação permanente, restinga e praia, área de propriedade da União e bem de uso comum do povo (art. 20, IV, VII), em Zona Costeira onde, para a implantação de complexo turístico, era exigido estudo de impacto ambiental (Lei 7.661/88), não suprido por licença municipal. Tempus regit actum. Resp. 146.220/SC, 2ª Turma, STJ. A posse da área dever ser restituída à União/SPU diante da nulidade da permissão de uso, no prazo de sessenta (60) dias, promovendo-se a desocupação do imóvel, a ocupação deve ser tida por indevida, resolvendo-se também cessão ou locação feita pelo município. Os réus particulares e o Município de Celso Ramos, este de forma subsidiária, ficam condenados a elaborar PRAD orientado pelo IBAMA. Resp.1410732/RN. Rel. Min. Herman Benjamim, 2ª Turma. A União deverá manifestar-se de forma conclusiva no prazo de sessenta (60) dias, pelo destino das edificações, optando pela demolição ou sua utilização no serviço público, ou promoção do interesse público. Na origem, trata-se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o Iate Clube de Caiobá, Complexo Recreativo Pousada de Ganchos Ltda. Me e Município de Governador Celso Ramos e União Federal objetivando a desocupação de terras de marinha, de área de preservação permanente e de uso comum do povo (faixa de praia) por parte de particulares, na Praia de Calheiros, no Município de Governador Celso Ramos, bem como sua recuperação ambiental. Na sentença, julgaram-se procedentes os pedidos. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para afastar a determinação de demolição das edificações objetos do litígio. Esta Corte negou provimento ao recurso especial do Iate Clube de Caioba e deu-se provimento ao recurso especial do Parquet. O acórdão tem a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBICA AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO IRREGULAR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CARACTERIZAÇÃO. RESTINGA. CONCLUSÕES ASSENTADAS EM ELEMENTOS FÁTICO-PROBATÓRIOS. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. RECONHECIMENTO DE FATO INCONTROVERSO. NECESSIDADE DE DEMOLIÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL. PRECEDENTES. I - Na origem, trata-se de ação civil pública, com pedido de antecipação de tutela, movida contra o Iate Clube de Caiobá, Complexo Recreativo Pousada de Ganchos Ltda Me, Município de Governador Celso Ramos e União Federal. O Ministério Público Federal objetivou a desocupação de bens da União (terras de marinha), de área de preservação permanente e de uso comum do povo (faixa de praia) por parte de particulares, na Praia de Calheiros, no Município de Governador Celso Ramos, bem como sua recuperação ambiental. II - Julgada procedente, em sede de apelação em decisão ampliada prevaleceu a divergência, tendo o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com base nos elementos fático-probatórios, assentado tratar-se de área de preservação permanente, restinga e praia, área de propriedade da União e bem de uso comum do povo (art. 20, IV, VII), em Zona Costeira onde, para a implantação de complexo turístico, era exigido estudo de impacto ambiental (Lei 7.661/88), não suprido por licença municipal. Tempus regit actum. Resp. 146.220/SC, 2ª Turma, STJ. Determinada a restituição da área à União/SPU diante da nulidade da permissão de uso, no prazo de sessenta (60) dias, promovendo-se a desocupação do imóvel, resolvendo-se também cessão ou locação feita pelo município. Os réus particulares e o Município de Celso Ramos, este de forma subsidiária, foram condenados a elaborar PRAD orientado pelo IBAMA. Resp.1410732/RN. Rel. Min. Herman Benjamim, 2ª Turma. A União deverá manifestar-se de forma conclusiva no prazo de sessenta (60) dias, pelo destino das edificações, optando pela demolição ou sua utilização no serviço público, ou promoção do interesse público. RECURSOS ESPECIAIS DOS PARTICULARES, MUNICÍPIO DE GOVERNADOR CELSO RAMOS E MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL III - Preliminares de inadequação da via eleita (ACP), decurso do prazo prescricional quinquenal atinente à ação civil pública, e impossibilidade de inversão do polo passivo da União rejeitadas. IV - A caracterização de APP - Area de Preservação Permanente e a conclusão acerca das características do sistema de restinga assentadas pelo Tribunal de origem nos elementos fático-probatórios e nos laudos produzidos, a incidir o óbice do Enunciado n. 7 da Súmula do STJ. V - Ainda que assim não fosse, a pretensão de manter a situação ilegal e inconstitucional, em especial na Zona Costeira, não resistiria ao "conjunto de normas constitucionais e infraconstitucionais, um intrincado microssistema jurídico próprio e peculiar que, apesar de pouco conhecido e aplicado de modo errático, deve ser observado pelo administrador e pelo juiz, em tudo que se refira a ações ou omissões que ameacem praias, recifes, parcéis e bancos de algas, ilhas costeiras e oceânicas, sistemas fluviais, estuarinos e lagunares, baías e enseadas, promontórios, costões e grutas marinhas, restingas, dunas, cordões arenosos, florestas litorâneas, manguezais, pradarias submersas, além de outras Áreas de Preservação Permanente, como falésias, e monumentos do patrimônio natural, histórico, paleontológico, espeleológico, arqueológico, étnico, cultural e paisagístico (art. 3º da Lei 7.661/1988)" (REsp n. 1.410.732/RN, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/10/2013, DJe de 13/12/2016.), com relação às teses que pretendam perpetuar as agressões ao meio ambiente. VI - A alegação da existência de Area urbana consolidada, desproporcionalidade e irrazoabilidade para desocupação do imóvel, além de encontrar óbice no Enunciado n. 7 da Súmula do STJ, vai de encontro com a jurisprudência dominante e consolidada, em consonância com as conclusões do acórdão recorrido, haja vista não admitir aplicação da teoria do fato consumado em matéria ambiental, ante o valor intrínseco do bem essencial à sadia qualidade de vida, em prol do bem comum. VII - Mutatis mutandis, a inadmissibilidade da consolidação da situação de fato, da teoria do fato consumado e do direito adquirido à degradação ambiental, aponta ao provimento do recurso especial interposto pelo Parquet Federal, haja vista o reconhecimento da agressão continuada e permanente ao meio ambiente. VIII - Não há falar em permissivo legal para manutenção de estado de coisas ambiental, ilegal e inconstitucional, atinente a situação fática reconhecidamente degradante e impeditiva à restauração da vegetação natural outrora existente na área atingida, ainda que de propriedade da União. IX - Ao revés, compete aos particulares e aos entes públicos de forma subsidiária, adotar as providências cabíveis à restituição das condições favoráveis à regeneração do ecossistema de restinga, inclusive quanto à elaboração do PRAD, sob orientação do IBAMA. X - Deve, portanto, ser provido o recurso especial, para incluir nas referidas providências, a demolição das estruturas edilícias e demais ações acessórias, a fim de viabilizar a regeneração da flora, não se sobrepondo suposta utilidade pública ou interesse social, na ponderação dos bens atingidos. XI - A legislação federal invocada, assim como o próprio entendimento acerca da proteção ambiental voltada à comunidade, voltamse contra as construções irregulares, em área de preservação ambiental e, nesse contexto, permitem a imposição de penalidades, dentre elas a demolição do imóvel e respectiva recuperação ambiental. Precedentes: (REsp 1820792/RN, Rel. Ministro Hermann Benjamin, Segunda Turma, DJe 22/10/2020, AgInt no REsp 1657829/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe 07/12/2020. XII - Recursos especiais dos particulares e do Município parcialmente conhecidos e, na parte conhecida, negado provimento; Agravo em recurso especial do Ministério Público Federal conhecido e provido para reformar parcialmente o v. acórdão e determinar a obrigação de demolir as edificações e demais ações acessórias (retirada de entulhos e recuperação da área degradada), a fim de viabilizar a recuperação ambiental na área atingida. Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: .. os Embargantes vem à presença deste D. Juízo requerer que sejam conhecidos e providos os presentes Embargos de Declaração para que sejam conferidos de Efeito Suspensivo quanto as obrigações de fazer fixados na r. Sentença, em especial a de demolição, retirada de equipamentos e apresentação de PRAD, para que as determinações e os prazos - não claros - das Decisões sejam claramente definidos e voltem a fluir somente após a decisão do presente recurso. Visando garantir maior segurança, roga-se ainda a este MD. Ministro manifestação quanto a estes efeitos já em despacho inicial no recebimento. Quanto ao mérito, requer-se sejam conhecidos e providos os presentes Embargos para que seja aclarado o V. Acórdão quanto à utilidade pública e interesse social do bem, esclarecendo-se por qual fundamento específico se afastou a utilidade pública e o interesse social como fatores aptos a permitir manutenção de usos em APP"s ao caso, e se aplicável o entendimento sempre. Em havendo revisão do afastamento destes para a manutenção das edificações em APP caso seu destino seja o uso público, requer-se sejam conferidos efeitos infringentes e revisto o resultado; e em mantida a decisão, esclarecendo-se quanto à delimitação da ordem/sequência de cumprimento de elaboração do PRAD, demolição e retirada de equipamentos (antes ou após aprovação do IBAMA no bojo do PRAD e por quem) e recuperação, bem como os prazos definidos às partes (inclusive entre os particulares) para adoção das medidas definidas na decisão final. É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL. CONSTRUÇÃO IRREGULAR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. CARACTERIZAÇÃO. RESTINGA. CONCLUSÕES ASSENTADAS EM ELEMENTOS FÁTICO-PROBATÓRIOS. ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. RECONHECIMENTO DE FATO INCONTROVERSO. NECESSIDADE DE DEMOLIÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL. PRECEDENTES. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. INEXISTÊNCIA. I - Na origem, trata-se de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal contra o Iate Clube de Caiobá, Complexo Recreativo Pousada de Ganchos Ltda. Me e Município de Governador Celso Ramos e União Federal objetivando a desocupação de terras de marinha, de área de preservação permanente e de uso comum do povo (faixa de praia) por parte de particulares, na Praia de Calheiros, no Município de Governador Celso Ramos, bem como sua recuperação ambiental. II - Na sentença, julgaram-se procedentes os pedidos. No Tribunal a quo, a sentença foi parcialmente reformada para afastar a determinação de demolição das edificações objetos do litígio. Esta Corte negou provimento ao recurso especial do Iate Clube de Caioba e deu-se provimento ao recurso especial do Parquet. III - Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante vícios no acórdão embargado. IV - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. V - Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao mérito recursal (utilidade pública e interesse social do bem imóvel e a demolição das construções), foram tratados no acórdão embargado, o que afasta a alegação de omissão. VI - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. (EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do CPC/2015, razão pela qual inviável o seu exame em embargos de declaração. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. FINALIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. ART. 1.022 DO NOVO CPC. 1. A ocorrência de um dos vícios previstos no art. 1.022 do CPC é requisito de admissibilidade dos embargos de declaração, razão pela qual a pretensão de mero prequestionamento de dispositivos constitucionais para a viabilização de eventual recurso extraordinário não possibilita a sua oposição. Precedentes da Corte Especial. 2. A pretensão de reformar o julgado não se coaduna com as hipóteses de omissão, contradição, obscuridade ou erro material contidas no art. 1.022 do novo CPC, razão pela qual inviável o seu exame em sede de embargos de declaração. 3. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl nos EAREsp n. 166.402/PE, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, julgado em 15/3/2017, DJe 29/3/2017.) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA RECLAMAÇÃO. CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. OMISSÕES. INEXISTÊNCIA. CARÁTER PROCRASTINATÓRIO RECONHECIDO. APLICAÇÃO DE MULTA. 1. A contradição capaz de ensejar o cabimento dos embargos declaratórios é aquela que se revela quando o julgado contém proposições inconciliáveis internamente. 2. Sendo os embargos de declaração recurso de natureza integrativa destinado a sanar vício - obscuridade, contradição ou omissão -, não podem ser acolhidos quando a parte embargante pretende, essencialmente, a obtenção de efeitos infringentes. 3. Evidenciado o caráter manifestamente protelatório dos embargos de declaração, cabe a aplicação da multa prevista no parágrafo único do art. 538 do CPC/1973. 4. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl na Rcl n. 8.826/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Corte Especial, julgado em 15/2/2017, DJe 15/3/2017.) Os vícios apontados pela parte embargante, relacionados ao mérito recursal (utilidade pública e interesse social do bem imóvel e a demolição das construções ), foram tratados no acórdão embargado, o que afasta a alegação de omissão, nos termos assim expostos: (..) Com relação aos artigos indicados à tese que visa à discussão sobre a existência de área de preservação permanente, inclusive no que tange à necessidade da presença de restinga fixadora de dunas ou estabilizadora de mangues, para sua caracterização, verifica-se que o cerne das irresignações das recorrentes vai de encontro às convicções do e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, com lastro no conjunto probatório constante dos autos, integrando os termos da r. sentença, concluiu, no original (fls. 1494 e ss., s.g. no original): (..) Observe-se que, na norma mais recente (a aplicável a Santa Catarina) já não se fala nem em "vegetação de restinga"; o CONAMA, de maneira inequívoca, define "restinga" e o faz não como acidente geográfico, mas como "um conjunto de ecossistemas", localizados em "terrenos predominantemente arenosos", encontrável em "praias, cordões arenosos, dunas e depressões associadas, planícies e terraços". Em síntese, à luz desse conjunto normativo complexo - que evolui com o próprio conhecimento sobre os ecossistemas incorporados no sentido atual do vocábulo, o natural dinamismo do Direito Ambiental e as necessidades crescentes de protegê-la -, a restinga é caracterizada por um conjunto de traços identificadores: a) localização em depósito arenosos, cordões arenosos, dunas, e depressões, que pode incluir, como forma de garantir a proteção do todo, também florestas de transição restinga-encosta; b) ocorrência em linha paralela à Costa, daí a influência marinha; c) povoamento por comunidades edáficas; d) cobertura vegetal em mosaico, estrato herbáceo, arbustivo e arbóreo, este último mais interiorizado. Onde essas características, dentre outras, listadas pela legislação se fizerem presentes, de restinga se cuidará para fins de proteção como APP. Assim, desde aquela época, antes mesmo da edição do novo Código Florestal, a restinga não se reduz ou limita à faixa de trezentos metros da Resolução CONAMA n. 303/2002, ou à função de fixadora de dunas. Nesse diapasão, a Corte de origem claramente assentou que a área em comento, por todas as suas características e contexto fático-probatório, se constitui em APP - Área de Preservação Permanente. Forçoso reconhecer que, para rever tal posição e interpretar os dispositivo legais indicados como violados, seria necessário o reexame dos elementos fáticoprobatórios, o que é vedado no âmbito estreito do recurso especial. Incide na hipótese o enunciados n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". No mesmo sentido o parecer do d. Ministério Público Federal (fls. 2333 e ss.), cujo excerto, por oportuno e relevante, se transcreve a integrar o presente voto, per relationem: (..) Sendo constatada a ocorrência de degradação, como a edificação em Zona Costeira, erguida mediante licença ambiental sem o devido EIA/RIMA, deve-se se impor a regularização da situação e a recomposição dos danos causados ao meio ambiente. O EIA/RIMA é instrumento de controle com condições para uma avaliação segura e satisfatória, em face dos objetivos a serem alcançados na tutela do meio ambiente, seja para prevenir, mitigar e corrigir impactos ambientais negativos. Foi por essa razão que, de forma suficientemente fundamentada, a Corte Regional, referindo-se à prova técnica, enfatizou a necessidade de aprovação do EIA/RIMA para a concessão da licença ambiental, alinhando-se a posicionamento já a adotado por essa Corte Superior, como evidencia o seguinte precedente da Segunda Turma. De fato, ainda que assim não fosse, a pretensão de manter a situação ilegal e inconstitucional, em especial na Zona Costeira, não resistiria ao "conjunto de normas constitucionais e infraconstitucionais, um intrincado microssistema jurídico próprio e peculiar que, apesar de pouco conhecido e aplicado de modo errático, deve ser observado pelo administrador e pelo juiz, em tudo que se refira a ações ou omissões que ameacem praias, recifes, parcéis e bancos de algas, ilhas costeiras e oceânicas, sistemas fluviais, estuarinos e lagunares, baías e enseadas, promontórios, costões e grutas marinhas, restingas, dunas, cordões arenosos, florestas litorâneas, manguezais, pradarias submersas, além de outras Áreas de Preservação Permanente, como falésias, e monumentos do patrimônio natural, histórico, paleontológico, espeleológico, arqueológico, étnico, cultural e paisagístico (art. 3º da Lei 7.661/1988)", com relação às teses que pretendam perpetuar as agressões ao meio ambiente. Aplica-se, à espécie, o enunciado da Súmula 83/STJ: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida." Ressalte-se que o teor do referido enunciado aplica-se, inclusive, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional. Incidem, igualmente, os mesmos óbices dos Enunciados n. 7 e 83, no que toca à tese de que se trataria de área urbana consolidada, cuja desocupação ou demolição das estruturas edilícias seria afrontosa aos princípios da razoabilidade e desproporcionalidade. A uma, porque, rever as conclusões a que chegou a Corte local, seja quanto à inexistência de área urbana consolidada, seja quanto à razoabilidade e proporcionalidade, implicaria necessariamente o reexame dos elementos fático-probatórios; A duas, porque a jurisprudência dominante e consolidade está em consonância com as conclusões contrárias à tese da área urbana consolidade, haja vista não admitir aplicação da teoria do fato consumado em matéria ambiental, ante o valor intrínseco do bem essencial à sadia qualidade de vida, em prol do bem comum. (..) Por outro lado, mutatis mutandis, a inadmissibilidade da consolidação da situação de fato, da teoria do fato consumado e do direito adquirido à degradação ambiental, aponta ao provimento do recurso especial interposto pelo Parquet Federal, haja vista o reconhecimento da agressão continuada e permanente ao meio ambiente. Não há falar em permissivo legal para manutenção de estado de coisas ambiental, ilegal e inconstitucional, atinente a situação fática reconhecidamente degradante e impeditiva à restauração da vegetação natural outrora existente na área atingida, ainda que de propriedade da União. Ao revés, compete aos particulares e aos entes públicos de forma subsidiária, adotar as providências cabíveis à restituição das condições favoráveis à regeneração do ecossistema de restinga, inclusive quanto à elaboração do PRAD, sob orientação do IBAMA, sob a responsabilidade dos particulares e dos entes públicos (Município e União), estes últimos de forma subsidiária. conforme mantido da r. sentença. Deve, portanto, ser provido o recurso especial do Ministério Público Federal, para incluir nas referidas providências, a demolição das estruturas edilícias e demais ações acessórias, a fim de viabilizar a regeneração da flora, não se sobrepondo suposta utilidade pública ou interesse social, na ponderação dos bens atingidos. Cumpre ressaltar que os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que o acórdão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.