AREsp 3138124 - ACORDAO
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não efetuou impugnação específica, pontual e analítica do fundamento de inadmissibilidade baseado na Súmula n. 7/STJ; assim, aplica-se a Súmula n. 182/STJ e o art. 932, III, do CPC (aplicado ao processo penal pelo art. 3º do CPP), não conhecendo-se do agravo em...
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- Parties
- Agravante: JUAREZ MONTEIRO DE JESUS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 April 2026
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual)
- Outcome
- agravo regimental não provido
- Legal Topics
- Ônus Da Impugnação Específica, Súmula 7/stj, Súmula 182/stj, Inadmissibilidade Do Agravo Em Recurso Especial, Reexame De Provas, Princípio Da Dialeticidade Recursal
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Parties
JUAREZ MONTEIRO DE JESUS
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Colegiado (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 se o agravo em recurso especial apresentou impugnação específica, pontual e suficiente aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade, notadamente quanto à Súmula n. 7/STJ
- 2 se a ausência de impugnação específica atrai a incidência da Súmula n. 182/STJ e autoriza o não conhecimento do agravo com fundamento no art. 932, III, do CPC aplicado ao processo penal pelo art. 3º do CPP
Ratio Decidendi
O agravo regimental foi desprovido porque o agravante não efetuou impugnação específica, pontual e analítica do fundamento de inadmissibilidade baseado na Súmula n. 7/STJ; assim, aplica-se a Súmula n. 182/STJ e o art. 932, III, do CPC (aplicado ao processo penal pelo art. 3º do CPP), não conhecendo-se do agravo em recurso especial e mantendo-se a decisão monocrática.
Court Disposition
agravo regimental não provido
Orders
- negar provimento ao agravo regimental
- manter a decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica quanto à Súmula n. 7/STJ
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 19/03/2026 a 25/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Os Srs. Ministros Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Antonio Saldanha Palheiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Rogerio Schietti Cruz. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO SIMPLES. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULAS 7 E 182/STJ. INADMISSIBILIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial manejado em ação penal na qual o agravante foi condenado por roubo simples, consistente na subtração de aparelho celular mediante grave ameaça, com simulação de porte de arma, perseguição imediata pela vítima, contenção por populares e descarte do objeto em poça d"água. 2. Fundamentos do agravo regimental. Alegação de que não incide o óbice da Súmula n. 7/STJ, sob o argumento de que o agravo em recurso especial teria demonstrado, por meio de cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, a desnecessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório. 3. Decisão agravada. Despacho de inadmissibilidade do recurso especial fundado na vedação ao reexame de provas (Súmula n. 7/STJ), mantido em decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica e suficiente de tal óbice. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial apresentou impugnação específica, pontual e suficiente aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, notadamente quanto à aplicação da Súmula n. 7/STJ, de modo a afastar a incidência da Súmula n. 182/STJ e permitir o conhecimento do agravo. III. Razões de decidir 5. O conhecimento do agravo em recurso especial pressupõe o cumprimento do ônus da impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em observância ao princípio da dialeticidade recursal. 6. No caso concreto, o agravante não refutou, de modo analítico e efetivo, o fundamento de inadmissibilidade relativo à incidência da Súmula n. 7/STJ, limitando-se a alegações genéricas de que não pretendia o reexame de provas. 7. Para afastar o óbice da Súmula n. 7/STJ, incumbia ao recorrente demonstrar, mediante cotejo analítico entre as premissas fáticas fixadas no acórdão recorrido e as teses recursais, que a controvérsia se restringia à revaloração jurídica dos fatos, o que não foi observado. 8. A ausência de impugnação específica e dialética de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade atrai a incidência da Súmula n. 182/STJ e autoriza, nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil, aplicado ao processo penal pelo art. 3º do Código de Processo Penal, o não conhecimento do agravo em recurso especial. 9. Mantida a higidez dos fundamentos da decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, impõe-se o desprovimento do agravo regimental. IV. Dispositivo e tese 6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. O agravante deve impugnar de forma específica, pontual e analítica todos os fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial, inclusive quanto à incidência da Súmula n. 7/STJ, sob pena de incidência da Súmula n. 182/STJ e de não conhecimento do agravo em recurso especial, nos termos do art. 932, III, do CPC, aplicado ao processo penal pelo art. 3º do CPP. Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 932, III; Código de Processo Penal, art. 3º; Súmula n. 7/STJ; Súmula n. 182/STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 2183499/MG, Rel. Min. Carlos Cini Marchionatti (Des. Convocado do TJRS), Quinta Turma, j. 20/03/2025, DJEN 26/03/2025.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por JUAREZ MONTEIRO DE JESUS contra a decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial. Em suas razões, a parte agravante alega que inexiste o óbice contido na Súmula n. 7 do STJ, porquanto o agravo esclareceu, por meio do cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, que o conhecimento da insurgência dispensaria o revolvimento probatório. Requer a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do recurso ao crivo do órgão colegiado, a fim de que seja provido. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ROUBO SIMPLES. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULAS 7 E 182/STJ. INADMISSIBILIDADE DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. I. Caso em exame 1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial manejado em ação penal na qual o agravante foi condenado por roubo simples, consistente na subtração de aparelho celular mediante grave ameaça, com simulação de porte de arma, perseguição imediata pela vítima, contenção por populares e descarte do objeto em poça d"água. 2. Fundamentos do agravo regimental. Alegação de que não incide o óbice da Súmula n. 7/STJ, sob o argumento de que o agravo em recurso especial teria demonstrado, por meio de cotejo entre as teses recursais e os fundamentos do acórdão recorrido, a desnecessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório. 3. Decisão agravada. Despacho de inadmissibilidade do recurso especial fundado na vedação ao reexame de provas (Súmula n. 7/STJ), mantido em decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial por ausência de impugnação específica e suficiente de tal óbice. II. Questão em discussão 4. A questão em discussão consiste em saber se o agravo em recurso especial apresentou impugnação específica, pontual e suficiente aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade do recurso especial, notadamente quanto à aplicação da Súmula n. 7/STJ, de modo a afastar a incidência da Súmula n. 182/STJ e permitir o conhecimento do agravo. III. Razões de decidir 5. O conhecimento do agravo em recurso especial pressupõe o cumprimento do ônus da impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, em observância ao princípio da dialeticidade recursal. 6. No caso concreto, o agravante não refutou, de modo analítico e efetivo, o fundamento de inadmissibilidade relativo à incidência da Súmula n. 7/STJ, limitando-se a alegações genéricas de que não pretendia o reexame de provas. 7. Para afastar o óbice da Súmula n. 7/STJ, incumbia ao recorrente demonstrar, mediante cotejo analítico entre as premissas fáticas fixadas no acórdão recorrido e as teses recursais, que a controvérsia se restringia à revaloração jurídica dos fatos, o que não foi observado. 8. A ausência de impugnação específica e dialética de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade atrai a incidência da Súmula n. 182/STJ e autoriza, nos termos do art. 932, III, do Código de Processo Civil, aplicado ao processo penal pelo art. 3º do Código de Processo Penal, o não conhecimento do agravo em recurso especial. 9. Mantida a higidez dos fundamentos da decisão monocrática que não conheceu do agravo em recurso especial, impõe-se o desprovimento do agravo regimental. IV. Dispositivo e tese 6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido. Tese de julgamento: 1. O agravante deve impugnar de forma específica, pontual e analítica todos os fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial, inclusive quanto à incidência da Súmula n. 7/STJ, sob pena de incidência da Súmula n. 182/STJ e de não conhecimento do agravo em recurso especial, nos termos do art. 932, III, do CPC, aplicado ao processo penal pelo art. 3º do CPP. Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 932, III; Código de Processo Penal, art. 3º; Súmula n. 7/STJ; Súmula n. 182/STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 2183499/MG, Rel. Min. Carlos Cini Marchionatti (Des. Convocado do TJRS), Quinta Turma, j. 20/03/2025, DJEN 26/03/2025. VOTO O caso trata de subtração de celular mediante grave ameaça, em que o agente simula portar arma ao manter a mão na mochila e profere "qualquer gesto que você fizer, eu atiro", nas imediações da rodoviária de Feira de Santana. A dinâmica envolve perseguição imediata da vítima, contenção por populares e descarte do aparelho em uma poça d"água. O elemento probatório central é o depoimento detalhado, coerente e firme da vítima, corroborado pelo relato policial sobre a captura por terceiros. A sentença condenou por roubo simples e o acórdão manteve a condenação, reconhecendo a grave ameaça por simulação e a suficiência do conjunto probatório. O conhecimento do agravo pressupõe o integral cumprimento do ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. Conforme o princípio da dialeticidade, se o agravante não refuta, de maneira pontual e suficiente, cada um dos óbices aplicados, o agravo não supera seu próprio juízo de admissibilidade, o que impede a análise do recurso especial. No caso concreto, o agravante não observou tal requisito processual. A decisão de inadmissibilidade fundamentou-se na vedação ao reexame de provas, conforme a Súmula n. 7/STJ (fls. 398-409). A argumentação do agravo, contudo, falhou em infirmar adequadamente a aplicação do referido óbice. Para afastar o impedimento da Súmula n. 7/STJ, seria imperativo que o recorrente, por meio de um cotejo analítico, demonstrasse que a sua pretensão recursal não demanda a reavaliação do substrato fático-probatório, mas apenas a revaloração jurídica dos fatos já soberanamente delineados no acórdão recorrido. A ausência dessa demonstração técnica, limitando-se a alegações genéricas, torna a impugnação ineficaz e mantém hígido o fundamento da decisão agravada. A jurisprudência deste Tribunal é pacífica ao exigir, para o afastamento da Súmula n. 7, que a parte demonstre, com base nas premissas fáticas do próprio acórdão, que a questão é puramente de direito, não bastando a mera assertiva de que não se pretende o reexame de provas (AgRg no AREsp 2183499/MG, Rel. Ministro Carlos Cini Marchionatti, Desembargador Convocado do TJRS, Quinta Turma, julgado em 20/03/2025, DJEN de 26/03/2025). Sob a mesma perspectiva: PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182/STJ. CONCESSÃO DA ORDEM DE HABEAS CORPUS. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ART. 2º, INCISO II, DA LEI N. 8.137/1990. FALTA DE RECOLHIMENTO DO ICMS. DOLO DE APROPRIAÇÃO NÃO COMPROVADO. ABSOLVIÇÃO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. Da análise das razões do agravo interposto (e-STJ fls. 1168/1183), se extrai que a parte agravante deixou de infirmar, de forma específica e pormenorizada, a incidência de óbice ventilado pela Corte de origem para inadmitir o recurso especial, no caso, a Súmula n. 7/STJ (e-STJ fls. 1140/1157). 2. Nos termos da orientação jurisprudencial deste Superior Tribunal, "para que se considere adequadamente impugnada a Súmula 7/STJ, o agravo precisa empreender um cotejo entre os fatos estabelecidos no acórdão e as teses recursais, mostrando em que medida estas não exigem a alteração do quadro fático delineado pelo Tribunal local, o que não se observa na alegação genérica de ser prescindível reexame de fatos e provas" (AgRg no AREsp n. 2.060.997/SC, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 2/8/2022, DJe 10/8/2022). 3. A falta de impugnação específica de todos os fundamentos utilizados na decisão agravada (despacho de inadmissibilidade do recurso especial) atrai a incidência da Súmula n. 182 desta Corte Superior. (AREsp 2548204/RN, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 05/08/2025, DJEN de 22/08/2025) Dessa forma, conclui-se que o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade. A parte recorrente não impugnou, de forma específica e dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. Incide, portanto, a Súmula n. 1 82 do STJ, bem como a regra do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável ao processo penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. Sobre a matéria: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO NÃO CONHECIDO POR INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ NÃO INFIRMADO PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, ônus da parte recorrente, obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; e da Súmula n. 182 do STJ, aplicável por analogia. 2. "O momento processual adequado para a impugnação completa dos termos da decisão de inadmissibilidade é o agravo em recurso especial, e não o agravo regimental oposto cont ra a decisão que aplicou o mencionado óbice sumular" (AgRg no REsp n. 1.991.029/PR, relator Ministro Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023). 3 . Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 2400759/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 05/03/2024, DJe de 11/03/2024) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.