AREsp 2518968 - DECISAO
Reconsiderou‑se a decisão para conhecer do agravo interno e, no mérito do recurso especial, não conhecê‑lo, uma vez que o acórdão recorrido fundamentou‑se em análise do contexto fático‑probatório (ônus da prova, inexistência de comprovação do adimplemento), sendo necessário o reexame de provas para a pretensão...
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- Parties
- Agravante / Recorrente: MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO; Agravado / Recorrido: PROFESSOR DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE AMARANTE DO MARANHÃO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 June 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Face De Decisão Sobre Recurso Especial / Decisão Monocrática De Reconsideração: Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
- Outcome
- Conhecer do agravo interno e não conhecer do recurso especial; majoração de honorários sucumbenciais em 10% em desfavor da parte recorrente.
- Legal Topics
- Ônus Probatório (art. 373, II, Cpc), Prequestionamento, Súmula 7/stj (reexame De Provas), Súmulas 282 E 356/stf (óbice), Embargos De Declaração, Piso Salarial Nacional, Terço Constitucional Sobre Férias, Honorários Sucumbenciais (art. 85, §11
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Parties
MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO
Agravante / Recorrente
PROFESSOR DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE AMARANTE DO MARANHÃO
Agravado / Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno Em Face De Decisão Sobre Recurso Especial / Decisão Monocrática De Reconsideração: Conhecer Do Agravo E Não Conhecer Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 incidência das Súmulas 282 e 356/STF como óbice ao conhecimento do recurso especial
- 2 se houve prequestionamento da matéria por meio de embargos de declaração
- 3 distribuição do ônus da prova (art. 373, II, CPC)
Ratio Decidendi
Reconsiderou‑se a decisão para conhecer do agravo interno e, no mérito do recurso especial, não conhecê‑lo, uma vez que o acórdão recorrido fundamentou‑se em análise do contexto fático‑probatório (ônus da prova, inexistência de comprovação do adimplemento), sendo necessário o reexame de provas para a pretensão recursal, o que é vedado pelo entendimento consolidado na Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Conhecer do agravo interno e não conhecer do recurso especial; majoração de honorários sucumbenciais em 10% em desfavor da parte recorrente.
Orders
- Conhecer do agravo interno interposto pelo MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO
- Não conhecer do recurso especial interposto
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interno interposto pelo MUNICÍPIO DE AMARANTE DO MARANHÃO da decisão em que a Presidência do Superior Tribunal de Justiça conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial porque houve incidência do óbice das Súmulas 282 e 356/STF (fls. 450/452). A parte agravante afirma que "não se vislumbra, aqui, a incidência das Súmulas acima, uma vez que houve, sim, a oposição de embargos de declaração com o fito de prequestionar a matéria, vide e-STJ 335-342 " (fl. 460). Sustenta que, "a despeito do pedido expresso do recorrente em produzir provas (em sede de contestação), o juízo monocrático desconsiderou-o terminantemente, entendendo que a questão prescindia de maiores dilações" (fl. 461). Argumenta: "Da análise detida da decisão recorrida, verifica-se que o e. Tribunal de Justiça maranhense entendeu que o ente público não teria comprovado o fato extintivo do direito do autor (art. 373, II do CPC), entendendo que deveria o ente público comprovar que pagou férias e décimo terceiro à parte recorrida. Mas veja, Excelência, o e. Tribunal de Justiça local imputou ao ente público ônus probatório contrário à toda jurisprudência pátria, como se fosse dever da parte contrária demonstrar o direito alegado" (fl. 463). Requer a reconsideração da decisão ou a apresentação do processo ao órgão colegiado competente. A parte agravada não apresentou impugnação (fl. 474). É o relatório. Diante das alegações da parte agravante, reconsidero a decisão agravada e passo ao exame do recurso. O recurso especial foi interposto, com fundamento no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição Federal, do acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO assim ementado (fls. 282/332): CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE COBRANÇA C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER - PROFESSOR DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DE AMARANTE DO MARANHÃO - PISO SALARIAL NACIONAL PREVISTO NA LEI FEDERAL Nº 11.780/2008 - RECEBIMENTO ACIMA DO PISO - DESNECESSIDADE DE REAJUSTE - DIFERENÇA DO PERCENTUAL DE 3,012% INDEVIDAMENTE SUPRIMIDO POR DECRETO - DIREITO DO SERVIDOR AO ADIMPLEMENTO DAS DIFERENÇAS SALARIAIS - ADICIONAL DO TERÇO CONSTITUCIONAL SOBRE 45 DIAS DE FÉRIAS ANUAIS - DIREITO DO SERVIDOR (ART. 7º, XVII, DA CF) - PRECEDENTES DESTA CORTE - APELAÇÃO CÍVEL DESPROVIDA. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 356/391). Nas razões de seu recurso especial, a parte recorrente alega violação aos arts. 355, 373, I e II, 370 e 371 do Código de Processo Civil (CPC). Trago novamente o seguinte argumento da parte: "Da análise detida da decisão recorrida verifica-se que o e. Tribunal de Justiça maranhense entendeu que o ente público não teria comprovado o fato extintivo do direito do autor (art. 373, II do CPC), entendendo que deveria o ente público comprovar que pagou férias e décimo terceiro à parte recorrida. Mas veja Excelência, o e. Tribunal de Justiça local imputou ao ente público ônus probatório contrário à toda jurisprudência pátria, como se fosse dever da parte contrária demonstrar o direito alegado" (fl. 400). Nos exatos termos do acórdão recorrido, o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MARANHÃO assim se manifestou (fl. 329) De sua parte, de acordo com o que consta dos autos, o Município apelante editou a Lei Municipal n.º 299/2010 Lei Municipal nº 299/2010 (que dispõe sobre a estruturação do Plano de Cargos e Carreiras da Rede pública Municipal de Ensino de Amarante do Maranhão e da providências correlatas), estabelecendo em seu art. 53 4 que o magistério público gozará, anualmente, de 45 dias férias, dos quais 30 serão usufruídos após término do ano letivo e o restante ao término do 1º semestre escolar, o que impõe a consequente percepção dos valores referentes ao terço constitucional, calculado sobre todo o período de gozo de 45 (quarenta e cinco) dias, conforme estabelece a norma constitucional do citado art. 7º, XVIII, da CF/1988. Logo, é de se concluir que a municipalidade apelante não se desincumbiu do ônus de demonstrar prova quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da autora/apelada, ônus que lhe cabia, a teor do art. 373, II, do CPC 5 , ou seja, não há nos autos, a negativa de prestação do labor do servidor recorrido, nem a prova do adimplemento dos valores cobrados, bem assim, que a supressão das verbas se amparou em razões legalmente albergadas. Limitando-se o recorrente alegar que realiza o pagamento do terço constitucional de forma correta, sem, entretanto, comprovar o alegado, resultando daí a condenação para que o ente municipal realize o pagamento das verbas devidas, conforme reconhecido no decisum recorrido. O Tribunal de origem reconheceu que "não há nos autos, a negativa de prestação do labor do servidor recorrido, nem a prova do adimplemento dos valores cobrados, bem assim, que a supressão das verbas se amparou em razões legalmente albergadas (fl. 329). Entendimento diverso, conforme pretendido, implicaria o reexame do contexto fático-probatório dos autos, circunstância que redundaria na formação de novo juízo acerca dos fatos e das provas, e não na valoração dos critérios jurídicos concernentes à utilização da prova e à formação da convicção, o que impede o conhecimento do recurso especial quanto ao ponto. Incide no presente caso a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo a qual "a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". Nesse sentido, confira-se o seguinte julgado deste Tribunal: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 211/STJ. ART. 1.025 DO CPC/2015. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO DE OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC/2015. AFRONTA AOS ARTS. 165 E 458 DO CPC/1973. NÃO OCORRÊNCIA. VALORAÇÃO DE PROVAS PELO MAGISTRADO. PRINCÍPIO DO LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRINCÍPIO DA LIVRE ADMISSIBILIDADE DAS PROVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO, EXISTÊNCIA DE DANOS, QUANTUM E DEVER DE INDENIZAR. REVISÃO DAS CONCLUSÕES ESTADUAIS. REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. O Decreto 553/1976, a Lei 11.445/2007, bem como os arts. 18, § 1º, da Lei 6.528/1978; 30, III e IV, da Lei 11.445/2007 e 42, parágrafo único, do CDC, tidos por afrontados, não foram ventilados no aresto atacado. Embora tenham sido opostos Embargos Declaratórios para a manifestação sobre os citados dispositivos, o órgão julgador não emitiu juízo de valor sobre as teses a eles referentes. 2. A parte interessada tampouco aduziu, nas razões do Apelo Especial, ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015, a fim de viabilizar possível anulação do julgado por vício de prestação jurisdicional. Incide, na hipótese, a Súmula 211/STJ. 3. Para que se configure o prequestionamento, não basta que a parte recorrente devolva a questão controvertida para o Tribunal, é necessário que a causa tenha sido decidida à luz da legislação federal indicada, bem como que seja exercido juízo de valor sobre o dispositivo legal indicado e a tese recursal a ele vinculada, interpretando-se a sua aplicação ou não ao caso concreto. 4. Nesse contexto, por simples cotejo das razões recursais com os fundamentos do acórdão, percebe-se que as teses recursais vinculadas aos dispositivos tidos como ofendidos não foram apreciadas pela Corte a quo. 5. O STJ possui o entendimento de que não basta a oposição de Embargos de Declaração para a configuração do prequestionamento ficto admitido no art. 1.025 do CPC/2015, sendo imprescindível que a parte alegue, nas razões do Recurso Especial, a violação do art. 1.022 do mesmo diploma legal, para que, assim, o Superior Tribunal de Justiça esteja autorizado a examinar eventual ocorrência de omissão no acórdão recorrido e, caso constate a existência do vício, venha a deliberar sobre a possibilidade de julgamento imediato da matéria, conforme facultado pelo legislador. 6. A suposta ausência de fundamentação do acórdão vergastado, consoante a jurisprudência do STJ, não deve ser confundida com a adoção de razões contrárias aos interesses da parte. Assim, não há violação dos arts. 165 e 458 do CPC/1973 quando o Tribunal de origem decide de modo claro e fundamentado, como ocorre na hipótese. 7. Não configura violação aos arts. 370, 369 e 373 do CPC/2015, quando o julgador, entendendo substancialmente instruído o feito, motiva a sua decisão na existência de elementos suficientes para formação da sua convicção, conforme o princípio do livre convencimento motivado ou da persuasão racional. 8. O princípio da livre admissibilidade das provas autoriza o julgador a determinar as provas que repute necessárias ao deslinde da controvérsia, e a indeferir aquelas consideradas prescindíveis ou meramente protelatórias, não configurando cerceamento de defesa o julgamento da causa sem a produção da prova solicitada pela parte, quando devidamente demonstrada a instrução do feito e a presença de dados suficientes à formação do convencimento. 9. No acórdão objurgado, o Tribunal de origem lançou os seguintes fundamentos: a) "Inicialmente, rejeita-se a preliminar de cerceamento de defesa, porquanto a prova pericial de engenharia afigura-se absolutamente desnecessária para o desate da controvérsia, haja vista que o rompimento da adutora de água da CEDAE que acarretou na inundação da residência dos autores, além de devidamente provada nos autos, é fato notório e incontroverso, mormente porque a própria concessionária figurou no Termo de Acordo e Quitação."; b) "A gravidade do ilícito em si decorre o dano moral, o qual está ínsito na própria ofensa decorrente da inundação da residência dos autores em virtude do rompimento de uma adutora da ré, ocorrendo in re ipsa, isto é, provada a ofensa, ipso facto está demonstrado o dano moral, à guisa de uma presunção natural que decorre das regras da experiência comum."; e c) "Nessa toada, em conta das considerações acima tecidas, reputa-se a quantia de R$ 8.000,00 (oito mil reais) fixada para a primeira autora (grávida de oito meses à época da inundação de sua casa), bem como o valor de R$ 4.000,00 (quatro mil reais) para o segundo autor, filho daquela, adequados aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem como ao caráter punitivo, pedagógico e preventivo da verba reparatória, além não destoar do comumente arbitrado por esta Corte em casos parecidos, conforme os precedentes acima colacionados que dizem respeito à matéria versada na presente demanda.". 10. Observa-se que o órgão julgador decidiu a questão após percuciente análise dos fatos e das provas relacionados à causa. É certo asseverar que, na moldura delineada, infirmar o entendimento assentado no aresto impugnado a respeito da ausência de cerceamento de defesa, da prescindibilidade da realização das provas requeridas, da distribuição do ônus probatório das partes, da existência dos danos, bem como do quantum e do dever de indenizar, passa por revisitar o acervo probatório, o que é vedado em Recurso Especial, consoante a Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 11. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.274.331/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 15/5/2023, DJe de 27/6/2023.) Ante o exposto, reconsidero a decisão de fls. 450/452 para conhecer do agravo e não conhecer do recurso especial. Majoro em 10% (dez por cento), em desfavor da parte recorrente, o valor de honorários sucumbenciais já arbitrado, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º desse mesmo dispositivo. Publique-se. Intimem-se. EMENTA