EAREsp 1995227 - ACORDAO
Os embargos de divergência foram inadmitidos por ausência de similitude fática entre o acórdão embargado e o paradigma, não havendo divergência de teses jurídicas e estando o acórdão embargado em consonância com a jurisprudência pacificada do STJ (aplicação do princípio da causalidade), incidindo assim o óbice da...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: MARIA CONCEIÇÃO SILVA DO AMARAL BRITO (MARIA DA CONCEIÇÃO); Embargado: BANCO DO BRASIL S.A. (BANCO)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Divergência Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Ônus Sucumbenciais, Prescrição Intercorrente, Princípio Da Causalidade, Embargos De Divergência, Súmula N. 168 Do STJ, Agravo Interno
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARIA CONCEIÇÃO SILVA DO AMARAL BRITO (MARIA DA CONCEIÇÃO)
Embargante
BANCO DO BRASIL S.A. (BANCO)
Embargado
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Divergência Em Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Aplicação do princípio da causalidade na fixação dos ônus sucumbenciais em execução extinta por prescrição intercorrente
- 2 Exigência de similitude fática para caracterização de divergência jurisprudencial em embargos de divergência
- 3 Incidência da Súmula n. 168 do STJ quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado
Ratio Decidendi
Os embargos de divergência foram inadmitidos por ausência de similitude fática entre o acórdão embargado e o paradigma, não havendo divergência de teses jurídicas e estando o acórdão embargado em consonância com a jurisprudência pacificada do STJ (aplicação do princípio da causalidade), incidindo assim o óbice da Súmula n. 168 do STJ; por consequência, nega-se provimento ao agravo interno.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno interposto por MARIA CONCEIÇÃO SILVA DO AMARAL BRITO (MARIA DA CONCEIÇÃO).
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/09/2025 a 10/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto do Sr. Ministro Moura Ribeiro. Os Srs. Ministros Daniela Teixeira, Nancy Andrighi, Humberto Martins, Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti e Antonio Carlos Ferreira votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Marco Buzzi. Impedidos os Srs. Ministros João Otávio de Noronha e Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. ACÓRDÃO EMBARGADO NO MESMO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 168 DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A ausência de similitude fática entre os julgados embargado e paradigma impede a configuração de divergência jurisprudencial. 2. Não há como admitir os embargos manejados, pois, na hipótese mencionada, não existe divergência de teses jurídicas, mas apenas diferenças casuísticas entre os acórdãos confrontados. 3. O acórdão embargado se baseou em entendimento pacificado por esta Corte Superior, incidindo ao caso o óbice da Súmula n. 168 do STJ, segundo a qual não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de divergência opostos por MARIA CONCEIÇÃO SILVA DO AMARAL BRITO (MARIA DA CONCEIÇÃO), na demanda em que contende com BANCO DO BRASIL S.A. (BANCO) contra acórdão prolatado pela Quarta Turma do STJ, da relatoria do Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, assim ementado: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. DECISÃO MANTIDA. 1. "O entendimento adotado pelas Turmas que compõem a Segunda Seção do STJ, é no sentido de que em face do princípio da causalidade, não se justifica a imposição de sucumbência ao exequente, frustrado em seu direito de crédito, em razão de prescrição intercorrente. Isso porque quem deu causa ao ajuizamento da execução foi o devedor que não cumpriu a obrigação de satisfazer dívida líquida e certa" (AgInt no AgInt no AREsp n. 2.037.941/PR, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, julgado em 26/9/2022, D Je de 30/9/2022). 2. Agravo interno a que se nega provimento (e-STJ, fls. 917-923). O dissídio jurisprudencial submetido à análise da Segunda Seção diz respeito a aplicação do princípio da causalidade na fixação dos ônus sucumbenciais em casos de extinção da execução pela prescrição intercorrente. Sustentou que enquanto o acórdão embargado da Quarta Turma entendeu que, mesmo na hipótese de prescrição intercorrente, o devedor deve arcar com os ônus sucumbenciais, o acórdão paradigma da Terceira Turma entendeu em sentido contrário, de que, caso a execução seja extinta por culpa do credor/exequente, este deve arcar com os honorários advocatícios. O embargante citou como paradigma o acórdão da Terceira Turma prolatado no AgInt no AREsp 2.492.266/PR, relator Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, DJe de 19/06/2024 (e-STJ, fl. 932). Os embargos de divergência foram rejeitados liminarmente em razão da ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados e da ausência de dissenso jurisprudencial, incidindo ao caso o óbice da Súmula n. 168 do STJ (e-STJ, fls. 968-971). Contra essa decisão foi interposto o presente agravo interno por MARIA DA CONCEIÇÃO sustentando que (1) a controvérsia está centrada na correta interpretação do princípio da causalidade na fixação dos ônus sucumbenciais em ações de execução extintas sem julgamento de mérito, não havendo que se falar em situações fáticas idênticas; (2) na hipótese ocorreu a culpa exclusiva do exequente (Banco do Brasil), que permaneceu inerte por mais de uma década, resultando na consumação da prescrição intercorrente, devendo a sucumbência ser atribuída ao credor; e (3) não incide ao caso o óbice da Súmula n. 168 do STJ porque há dissenso jurisprudencial quanto à correta aplicação do princípio da causalidade na fixação de honorários sucumbenciais em ações de execução extintas por prescrição intercorrente (e-STJ, fls. 975-987). A impugnação foi apresentada às e-STJ, fls. 989- 999. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ACÓRDÃOS CONFRONTADOS. ACÓRDÃO EMBARGADO NO MESMO SENTIDO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA N. 168 DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. A ausência de similitude fática entre os julgados embargado e paradigma impede a configuração de divergência jurisprudencial. 2. Não há como admitir os embargos manejados, pois, na hipótese mencionada, não existe divergência de teses jurídicas, mas apenas diferenças casuísticas entre os acórdãos confrontados. 3. O acórdão embargado se baseou em entendimento pacificado por esta Corte Superior, incidindo ao caso o óbice da Súmula n. 168 do STJ, segundo a qual não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado. 4. Agravo interno não provido. VOTO O agravo interno não merece provimento. O dissídio jurisprudencial submetido à análise da Segunda Seção diz respeito a aplicação do princípio da causalidade na fixação dos ônus sucumbenciais em casos de extinção da execução pela prescrição intercorrente. Os embargos de divergência foram rejeitados liminarmente diante da ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados e da ausência de dissenso jurisprudencial, incidindo ao caso o óbice da Súmula nº 168 do STJ. É contra essa decisão o inconformismo agora manejado, que não trouxe nenhum elemento apto a infirmar as conclusões da decisão unipessoal. A divergência viabilizadora dos embargos não ficou configurada, diante da ausência de similitude fática. O acórdão embargado tratou da extinção da execução em decorrência da prescrição intercorrente. Sobre o tema, consignou que a causa determinante para a fixação dos ônus sucumbenciais, em caso de extinção da execução pela prescrição intercorrente, não é a existência, ou não, de compreensível resistência do exequente à aplicação da referida prescrição. É, sobretudo, o inadimplemento do devedor, responsável pela instauração do feito executório e, na sequência, pela extinção do feito, diante da não localização do executado ou de seus bens. No acórdão paradigma, por sua vez, a extinção da execução teve como fundamento central o reconhecimento da nulidade do título extrajudicial que embasava a referida demanda. Desse modo, não ficou configurada divergência de entendimento, apenas situação fática diversa analisada nos casos confrontados. Não há, pois, nessa oportunidade, como se alterar e reavaliar o contexto fático firmado pelo Tribunal estadual para concluir, segundo pretende a embargante, que era o caso de condenar o credor ao pagamento dos ônus sucumbenciais. O conhecimento dos embargos de divergência pressupõe a existência de similitude das circunstâncias fáticas e do direito aplicado nos acórdãos recorrido e paradigma (EREsp 1.440.780/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, Segunda Seção, j. 11/5/2016, DJe 27/5/2016). O recurso, de fato, não merece prosperar. Eis precedente da Corte Especial sobre o tema: AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA ENTRE OS ARESTOS CONFRONTADOS. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DISCUSSÃO SOBRE IRRISORIEDADE OU EXORBITÂNCIA. NÃO CABIMENTO. 1. A divergência não ficou caracterizada, uma vez que não foi realizado o necessário cotejo analítico entre os acórdãos confrontados, de modo a demonstrar os trechos que eventualmente os identificassem. Assim, não houve comprovação do dissídio jurisprudencial invocado. 2. Os embargos de divergência, caracterizados como recurso de fundamentação vinculada, devem, necessariamente, demonstrar o confronto de teses entre o acórdão embargado e aquele apontado como paradigma, não sendo possível sua interposição com o intuito de mera rediscussão do quanto já decidido em recurso especial. 3. Nos termos da jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça, não há como admitir os embargos manejados, pois, na hipótese mencionada, não existe divergência de teses jurídicas, mas apenas diferenças casuísticas na fixação do valor dos honorários advocatícios, o que não autoriza a abertura da presente via, uma vez que a aferição da razoabilidade ou não do quantum fixado está intrinsecamente atrelada à análise das particularidades de cada caso concreto. Precedentes. Agravo interno improvido. (AgInt nos EREsp n. 1.686.779/PE, relator Ministro Humberto Martins, Corte Especial, julgado em 11/2/2025, DJEN de 14/2/2025 - sem destaque no original) Ressalte-se que a Corte Especial firmou o entendimento de que não cabe, em embargos de divergência, a análise de possível acerto ou desacerto do acórdão embargado, mas tão só a de eventual dissídio de teses jurídicas, a fim de uniformizar a interpretação do direito infraconstitucional no âmbito do STJ (AgRg nos EREsp 840.567/DF, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Corte Especial, j. 29/6/2010, DJe 13/8/2010). Portanto, não se verificou dissenso de entendimento entre as Turmas que compõem a Segunda Seção. Se a norma legal foi bem ou mal aplicada pela Quarta Turma do STJ no caso concreto, isso refoge completamente aos escopos dos embargos de divergência. Ademais, o acórdão embargado está em consonância com a jurisprudência atual do STJ de que em face do princípio da causalidade, não se justifica a imposição de sucumbência ao exequente, frustrado em seu direito de crédito, em razão de prescrição intercorrente. A propósito, confira-se o precedente da Corte Especial que pacificou o tema: PROCESSUAL CIVIL. ÔNUS DA SUCUMBÊNCIA NA EXECUÇÃO EXTINTA POR PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CUSTAS. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, PRECEDIDO DE RESISTÊNCIA DO EXEQUENTE. RESPONSABILIDADE PELOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 1. A controvérsia cinge-se em saber se a resistência do exequente ao reconhecimento de prescrição intercorrente é capaz de afastar o princípio da causalidade na fixação dos ônus sucumbenciais, mesmo após a extinção da execução pela prescrição. 2. Segundo farta jurisprudência desta Corte de Justiça, em caso de extinção da execução, em razão do reconhecimento da prescrição intercorrente, mormente quando este se der por ausência de localização do devedor ou de seus bens, é o princípio da causalidade que deve nortear o julgador para fins de verificação da responsabilidade pelo pagamento das verbas sucumbenciais. 3. Mesmo na hipótese de resistência do exequente - por meio de impugnação da exceção de pré-executividade ou dos embargos do executado, ou de interposição de recurso contra a decisão que decreta a referida prescrição -, é indevido atribuir-se ao credor, além da frustração na pretensão de resgate dos créditos executados, também os ônus sucumbenciais com fundamento no princípio da sucumbência, sob pena de indevidamente beneficiar- se duplamente a parte devedora, que não cumpriu oportunamente com a sua obrigação, nem cumprirá. 4. A causa determinante para a fixação dos ônus sucumbenciais, em caso de extinção da execução pela prescrição intercorrente, não é a existência, ou não, de compreensível resistência do exequente à aplicação da referida prescrição. É, sobretudo, o inadimplemento do devedor, responsável pela instauração do feito executório e, na sequência, pela extinção do feito, diante da não localização do executado ou de seus bens. 5. A resistência do exequente ao reconhecimento de prescrição intercorrente não infirma nem supera a causalidade decorrente da existência das premissas que autorizaram o ajuizamento da execução, apoiadas na presunção de certeza, liquidez e exigibilidade do título executivo e no inadimplemento do devedor. 6. Embargos de divergência providos para negar provimento ao recurso especial da ora embargada. (EAREsp n. 1.854.589/PR, relator Ministro RAUL ARAÚJO, Corte Especial, julgado em 9/11/2023, D Je de 24/11/2023 - sem destaques no original) Desse modo, considerando que o acórdão embargado se baseou em entendimento pacificado por esta Corte Superior, incide no caso o óbice da Súmula nº 168 do STJ, segundo a qual não cabem embargos de divergência, quando a jurisprudência do Tribunal se firmou no mesmo sentido do acórdão embargado. Nessas condições, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno. É o voto.