AREsp 2453682 - ACORDAO
Negar provimento ao agravo interno, por entender que a Corte de origem analisou fatos e provas, de modo que o recurso especial implicaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ; e porque, ausente o prequestionamento das matérias alegadamente violadas, não é possível conhecer do recurso...
Source-derived case information.
- Parties
- Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AORRPM)
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 17 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Decisão Colegiada (julgamento Na Segunda Turma, Sessão Virtual De 09/04/2024 a 15/04/2024)
- Outcome
- Agravo interno improvido; negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Ação DE Cobrança, ADICIONAL DE LOCAL DE Exercício ALE, PREQUESTIONAMENTO, Súmula 7 Do STJ, Súmula 211 Do STJ, Prescrição, Reexame Fático Probatório
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Parties
Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AORRPM)
Procedural Posture
Agravo Interno / Decisão Colegiada (julgamento Na Segunda Turma, Sessão Virtual De 09/04/2024 a 15/04/2024)
Legal Issues
- 1 Existência de título judicial para cobrança após modificação de acórdão que julgou mandado de segurança coletivo
- 2 Aplicabilidade do enunciado n. 7 da Súmula do STJ sobre reexame de provas
- 3 Prequestionamento e incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ
Ratio Decidendi
Negar provimento ao agravo interno, por entender que a Corte de origem analisou fatos e provas, de modo que o recurso especial implicaria reexame fático-probatório vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ; e porque, ausente o prequestionamento das matérias alegadamente violadas, não é possível conhecer do recurso especial, nos termos da Súmula n. 211 do STJ; além disso, o acórdão que fundamentava a pretensão de cobrança foi substituído, inexistindo o título judicial que serviria de base à demanda.
Court Disposition
Agravo interno improvido; negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Manter a decisão recorrida que não conheceu do recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 09/04/2024 a 15/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE COBRANÇA. VALORES RELATIVOS A ADICIONAL DE LOCAL DE EXERCÍCIO - ALE. VANTAGEM INCORPORADA POR FORÇA DE AÇÃO MANDAMENTAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS NS. 7 E 211 DA SÚMULA DO STJ. I - Na origem, trata-se de ação ordinária, objetivando pagamento do direito reconhecido em mandado de segurança anteriormente ajuizado, que embora acolhera a pretensão, não se mostrou adequado ao recebimento das diferenças precedentes à impetração. Na sentença a ação foi julgado prescrita. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - A Corte a quo analisou as alegações da parte com os seguintes fundamentos: "Veja-se, pois, que não subsiste mais o acórdão que julgou procedente o mandado de segurança coletivo, substituído que foi por nova manifestação desta Egrégia Câmara, oportunidade em que o órgão colegiado julgou improcedente a pretensão da Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AORRPM), razão pela qual o título judicial que servia de fundamento à pretensão de cobrança inexiste. E nem se venha argumentar com a inexistência de preclusão máxima, haja vista que os recursos nobres, em regra, são destituídos de efeito suspensivo". III - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Relativamente às alegações de violação dos arts. 313, V, a, 80, I e V, e 81, § 1º do CPC, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso especial, fundamentado no art. 105, III, a, da Constituição Federal, visando reformar acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim resumido: AÇÃO ORDINÁRIA DE COBRANÇA - Pretensão ao recebimento de valores, relativos ao ALE, no período imprescrito, vantagem esta incorporada por força de ação mandamental - Apelação cujo julgamento se viu desconstituído por força do acolhimento de Reclamação Constitucional, em sedede Agravo Regimental, oportunidade em que o STF determinou a devolução dos autos a este E. Tribunal para que o Órgão Especial se pronunciasse acercada constitucionalidade ou inconstitucionalidade da legislação estadual que trata do Adicional de Local de Exercício, invocada no julgamento da Apelação - O Órgão Especial, ao examinar o Incidente de Arguição de Inconstitucionalidade, pronunciou-se no sentido de que a LCE nº 689/92 se acha em conformidade com o texto da Constituição, razão por que determinou a remessa dos autos a esta E. 7ª Câmara de Direito Público para o julgamento da Apelação nº 0600592-55.2008.8.26.0053 - Como já vinha decidindo há muito esta Egrégia Câmara, o ALE não se estende aos inativos e pensionistas - A ser assim, não há pretensão ao pagamento de supostas parcelas imprescritas - Recurso improvido. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, nos termos do art. 253, parágrafo único, II, a, do Regimento Interno do STJ, conheço do agravo relativamente à matéria que não se enquadra em tema repetitivo, e não conheço do recurso especial." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: Entende-se que há dispensa do revolvimento fático-probatório sobretudo porque a relação de prejudicialidade foi reconhecida pelo v. acórdão recorrido, assim como a ausência de pacificação da matéria, que virá por meio de decisórios do E. STF, como reconhece o v. acórdão recorrido. Nestes termos, compreende-se diversamente do sentido da r. decisão agravada que o recurso especial não pretende rever as premissas do v. acórdão recorrido, uma vez que a fundamentação apresentada na instância a quo não se mostra pertinente, sob o ponto de vista legal, para afastar a regra processual tida por violado (art. 313, V, "a", do CPC). .. Vê-se, portanto, que o recurso especial se resu me em apontar violação de Lei Federal em relação a questões de fato incontroversas, utilizadas pelo acórdão recorrido para o fim de prestar julgamento a esta demanda neste momento, condenando a parte, ainda, em multa por litigância de má-fé pelo mero exercício do prequestionamento. .. Todavia, com todas as vênias ao Exmo. Relator, como será a seguir demonstrado, os agravantes tomaram o cuidado de demonstrar nas razões de recursais, em forma de preliminar, o atendimento ao prequestionamento da matéria ventilada no reclame, razão pela qual buscam perante este C. colegiado a superação do óbice sumular imposto para não conhecimento do Recurso Especial. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE COBRANÇA. VALORES RELATIVOS A ADICIONAL DE LOCAL DE EXERCÍCIO - ALE. VANTAGEM INCORPORADA POR FORÇA DE AÇÃO MANDAMENTAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS NS. 7 E 211 DA SÚMULA DO STJ. I - Na origem, trata-se de ação ordinária, objetivando pagamento do direito reconhecido em mandado de segurança anteriormente ajuizado, que embora acolhera a pretensão, não se mostrou adequado ao recebimento das diferenças precedentes à impetração. Na sentença a ação foi julgado prescrita. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - A Corte a quo analisou as alegações da parte com os seguintes fundamentos: "Veja-se, pois, que não subsiste mais o acórdão que julgou procedente o mandado de segurança coletivo, substituído que foi por nova manifestação desta Egrégia Câmara, oportunidade em que o órgão colegiado julgou improcedente a pretensão da Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AORRPM), razão pela qual o título judicial que servia de fundamento à pretensão de cobrança inexiste. E nem se venha argumentar com a inexistência de preclusão máxima, haja vista que os recursos nobres, em regra, são destituídos de efeito suspensivo". III - Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". IV - Relativamente às alegações de violação dos arts. 313, V, a, 80, I e V, e 81, § 1º do CPC, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. A Corte a quo analisou as alegações da parte com os seguintes fundamentos: Veja-se, pois, que não subsiste mais o acórdão que julgou procedente o mandado de segurança coletivo, substituído que foi por nova manifestação desta Egrégia Câmara, oportunidade em que o órgão colegiado julgou improcedente a pretensão da Associação dos Oficiais da Reserva e Reformados da Polícia Militar do Estado de São Paulo (AORRPM), razão pela qual o título judicial que servia de fundamento à pretensão de cobrança inexiste. E nem se venha argumentar com a inexistência de preclusão máxima, haja vista que os recursos nobres, em regra, são destituídos de efeito suspensivo. Quanto à matéria de fundo, verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". Relativamente às alegações de violação dos arts. 313, V, a, 80, I e V, e 81, § 1º do CPC, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.