AREsp 1832822 - ACORDAO
Negou-se conhecimento ao agravo interno porque a parte agravante não impugnou de forma específica e diligente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial (incidência da Súmula n. 7/STJ e ausência de divergência comprovada); alegações genéricas e menções esparsas a normas...
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- Parties
- Autor: Ministério Público do Estado de São Paulo; Réu: João Carlos Bertolini
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno (no Agravo Em Recurso Especial) / Julgamento
- Outcome
- Agravo interno improvido (negado provimento)
- Legal Topics
- Ação Civil Pública, Área De Preservação Permanente, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Impugnação Específica, Súmula 7/stj
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Parties
Ministério Público do Estado de São Paulo
Autor
João Carlos Bertolini
Réu
Procedural Posture
Agravo Interno (no Agravo Em Recurso Especial) / Julgamento
Legal Issues
- 1 Obrigatoriedade de impugnação específica aos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Aplicação da Súmula n. 7/STJ como óbice à reanálise de provas
- 3 Insuficiência de alegações genéricas no agravo em recurso especial
Ratio Decidendi
Negou-se conhecimento ao agravo interno porque a parte agravante não impugnou de forma específica e diligente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para inadmitir o recurso especial (incidência da Súmula n. 7/STJ e ausência de divergência comprovada); alegações genéricas e menções esparsas a normas infraconstitucionais são insuficientes para superar os óbices de admissibilidade, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015 e do art. 253, I, do RISTJ.
Court Disposition
Agravo interno improvido (negado provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Herman Benjamin, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin. EMENTA PROCESSUAL CIVIL.AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL. PLEITO PELA NÃO DEGRADAÇÃO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NATIVA. CONSTRUÇÃO DE ESTRADA. PEDIDO PROCEDENTE.NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação civil pública ambiental proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulopleiteando que proprietário de imóvel rural não degradeárea de preservação permanente mediante supressão de vegetação nativa para construção de estrada destinada à travessia de veículos no interior da aludida propriedade. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente, extinguindo-se ademanda com resolução de mérito, mediante a apresentação, no órgão estadual competente, no prazo de 180 dias, de projeto de recomposição e restauração ecológica da área de preservação. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para julgar procedente a ação. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão inadmitiu o recurso especial com base na ausência de afronta adispositivo legal, na incidência da Súmula n. 7/STJ e na divergência não comprovada. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente os óbices referentes à ocorrência da Súmula n. 7/STJ e a não comprovação da divergência. II - São insuficientes para considerar como impugnação aos fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial na origem: meras alegações genéricas sobre as razões que levaram à negativa de seguimento, o combate genérico e não específico e a simples menção a normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa e assistemática no corpo das razões do agravo em recurso especial. III - Incumbe à parte, no agravo em recurso especial, atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso na origem. Não o fazendo, é correta a decisão que não conhece do agravo nos próprios autos. IV - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno contra decisão que não conheceu do agravo em recurso especial por falta de impugnação de fundamentos de inadmissibilidade do recurso especial na origem. O recurso especial foi interposto contra acórdão com o seguinte resumo: RECURSO DE APELAÇÃO. DIREITO AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE USO CONSOLIDADO. 1. TRATA-SE DE AÇÃO CIVIL PÚBLICA AJUIZADA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO EM FACE DE JOÃO CARLOS BERTOLINI, A PARTIR DO INQUÉRITO CIVIL N. 00001572013-6, EM QUE SE CONSTATOU A INTERVENÇÃO HUMANA EM ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE NO "SÍTIO BERTOLINI",SITUADO NO MUNICÍPIO DE ALTINÓPOLIS, EM OFENSA AO ART. 4º, INCISO I,ALÍNEA "A" DA LEI FEDERAL N. 12.651/2012. 2. CINGE-SE A MATÉRIA DEVOLVIDA PARA CONHECIMENTO DESTE E. TRIBUNAL DE JUSTIÇA O ENQUADRAMENTO OU NÃO DO IMÓVEL RURAL EM QUESTÃO NAS HIPÓTESES DO ART. 61-A DA LEI FEDERAL N. 12.651/2012. NÃO SE DESINCUMBINDO O APELANTE DE SEU ÔNUS DA PROVA, NOS TERMOS DO ART. 373, INCISO II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL, É CASO DE SE REFORMAR NA R. SENTENÇA, DETERMINANDO A APLICAÇÃO DOS PARÂMETROS CONSTANTES DO ART. 4º, INCISO I, ALÍNEA "A", DA LEI FEDERAL N. 12.651/2012. RECURSO DE APELAÇÃO PROVIDO. No agravo interno, alega a parte agravante que impugnou os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL.AÇÃO CIVIL PÚBLICA AMBIENTAL. PLEITO PELA NÃO DEGRADAÇÃO DE ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO NATIVA. CONSTRUÇÃO DE ESTRADA. PEDIDO PROCEDENTE.NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL QUE NÃO ATACA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem, trata-se de ação civil pública ambiental proposta pelo Ministério Público do Estado de São Paulopleiteando que proprietário de imóvel rural não degradeárea de preservação permanente mediante supressão de vegetação nativa para construção de estrada destinada à travessia de veículos no interior da aludida propriedade. Na sentença, julgou-se parcialmente procedente, extinguindo-se ademanda com resolução de mérito, mediante a apresentação, no órgão estadual competente, no prazo de 180 dias, de projeto de recomposição e restauração ecológica da área de preservação. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para julgar procedente a ação. Mediante análise dos autos, verifica-se que a decisão inadmitiu o recurso especial com base na ausência de afronta adispositivo legal, na incidência da Súmula n. 7/STJ e na divergência não comprovada. Entretanto, a parte agravante deixou de impugnar especificamente os óbices referentes à ocorrência da Súmula n. 7/STJ e a não comprovação da divergência. II - São insuficientes para considerar como impugnação aos fundamentos da decisão que inadmite o recurso especial na origem: meras alegações genéricas sobre as razões que levaram à negativa de seguimento, o combate genérico e não específico e a simples menção a normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa e assistemática no corpo das razões do agravo em recurso especial. III - Incumbe à parte, no agravo em recurso especial, atacar os fundamentos da decisão que negou seguimento ao recurso na origem. Não o fazendo, é correta a decisão que não conhece do agravo nos próprios autos. IV - Agravo interno improvido. VOTO O recurso não merece provimento, pois as alegações da parte agravante são insuficientes para modificar a decisão recorrida. Alega a parte agravante que realizou a impugnação aos óbices referentes à ocorrência da Súmula n. 7/STJ e a não comprovação da divergência. Na sua petição de agravo em recurso especial, por sua vez, a parte agravante somente trouxe alegações genéricas a respeito dos óbices. As afirmações encontradas no agravo em recurso especial, quanto à negativa de seguimento relativamente aos óbices referentes à ocorrência da Súmula n. 7/STJ e a não comprovação da divergência, são insuficientes, pela sua generalidade, para impugnar os fundamentos específicos da decisão que negou seguimento ao recurso especial na origem. Cabia à parte, em conformidade com a jurisprudência, trazer argumentos que confrontassem os fundamentos de negativa de seguimento ao recurso especial, e não fundamentos genéricos e sem nenhuma vinculação dialética com a matéria tratada nos autos. Nesse sentido é a jurisprudência: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. DECISÃO DE INADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTOS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. ART. 932, III, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015, C/C ART. 253, PARÁGRAFO ÚNICO, I, DO REGIMENTO INTERNO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. 1. É ônus da parte agravante combater especificamente os fundamentos adotados pelo Tribunal de origem para negar seguimento ao recurso especial. Não bastam alegações genéricas quanto à inaplicabilidade dos óbices, sob pena de não conhecimento do recurso. .. (AgInt no AREsp n. 1.110.243/RS, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 15/12/2017.) A afirmação de que "a matéria em debate claramente não demanda reexame dos elementos probatórios" revela-se como combate genérico e não específico, porque compete à parte agravante demonstrar de que forma a violação aos artigos suscitada nas razões recursais não depende de reanálise do conjunto fático-probatório - deixando claro, por exemplo, que todos os fatos estão devidamente consignados no acórdão recorrido. (Decisão monocrática no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL N. 944.910 - GO, RELATOR : MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES.) Acrescente-se, ainda, que "a simples menção a normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa e assistemática no corpo das razões do apelo nobre, não supre a exigência de fundamentação adequada do Recurso Especial." (AgRg no AREsp 546.084/MG, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 4/12/2014.) PEDIDO DE RECONSIDERAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEBIMENTO COMO AGRAVO INTERNO. FUNGIBILIDADE. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO PROFERIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. PRINCIPIO DA DIALETICIDADE. ART. 932, III, DO CPC DE 2.015. INSUFICIÊNCIA DE ALEGAÇÃO GENÉRICA. AGRAVO NÃO PROVIDO. .. 3. O agravo que objetiva conferir trânsito ao recurso especial obstado na origem reclama, como requisito objetivo de admissibilidade, a impugnação específica aos fundamentos utilizados para a negativa de seguimento do apelo extremo, consoante expressa previsão contida no art. 932, III, do CPC de 2.015 e art. 253, I, do RISTJ, ônus da qual não se desincumbiu a parte insurgente, sendo insuficiente alegações genéricas de não aplicabilidade do óbice invocado. .. (RCD no AREsp n. 1.166.221/MG, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 5/12/2017, DJe 12/12/2017.) Não existindo impugnação à decisão que inadmitiu o recurso especial, correta a aplicação do art. 544, § 4º, I, do Código de Processo Civil de 1973 (atual art. 932, III, do Código de Processo Civil de 2015), para não conhecer do agravo nos próprios autos. Se não se conhece do agravo em recurso especial, não é viável a análise de argumentos relacionados ao mérito do recurso especial. Nesse sentido, os seguintes precedentes: AgRg nos EREsp n. 1.387.734/RJ, Corte Especial, relator MinistroJorge Mussi, DJe de 9/9/2014; e AgRg nos EDcl nos EAREsp n. 402.929/SC, Corte Especial, relator MinistroJoão Otávio de Noronha, DJe de 27/8/2014; AgInt no AREsp n. 880.709/PR, Segunda Turma, relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe de 17/6/2016; AgRg no AREsp n. 575.696/MG, Terceira Turma, relator Ministro Paulo de Tarso Sanseverino, DJe de 13/5/2016; AgRg no AREsp n. 825.588/RJ, Quarta Turma, relator Ministro Luis Felipe Salomão, DJe de 12/4/2016; AgRg no REsp n. 1.575.325/SC, Quinta Turma, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJe de 1º/6/2016; eAgRg nos EDcl no AREsp n. 743.800/SC, Sexta Turma, relatoraMinistra Maria Thereza de Assis Moura, DJe de 13/6/2016. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.