REsp 2188356 - DECISAO
Conheceu-se do agravo; o acórdão recorrido não padeceu de omissão pois examinou e fundamentou as questões de conexão e prejudicialidade externa, concluiu pela ausência de conexão em razão da diferença de partes e responsabilidades, e a hipótese envolvia apreciação de fatos da causa cuja revisão é vedada em recurso...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante/recorrente: SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGURO SAUDE (SUL AMERICA); Recorrido/autor Na Ação Originária: PROCON
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 26 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial (decisão Que Conheceu Em Parte E Negou Provimento)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido.
- Legal Topics
- Ação Civil Pública, Tutela De Urgência, Conexão, Prejudicialidade Externa, Competência Da Justiça Federal, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional, Recurso Especial, Súmula 7/stj, Súmula 735/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGURO SAUDE (SUL AMERICA)
Agravante/recorrente
PROCON
Recorrido/autor Na Ação Originária
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo E Julgamento Do Recurso Especial (decisão Que Conheceu Em Parte E Negou Provimento)
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do acórdão acerca dos requisitos para conexão e existência de prejudicialidade externa
- 2 Reconhecimento da competência da Justiça Federal
- 3 Ocorrência de conexão entre a demanda de origem e ação ajuizada pelo recorrido em face da ANS e pedido de reunião das ações
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo; o acórdão recorrido não padeceu de omissão pois examinou e fundamentou as questões de conexão e prejudicialidade externa, concluiu pela ausência de conexão em razão da diferença de partes e responsabilidades, e a hipótese envolvia apreciação de fatos da causa cuja revisão é vedada em recurso especial; ademais, não é cabível reexame de decisão que concede tutela de urgência em recurso especial em razão da natureza precária do provimento e da jurisprudência sumulada, razão pela qual o recurso especial foi conhecido em parte e-lhe foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, desprovido.
Orders
- Conheço do agravo
- Conhecer em parte do recurso especial e negar provimento nessa extensão
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por SUL AMERICA COMPANHIA DE SEGURO SAUDE (SUL AMERICA) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta (e-STJ, fls. 639/654). É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, o agravo e passo ao exame do recurso especial, que não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alínea a, da CF, SUL AMERICA alegou a violação dos arts. 55, § 3º, 313, V, a, § 4º, 489, § 1º, IV, e 1.022, II, parágrafo único, II, todos do CPC; 55, 58 e 62, todos da Lei n. 7.347/85; e 93 do CDC, ao sustentar, em síntese, (1) a existência de omissão no acórdão recorrido acerca dos requisitos para a conexão e da existência de prejudicialidade externa; (2) necessidade de reconhecimento da competência da Justiça Federal; e (3) ocorrência de conexão entre a demanda de origem e a ajuizada pelo recorrido em face da ANS - autuada sob o n. 5006194-07.2021.4.03.6100 - e determinando-se sejam reunidas para julgamento conjunto perante a 19ª Vara Cível Federal de São Paulo. Pois bem! (1) Da alegada afronta aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, parágrafo único, II, ambos do CPC Não há que se falar em omissão e/ou negativa de prestação jurisdicional no acórdão recorrido, tendo em conta que o Tribunal bandeirante analisou, de forma clara e fundamentada, a questão relativa à conexão e ao pedido de suspensão por prejudicialidade externa, ainda que em sentido contrário ao que defendido por SUL AMERICA. A propósito, confira-se o seguinte trecho do voto proferido no julgamento dos embargos de declaração: .. Em que pesem os argumentos da parte embargante, insistindo nas razões do agravo de instrumento e alegando omissão quanto à conexão e ao pedido de suspensão por prejudicialidade externa, o acórdão se pronunciou, de forma expressa e fundamentada, acerca da matéria de fato e de direito devolvida a seu apreço, não havendo omissão a ser suprida. Com efeito: "De início, ressalta-se que, embora o pronunciamento judicial relativo à competência não se adeque ao rol previsto no Artigo 1.015 do Código de Processo Civil o qual contempla de forma taxativa as hipóteses de cabimento do recurso de agravo de instrumento, aplica-se o entendimento firmado pelo C. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do tema n. 988 em Recurso Especial com efeito repetitivo que disciplinou a taxatividade mitigada do rol adrede mencionado. O caso possui a característica de urgência que permite a mitigação da taxatividade, diante da inutilidade do julgamento da questão apenas em sede de apelação. Nos termos do disposto no artigo 109, inciso I da Constituição Federal, a competência para o julgamento das causas em que a União Federal for interessada pertence à Justiça Federal. No caso dos autos, em que pesem as alegações da agravante, tem-se que a presente demanda é movida em face das operadoras de saúde, estabelecendo relação de consumo com cada consumidor que utilizam seus serviços. O processo em trâmite perante a Justiça Federal, de seu lado, tem como objetivo tratar do dever da ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar, como agência reguladora, para exercer a fiscalização e o controle das operadoras de saúde nas relações com consumidores, visando a promoção do interesse público. Nesse sentido, não há se falar em conexão entre as ações porque, apesar de ambas terem como objetivo a proteção aos direitos do consumidor, as partes não são as mesmas. Ademais, as rés na presente ação estão sendo demandadas acerca da comercialização dos planos de saúde respectivos e naquele outro feito, a ANS está sendo cobrada com relação ao dever de fiscalização das operadoras de saúde. (..) O pedido de suspensão também não merece acolhimento, eis que não configurada a prejudicialidade externa, mormente ante a mencionada diferença entre as ações quanto aos demandados e suas respectivas responsabilidades com relação aos consumidores, ora representados pelo autor Procon, inexistindo razão jurídica para que este feito aguarde a solução que será dada naquele para prosseguimento." Como se sabe, os magistrados estão adstritos ao princípio do livre-convencimento motivado de suas decisões, podendo, assim, firmar seu convencimento segundo suas convicções, desde que devidamente fundamentado, como ocorreu na espécie (e-STJ, fls. 540/546 - sem destaques no original). Desse modo, verifica-se que a alegação de SUL AMERICA não passa de mero inconformismo, tendo em conta que o acórdão recorrido foi claro e, fundamentadamente, concluiu que houve violação ao princípio da congruência entre o título executivo e a execução. Afastam-se, portanto, os alegados vícios no acórdão recorrido. (2) (3) Da alegada violação dos arts. 55, § 3º, e 313, V, a, § 4º, ambos do CPC; 55, 58 e 62, todos da Lei n. 7.347/85; e 93 do CDC Na hipótese, verifico que a decisão questionada concedeu pedido de tutela de urgência para determinar que a SUL AMERICA apresente as informações solicitadas pelo PROCON no prazo da defesa. Ocorre que, na linha da jurisprudência desta eg. Corte Superior, em regra, não é cabível recurso especial com o objetivo de reexaminar acórdão que defere ou indefere medida liminar ou antecipação de tutela, em virtude da natureza precária do provimento jurisdicional concedido pela origem, e que está sujeito a modificação a qualquer tempo. Incidência, por analogia, da Súmula n. 735 do STF, verbis: não cabe recurso extraordinário contra acórdão que defere medida liminar. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS Nº 7/STJ E Nº 735/STF. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça entende que não é cabível recurso especial para reexaminar decisão que defere ou indefere liminar ou antecipação de tutela, haja vista a natureza precária da decisão, a teor do que dispõe a Súmula nº 735/STF. 2. Rever as conclusões do tribunal recorrido demandaria o reexame de matéria fático-probatória, o que é inviável em sede de recurso especial, nos termos da Súmula nº 7 do Superior Tribunal de Justiça. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 573.120/DF, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, Terceira Turma, julgado aos 3/2/2015, DJe de 9/2/2015) Por derradeiro, a conclusão do acórdão recorrido teve como base os fatos da causa, sendo vedado seu reexame por esta Corte, nos termos da Súmula n. 7 do STJ. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para CONHECER EM PARTE o recurso especial e, nessa extensão, a ele NEGO PROVIMENTO. Inaplicável a majoração dos honorários recursais. Por oportuno, previno as partes de que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, ou 1.026, § 2º, ambos do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSO CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PLANO DE SAÚDE. OMISSÃO E/OU NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. ACÓRDÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. DEFERIMENTO DA TUTELA DE URGÊNCIA. REFORMA DO JULGADO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS N. 735 DO STF E 7 DO STJ. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO.