AREsp 2677634 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem concluiu que a ação monitória estava instruída com documentos aptos a demonstrar, à primeira vista, a dívida, de modo que revisão demandaria reexame do acervo fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; além disso, não...
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- Parties
- Agravante: MURILO VOUZELLA DE ANDRADE; Agravante: REDE ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.; Agravado: Caixa
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido; honorários majorados.
- Legal Topics
- Ação Monitória, Admissibilidade De Recurso Especial, Divergência Jurisprudencial, Reexame De Provas, Honorários Advocatícios
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Parties
MURILO VOUZELLA DE ANDRADE
Agravante
REDE ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.
Agravante
Caixa
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento Do Agravo; Não Conhecimento Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada violação dos arts. 485, IV e VI, e 330, I, do CPC
- 2 Alegada violação dos arts. 700, §§ 1º e 2º, e 702, § 1º, do CPC quanto aos requisitos da ação monitória
- 3 Divergência jurisprudencial não demonstrada nos termos legais
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o Tribunal de origem concluiu que a ação monitória estava instruída com documentos aptos a demonstrar, à primeira vista, a dívida, de modo que revisão demandaria reexame do acervo fático-probatório vedado pela Súmula 7 do STJ; além disso, não houve demonstração, nos termos legais, da divergência jurisprudencial nem fundamentação suficiente quanto às alegadas violações dos arts. 485 e 330 do CPC, justificando a inadmissibilidade do recurso; majoraram-se honorários advocatícios em 5% sobre o valor da condenação, limitados a 20%.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido; honorários majorados.
Orders
- Conheço do agravo interposto por MURILO VOUZELLA DE ANDRADE e REDE ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA.
- Não conheço do recurso especial.
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DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto MURILO VOUZELLA DE ANDRADE e REDE ANGRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (MURILO e outro) contra decisão que negou seguimento ao seu apelo nobre. Foi apresentada contraminuta. É o relatório. Decido. O agravo é espécie recursal cabível, foi interposto tempestivamente e com impugnação adequada aos fundamentos da decisão recorrida. CONHEÇO, portanto, do agravo e passo ao exame do recurso especial. O inconformismo, no entanto, não merece prosperar. Nas razões de seu apelo nobre, interposto com base no art. 105, III, alíneas a e c, da CF, MURILO e outro alegaram a violação dos arts. 485, IV e VI, 330, I, 700, § 1º e 702. § 1º, do CPC, ao sustentarem a ausência dos requisitos para propositura da ação monitória. (1) Da ação monitória. Em relação a alegada violação dos arts. 700, §§ 1º e 2º, e 702, § 1º, do CPC, no que concerne a ausência dos requisitos para propositura da ação monitória, Tribunal estadual, manifestou-se nos seguintes termos: Conforme verificado pelo juízo sentenciante, a ação monitória foi apresentada com farta documentação, incluindo os contratos firmados, os extratos de movimentação financeira, as faturas de cartão de crédito e o demonstrativo de evolução da dívida (Evento 1). A Caixa ajuizou a ação monitória para satisfação de dívida oriunda de operações de cartão de crédito e cheque especial, instruindo a petição inicial com os documentos que objetivam demonstrar a existência e validade da dívida, com base no art. 700 do CPC, ou seja, documentos escritos, sem eficácia de título executivo, a saber: I - Contrato de Cheque Especial e Cartão de Crédito MASTERCARD (Contrato 9); II - Termo de Adesão ao Regulamento do Cartão (Contrato 10); III - Planilhas de Evolução da dívida, referentes aos valores utilizados pelo devedor por meio do cartão de crédito (Planilha 11); VI - Demonstrativo do débito do cheque especial (Cálculo 5 e Extrato 7); V - Faturas referentes ao Cartão Mastercard (final 6593) anteriores a 01/09/2017, quando foram realizados os cálculos de cobrança. Considera-se como prova escrita apta à instrução da ação monitória todo e qualquer documento que sinalize o direito à cobrança e que seja hábil a convencer o magistrado quanto à pertinência da dívida. No caso, portanto, a Caixa cumpriu os requisitos legais, de modo a permitir a satisfação da pretensão condenatória da empresa devedora, notadamente diante da presença de todas as informações que possibilitavam a ciência da composição da dívida e dos encargos contratuais, de forma que deve ser mantida a sentença proferida pelo juízo a quo (e-STJ, fl. 376 - sem destaques no original). Desse modo, para se chegar à conclusão diversa da que chegou o eg. Tribunal local, seria inevitável o revolvimento do arcabouço fático-probatório, procedimento sabidamente inviável na instância especial por incidir a Súmula nº 7 do STJ: A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. Confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECONSIDERAÇÃO. IMPUGNAÇÃO DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE. NOVA ANÁLISE. OMISSÃO. OFENSA AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO VERIFICAÇÃO. AÇÃO MONITÓRIA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS ESSENCIAIS À PROPOSITURA DA AÇÃO. ART. 700 DO CPC. REVISÃO. NECESSIDADE DE VERIFICAÇÃO DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexiste ofensa ao 1.022 do CPC quando o tribunal de origem aprecia, com clareza e objetividade e de forma motivada, as questões que delimitam a controvérsia, ainda que não acolha a tese da parte insurgente. 2. Para a admissibilidade da ação monitória, não é necessária a apresentação de prova robusta, sendo suficiente que os documentos permitam o juízo de probabilidade acerca do direito afirmado. 3. Não se admite a revisão do entendimento do tribunal de origem quando a situação de mérito demandar o reexame do acervo fático-probatório dos autos, tendo em vista o óbice da Súmula n. 7 do STJ. 4. A| incidência da Súmula n. 7 do STJ prejudica o conhecimento do recurso especial no que diz respeito à divergência jurisprudencial. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no AREsp n. 2.117.977/MG, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 13/5/2024, DJe de 15/5/2024.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. DEFICIÊNCIA. AFASTAMENTO. CONTRATO. SERVIÇOS DE ENGENHARIA. AÇÃO MONITÓRIA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. NOTAS FISCAIS. ASSINATURA OU RUBRICA. AUSÊNCIA. DÍVIDA. DÚVIDA. PROVA ESCRITA. INIDONEIDADE. INTERESSE PROCESSUAL. RECONHECIMENTO. AUSÊNCIA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA Nº 83/STJ. REEXAME. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ.1. No caso, não subsiste a alegada ofensa ao artigo 1.022 do Código de Processo Civil, pois o tribunal de origem enfrentou as questões postas, não havendo no aresto recorrido omissão, contradição, obscuridade ou erro material. 2. A ação monitória não é o meio processual cabível para cobrar dívida ilíquida, devendo ser instruída com documento escrito considerado pelo julgador como juridicamente hábil para, à primeira vista, comprovar o valor devido, sob pena de inépcia da petição inicial. Precedentes. 3. O recurso especial é inviável quando o acórdão recorrido decide em consonância com a jurisprudência do STJ. 4. O reexame do conjunto fático-probatório dos autos é proibido em recurso especial (Súmula nº 7/STJ). 5. Na hipótese, rever o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias acerca da falta de liquidez do documento escrito que instruiu a ação monitória demandaria a análise de fatos e provas dos autos, procedimento inviável em recurso especial devido ao óbice da Súmula nº 7/STJ. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.285.268/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 11/12/2023, DJe de 15/12/2023.) (2) Quanto o dissídio jurisprudencial A jurisprudência desta Corte é no sentido de que a divergência jurisprudencial deve ser comprovada, cabendo ao agravante demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fático-jurídica entre eles, sendo necessária a realização do cotejo analítico entre os acórdãos, com o intuito de caracterizar a interpretação legal divergente, nos termos do art. 541, parágrafo único, do CPC/1973, art. 1.029, § 1º, do CPC e art. 255 do RISTJ. A propósito: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE NULIDADE DE ESCRITURA PÚBLICA DE DOAÇÃO. JULGAMENTO FORA DO PEDIDO. INOCORRÊNCIA. OBSERVÂNCIA DOS LIMITES TRAÇADOS PELA CAUSA DE PEDIR E PELOS PEDIDOS. RECONHECIMENTO INCIDENTAL E DE OFÍCIO DE CAUSA DE NULIDADE DO NEGÓCIO NÃO ARGUIDA. POSSIBILIDADE. RESPEITO AO CONTRADITÓRIO, À AMPLA DEFESA E AO DIREITO À PROVA. DOAÇÃO REMUNERATÓRIA. RESPEITO AOS LIMITES DE DISPOSIÇÃO DELINEADOS PELO LEGISLADOR. IMPOSSIBILIDADE DE DISPOSIÇÃO, A ESSE TÍTULO, DA TOTALIDADE DO PATRIMÔNIO OU DE PARTE QUE AFRONTE À LEGÍTIMA DOS HERDEIROS NECESSÁRIOS. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO. .. 5- A ausência de cotejo analítico entre o acórdão recorrido e o acórdão paradigma impede o conhecimento do recurso especial interposto pela divergência. 6- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa extensão, parcialmente provido. (REsp 1.708.951/SE, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma, j. 14/5/2019, DJe 16/5/2019 - sem destaque no original) Por fim, em relação a alegada violação dos arts. 485, IV e VI, 330, I, do CPC, observa-se das razões recursais que MURILO e outro se limitaram a alegar a violação dos referidos artigos, porém, não detalharam e demonstraram, de forma clara, precisa e fundamentada, como e em que medida o acórdão recorrido teria afrontado os dispositivos legais, o que caracteriza a deficiência na fundamentação. Portanto, incide no caso, por analogia, a Súmula nº 284 do STF, in verbis : É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia. Nessas condições, CONHEÇO do agravo para NÃO CONHECER do recurso especial. MAJORO os honorários advocatícios, anteriormente fixados, em desfavor de MURILO e outro em 5% sobre o valor da condenação, limitados a 20%, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, do CPC. Por fim, advirta-se que eventual recurso interposto contra este julgado estará sujeito às normas do CPC, inclusive no que tange ao cabimento de multa (arts. 1.021, § 4º e 1.026, § 2º). Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS ESSENCIAIS À PROPOSITURA DA AÇÃO. ART. 700 DO CPC. REVISÃO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7, DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO, NOS MOLDES LEGAIS. INCIDÊNCIA DOS ARTS. 485, IV E VI, 330, I, DO CPC. INCOMPREENSÃO DA CONTROVÉRSIA. SÚMULA Nº 284 DO STF, POR ANALOGIA. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.