AREsp 1736769 - ACORDAO
Negou-se provimento ao Agravo Interno porque as razões do Recurso Especial estavam dissociadas dos fundamentos do aresto impugnado, violando o princípio da dialeticidade; ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo apto a manter o decisum, aplicaram-se por analogia os óbices das...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2021
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Agravo Interno Interposto Contra Decisão Monocrática Que Não Conheceu Do Recurso Especial
- Outcome
- Agravo Interno não provido
- Legal Topics
- Ação Rescisória, Súmulas 283 E 284 Do STF, Princípio Da Dialeticidade, Inadmissibilidade Por Fundamentação Deficiente, Demonstração De Divergência Jurisprudencial (alínea "c", Art. 105, III, Cf)
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Procedural Posture
Agravo Interno / Agravo Interno Interposto Contra Decisão Monocrática Que Não Conheceu Do Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Razões recursais dissociadas dos fundamentos do aresto impugnado
- 2 Deficiência na fundamentação do recurso que inviabiliza sua análise
- 3 Aplicação por analogia das Súmulas 283 e 284 do STF quando há impugnação insuficiente
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao Agravo Interno porque as razões do Recurso Especial estavam dissociadas dos fundamentos do aresto impugnado, violando o princípio da dialeticidade; ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo apto a manter o decisum, aplicaram-se por analogia os óbices das Súmulas 284 e 283 do STF, e a análise da divergência jurisprudencial restou prejudicada quando a tese foi afastada pelo exame do Recurso Especial pela alínea "a".
Court Disposition
Agravo Interno não provido
Orders
- Agravo Interno não provido.
Full Case Text
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2 paragraphs
EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF, APLICADAS POR ANALOGIA. ALÍNEA "C" PREJUDICADA. 1. As razões recursais delineadas no Recurso Especial estão totalmente dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado. 2. Ao proceder dessa forma, não observara a parte as diretrizes fixadas pelo princípio da dialeticidade, entre as quais indispensável a pertinência temática entre as razões de decidir e os fundamentos fornecidos pelo recurso para justificar o pedido de reforma ou de nulidade do julgado. 3. Assim, não sendo os argumentos atacados pela parte recorrente e como cada um deles é apto para manter o decisum combatido, cabe aplicar na espécie, por analogia, os óbices das Súmulas 284 e 283 do STF, ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo. 4. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou: "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal" (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018). 5. Assinale-se, por fim, que fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. 6. Agravo Interno não provido. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Assusete Magalhães votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Herman Benjamin.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Cuida-se de Agravo Interno interposto contra decisão monocrática (fls. 179-182, e-STJ) que não conheceu do Recurso Especial. O agravante refuta os fundamentos da decisão objurgada. Pleiteia a reconsideração do decisum agravado ou a submissão do recurso à Turma julgadora. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DA DECISÃO AGRAVADA. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULAS 283 E 284 DO STF, APLICADAS POR ANALOGIA. ALÍNEA "C" PREJUDICADA. 1. As razões recursais delineadas no Recurso Especial estão totalmente dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado. 2. Ao proceder dessa forma, não observara a parte as diretrizes fixadas pelo princípio da dialeticidade, entre as quais indispensável a pertinência temática entre as razões de decidir e os fundamentos fornecidos pelo recurso para justificar o pedido de reforma ou de nulidade do julgado. 3. Assim, não sendo os argumentos atacados pela parte recorrente e como cada um deles é apto para manter o decisum combatido, cabe aplicar na espécie, por analogia, os óbices das Súmulas 284 e 283 do STF, ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo. 4. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou: "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal" (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018). 5. Assinale-se, por fim, que fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. 6. Agravo Interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HERMAN BENJAMIN (Relator): Os autos foram recebidos neste Gabinete em 16.2.2016. O Agravo Interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Conforme já disposto no decisum combatido, o Tribunal de origem assim decidiu a Ação Rescisória: Não se admite ação rescisória ao fundamento de contrariedade entre a decisão rescindenda e um (ou mais de um) acórdão do STJ, salvo quando se trata de acórdão proferido através da técnica de julgamento dos recursos repetitivos, o que sequer foi alegado pelo ora recorrente. É que só os acórdãos que o STJ profere através dessa específica técnica processual são dotados de eficácia vinculante e, pois, têm função normativa. A inobservância de outros entendimentos do STJ não caracteriza violação de norma e, pois, não serve de fundamento para ação rescisória. Do mesmo modo, não se pode falar em violação de norma quando a decisão rescindenda reputou válida a convocação do autor para participar da etapa seguinte do concurso por meio de publicação do resultado em seu site. Em primeiro lugar, era essa a regra prevista no edital do concurso. Em segundo lugar, é preciso ter claro que nem o próprio autor indica qual teria sido, na hipótese, a norma violada, limitando-se a dizer que tal forma de convocação não seria suficiente. Não diz, porém, qual a norma jurídica que teria sido, aí, violada pela decisão judicial rescindenda. Por fim, a leitura da petição inicial permite afirmar que o autor, ora recorrente, inquinou de vício por violação dos princípios da publicidade e da razoabilidade o ato administrativo que impugnou no processo original, e não a decisão rescindenda (fls. 83-84) Nota-se que as razões recursais delineadas no Recurso Especial estão totalmente dissociadas dos fundamentos utilizados no aresto impugnado. Ao proceder dessa forma, não observara a parte as diretrizes fixadas pelo princípio da dialeticidade, entre as quais indispensável a pertinência temática entre as razões de decidir e os fundamentos fornecidos pelo recurso para justificar o pedido de reforma ou de nulidade do julgado. Assim, não sendo os argumentos atacados pela parte recorrente e como cada um deles é apto para manter o decisum combatido, cabe aplicar na espécie, por analogia, os óbices das Súmulas 284 e 283 do STF, ante a deficiência na motivação e a ausência de impugnação de fundamento autônomo. Nessa esteira: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO (ART. 544 DO CPC) - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DECISÃO MONOCRÁTICA - SÚMULA N. 284 DO STF - AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. No presente caso, a parte aponta negativa de vigência ao art. 458 do CPC, porém, limita-se a atacar, em suas razões recursais, a excessividade do quantum fixado a título de dano moral. Assim, a deficiência da fundamentação do apelo extremo não permite a exata compreensão da controvérsia, estando escorreita sua inadmissibilidade. 2. A ausência de indicação expressa do ponto do decisum que confronta os dispositivos legais tidos por vulnerados não permite verificar se a legislação federal infraconstitucional restou, ou não, malferida. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no AREsp 41.941/PR, Rel. Ministro MARCO BUZZI, QUARTA TURMA, DJe 29/05/2013). EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 407 DO CÓDIGO CIVIL. OMISSÃO. OBSCURIDADE. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. ART. 406 DO CÓDIGO CIVIL. JUROS MORATÓRIOS. TAXA LEGAL. FUNDAMENTO NÃO ATACADO. 1. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no recurso. 2. É inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou a Corte Estadual (enunciado 283 da Súmula do STF). 3. Embargos de declaração acolhidos parcialmente para sanar omissão apontada, sem, entretanto, emprestar-lhes efeito modificativo. (EDcl no AgRg no Ag 1089538/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA, DJe 09/09/2011). Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou: "não atacado o fundamento do aresto recorrido, evidente deficiência nas razões do apelo nobre, o que inviabiliza a sua análise por este Sodalício, ante o óbice do Enunciado 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal" (AgRg no AREsp n. 1.200.796/PE, Relator Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe de 24/8/2018). Confiram-se ainda os seguintes precedentes: REsp 1.682.077/RS, Relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 11/10/2017; AgInt no AREsp 734.966/MG, Relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe de 4/10/2016; AgRg nos EDcl no REsp 1.477.669/SC, Relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 2/5/2018; e AgRg no AREsp 673.955/BA, Relator Ministro Nefi Cordeiro, Sexta Turma, DJe de 8/3/2018. Inicialmente, no que se refere à apontada divergência jurisprudencial, saliento que esta deve ser comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre eles. Indispensável a transcrição de trechos do relatório e do voto dos acórdãos recorrido e paradigma, realizando-se o cotejo analítico entre ambos, com o intuito de bem caracterizar a interpretação legal divergente. O desrespeito a esses requisitos legais e regimentais (art. 541, parágrafo único, do CPC e art. 255 do RI/STJ), como o que se afigura no presente caso, impede o conhecimento do Recurso Especial com base na alínea "c", III, do art. 105 da Constituição Federal. Confiram-se ainda os seguintes precedentes: AgInt nos EDcl no REsp 1.849.315/SP, relator Ministro Marcos Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 1º/8/2020; AgInt nos EDcl nos EDcl no REsp 1.617.771/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe de 13/8/2020; AgRg no AREsp 1.422.348/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13/8/2020; AgInt no AREsp 1.456.746/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 3/6/2020. Ausente a comprovação da necessidade de retificação a ser promovida na decisão agravada, proferida com fundamentos suficientes e em consonância com entendimento pacífico deste Tribunal, não há prover o Agravo Interno que contra ela se insurge. Por tudo isso, nego provimento ao Agravo Interno. É como voto.