EAREsp 2512141 - DECISAO
O STJ entendeu que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, não havendo negativa de prestação jurisdicional nem violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015; que a matéria fático-probatória não pode ser reexaminada por óbice da Súmula 7/STJ; que a antecipação de tutela recursal foi indeferida por...
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- Parties
- Agravante: DIVANITA APARECIDA DOS REIS; Agravante: FELISBERTO OCTAVIANO DOS REIS NETO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe parcial provimento para afastar a multa imposta por ocasião do julgamento do agravo interno.
- Legal Topics
- Ação Rescisória, Gratuidade De Justiça, Tutela Provisória (antecipação De Tutela Recursal), Multa Do Art. 1.021, § 4º Do Cpc/2015, Súmula 7/stj, Omissão/negativa De Prestação Jurisdicional (arts. 489 E 1.022 Do Cpc/2015)
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Parties
DIVANITA APARECIDA DOS REIS
Agravante
FELISBERTO OCTAVIANO DOS REIS NETO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 indeferimento do benefício da gratuidade de justiça
- 2 alegada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 (omissão/negativa de prestação jurisdicional)
- 3 pedido de antecipação da tutela recursal e requisitos do art. 300 do CPC/2015
Ratio Decidendi
O STJ entendeu que o Tribunal de origem motivou adequadamente sua decisão, não havendo negativa de prestação jurisdicional nem violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015; que a matéria fático-probatória não pode ser reexaminada por óbice da Súmula 7/STJ; que a antecipação de tutela recursal foi indeferida por ausência dos requisitos do art. 300; e que a multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não deve ser aplicada automaticamente, razão pela qual o STJ afastou a multa, conheceu do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, deu-lhe parcial provimento.
Court Disposition
Conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dou-lhe parcial provimento para afastar a multa imposta por ocasião do julgamento do agravo interno.
Orders
- Afastar a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 imposta por ocasião do julgamento do agravo interno.
- Conhecer em parte do recurso especial e dar-lhe parcial provimento na extensão acima descrita.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por DIVANITA APARECIDA DOS REIS E FELISBERTO OCTAVIANO DOS REIS NETO, com base no art. 105, III, a e c, da Constituição Federal, desafiando acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado (e-STJ, fl. 265): AGRAVO INTERNO. AÇÃO RESCISÓRIA. LOCAÇÃO. Decisões monocráticas que indeferiram, respectivamente, a antecipação da tutela recursal e os benefícios da Justiça Gratuita à parte autora. Inconformismo da parte agravante. Decisão mantida. Recurso não provido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 315-321). Em suas razões de recurso especial (e-STJ, fls. 323-361), os agravantes alegaram violação aos arts. 98, caput, 99, §§ 2º e 3º, 300, 489, § 1º, IV, 1.021 e 1.022, I do Código de Processo Civil de 2015. Sustentaram, em síntese que o acórdão estadual adotou fundamentação genérica, ao não indicar, nos autos, os elementos objetivos suficientes para elidir a concessão da gratuidade da justiça. Ressaltaram que houve adoção de critérios puramente objetivos, com fundamento na limitação da percepção de até três salários-mínimos. Argumentaram que "a alegação de insuficiência presume-se como verdadeira sendo possível o deferimento da gratuidade pela mera presunção quando ausente elemento que impeça seu deferimento" (e-STJ, fl. 360). Pugnaram pelo afastamento da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC/2015. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 365-373). O processamento do apelo especial não foi admitido pela Corte local, levando a insurgente a interpor o presente agravo. Brevemente relatado, decido. De início, é importante ressaltar que o recurso foi interposto contra decisão publicada já na vigência do Novo Código de Processo Civil, sendo, desse modo, aplicável ao caso o Enunciado Administrativo n. 3 do Plenário do STJ, segundo o qual: "aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativo a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC". Constata-se que a alegada ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 não se sustenta, uma vez que o Tribunal de origem examinou, de forma fundamentada, todas as questões submetidas à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que tenha decidido em sentido contrário à pretensão dos recorrentes. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas apenas a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorre nos autos. A propósito: PROCESSUAL CIVIL. CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. APRECIAÇÃO DE TODAS AS QUESTÕES RELEVANTES DA LIDE PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. LEGITIMIDADE ATIVA. HERDEIROS. SÚMULA N. 83 DO STJ. SUPRESSIO. NÃO OCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA N. 283/STF. DECISÃO MANTIDA. 1. Inexiste negativa de prestação jurisdicional quando o acórdão recorrido pronuncia-se, de forma clara e suficiente, acerca das questões suscitadas nos autos, manifestando-se sobre todos os argumentos que, em tese, poderiam infirmar a conclusão adotada pelo Juízo. (..) 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1.411.897/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 7/12/2021, DJe 9/2/2022) Portanto, não há falar em negativa de prestação jurisdicional, tampouco em ofensa ao art. 489 do CPC/2015, tendo o acórdão julgado a causa sob a ótica do direito que entendeu pertinente à hipótese. Nesse contexto, esta Corte já se manifestou no sentido de que "a fundamentação sucinta, mas suficiente, não pode ser confundida com ausência de motivação" (AgInt no AgInt no AREsp 1.647.183/GO, Rel. Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 26/04/2021, DJe 28/04/2021). O TJSP manteve a decisão interlocutória que indeferiu o pedido de gratuidade de justiça, declinando a seguinte fundamentação (e-STJ, fl. 267, sem grifos no original): Na espécie, nos termos desta disposição legal, foi determinado que a parte autora, ora agravante, trouxesse documentos competentes a comprovar a aventada pobreza. E, após análise da documentação restou comprovado que a parte autora não faz jus ao benefício da gratuidade processual, não preenchidos os requisitos legais. No que tange ao pedido de antecipação da tutela recursal, melhor sorte não socorre a parte agravante. Alega, a parte autora, a nulidade do processo, requerendo seja a r. sentença rescindida, para que seja reconhecida a sua manifesta ilegitimidade passiva, porquanto a garantia que foi levada a efeito em primeiro lugar se funda em caução real, averbada na matrícula do imóvel, de modo que a demanda haveria de ter sido proposta em face da locatária, devedora principal, com indicação dos caucionantes para intimação, ante a obrigação meramente patrimonial. Requereu a concessão de liminar para a suspensão da execução da decisão rescindenda. Em uma análise perfunctória, não estão presentes elementos, que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo, nos termos do artigo 300, do Código de Processo Civil, diante da complexidade da matéria fática, o que descaracteriza a existência de prova inequívoca geradora de verossimilhança. Desta forma, ausentes os requisitos legais, era de rigor o indeferimento da antecipação da tutela recursal. Assim, fica mantida a r. decisão agravada. Nesse contexto, não há como alterar a conclusão do acórdão recorrido (a respeito da não comprovação de que os recorrente fazem jus ao benefício da gratuidade da justiça), sem que se proceda ao revolvimento do conjunto fático-probatório deste processo, o que encontra barreira na Súmula 7/STJ. Por fim, segundo a jurisprudência desta Corte, a aplicação da multa prevista no § 4º do art. 1.021 do CPC/2015 não é automática, não se tratando de mera decorrência lógica do desprovimento do agravo interno em votação unânime. A condenação da agravante ao pagamento da aludida multa, a ser analisada em cada caso concreto, em decisão fundamentada, pressupõe que o agravo interno mostre-se manifestamente inadmissível ou que sua improcedência seja de tal forma evidente que a simples interposição do recurso possa ser tida, de plano, como abusiva ou protelatória, o que não ocorre na hipótese dos autos. A propósito: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. LAUDO PERICIAL HOMOLOGADO. RECURSO NÃO CONHECIDO. INTERPRETAÇÃO DO ART. 382, §4º, DO CPC. PRECEDENTES. SÚMULA 83 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que, a teor do art. 382, § 4º, do CPC/2015, nos procedimentos de produção antecipada de prova, somente é cabível a interposição de recurso quando a decisão proferida denegar o pleito formulado. Precedentes. 2. Não houve adequada impugnação ao fundamento do juízo negativo de admissibilidade que aplicou a Súmula nº 83 desta Corte, cuja impugnação pressupõe a demonstração por meio de julgados atuais de que a jurisprudência do STJ não estaria no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou de que o caso em exame apresentaria distinção em relação aos precedentes invocados, o que não ocorreu na hipótese. 3. A multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC não decorre do mero desprovimento do agravo interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou da improcedência do recurso para autorizar sua imposição, situação esta não configurada no caso 4. Fixados os honorários recursais no primeiro ato decisório, não cabe novo arbitramento nas demais decisões que derivarem de recursos subsequentes, apenas consectários do principal, tais como agravo interno e embargos de declaração. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.323.425/RS, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 21/12/2023.) AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO INEXISTENTE. ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº 7/STJ. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE PROVA. SÚMULA Nº 7/STJ. ART. 1.021, § 4º, DO CPC/2015. MULTA NÃO AUTOMÁTICA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Não há falar em negativa de prestação jurisdicional se o tribunal de origem motiva adequadamente sua decisão, solucionando a controvérsia com a aplicação do direito que entende cabível à hipótese, apenas não no sentido pretendido pela parte. 3. Tendo o tribunal de origem decidido a questão após minuciosa análise de provas e circunstâncias fáticas dos autos, não há como rever tal posicionamento em virtude do óbice da Súmula nº 7/STJ. 4. Excetuadas as hipóteses em que o valor afigura-se manifestamente ínfimo ou exorbitante, o que não se verifica na espécie, a majoração ou redução dos honorários advocatícios, igualmente, atrai a incidência da Súmula nº 7/STJ. 5. A aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015 não é automática, visto não se tratar de mera decorrência lógica do não provimento do agravo interno. Precedente. 6. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp 1.616.329/SP, relator ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJe 25/5/2022). Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, dar-lhe parcial provimento, a fim de afastar a multa imposta por ocasião do julgamento do agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. OFENSA AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC/2015. NÃO CONFIGURADA. SUFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. BENEFÍCIO DE GRATUIDADE DE JUSTIÇA. INDEFERIMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. SÚMULA 7/STJ. MULTA DO ART. 1.021, § 4º, CPC/2015. AFASTAMENTO. AGRAVO CONHECIDO PARA CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E, NESSA EXTENSÃO, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO.