AREsp 2428049 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo analisou e fundamentou a não caracterização do erro de fato, recusando a utilização da ação rescisória como sucedâneo recursal; o reexame do conjunto fático-probatório necessário para modificar o julgado está obstado pela Súmula...
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- Parties
- Agravante: GILMAR FALLER; Agravado: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 01 July 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão (conhecimento E Denegação De Provimento Ao Recurso Especial)
- Outcome
- Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
- Legal Topics
- Ação Rescisória, Erro De Fato, Prequestionamento, Embargos De Declaração, Súmula 7/stj
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Parties
GILMAR FALLER
Agravante
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão (conhecimento E Denegação De Provimento Ao Recurso Especial)
Legal Issues
- 1 Violação alegada dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015
- 2 Caracterização do erro de fato como hipótese rescisória
- 3 Admissibilidade de reexame fático-probatório no STJ (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e negou-se provimento ao recurso especial porque o Tribunal a quo analisou e fundamentou a não caracterização do erro de fato, recusando a utilização da ação rescisória como sucedâneo recursal; o reexame do conjunto fático-probatório necessário para modificar o julgado está obstado pela Súmula 7/STJ; e não se demonstrou omissão ou violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 que autorizasse provimento do recurso.
Court Disposition
Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial
Orders
- Conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial.
- Publique-se.
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo em recurso especial interposto por GILMAR FALLER contra decisão do TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO que inadmitiu recurso especial fundamentado no art. 105, inciso III, alínea a, da Constituição da República, proposto contra o acórdão proferido na Ação Rescisória n. 5046491-64.2019.4.04.0000/RS. Consta dos autos que o Agravante ajuizou ação rescisória contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, alegando erro de fato no exame da insalubridade de atividade, buscando o reconhecimento de tempo de trabalho especial. A Corte Federal de origem julgou a ação improcedente, em acórdão assim ementado (fl. 626): PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. VIOLAÇÃO A LITERAL DISPOSIÇÃO DE LEI. NÃO CONFIGURAÇÃO. REEXAME DAS PROVAS E DA JUSTIÇA DA DECISÃO. INADMISSIBILIDADE. IMPROCEDÊNCIA. 1. A ação rescisória proposta com fundamento em violação à literal disposição de lei exige que a decisão rescindenda, na aplicação do direito objetivo, tenha interpretado o enunciado normativo de modo a lhe atribuir sentido situado absolutamente fora do campo das possibilidades semânticas do texto da lei. 2. No erro de fato utilizado como fundamento para a rescisória (que se verifica quando a decisão admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido), é indispensável que o fato não represente ponto controvertido sobre o qual o juiz deveria ter se pronunciado. 3. A ação rescisória não pode ser manejada como sucedâneo recursal, com o fim de revisar a justiça da decisão rescindenda mediante a mera reavaliação da prova produzida no processo originário. Precedentes do STJ e do TRF4. 4. Ausentes os pressupostos que autorizam a rescisão, a ação deve ser julgada improcedente. O Agravante opôs embargos de declaração, que foram rejeitados. Na sequência, interpôs recurso especial, no qual alega violação dos arts. 489, § 1º, inciso IV e 1.022, incisos I e II, do CPC/2015. Defende, em suma, que era possível ao tribunal acolher os embargos, inclusive com efeitos infringentes, pois (fl. 678): Tivesse a decisão rescindenda atentado para o fato de as atividades serem as mesmas que aquelas contempladas ao laudo trabalhista, a prova teria sido considerada mais do que suficiente para o reconhecimento, como tempo de serviço especial, no interregno de 01/04/1997 a 30/10/2006. Requer o provimento do recurso especial, determinando-se a imediata devolução do feito para o tribunal de origem. Sem contrarrazões. Inadmitido o apelo raro, este agravo, sustenta, em síntese, violação dos arts. 489 e 1.022 do CPC/2015 e não incidir, no caso, o óbice da Súmula n. 7/STJ, visto que dispensável o revolvimento do conteúdo probatório para análise dos fundamentos do acórdão quanto aos pressupostos da ação rescisória. Requer seja provido o presente agravo, a fim de que seja conhecido e provido o recurso especial. A Presidência do Superior Tribunal de Justiça não conheceu do agravo em recurso especial, contudo, em sede de agravo regimental, tornou a decisão sem efeitos e determinou a distribuição dos autos. É o relatório. Decido. O Tribunal a quo, no julgamento da ação rescisória, decidiu a controvérsia nos seguintes termos (fls. 611-613; grifos originais): Com a presente rescisória, o autor busca a desconstituição do acórdão e o rejulgamento da demanda a fim de conceder o benefício de aposentadoria especial, mediante a reafirmação da DER, ou, subsidiariamente, da aposentadoria por tempo de contribuição desde a DER. O juízo rescindente é pretendido pela parte sob dois fundamentos: (i) erro de fato e (ii) violação à literal disposição de lei. Pois bem. Erro de fato O erro de fato como hipótese rescisória se apresenta quando a decisão "admitir fato inexistente ou quando considerar inexistente fato efetivamente ocorrido" (art. 485, X, do CPC/73 e art. 966, VIII, e § 1º, do CPC/15). Além disso, o fato deve ser relevante para o julgamento e não pode representar ponto controvertido pelas partes e decidido pelo juiz. Na ilustração de Barbosa Moreira, o julgador incorre em erro de fato quando simplesmente "salta" por sobre o ponto de fato (BARBOSA MOREIRA, José Carlos. Comentários ao Código de Processo Civil. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 147). Ademais, o erro de fato é o que se verifica a partir do simples exame dos elementos constantes dos autos da ação originária (DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro da. Curso de Direito Processual Civil: Meios de impugnação às Decisões Judiciais e Processo nos Tribunais. 11. ed. Salvador: Juspodivm, 2003, p. 462). Não é esta, no entanto, a situação concretizada no caso dos autos, uma vez que a alegada condição nociva do trabalho no lapso de 06/03/1997 a30/10/2006 foi expressa e motivadamente rechaçada no acórdão, com base na perícia produzida na RT 0001705-35-2011-5-04-382, de acordo com o trecho do voto condutor acima transcrito, tendo este Tribunal se pronunciado acercado fato e da prova. O convencimento formado e explicitado acerca da inexistência dos acontecimentos tal como narrados pela parte não constitui, portanto, erro de fato. Percebe-se que o autor tenta se valer da ação como instância recursal para a reavaliação de provas produzidas no processo originário, propósito ao qual a ação rescisória não está vocacionada. No âmbito da ação rescisória, não se admite o mero reexame das provas e da justiça da decisão rescindenda, o que tornaria o instrumento rescisório um simples sucedâneo de recursos ordinários com prazo estendido. A jurisprudência doTRF4 e do STJ é remansosa nesse sentido (no STJ: AgRg na AR 4.786/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/11/2011, DJe 18/11/2011; AgRg na AR 5.159/RS, Rel. Ministra NANCYANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 13/08/2014, DJe 19/08/2014; no TRF4: AR 0006424-26.2011.404.0000, PRIMEIRA SEÇÃO, Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. 09/03/2012; AR 0004706-52.2015.404.0000, SEGUNDASEÇÃO, Relatora VIVIAN JOSETE PANTALEÃO CAMINHA, D.E. 24/05/2017; AR0002953-31.2013.404.0000, TERCEIRA SEÇÃO, Relator LUIZ CARLOS DECASTRO LUGON, D.E. 01/06/2015). Como se isso não bastasse, há informação no formulário PPP de que a sujeição do obreiro a agentes químicos não enseja o reconhecimento da natureza agressiva do trabalho. .. E, ao contrário do que defende o autor, no intervalo de 06/03/1997 a 31/12/2005 exerceu o cargo de serviços gerais e, entre 01/01/2006 a 30/10/2006, o de auxiliar de serviços gerais, sendo que somente a partir de 01/01/2007 passou a laborar na função de coordenador, segundo o PPP. Também na perícia judicial realizada no juízo trabalhista há referência de que a partir de 01/11/2006 assumira o cargo de coordenador (evento 1, DOC7, pp.03-08). Não configurado o erro de fato, a ação rescisória, sob esse fundamento, deve ser julgada improcedente. Violação à literal disposição de lei .. No caso, o acórdão, ao reconhecer a impossibilidade de enquadramento da atividade, como especial, no interregno de 06/03/1997 a31/12/2005, não incorreu em violação flagrante da lei. Trata-se, na verdade, de compreensão do colegiado acerca dos fatos da causa e segundo a prova dos autos Ao julgar os embargos de declaração, a Corte a quo ressaltou que (fl. 656): A pretensão do Embargante, como se percebe, volta-se contra o mérito da decisão, o qual, como é cediço, não cabe ser reapreciado em sede de embargos de declaração. Melhor sorte não assiste à pretensão de extinção do feito sem resolução de mérito, a teor do art. 485, inciso IV, do CPC. O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Tema 629, concluiu por firmar a tese jurídica no sentido de que A ausência de conteúdo probatório eficaz a instruir a inicial, conforme determina o art. 283 do CPC, implica a carência de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo, impondo sua extinção sem o julgamento do mérito (art. 267, IV do CPC) e a consequente possibilidade deo autor intentar novamente a ação (art. 268 do CPC), caso reúna os elementos necessários à tal iniciativa. (REsp 1.352.721/SP, Corte Especial, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, pub. no DJ em 28/04/2016, p. 118). Não é esta, contudo, a situação concretizada no caso dos autos, pois, nos termos do voto condutor (evento 49, DOC1), a improcedência do pedido não decorre de insuficiência probatória, tendo a inicial sido instruída com formulário PPP e perícia judicial produzida em reclamatória trabalhista, os quais não foram suficientes para firmar a conclusão pela exposição do autor a agentes químicos. Isso posto, saliento que o debate dos temas no julgado permite o acesso às Instâncias Superiores e registro que, nos termos do disposto no art.1.025 do CPC, consideram-se incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de prequestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade. Como se vê, o acórdão recorrido não possui a omissão sobre a tese de erro de fato, tendo em conta a prova emprestada trazida aos autos. Ao revés, apresentou, concretamente, os fundamentos que justificaram a sua conclusão. Como é cediço, o Julgador não está obrigado a rebater, individualmente, todos os argumentos suscitados pelas partes, sendo suficiente que demonstre, fundamentadamente, as razões do seu convencimento. No caso, existe mero inconformismo da parte recorrente com o resultado do julgado proferido no acórdão recorrido, que lhe foi desfavorável. Inexiste, portanto, ofensa ao art. 1022 do Código de Processo Civil. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 2.381.818/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023; AgInt no REsp n. 2.009.722/PR, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 3/10/2022, DJe de 6/10/2022. No mais, reconhecer que a especialidade do labor exercido no período controvertido, à luz da perícia realizada em reclamatória trabalhista, demanda desconstituir o entendimento do julgado recorrido no sentido afastar a ocorrência de erro de fato ao fundamento de que a alegada especialidade no período foi expressa e motivadamente rechaçada no acórdão rescindendo, providência incompatível com a via estreita do recurso especial. Com efeito, quanto aos pressupostos da ação rescisória, o Tribunal a quo analisou a controvérsia tendo em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa seria necessário o reexame fático-probatório, o que é obstado pelo enunciado da Súmula n. 7/STJ. A propósito: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO RESCISÓRIA. SUCEDÂNEO RECURSAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. SÚMULA 83/STJ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS AUTORIZADORES DA AÇÃO RESCISÓRIA. PRETENSÃO DE REEXAME DOS ELEMENTOS FÁTICOS DA DECISÃO RESCINDENDA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não ocorre negativa de prestação jurisdicional quando o Tribunal de origem examina, de maneira fundamentada, todas as questões que lhe foram submetidas, ainda que tenha decidido de forma contrária à pretensão da parte. Nesse contexto, esta Corte já se manifestou no sentido de que não há se confundir decisão divergente aos interesses da parte e negativa de prestação jurisdicional, nem fundamentação sucinta com ausência de fundamentos. 2. Este Tribunal Superior possui orientação de que a ação rescisória não pode ser utilizada como sucedâneo recursal, com vistas a corrigir suposta injustiça na interpretação dos fatos. Precedentes. 3. A análise da pretensão recursal - no sentido de verificar a ocorrência de erro de fato, a fim de determinar a procedência do pedido deduzido na ação rescisória, modificando o entendimento externado pelo Tribunal estadual - exige o reexame do contexto fático-probatório dos autos, o que encontra óbice na Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça. 4. A improcedência do pedido formulado na ação rescisória enseja a conversão do depósito em multa, conforme disposto no art. 968, II, do CPC/2015. 5. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.071.737/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 25/9/2023, DJe de 27/9/2023.) PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO RESCISÓRIA. APOSENTADORIA POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CONTAGEM DE TEMPO ESPECIAL. EXPOSIÇÃO A RUÍDO. PROVA NOVA. E FALSIDADE DE PROVA. NÃO OCORRÊNCIA. ERRO DE FATO. INEXISTÊNCIA. ALTERAÇÃO DO JULGADO. SÚMULA 7/STJ. ART. 972 DO CPC/2015. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL PREJUDICADA. 1. Cuida-se, na origem, de Ação Rescisória ajuizada pelo ora recorrente, com fundamento no art. Art. 966, VII e VIII, do CPC/2015, em que alega a existência de prova nova apta a rescindir acórdão que afastou a sua pretensão ao enquadramento, como especial, da atividade exercida no intervalo de 1/6/1999 a 18/11/2003, cujo não reconhecimento nesse sentido teria sido fundado, ainda, em prova falsa. 2. A Ação Rescisória é medida excepcional, cabível nos limites das hipóteses taxativas de rescindibilidade previstas no art. 485 do CPC/1973 (art. 966 do CPC/2015), em virtude da proteção constitucional à coisa julgada e do princípio da segurança jurídica. 3. E ainda, a prova nova apta a aparelhar a Ação Rescisória, fundada no art. 966, VII, do CPC/2015, diz respeito àquela que, já existente à época da decisão rescindenda, era ignorada pelo autor ou do qual não pôde fazer uso, por motivos alheios à sua vontade, apta, por si só, de lhe assegurar um pronunciamento jurisdicional distinto daquele proferido, situação aqui não verificada. 4. Ademais, nos termos da jurisprudência do STJ, a Ação Rescisória fundada em erro de fato pressupõe que a decisão tenha admitido fato inexistente ou tenha considerado inexistente fato efetivamente ocorrido, mas, em quaisquer dos casos, indispensável que não tenha havido controvérsia nem pronunciamento judicial sobre ele (art. 966, § 1º, do CPC/2015). 5. O Tribunal a quo, soberano na análise das circunstâncias fáticas da causa, ao decidir pela improcedência da Rescisória, consignou: a) "é possível concluir que o novo PPP apresentado pela parte autora não se qualifica como prova nova, por ter sido produzido após a formação da coisa julgada, de modo que não possui a qualidade da preexistência"(fl. 579, e-STJ); b) "que o novo PPP não pode ser admitido como prova nova, não somente por ser extemporâneo, mas também por trazer informação que não foi extraída do LTCAT, como determina a legislação, mas de laudo de insalubridade emitido com fins exclusivamente trabalhistas, e não previdenciários." (fl. 582, e-STJ); e c) "o não reconhecimento da especialidade do período de 13/05/1983 a 28/04/1995, em que o autor trabalhou na lavoura de cana-de-açúcar e café, não derivou de erro de fato - por se considerar, por exemplo, que se tratava de segurado especial, em regime de economia familiar, e não de empregado rural -, mas da aplicação do entendimento pacificado sobre o tema pela e. Corte Superior, no sentido de que não é possível o enquadramento desse tipo de atividade por categoria profissional." (fl. 584, e-STJ). 6. Desse modo, modificar as conclusões do acórdão impugnado, quanto à inexistência de provas novas e à ausência dos demais requisitos necessários à procedência da Ação Rescisória, demanda reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência não admitida no âmbito do STJ, conforme a Súmula 7/STJ. 7. A indicada afronta ao art. 972 do CPC/2015, em que pese a oposição de Embargos de Declaração, não pode ser analisada, pois o referido dispositivo não foi analisado pelo órgão julgador. Ausente, portanto, o requisito do prequestionamento. Incide, na espécie, a Súmula 211/STJ. 8. Por fim, fica prejudicada a análise da divergência jurisprudencial quando a tese sustentada já foi afastada no exame do Recurso Especial pela alínea "a" do permissivo constitucional. 9. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.226.563/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 8/5/2023, DJe de 19/5/2023.) PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. ESCRITURA PÚBLICA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL COM PACTO DE RETROVENDA. PETIÇÃO INICIAL. INDEFERIMENTO. ART. 321 DO CPC. VIOLAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. PROVA FALSA. PROVA NOVA. ERRO DE FATO. INEXISTÊNCIA. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. I - Na origem trata-se de ação rescisória proposta pelo Centro de Ensino Unificado do Distrito Federal Ltda. (UNIDF, antiga UDF) em desfavor do Distrito Federal e da Cia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP) para desconstituir o Acórdão n. 906285, da Quarta Turma Cível, referente à apelação interposta nos Autos de n. 2006.01.1.022651-9. Na sentença, indeferiu-se a petição inicial e julgou-se extinto o processo. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Não há violação do art. 535 do CPC/1973 (art. 1.022 do CPC/2015) quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. III - Conforme entendimento pacífico desta Corte "o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão". A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida". (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016.) IV - Relativamente às demais alegações de violação, esta Corte somente pode conhecer da matéria objeto de julgamento no Tribunal de origem. Ausente o prequestionamento da matéria alegadamente violada, não é possível o conhecimento do recurso especial. Nesse sentido, o enunciado n. 211 da Súmula do STJ : "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo"; e, por analogia, os enunciados n. 282 e 356 da Súmula do STF. V - Conforme entendimento desta Corte, não há incompatibilidade entre a inexistência de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 e a ausência de prequestionamento, com a incidência do enunciado n. 211 da Súmula do STJ quanto às teses invocadas pela parte recorrente, que, entretanto, não são debatidas pelo tribunal local, por entender suficientes para a solução da controvérsia outros argumentos utilizados pelo colegiado. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.234.093/RJ, Rel. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 24/4/2018, DJe 3/5/2018; AgInt no AREsp 1.173.531/SP, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 20/3/2018, DJe 26/3/2018. VI - Verifica-se que a Corte de origem analisou a controvérsia dos autos levando em consideração os fatos e provas relacionados à matéria. Assim, para se chegar à conclusão diversa, seria necessário o reexame fático-probatório, o que é vedado pelo enunciado n. 7 da Súmula do STJ, segundo o qual "A pretensão de simples reexame de provas não enseja recurso especial". VII - O dissídio jurisprudencial viabilizador do recurso especial pela alínea c do permissivo constitucional não foi demonstrado nos moldes legais, pois além da ausência do cotejo analítico e de não ter apontado qual dispositivo legal recebeu tratamento diverso na jurisprudência pátria, não ficou evidenciada a similitude fática e jurídica entre os casos colacionados que teriam recebido interpretação divergente pela jurisprudência pátria. Ressalte-se ainda que a incidência do enunciado n. 7, quanto à interposição pela alínea a, impede o conhecimento da divergência jurisprudencial, diante da patente impossibilidade de similitude fática entre acórdãos. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.044.194/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 19/10/2017, DJe 27/10/2017. VIII - Para a caracterização da divergência, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC/2015 e do art. 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ, exige-se, além da transcrição de acórdãos tidos por discordantes, a indicação de dispositivo legal supostamente violado, a realização do cotejo analítico do dissídio jurisprudencial invocado, com a necessária demonstração de similitude fática entre o aresto impugnado e os acórdãos paradigmas, assim como a presença de soluções jurídicas diversas para a situação, sendo insuficiente, para tanto, a simples transcrição de ementas, como no caso. Nesse sentido: AgInt no AREsp 1.235.867/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, julgado em 17/5/2018, DJe 24/5/2018; AgInt no AREsp 1.109.608/SP, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 13/3/2018, DJe 19/3/2018; REsp 1.717.512/AL, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 17/4/2018, DJe 23/5/2018. IX - Ainda que ultrapassados os óbices indicados, incide ainda o óbice de não conhecimento quanto às matérias de fundo, que foram decididas na Corte a quo em conformidade com a jurisprudência desta Corte. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.417.656/SP, relator Ministro Manoel Erhardt (Desembargador Convocado do TRF5), Primeira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 29/9/2022; AgInt no AREsp n. 902.606/SP, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 26/9/2022, DJe de 29/9/2022. X - Assim, incide ao caso o disposto nos enunciados n. 83 e 568 da Súmula do STJ, segundo os quais: "Não se conhece do recurso especial pela divergência, quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida" e " O relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". XI - Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.004.028/DF, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 24/4/2023, DJe de 26/4/2023.) Ante o exposto, CONHEÇO do agravo para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ALEGADA VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022, INCISO II, DO CPC/2015. INEXISTENTE. AÇÃO RESCISÓRIA. PLEITO DE RECONHECIMENTO DE TEMPO DE SERVIÇO ESPECIAL. ERRO DE FATO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL.