REsp 2156061 - DECISAO
O STJ conheceu do recurso especial e negou-lhe provimento porque, à época da publicação do acórdão rescindendo, a interpretação do texto legal era controvertida nos tribunais, de modo que se aplica a Súmula 343/STF, tornando inadmissível a ação rescisória fundada em alteração jurisprudencial superveniente; ademais,...
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- Parties
- Autor: JOSELIA BARROS CALADO DE ARAUJO; Autor: MONICA ANTUNES FERNANDES PARAISO; Autor: MARIA ALDA DA SILVA; Autor: ESPÓLIO DE DELMAR PEREIRA DE ANDRADE; Autor: ESPÓLIO DE JOÃO PAULO SANTOS AZAMBUJA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 October 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Conhecimento E Negação De Provimento Pelo STJ
- Outcome
- Conheço do recurso especial e nego-lhe provimento.
- Legal Topics
- Ação Rescisória, Súmula 343/stf, Repercussão Geral, Admissibilidade Recursal, Art. 1.022 Do Cpc/2015, Art. 966 Do Cpc/2015
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Parties
JOSELIA BARROS CALADO DE ARAUJO
Autor
MONICA ANTUNES FERNANDES PARAISO
Autor
MARIA ALDA DA SILVA
Autor
ESPÓLIO DE DELMAR PEREIRA DE ANDRADE
Autor
ESPÓLIO DE JOÃO PAULO SANTOS AZAMBUJA
Autor
Procedural Posture
Recurso Especial / Conhecimento E Negação De Provimento Pelo STJ
Legal Issues
- 1 Admissibilidade de ação rescisória diante de alteração jurisprudencial posterior ao julgado rescindendo
- 2 Possível omissão do tribunal quanto ao art. 1.022 do CPC/2015
- 3 Aplicação da Súmula 343/STF quando a decisão rescindenda se baseou em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais
Ratio Decidendi
O STJ conheceu do recurso especial e negou-lhe provimento porque, à época da publicação do acórdão rescindendo, a interpretação do texto legal era controvertida nos tribunais, de modo que se aplica a Súmula 343/STF, tornando inadmissível a ação rescisória fundada em alteração jurisprudencial superveniente; ademais, não se constatou omissão do tribunal a quo nos termos do art. 1.022 do CPC/2015.
Court Disposition
Conheço do recurso especial e nego-lhe provimento.
Orders
- Conheço do recurso especial.
- Nego-lhe provimento.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial com fundamento no art. 105, III, da Constituição Federal. Na origem, a parte autora, em 9/5/2022, ajuizou ação rescisória, com valor da causa atribuído em R$ 10.000,00 (dez mil reais), objetivando rescindir acórdão prolatado nos autos do agravo de instrumento n. 0000012-55.2019.4.02.0000, em que se reconheceu a ilegitimidade ativa dos Exequentes, por ausência de filiação à associação impetrante do writ coletivo até a data da impetração, o que resultaria na extinção do cumprimento individual de sentença coletiva, sem exame de mérito. O TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO, em decisão monocrática, indeferiu a inicial rescisória, diante da inviabilidade de se utilizar a ação rescisória como sucedâneo recursal. O agravo interno interposto não foi provido pelo TRF da 2ª Região, mantendo-se integralmente a decisão agravada, bem como aplicando a Súmula n. 343/STF, ficando assim ementado o referido acórdão, in verbis: PROCESSO CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. INEXISTÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. DECISÃO DE INADMISSÃO. AGRAVO INTERNO. INEXISTÊNCIA DE OBSERVAÇÃO COGENTE DE TEMA REPETITIVO À ÉPOCA DO ACÓRDÃO RESCINDENDO. TEXTO LEGAL DE INTERPRETAÇÃO CONTROVERTIDA NOS TRIBUNAIS. DESPROVIMENTO. 1. Trata-se de Agravo Interno interposto pelos autores JOSELIA BARROS CALADO DE ARAUJO, MONICA ANTUNES FERNANDES PARAISO, MARIA ALDA DA SILVA, ESPÓLIO DE DELMAR PEREIRA DE ANDRADE e ESPÓLIO DE JOÃO PAULO SANTOS AZAMBUJA (Evento 18), tendo por objeto a decisão do Evento 11, que indeferiu a inicial da ação rescisória. 2. Conforme fundamentado na decisão objurgada, a manifesta violação da norma jurídica que propicia o ajuizamento da ação rescisória, na forma do art. 966, V, do CPC, pressupõe que o conteúdo normativo tenha sido ofendido de maneira evidente e flagrante, tornando a decisão de tal modo teratológica a consubstanciar afronta ao sistema jurídico vigente. 3. A teratologia não se confunde com opção interpretativa dentre as possíveis linhas hermenêuticas da aplicação da norma, ainda que a jurisprudência selecionada pelo julgado, tenha sido afastada por entendimento consolidado a posteriori, via manifestação em sede de recursos repetitivos. Esta é a hipótese in casu. O ARE 1293130 RG representativo do Tema 1119 foi julgado em 17/12/2020, com publicação em 08/01/2021, estabelecendo o entendimento de que "é desnecessária a autorização expressa dos associados, a relação nominal destes, bem como a comprovação de filiação prévia, para a cobrança de valores pretéritos de título judicial decorrente de mandado de segurança coletivo impetrado por entidade associativa de caráter civil." Em contrapartida, o Acórdão rescindendo foi publicado em 27/02/2020, conforme certidão do Evento 44 do processo nº º 0000012-55.2019.4.02.0000, num contexto jurídico em que a observação cogente do Tema 1119 não vigorava. Neste eito, aplicável os termos do enunciado Sumular 343 do STF: "não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais". 4. Agravo interno desprovido. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados. Contra a decisão cuja ementa se encontra acima transcrita, foi interposto o presente recurso especial, apontando violação dos arts. 330, 966, 975 e 1.022 do CPC. Apresentadas contrarrazões. É o relatório. Decido. O presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo n. 3/STJ: "Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC." Em relação à indicada violação do art. 1.022 do CPC/2015, pelo Tribunal a quo, não se vislumbra a alegada omissão da questão jurídica apresentada pelo recorrente, porquanto fundamentou seu decisum com solução jurídica suficiente para a resolução da demanda. Nesse panorama, a oposição dos embargos declaratórios caracterizou, tão somente, a irresignação do embargante diante de decisão contrária a seus interesses, o que não viabiliza o referido recurso. Descaracterizada a alegada omissão, tem-se de rigor o afastamento da suposta violação do art. 1.022 do CPC/2015, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: AMBIENTAL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO DOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC NÃO CONFIGURADA. CUMULAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE INDENIZAR E DE REPARAR DANO AMBIENTAL. CABIMENTO. SÚMULA 629/STJ. REVISÃO DOS PARÂMETROS DE DEFINIÇÃO DO VALOR INDENIZÁVEL. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. PROVIMENTO NEGADO. 1. Inexiste a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, segundo se depreende da análise do acórdão recorrido. O Tribunal de origem apreciou fundamentadamente a controvérsia, não padecendo o julgado de erro material, omissão, contradição ou obscuridade. Destaca-se que julgamento diverso do pretendido, como neste caso, não implica ofensa aos dispositivos de lei invocados. .. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 2.156.765/MG, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 3/5/2024.) PROCESSUAL CIVIL E DIREITO ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. INCIDÊNCIA DO PIS E COFINS. ZONA FRANCA DE MANAUS. MANUTENÇÃO DA DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ. ENFOQUE CONSTITUCIONAL DA MATÉRIA. .. 2. Não configurada a violação apontada ao art. 1.022 do CPC/2015, na medida em que não se constata omissão, obscuridade ou contradição nos acórdãos recorridos capazes de torná-los nulos, especialmente porque a Corte de origem apreciou a demanda de forma clara e precisa, estando bem delineados os motivos e fundamentos que embasam o decisum a quo. .. 4. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.475.185/AM, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 3/5/2024.) No mais, não merece reparos o acórdão ora recorrido. Na esteira do posicionamento adotado pela Suprema Corte, o STJ tem reafirmado a aplicação da Súmula n. 343/STF, explicitando não caber o manejo de ação rescisória quando a pacificação da jurisprudência desta Corte de Justiça dá-se em momento posterior e em sentido contrário ao acórdão rescindendo, considerada a divergência então existente sobre o tema. Precedente: AR n. 6.311/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 24.11.2021, DJe de 3.12.2021. No caso dos autos, verifica-se que a jurisprudência referente ao tema, à época da publicação do julgado rescindendo, ocorrida em 27/9/2019 (fl. 900), era controvertida, vindo a se firmar somente por ocasião do julgamento pelo Supremo Tribunal Federal do ARE n. 1.293.130, vinculado ao Tema n. 1.119 de Repercussão Geral, ocorrido em 18/12/2020. Não havendo manifestação do Supremo Tribunal Federal em controle concentrado de constitucionalidade sobre a questão debatida nos presentes autos, fica autorizada a aplicação da referida súmula, que assim dispõe: "Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais." Confira-se: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. ENUNCIADO ADMINISTRATIVO Nº 3/STJ. AUDITORES FISCAIS. REAJUSTE DE 28,86% SOBRE A RAV. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC/1973. AFASTAMENTO DA SÚMULA 343/STF. IMPOSSIBILIDADE. 1. O objeto dos presentes embargos de divergência diz respeito à possibilidade, ou não, de rescisão da coisa julgada com base na superveniência de recurso especial repetitivo em sentido diverso - incidência do item sumular 343 do Supremo Tribunal Federal, que assim dispõe: "Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais". 2. Ação rescisória contra julgado que considerou possível a compensação do reajuste de 28,86% sobre a Retribuição Adicional Variável - RAV com o acréscimo remuneratório decorrente do reposicionamento da carreira de Auditor Fiscal determinado pela Lei 8.627/1993, em momento anterior ao julgamento do REsp repetitivo nº 1.318.315/AL, em sentido contrário. 3. A posição mais recente desta Corte Superior retoma entendimento no sentido de que a Súmula 343/STF não deve ser afastada de pronto em casos nos quais o pedido rescisório se apoie em alteração jurisprudencial, não sendo a mudança jurisprudencial argumento suficiente para a admissibilidade da ação rescisória, sob pena de violar a garantia constitucional da coisa julgada e da segurança jurídica. 4. Agravo interno provido. (AgInt nos EREsp n. 1.500.915/AL, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, julgado em 14/9/2022, DJe de 16/9/2022.) Aplica-se, portanto, o teor da Súmula n. 343 do STF: "Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais"; a se afastar a alegada ofensa a literal disposição de lei (atualmente manifesta violação de norma jurídica, nos termos do art. 966, V, do CPC/2015). Desse modo, mantida a aplicação da Súmula n. 343/STF, fundamento suficiente para manutenção da improcedência da ação rescisória, é de rigor a preservação da higidez do acórdão ora recorrido. Ante o exposto, com esteio no art. 255, § 4º, II, do RISTJ, conheço do recurso especial para negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA