REsp 1956548 - DECISAO
O Tribunal concluiu que, em juízo de retratação, a pretensão da recorrente relativa aos consectários legais da condenação foi atendida pela modificação parcial do acórdão para adequação aos precedentes repetitivos do STJ e do STF (aplicação de INPC e IPCA-E conforme períodos e juros segundo a remuneração da...
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- Parties
- Recorrente: MARIA APARECIDA DA SILVA MENDES; Recorrido: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 October 2021
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
- Outcome
- Recurso especial não conhecido
- Legal Topics
- Ação Acidentária, Consectários Legais Da Condenação, Juros De Mora, Correção Monetária, Honorários Advocatícios, Recursos Repetitivos, Juízo De Retratação
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Parties
MARIA APARECIDA DA SILVA MENDES
Recorrente
Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Recorrido
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento
Legal Issues
- 1 Aplicação do art.1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009) às condenações impostas à Fazenda Pública
- 2 Índices de correção monetária aplicáveis (INPC vs IPCA-E vs TR)
- 3 Taxa de juros de mora aplicável em condenações previdenciárias
Ratio Decidendi
O Tribunal concluiu que, em juízo de retratação, a pretensão da recorrente relativa aos consectários legais da condenação foi atendida pela modificação parcial do acórdão para adequação aos precedentes repetitivos do STJ e do STF (aplicação de INPC e IPCA-E conforme períodos e juros segundo a remuneração da caderneta de poupança), o que eliminou o interesse recursal nessa parte; quanto ao pedido de majoração de honorários para 20%, o acolhimento demandaria reexame de provas e circunstâncias de sucumbência, vedado em Recurso Especial pela Súmula 7/STJ, razão pela qual o recurso não foi conhecido.
Court Disposition
Recurso especial não conhecido
Orders
- Publique-se.
- Intimações necessárias.
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1 paragraphs
DECISÃO PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ACIDENTÁRIA. CONSECTÁRIOS LEGAIS DA CONDENAÇÃO. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. RECURSOS ESPECIAIS 1.495.144/RS, 1.495.146/MG E 1.492.221/PR. TEMA 905/STJ. JUÍZO DE RETRATAÇÃO EXERCIDO. ATENDIMENTO DA PRETENSÃO VEICULADA NO APELO NOBRE. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PLEITO DE FIXAÇÃO NO PERCENTUAL DE 20% SOBRE A CONDENAÇÃO. INVERSÃO DO JULGADO. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR NÃO CONHECIDO. 1. Trata-se de recurso especial interposto por MARIA APARECIDA DA SILVA MENDES, com fundamento no art. 105, inciso III, alíneas a e c, da CF/1988, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, assim ementado: ACIDENTE DO TRABALHO - EMBARGOS À EXECUÇÃO - Juros de mora e Atualização monetária - Incidência imediata da Lei 11.960/09 - Possibilidade - Demanda julgada improcedente - Recurso autárquico provido para julgar procedentes os embargos (fls. 188/192). 2. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fls. 211/215). 3. Nas razões do seu recurso especial (fls. 222/254), a parte recorrente sustenta, além de divergência jurisprudencial, violação do art. 41-A da Lei 8.213/1991, do art. 31 da Lei 10.741/2003, do art. 35 da Lei 8.212/1991, dos arts. 5º e 61, § 3º, da Lei 9. 430/1996 e do art. 85 do CPC/2015, pleiteando a aplicação do índice INPC em substituição à TR e determinando-se a aplicação do percentual de 1% de Juros de Mora, ao invés dos 0,5% previstos na Lei. 11.960/09 (fls. 254). Quanto à verba honorária, afirma que deve ser fixada no percentual de 20% sobre o valor da condenação. 4. Devidamente intimada, a parte recorrida deixou de apresentar as contrarrazões (fls. 364). 5. Os autos foram devolvidos à Turma Julgadora para eventual juízo de retratação, considerando o entendimento deste Superior Tribunal de Justiça no julgamento dos Recursos Especiais 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, submetidos ao regime de recursos repetitivos - Tema 905/STJ. 6. O acórdão foi parcialmente modificado, nos termos da seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL. CONTROVÉRSIA REPETITIVA. Artigo 1.030, inciso 11, do CPC/2015. JUROS DE MORA E CORREÇÃO MONETÁRIA. APLICABILIDADE DA LEI 11.960/09. Questão decidida pelo C. STF, no RE 870.947/SE (Tema 810 de repercussão geral), definindo o IPCA-E como índice de correção monetária das prestações em atraso, em substituição à TR, e pelo C. STJ, no REsp 1.495.146/MG (Tema 905 de controvérsia repetitiva), definindo o INPC como índice de correção monetária no período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, ambos fixando os juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.497, com redação dada pela Lei 11.960/2009). Modificação do entendimento inicialmente contido no v. acórdão recorrido para aplicar o INPC a partir de abril de 2006 até 30106/2009 e, a partir de então, o IPCA-E, bem como juros conforme o índice de remuneração da caderneta de poupança, a partir da vigência da Lei 11960/2009 (fls. 375/380). 7. O recurso especial foi admitido na origem (fls. 407/408). 8. É o relatório. 9. A irresignação não merece acolhimento. 10. Inicialmente, é importante ressaltar que o presente recurso atrai a incidência do Enunciado Administrativo 3 do STJ, segundo o qual, aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016), serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo Código. 11. Quanto aos consectários legais da condenação, a Primeira Seção do STJ, no julgamento dos REsps 1.495.144/RS, 1.495.146/MG e 1.492.221/PR, Tema 905/STJ, submetidos ao regime de recursos repetitivos, de relatoria do eminente Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, observando a repercussão geral firmada pelo Supremo Tribunal Federal no RE 870.947/SE, fixou, entre outras, a tese de que o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza, não havendo falar em modulação nos casos em que não ocorreu a expedição ou pagamento do precatório. 12. Confira-se, por oportuno, a ementa do precedente qualificado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. SUBMISSÃO À REGRA PREVISTA NO ENUNCIADO ADMINISTRATIVO 02/STJ. DISCUSSÃO SOBRE A APLICAÇÃO DO ART. 1º-F DA LEI 9.494/97 (COM REDAÇÃO DADA PELA LEI 11.960/2009) ÀS CONDENAÇÕES IMPOSTAS À FAZENDA PÚBLICA. CASO CONCRETO QUE É RELATIVO A CONDENAÇÃO JUDICIAL DE NATUREZA PREVIDENCIÁRIA. TESES JURÍDICAS FIXADAS. 1. Correção monetária: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), para fins de correção monetária, não é aplicável nas condenações judiciais impostas à Fazenda Pública, independentemente de sua natureza. 1.1 Impossibilidade de fixação apriorística da taxa de correção monetária. No presente julgamento, o estabelecimento de índices que devem ser aplicados a título de correção monetária não implica pré-fixação (ou fixação apriorística) de taxa de atualização monetária. Do contrário, a decisão baseia-se em índices que, atualmente, refletem a correção monetária ocorrida no período correspondente. Nesse contexto, em relação às situações futuras, a aplicação dos índices em comento, sobretudo o INPC e o IPCA-E, é legítima enquanto tais índices sejam capazes de captar o fenômeno inflacionário. 1.2 Não cabimento de modulação dos efeitos da decisão. A modulação dos efeitos da decisão que declarou inconstitucional a atualização monetária dos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, no âmbito do Supremo Tribunal Federal, objetivou reconhecer a validade dos precatórios expedidos ou pagos até 25 de março de 2015, impedindo, desse modo, a rediscussão do débito baseada na aplicação de índices diversos. Assim, mostra-se descabida a modulação em relação aos casos em que não ocorreu expedição ou pagamento de precatório. 2. Juros de mora: o art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), na parte em que estabelece a incidência de juros de mora nos débitos da Fazenda Pública com base no índice oficial de remuneração da caderneta de poupança, aplica-se às condenações impostas à Fazenda Pública, excepcionadas as condenações oriundas de relação jurídico-tributária. 3. Índices aplicáveis a depender da natureza da condenação. 3.1 Condenações judiciais de natureza administrativa em geral. As condenações judiciais de natureza administrativa em geral, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até dezembro/2002: juros de mora de 0,5% ao mês; correção monetária de acordo com os índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) no período posterior à vigência do CC/2002 e anterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora correspondentes à taxa Selic, vedada a cumulação com qualquer outro índice; (c) período posterior à vigência da Lei 11.960/2009: juros de mora segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança; correção monetária com base no IPCA-E. 3.1.1 Condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos. As condenações judiciais referentes a servidores e empregados públicos, sujeitam-se aos seguintes encargos: (a) até julho/2001: juros de mora: 1% ao mês (capitalização simples); correção monetária: índices previstos no Manual de Cálculos da Justiça Federal, com destaque para a incidência do IPCA-E a partir de janeiro/2001; (b) agosto/2001 a junho/2009: juros de mora: 0,5% ao mês; correção monetária: IPCA-E; (c) a partir de julho/2009: juros de mora: remuneração oficial da caderneta de poupança; correção monetária: IPCA-E. 3.1.2 Condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas. No âmbito das condenações judiciais referentes a desapropriações diretas e indiretas existem regras específicas, no que concerne aos juros moratórios e compensatórios, razão pela qual não se justifica a incidência do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009), nem para compensação da mora nem para remuneração do capital. 3.2 Condenações judiciais de natureza previdenciária. As condenações impostas à Fazenda Pública de natureza previdenciária sujeitam-se à incidência do INPC, para fins de correção monetária, no que se refere ao período posterior à vigência da Lei 11.430/2006, que incluiu o art. 41-A na Lei 8.213/91. Quanto aos juros de mora, incidem segundo a remuneração oficial da caderneta de poupança (art. 1º-F da Lei 9.494/97, com redação dada pela Lei n. 11.960/2009). 3.3 Condenações judiciais de natureza tributária. A correção monetária e a taxa de juros de mora incidentes na repetição de indébitos tributários devem corresponder às utilizadas na cobrança de tributo pago em atraso. Não havendo disposição legal específica, os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês (art. 161, § 1º, do CTN). Observada a regra isonômica e havendo previsão na legislação da entidade tributante, é legítima a utilização da taxa Selic, sendo vedada sua cumulação com quaisquer outros índices. 4. Preservação da coisa julgada. Não obstante os índices estabelecidos para atualização monetária e compensação da mora, de acordo com a natureza da condenação imposta à Fazenda Pública, cumpre ressalvar eventual coisa julgada que tenha determinado a aplicação de índices diversos, cuja constitucionalidade/legalidade há de ser aferida no caso concreto. SOLUÇÃO DO CASO CONCRETO. 5. No que se refere à alegada afronta aos arts. 128, 460, 503 e 515 do CPC, verifica-se que houve apenas a indicação genérica de afronta a tais preceitos, sem haver a demonstração clara e precisa do modo pelo qual tais preceitos legais foram violados. Por tal razão, mostra-se deficiente, no ponto, a fundamentação recursal. Aplica-se, por analogia, o disposto na Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 6. Quanto aos demais pontos, cumpre registrar que o presente caso refere-se a condenação judicial de natureza previdenciária. Em relação aos juros de mora, no período anterior à vigência da Lei 11.960/2009, o Tribunal de origem determinou a aplicação do art. 3º do Decreto-Lei 2.322/87 (1%); após a vigência da lei referida, impôs a aplicação do art. 1º-F da Lei 9.494/97 (com redação dada pela Lei 11.960/2009). Quanto à correção monetária, determinou a aplicação do INPC. Assim, o acórdão recorrido está em conformidade com a orientação acima delineada, não havendo justificativa para reforma. 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015, c/c o art. 256-N e seguintes do RISTJ (REsp 1. 492.221/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 20/03/2018). 13. No caso dos autos, em juízo de retratação, o Tribunal de origem modificou parcialmente o acórdão para adequá-lo aos critérios definidos pelos c. Tribunais Superiores em regime de recursos repetitivos (c. STJ - REsp nº 1.492.221/PR - Tema 905) e de repercussão geral (c. STF - RE 870.947/SE - Tema 810) mantida a inaplicabilidade da TR (Lei nº 11.960/09). Assim, tendo em vista que, em relação aos consectários da condenação, a pretensão da parte recorrente foi atendida, falece o interesse recursal no ponto. 14. Por fim, quanto ao pleito de fixação dos honorários advocatícios no percentual de 20% sobre o valor da condenação, o Tribunal esclareceu que "a modificação do entendimento inicialmente adotado pela Câmara resulta em reconhecimento da parcial procedência dos Embargos à Execução opostos pelo INSS, com sucumbência recíproca. Além disso, não sendo devidos honorários advocatícios, não há que se falar na majoração prevista pelo artigo 85, § 11, do CPC" (fls. 402). Dessa forma, o acolhimento da pretensão recursal importaria, necessariamente, o reexame de provas, procedimento vedado nesta fase recursal, nos termos da Súmula 7/STJ. 15. Ante o exposto, não conheço do recurso especial do particular. 16 . Publique-se. Intimações necessárias.