REsp 2136554 - ACORDAO
O agravo interno foi improvido porque o recurso especial não indicou o permissivo constitucional autorizador (art. 105, III, CF), requisito exigido pelo art. 1.029, II, do CPC; tal deficiência recursal atrai, por analogia, o óbice do enunciado n. 284 da Súmula do STF, impedindo o conhecimento do recurso e...
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- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 25 September 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno / Julgado Na Segunda Turma (negado Provimento)
- Outcome
- Agravo interno improvido (negado provimento)
- Legal Topics
- Ação Civil Pública, Dano Ambiental, Prescrição Quinquenal, Indicação Do Permissivo Constitucional Para Recurso Especial, Súmula 284/stf, Honorários Sucumbenciais, Princípio Da Causalidade
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Procedural Posture
Agravo Interno / Julgado Na Segunda Turma (negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Ausência de indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial (art. 105, III, CF)
- 2 Aplicação, por analogia, do enunciado n. 284 da Súmula do STF
- 3 Prescritibilidade da pretensão de reparação patrimonial decorrente de dano ambiental (prescrição quinquenal)
Ratio Decidendi
O agravo interno foi improvido porque o recurso especial não indicou o permissivo constitucional autorizador (art. 105, III, CF), requisito exigido pelo art. 1.029, II, do CPC; tal deficiência recursal atrai, por analogia, o óbice do enunciado n. 284 da Súmula do STF, impedindo o conhecimento do recurso e justificando a manutenção da decisão recorrida.
Court Disposition
Agravo interno improvido (negado provimento)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial e a sentença que reconheceu a prescrição
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 17/09/2024 a 23/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. I - Na origem, trata-se de ação civil pública proposta por ente municipal relativa a danos ao meio ambiente e à coletividade em decorrência da instalação de usina hidrelétrica. Na sentença o processo foi extinto com resolução do mérito ante o reconhecimento da prescrição. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Mediante análise do recurso, verifica-se que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, o que atrai a incidência, por analogia, do óbice do enunciado n. 284 da Súmula do STF, que dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Conforme dispõe o art. 1.029, II, do CPC, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, III, da Constituição Federal, e também indicar quais são as alíneas deste permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019. No mesmo sentido, confiram-se: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/6/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/6/2021. III - Agravo interno improvido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão que não conheceu do recurso especial, fundamentado no art. 105, III, da Constituição Federal, visando reformar acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins, assim resumido: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL CONSUMADA. EXTINÇÃO DO FEITO. INAPLICABILIDADE DO TEMA 999/STF. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA CAUSALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO NÃO PROVIDO. 1. O dano ambiental se inclui dentre os direitos indisponíveis e, como tal, a pretensão de recuperação ao meio ambiente degradado é imprescritível. Lado outro, a pretensão de reparação de danos patrimoniais e extrapatrimoniais decorrentes da degradação ambiental ou acidente ambiental é prescritível, por possuir natureza privada. 2. "Não há que se confundir o caráter imprescritível da reparação ambiental por dano continuado em relação à pretensão meramente patrimonial, sujeita à prescrição quinquenal." (AgInt no AREsp 443.094/RJ, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 18/2/2019, REPDJe 26/2/2019, DJe 25/2/2019) 3. No entanto, não há que se confundir o caráter imprescritível da reparação ambiental por dano continuado em relação à pretensão meramente patrimonial, sujeita à prescrição quinquenal, não sendo aplicável ao caso o Tema 999/STF. 4. Os honorários sucumbenciais subordinam-se ao princípio da causalidade, segundo o qual aquele que deu causa à instauração do processo deve suportar os custos advindos de tal ato. 5. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios é devida e se dá em razão do princípio da causalidade, porquanto houve triangularização da relação processual, em razão do oferecimento da contestação pela parte requerida/ Apelada aos autos e o exercício do contraditório. 6. Recurso conhecido e não provido. A decisão recorrida tem o seguinte dispositivo: "Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do recurso." No agravo interno, a parte recorrente traz, resumidamente, os seguintes argumentos: Apesar do referido entendimento, com a devida vênia, acreditamos que o caso se enquadra no recente posicionamento desta Corte, que estabelece que "a falta de indicação expressa da norma constitucional que autoriza a interposição do recurso especial (alíneas a, b e c do inciso III do art. 105) implica o seu não conhecimento pela incidência da Súmula n. 284 do STF, salvo, em caráter excepcional, se as razões recursais conseguem demonstrar, de forma inequívoca, a hipótese de seu cabimento" (EAREsp 1.672.966/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE ESPECIAL, DJe 11/05/2022). No presente caso, as razões do recurso especial conseguem demonstrar, de forma inequívoca, a hipótese de seu cabimento. Senão vejamos: .. Excelências, embora ausente a indicação do permissivo constitucional pela parte recorrente no recurso especial, tal circunstância, per se, não é sufi ciente para impedir o seu conhecimento por esta Corte, desde que, como dito, da leitura de suas razões, seja possível constatar a existência dos dispositivos de lei violados, o que foi feito, com a inclusão expressa do dispositivo violado, qual seja, o art. 18 da Lei 7.347/85. .. Acreditamos que a referida excepcionalidade deve ser aplicada ao presente caso, dada a relevância do interesse público em questão. O caso em análise envolve a condenação de um município de aproximadamente 10 mil habitantes ao pagamento de R$2.000.000,00 (dois milhões de reais) de sucumbência em decorrência de uma Ação Civil Pública na qual jamais se alegou má-fé. Isso representa uma clara violação ao art. 18 da LACP. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AMBIENTAL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DANO AMBIENTAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO PERMISSIVO CONSTITUCIONAL. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. I - Na origem, trata-se de ação civil pública proposta por ente municipal relativa a danos ao meio ambiente e à coletividade em decorrência da instalação de usina hidrelétrica. Na sentença o processo foi extinto com resolução do mérito ante o reconhecimento da prescrição. No Tribunal a quo, a sentença foi mantida. II - Mediante análise do recurso, verifica-se que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, o que atrai a incidência, por analogia, do óbice do enunciado n. 284 da Súmula do STF, que dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Conforme dispõe o art. 1.029, II, do CPC, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, III, da Constituição Federal, e também indicar quais são as alíneas deste permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019. No mesmo sentido, confiram-se: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/6/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/6/2021. III - Agravo interno improvido. VOTO O agravo interno não merece provimento. A parte agravante repisa os mesmos argumentos já analisados na decisão recorrida. Mediante análise do recurso, verifica-se que não houve a indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, o que atrai a incidência, por analogia, do óbice do enunciado n. 284 da Súmula do STF, que dispõe: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia." Conforme dispõe o art. 1.029, II, do CPC, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Assim, a parte recorrente deve evidenciar de forma explícita e específica que seu recurso está fundamentado no art. 105, III, da Constituição Federal, e também indicar quais são as alíneas deste permissivo constitucional que servem de base para a sua interposição. Nesse sentido: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. INCIDÊNCIA POR ANALOGIA DO ENUNCIADO N. 284 DA SÚMULA DO STF. DEFICIÊNCIA RECURSAL. ART. 1.029 DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO VIOLADO. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. .. II - Na espécie, incide o óbice da Súmula n. 284/STF, uma vez que não houve a correta indicação do permissivo constitucional autorizador do recurso especial, aplicando-se, por conseguinte, a referida Súmula: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". III - Conforme disposto no art. 1.029, II, do CPC/2015, a petição do recurso especial deve conter a "demonstração do cabimento do recurso interposto". Sendo assim, o recorrente, na petição de interposição, deve evidenciar de forma explícita e específica em qual ou quais dos permissivos constitucionais está fundado o seu recurso especial, com a expressa indicação da alínea do dispositivo autorizador. Este entendimento possui respaldo em antiga jurisprudência desta Corte Superior de Justiça, que assim definiu: "O recurso, para ter acesso à sua apreciação neste Tribunal, deve indicar, quando da sua interposição, expressamente, o dispositivo e alínea que autoriza sua admissão. .. . (AgInt no AREsp n. 1.479.509/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 22/11/2019.) No mesmo sentido, confiram-se: AgInt no AgInt no AREsp n. 1.015.487/RJ, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 2/8/2017; AgRg nos EDcl no AREsp n. 604.337/RJ, relator Ministro Ericson Maranho (Desembargador convocado do TJ/SP), Sexta Turma, DJe de 11/5/2015; e AgRg no AREsp n. 165.022/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Quinta Turma, DJe de 3/9/2013; AgRg no Ag 205.379/SP, relator Ministro José Delgado, Primeira Turma, DJ de 29/3/1999; AgInt no AREsp n. 1.824.850/MG, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira turma, DJe de 21/6/2021; AgInt no AREsp n. 1.776.348/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, DJe de 11/ 6/2021. Ante o exposto, não havendo razões para modificar a decisão recorrida, nego provimento ao agravo interno. É o voto.