AREsp 1461963 - ACORDAO
Os embargos de declaração foram rejeitados porque o acórdão impugnado não apresenta obscuridade, contradição ou omissão a ser sanada, e porque o Superior Tribunal de Justiça não pode reapreciar matéria de fato para formar convicção sobre dolo específico e presença de dano; diante da aplicação retroativa da Lei n....
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- Parties
- Autor: Ministério Público do Estado de São Paulo; Ré: Prefeita do Município de Américo Brasiliense/SP; Ré: outros
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 September 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Julgado Pela Segunda Turma
- Outcome
- embargos de declaração rejeitados por unanimidade
- Legal Topics
- Ação Civil Por Improbidade Administrativa, Aplicação Retroativa Da Lei N. 14.230/2021, Inexigibilidade De Licitação, Juízo De Conformação, Conversão Em Ação Civil Pública, Embargos De Declaração
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Parties
Ministério Público do Estado de São Paulo
Autor
Prefeita do Município de Américo Brasiliense/SP
Ré
outros
Ré
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Julgado Pela Segunda Turma
Legal Issues
- 1 cabimento de embargos de declaração (art. 1.022 CPC/2015)
- 2 impossibilidade de reexame de matéria de fato pelo STJ
- 3 aplicação retroativa da Lei n. 14.230/2021
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração foram rejeitados porque o acórdão impugnado não apresenta obscuridade, contradição ou omissão a ser sanada, e porque o Superior Tribunal de Justiça não pode reapreciar matéria de fato para formar convicção sobre dolo específico e presença de dano; diante da aplicação retroativa da Lei n. 14.230/2021, os autos devem ser remetidos excepcionalmente às instâncias ordinárias para aferição desses elementos, com conversão em ação civil pública se não houver dano comprovado.
Court Disposition
embargos de declaração rejeitados por unanimidade
Orders
- Rejeitar os embargos de declaração
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 11/09/2025 a 17/09/2025, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 14.230/2021. APLICAÇÃO RETROATIVA. ATO QUE CAUSA PREJUÍZO AO ERÁRIO. INEXIGIBILIDADE DA LICITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR MATÉRIA DE FATO. JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. EXCEPCIONAL DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. ANÁLISE DA CONVERSÃO DA AÇÃO DE IMPROBIDADE EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. I - Os embargos não merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. II - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto ao entendimento desta Corte no sentido de que não compete ao STJ reapreciar matéria de fato para assentar o chamado dolo específico e determinar a efetiva perda patrimonial, já que esses elementos não podem ser extraídos do acórdão impugnado. Assim, com a aplicação retroativa da Lei n. 14.230/2021, o feito deverá ser remetido excepcionalmente às instâncias ordinárias para aferir a presença desses elementos. III - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relat or Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. IV - Embargos de declaração rejeitados.
RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos contra acórdão que julgou agravo interno. O recurso foi julgado pela Segunda Turma, conforme a seguinte ementa do acórdão: PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 14.230/2021. APLICAÇÃO RETROATIVA. ATO QUE CAUSA PREJUÍZO AO ERÁRIO. INEXIGIBILIDADE DA LICITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR MATÉRIA DE FATO. JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. EXCEPCIONAL DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. ANÁLISE DA CONVERSÃO DA AÇÃO DE IMPROBIDADE EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. I - Na origem, trata-se de ação de responsabilidade civil por ato de improbidade administrativa ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra a Prefeita do Município de Américo Brasiliense/SP e outros, objetivando a condenação dos réus pela contratação, sem licitação, do escritório de advocacia Castellucci Figueiredo para a recuperação de créditos de tributos federais. II - Os embargos aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. III - A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal admite a aplicação retroativa da Lei n. 14.230/2021 aos processos em que se apura conduta ímproba dolosa sem trânsito em julgado. IV - Esta Corte não pode reapreciar matéria de fato, de modo que os autos devem ser remetidos excepcionalmente para o Tribunal de origem efetuar o juízo de conformação. V - Na ausência de elementos para o prosseguimento da ação de improbidade, deverá a Corte de origem aplicar o disposto no art. 17, § 16, da Lei n. 8.429/1992. VI - Embargos de declaração acolhidos. Opostos embargos de declaração, aponta a parte embargante os seguintes vícios no acórdão embargado: .. No presente caso, esta Corte, analisando a prova existente nos autos, julgou a ação procedente, reconhecendo que a dispensa de licitação foi manifestamenet equivocada. Diante desse contexto, o elemento subjetivo deve ser apreciado por este mesmo Tribunal, sem remessa ao TJ/SP. Subsidiariamente, contudo, caso seja mantida a remessa dos autos à instância de origem, o juízo de conformação deverá ser limitado e pautado no julgamento já realizado por esta Corte, devendo ter por objeto apenas e tão somente a questão da identificação do dano, para fins de enquadramento da conduta dos réus no art. 10, VIII ou no art. 11, V, da LIA Já esta sacramentado por este Tribunal no acórdão do agravo em recurso especial (fls. 2505/2513) que: .. Face ao exposto, diante da contradição e omissão acima apontados, aguarda-se que sejam conhecidos e providos estes embargos de declaração, a fim de que seja afastada a determinação de devolução dos autos à origem para que proceda ao reexame fático- probatório e analise a configuração dos elementos caracterizadores de atos de improbidade administrativa. Subsidiariamente, caso se mantenha a determinação, requer-se seja limitada a matéria a ser remetida para o conhecimento da instância de origem, circunscrevendo-a à questão da identificação do dano para os fins acima apontado. .. É o relatório. EMENTA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 14.230/2021. APLICAÇÃO RETROATIVA. ATO QUE CAUSA PREJUÍZO AO ERÁRIO. INEXIGIBILIDADE DA LICITAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAR MATÉRIA DE FATO. JUÍZO DE CONFORMAÇÃO. EXCEPCIONAL DEVOLUÇÃO DOS AUTOS AO TRIBUNAL DE ORIGEM. ANÁLISE DA CONVERSÃO DA AÇÃO DE IMPROBIDADE EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO EMBARGADO. VÍCIOS INEXISTENTES. PRETENSÃO DE REEXAME. I - Os embargos não merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. II - O acórdão é claro e sem obscuridades quanto ao entendimento desta Corte no sentido de que não compete ao STJ reapreciar matéria de fato para assentar o chamado dolo específico e determinar a efetiva perda patrimonial, já que esses elementos não podem ser extraídos do acórdão impugnado. Assim, com a aplicação retroativa da Lei n. 14.230/2021, o feito deverá ser remetido excepcionalmente às instâncias ordinárias para aferir a presença desses elementos. III - A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relat or Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. IV - Embargos de declaração rejeitados. VOTO Os embargos não merecem acolhimento. Segundo o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, os embargos de declaração são cabíveis para esclarecer obscuridade; eliminar contradição; suprir omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz devia pronunciar-se de ofício ou a requerimento; e/ou corrigir erro material. Conforme entendimento pacífico desta Corte: "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida." EDcl no MS 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016. O acórdão é claro e sem obscuridades quanto aos vícios indicados pela parte embargante, conforme se confere dos seguintes trechos: Ocorre que esta Corte não pode reapreciar matéria de fato para assentar o chamado dolo específico e determinar a efetiva perda patrimonial, já que esses elementos não podem ser extraídos do acórdão impugnado. Nesse passo, com a aplicação retroativa da Lei n. 14.230/2021, o feito deverá ser remetido excepcionalmente às instâncias ordinárias para aferir a presença desses elementos. .. Quanto ao dano ao erário exigido no art. 10 da Lei 8.429/1992, a jurisprudência desta Corte autoriza que seja apurado em liquidação de sentença. Nesse sentido: AgInt no AR Esp 1.803.193/SP, minha relatoria, Segunda Turma, julgado em ; AgInt no AR Esp n. 2.070.397/PI, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira3/12/2024 Turma, julgado em .21/8/2023 Importante consignar que, caso não estejam presentes os novos elementos normativos exigidos no art. 10, , da Lei n. 8.429/1992, deverá o Tribunal de origemcaput observar o disposto no art. 17, § 16, que assim dispõe: .. A incidência do dispositivo legal retro não depende de requerimento expresso do Ministério Público e tem como fundamento o princípio da moralidade administrativa. Com isso, se o conjunto probatório não indicar um dano efetivo e comprovado ao erário, deverá ocorrer a conversão em ação civil pública, já que há pedido expresso de anulação do contrato administrativo, bem como pedido de ressarcimento dos valores. A contradição que vicia o julgado de nulidade é a interna, em que se constata uma inadequação lógica entre a fundamentação posta e a conclusão adotada, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. Nesse sentido: EDcl no AgInt no RMS 51.806/ES, relator Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, julgado em 16/5/2017, DJe 22/5/2017; EDcl no REsp 1.532.943/MT, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 18/5/2017, DJe 2/6/2017. Cumpre ressaltar que os aclaratórios não se prestam ao reexame de questões já analisadas com o nítido intuito de promover efeitos modificativos ao recurso. No caso dos autos, não há omissão de ponto ou questão sobre as quais o juiz, de ofício ou a requerimento, devia pronunciar-se, considerando que a decisão apreciou as teses relevantes para o deslinde do caso e fundamentou sua conclusão. Ante o exposto, rejeito os embargos de declaração. É o voto.