AREsp 2651928 - ACORDAO
Os embargos de declaração não demonstraram omissão, contradição ou obscuridade no acórdão recorrido, que tratou adequadamente da análise probatória; por não haver prequestionamento expresso dos arts. 337, II, e 371 do CPC o recurso especial é inadmissível (Súmula 211/STJ); além disso, a reforma pretendida demandaria...
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- Parties
- Agravante: MENDES ROCHA EMPREENDIMENTOS S/A
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 10 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Sessão Virtual (01/04/2025 a 07/04/2025)
- Outcome
- Negou provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
- Legal Topics
- Ação De Arbitramento De Honorários, Embargos De Declaração, Prequestionamento, Reexame De Fatos E Provas, Honorários Advocatícios
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Parties
MENDES ROCHA EMPREENDIMENTOS S/A
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Sessão Virtual (01/04/2025 a 07/04/2025)
Legal Issues
- 1 existência de omissão, contradição ou obscuridade passível de embargo de declaração (art. 1.022 CPC)
- 2 violação do art. 489 do CPC
- 3 prequestionamento de dispositivos federais (arts. 337, II e 371 do CPC)
Ratio Decidendi
Os embargos de declaração não demonstraram omissão, contradição ou obscuridade no acórdão recorrido, que tratou adequadamente da análise probatória; por não haver prequestionamento expresso dos arts. 337, II, e 371 do CPC o recurso especial é inadmissível (Súmula 211/STJ); além disso, a reforma pretendida demandaria reexame do conjunto fático-probatório, vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ). Dessa forma, negou-se provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Court Disposition
Negou provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Orders
- Nego provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 01/04/2025 a 07/04/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de arbitramento de honorários. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 5. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 6. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interposto por MENDES ROCHA EMPREENDIMENTOS S/A contra decisão unipessoal que conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial que interpusera para, nessa parte, negar-lhe provimento. Ação: de arbitramento de honorários, ajuizada pelos agravados, em face da agravante, devido ao inadimplemento do contrato de prestação de serviços advocatícios celebrado entre as partes, na qual pleiteiam o recebimento da importância de R$ 60.138,79 (sessenta mil, cento e trinta e oito reais e setenta e nove centavos). Sentença: julgou procedente o pedido, para condenar a agravante ao pagamento da quantia de R$ 60.138,79 (sessenta mil, cento e trinta e oito reais e setenta e nove centavos). Acórdão: negou provimento à apelação interposta pela parte agravante, nos termos da seguinte ementa: AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. AUSÊNCIA DE ACORDO OU CONTRATO ESCRITO. PRESENÇA DOS REQUISITOS DO ARTIGO 22, CAPUT E § 2º DO ESTATUTO DA OAB. - A representação da parte em processo judicial pelo advogado lhe garante justa remuneração, que, nos casos em que não houver acordo ou ajuste por escrito será definida por arbitramento judicial. (e-STJ Fl. 341) Embargos de Declaração: opostos pela agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 337, II, 371, 489, § 1º, IV, e 1.022, I e II, do CPC. Além de negativa de prestação jurisdicional, sustenta a ocorrência de cerceamento de defesa , sob o fundamento de que o Tribunal de origem não apreciou detidamente o acervo probatório carreado aos autos. Afirma ser necessária a revaloração do conteúdo probatório colacionado aos autos para que o pedido de arbitramento de honorários seja julgado improcedente. Decisão unipessoal: conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial para, nessa parte, negar-lhe provimento. Agravo interno: nas razões do presente recurso, além da negativa de prestação jurisdicional, a agravante sustenta que os dispositivos arrolados foram devidamente prequestionados perante o Tribunal de origem, mediante a oposição de embargos de declaração. Aduz que a análise das razões recursais independe do revolvimento do acervo fático-probatório carreado aos autos. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de arbitramento de honorários. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 5. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 6. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI A decisão agravada foi assim fundamentada, na parte em que impugnada pela agravante: - Da violação do art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: REsp n. 2.095.460/SP, Terceira Turma, DJe de 15/2/2024 e AgInt no AREsp n. 2.325.175/SP, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente acerca da análise do acervo probatório colacionado aos autos, de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Confira-se: (..) "A omissão que autoriza a interposição dos embargos é aquela correspondente a ponto sobre o qual o juiz ou tribunal devia pronunciar-se, diante de sua relevância para o desfecho da lide (artigo, 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil). O mero propósito de rediscutir o que foi decidido, ou mesmo exigir pronunciamento sobre teses descartadas como relevantes ao deslinde da causa, não autoriza o manejo dos embargos de declaração. A pretensão do embargante é rediscutir a interpretação que a Turma Julgadora fez das provas, a partir da leitura do caderno probatório, que assim está posta nos fundamentos do acórdão embargado: A tese defensiva foi no sentido de que houve contratação por escrito para a defesa em um a ação contra José Ornelas de Melo, mas que para a defesa na ação rescisória da sentença proferida no primeiro processo "não foi realizado aditivo ou adendo ao referido contrato de prestação de serviços advocatícios, nunca tendo havido qualquer menção por parte de Bruno que seriam devidos honorários advocatícios além dos que já haviam sido contratados". Afirma que a cobrança viola a boa-fé objetiva, tendo em vista que Bruno nunca propôs a estipulação de honorários para a ação rescisória e reconheçam que eram devidos apenas os honorários da ação original. Para descartar a tese defensiva e acolher o pedido de arbitramento de honorários advocatícios pelo patrocínios dos interesses da ora apelante na ação rescisória, o julgador de piso expôs a seguinte fundamentação: Verifico que a autora apresenta email (ID 5290558074) contendo suposta confissão da ré, cujo conteúdo transcrevo: Olá, solicito que me informe os percentuais para as ações em andamentos. Pretendo subestabelecer. Para isto necessito que me informe os números dos processos, bem como a fase que se encontram. Assim poderemos avaliar qual o seu percentual até este momento. Certo de que contratamos 20% (vinte por cento) sobre todos os valores recebidos. Ressalto que com relação aos processos da Dumont, devo subestabelecer de imediato, pois os honorários já foram pagos. Atenciosamente. André e Adriana Rocha. (Grifo) O trecho grifado foi utilizado com o fundamento contra a argumentação da ré, a qual sustenta que a contratação se limitaria aos valores recebidos, ou seja, apenas as quantias que a em presa ré viesse a receber, excluindo -se os valores que deixou de perder, com o ocorreu na ação rescisória. Neste ponto, vale destacar os termos do contrato de prestação de serviços advocatícios da ação de cobrança, juntado pela ré ao ID 6518763033, m ais especificam ente sua cláusula segunda: Cláusula Segunda: Para a elaboração do objeto acima especificado, pagará o CONTRATANTE ao CONTRATADO honorários, a título de Êxito, no percentual de 20% (vinte por cento), líquidos de tributo, 05 (cinco) dias corridos a contar do recebimento do comunicado enviado especificamente para esse fim, com a devida comprovação do término do procedimento e memória de cálculo apontando com o êxito obtido. Verifico, pois, que a incidência do percentual por êxito é genérica, não havendo limitação dos honorários ao valor obtido. Todavia, visto se tratar de ação de cobrança, evidente que estes incidiram sobre o proveito econômico obtido, vez que coincidiu com o valor da causa. Não obstante, conforme defendido pela parte autora em sua impugnação, os termos da primeira contratação abarcaram tão somente a ação de cobrança, não se estendendo à ação rescisória, conforme, inclusive, lembrou a informante ouvida em juízo. Aliás, vale dizer, quando da celebração da avença, sequer seria possível se vislumbrar a necessidade de defesa em futura ação rescisória, pelo que concluo serem realmente devidos os honorários relativos a essa. Quanto ao valor desses honorários, cabe considerar que o serviço foi prestado no decorrer de 12 (doze) anos, tendo a parte realizado sustentação oral e defendido o interesse da ré em recursos interpostos pela autora daquela ação, conforme se depreende dos documentos juntados ao ID. Ademais, a ré não impugna a qualidade do serviço prestado, tampouco a quantificação dos honorários em 20%, haja vista, inclusive, este valor ser o pactuado para a ação de cobrança. Devo dizer que a limitação dos honorários a um percentual do que efetivam ente a ré recebesse, em última análise, significaria que, estando sua constituinte na condição de ré, a parte autora jamais seria remunerado, já que na melhor das hipóteses o pedido seria improcedente, não havendo nada a receber. De mais a mais, a prova produzida não autoriza a conclusão de que os autores dispensaram o pagamento de honorários nessas hipóteses. Pela argumentação lógica exposta na sentença, o julgador não se baseou na missiva nela transcrita para afirmar a existência de uma contratação de honorários advocatícios para a defesa da ora apelante em processos de seu interesse, incluída a ação rescisória em questão, mediante honorários advocatícios de 20% sobre o êxito, que corresponderia tanto o que recebesse com o o que deixasse de pagar. Na verdade, o pedido de arbitramento somente foi acolhido porque não se reconheceu existente uma contratação verbal ou escrita para a ação rescisória, nos estritos termos do que está previsto no §2º, do artigo 22 da Lei nº 8.906/1994. É que o contrato escrito foi reconhecido com o restrito à contratação para representação da ora apelante na ação de cobrança, o que de fato corresponde ao seu objeto. Até seria viável que se previsse o desdobramento dos serviços contratados para um a determinada ação, especialmente quando, como no caso, a remuneração ajustada é pelo êxito, que evidentemente significa a obtenção de um proveito econômico. Assim, ações incidentes e relacionadas à ação contratada poderiam estar compreendidas no ajuste, o que perfeitamente poderia ocorrer em relação à ação rescisória. Por tal razão, li com atenção o contrato encartado no evento 36, chegando à conclusão de que a ação rescisória não foi mesmo cogitada quando da contratação, mesmo porque todos os desdobramentos possíveis estão indicados na cláusula que regula o objeto da prestação de serviços, com o se pode ver: A propósito da tese defensiva de que houve quitação dos honorários devidos, correspondendo a 20% do valor do depósito recursal, que teria sido a importância efetivamente recebida pela ora apelante, para que fosse acolhida era indispensável a prova de que houve um a contratação verbal em tal sentido. Tal prova não foi feita, nem restou contrariada a informação posta na inicial no sentido de que o valor integral do depósito feito na ação rescisória que foi convertido em favor da ora apelante para ela foi integralmente depositado, tendo partido dela a iniciativa de pagar aos apelados R$.536,92 com o a quantia que entendiam ser devida. Portanto, cumpridos os requisitos do artigo 22, caput e §2º, da Lei nº 8.906/1994 para que fossem arbitrados os honorários advocatícios pelos serviços prestados na ação rescisória, a sentença merece confirmação. A argumentação posta no recurso é conducente a uma revisão da leitura da prova, o que importa em inadequação da via eleita." (e-STJ Fls. 376/381) (..) Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC, incidindo, quanto ao ponto a Súmula 568/STJ. - Da violação do art. 489 do CPC Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado suficientemente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. - Da ausência de prequestionamento O acórdão recorrido não decidiu acerca dos arts. 337, II, e 371 do CPC, indicados como violados, apesar da oposição de embargos de declaração. Por isso, o julgamento do recurso especial é inadmissível. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 211/STJ. - Do reexame de fatos e provas Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à condenação da agravante ao pagamento de honorários advocatícios, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários fixados anteriormente para 20% sobre o valor da condenação. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. (e-STJ Fls. 514/517) Pela análise das razões recursais apresentadas no agravo interno, verifica-se que a agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir os fundamentos da decisão agravada. 1. Da violação do art. 1.022 do CPC De fato, é firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: REsp n. 2.095.460/SP, Terceira Turma, DJe de 15/2/2024 e AgInt no AREsp n. 2.325.175/SP, Quarta Turma, DJe de 21/12/2023. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente acerca da análise do acervo probatório colacionado aos autos, de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Confira-se: (..) "A omissão que autoriza a interposição dos embargos é aquela correspondente a ponto sobre o qual o juiz ou tribunal devia pronunciar-se, diante de sua relevância para o desfecho da lide (artigo, 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil). O mero propósito de rediscutir o que foi decidido, ou mesmo exigir pronunciamento sobre teses descartadas como relevantes ao deslinde da causa, não autoriza o manejo dos embargos de declaração. A pretensão do embargante é rediscutir a interpretação que a Turma Julgadora fez das provas, a partir da leitura do caderno probatório, que assim está posta nos fundamentos do acórdão embargado: A tese defensiva foi no sentido de que houve contratação por escrito para a defesa em um a ação contra José Ornelas de Melo, mas que para a defesa na ação rescisória da sentença proferida no primeiro processo "não foi realizado aditivo ou adendo ao referido contrato de prestação de serviços advocatícios, nunca tendo havido qualquer menção por parte de Bruno que seriam devidos honorários advocatícios além dos que já haviam sido contratados". Afirma que a cobrança viola a boa-fé objetiva, tendo em vista que Bruno nunca propôs a estipulação de honorários para a ação rescisória e reconheçam que eram devidos apenas os honorários da ação original. Para descartar a tese defensiva e acolher o pedido de arbitramento de honorários advocatícios pelo patrocínios dos interesses da ora apelante na ação rescisória, o julgador de piso expôs a seguinte fundamentação: Verifico que a autora apresenta email (ID 5290558074) contendo suposta confissão da ré, cujo conteúdo transcrevo: Olá, solicito que me informe os percentuais para as ações em andamentos. Pretendo subestabelecer. Para isto necessito que me informe os números dos processos, bem como a fase que se encontram. Assim poderemos avaliar qual o seu percentual até este momento. Certo de que contratamos 20% (vinte por cento) sobre todos os valores recebidos. Ressalto que com relação aos processos da Dumont, devo subestabelecer de imediato, pois os honorários já foram pagos. Atenciosamente. André e Adriana Rocha. (Grifo) O trecho grifado foi utilizado com o fundamento contra a argumentação da ré, a qual sustenta que a contratação se limitaria aos valores recebidos, ou seja, apenas as quantias que a em presa ré viesse a receber, excluindo -se os valores que deixou de perder, com o ocorreu na ação rescisória. Neste ponto, vale destacar os termos do contrato de prestação de serviços advocatícios da ação de cobrança, juntado pela ré ao ID 6518763033, m ais especificam ente sua cláusula segunda: Cláusula Segunda: Para a elaboração do objeto acima especificado, pagará o CONTRATANTE ao CONTRATADO honorários, a título de Êxito, no percentual de 20% (vinte por cento), líquidos de tributo, 05 (cinco) dias corridos a contar do recebimento do comunicado enviado especificamente para esse fim, com a devida comprovação do término do procedimento e memória de cálculo apontando com o êxito obtido. Verifico, pois, que a incidência do percentual por êxito é genérica, não havendo limitação dos honorários ao valor obtido. Todavia, visto se tratar de ação de cobrança, evidente que estes incidiram sobre o proveito econômico obtido, vez que coincidiu com o valor da causa. Não obstante, conforme defendido pela parte autora em sua impugnação, os termos da primeira contratação abarcaram tão somente a ação de cobrança, não se estendendo à ação rescisória, conforme, inclusive, lembrou a informante ouvida em juízo. Aliás, vale dizer, quando da celebração da avença, sequer seria possível se vislumbrar a necessidade de defesa em futura ação rescisória, pelo que concluo serem realmente devidos os honorários relativos a essa. Quanto ao valor desses honorários, cabe considerar que o serviço foi prestado no decorrer de 12 (doze) anos, tendo a parte realizado sustentação oral e defendido o interesse da ré em recursos interpostos pela autora daquela ação, conforme se depreende dos documentos juntados ao ID. Ademais, a ré não impugna a qualidade do serviço prestado, tampouco a quantificação dos honorários em 20%, haja vista, inclusive, este valor ser o pactuado para a ação de cobrança. Devo dizer que a limitação dos honorários a um percentual do que efetivam ente a ré recebesse, em última análise, significaria que, estando sua constituinte na condição de ré, a parte autora jamais seria remunerado, já que na melhor das hipóteses o pedido seria improcedente, não havendo nada a receber. De mais a mais, a prova produzida não autoriza a conclusão de que os autores dispensaram o pagamento de honorários nessas hipóteses. Pela argumentação lógica exposta na sentença, o julgador não se baseou na missiva nela transcrita para afirmar a existência de uma contratação de honorários advocatícios para a defesa da ora apelante em processos de seu interesse, incluída a ação rescisória em questão, mediante honorários advocatícios de 20% sobre o êxito, que corresponderia tanto o que recebesse com o o que deixasse de pagar. Na verdade, o pedido de arbitramento somente foi acolhido porque não se reconheceu existente uma contratação verbal ou escrita para a ação rescisória, nos estritos termos do que está previsto no §2º, do artigo 22 da Lei nº 8.906/1994. É que o contrato escrito foi reconhecido com o restrito à contratação para representação da ora apelante na ação de cobrança, o que de fato corresponde ao seu objeto. Até seria viável que se previsse o desdobramento dos serviços contratados para um a determinada ação, especialmente quando, como no caso, a remuneração ajustada é pelo êxito, que evidentemente significa a obtenção de um proveito econômico. Assim, ações incidentes e relacionadas à ação contratada poderiam estar compreendidas no ajuste, o que perfeitamente poderia ocorrer em relação à ação rescisória. Por tal razão, li com atenção o contrato encartado no evento 36, chegando à conclusão de que a ação rescisória não foi mesmo cogitada quando da contratação, mesmo porque todos os desdobramentos possíveis estão indicados na cláusula que regula o objeto da prestação de serviços, com o se pode ver: A propósito da tese defensiva de que houve quitação dos honorários devidos, correspondendo a 20% do valor do depósito recursal, que teria sido a importância efetivamente recebida pela ora apelante, para que fosse acolhida era indispensável a prova de que houve um a contratação verbal em tal sentido. Tal prova não foi feita, nem restou contrariada a informação posta na inicial no sentido de que o valor integral do depósito feito na ação rescisória que foi convertido em favor da ora apelante para ela foi integralmente depositado, tendo partido dela a iniciativa de pagar aos apelados R$.536,92 com o a quantia que entendiam ser devida. Portanto, cumpridos os requisitos do artigo 22, caput e §2º, da Lei nº 8.906/1994 para que fossem arbitrados os honorários advocatícios pelos serviços prestados na ação rescisória, a sentença merece confirmação. A argumentação posta no recurso é conducente a uma revisão da leitura da prova, o que importa em inadequação da via eleita." (e-STJ Fls. 376/381) (..) Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC. De rigor, portanto, a incidência da Súmula 568/STJ quanto ao ponto. 2. Da violação do art. 489 do CPC De outra parte, conforme consignado na decisão agravada, não há que se falar em ofensa ao art. 489 do CPC. Com efeito, a questão da análise dos documentos acostados aos autos foi devidamente fundamentada, de sorte que restaram afastados os argumentos expostos pela parte agravante mediante a análise das circunstâncias delineadas nos autos. Ademais, saliente-se que o exame da suposta violação de tal dispositivo foi realizado de forma conjunta com a incidência do óbice da Súmula 7/STJ, razão pela qual a decisão agravada não merece reforma. 3. Da ausência de prequestionamento Ademais, os arts. 337, II, e 371 do CPC, não foram objeto de expresso prequestionamento pelo Tribunal de origem, apesar da interposição de embargos de declaração, o que importa na incidência do óbice da Súmula 211/STJ. Ressalto ainda que, nos termos da reiterada jurisprudência do STJ, para que se tenha por prequestionada determinada matéria, é necessário que a questão tenha sido objeto de debate à luz da legislação federal indicada, com a imprescindível manifestação pelo Tribunal de origem, que deverá emitir juízo de valor acerca dos dispositivos legais, ao decidir por sua aplicação ou afastamento em relação a cada caso concreto, o que não se deu na espécie. Ademais, a alegação da parte agravante de que a oposição de embargos de declaração perante o Tribunal de origem, por si só, haveria de ser suficiente para se considerar prequestionado o tema em análise só encontra guarida se o Tribunal superior considerar existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade, o que, a toda evidência, não retrata a hipótese dos autos. 4. Do reexame de fatos e provas No mais, acerca da inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, no que se refere à condenação da agravante ao pagamento de honorários advocatícios, tem-se que o Tribunal de origem ao manifestar-se acerca da matéria entendeu que: (..) "A omissão que autoriza a interposição dos embargos é aquela correspondente a ponto sobre o qual o juiz ou tribunal devia pronunciar-se, diante de sua relevância para o desfecho da lide (artigo, 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil). O mero propósito de rediscutir o que foi decidido, ou mesmo exigir pronunciamento sobre teses descartadas como relevantes ao deslinde da causa, não autoriza o manejo dos embargos de declaração. A pretensão do embargante é rediscutir a interpretação que a Turma Julgadora fez das provas, a partir da leitura do caderno probatório, que assim está posta nos fundamentos do acórdão embargado: A tese defensiva foi no sentido de que houve contratação por escrito para a defesa em um a ação contra José Ornelas de Melo, mas que para a defesa na ação rescisória da sentença proferida no primeiro processo "não foi realizado aditivo ou adendo ao referido contrato de prestação de serviços advocatícios, nunca tendo havido qualquer menção por parte de Bruno que seriam devidos honorários advocatícios além dos que já haviam sido contratados". Afirma que a cobrança viola a boa-fé objetiva, tendo em vista que Bruno nunca propôs a estipulação de honorários para a ação rescisória e reconheçam que eram devidos apenas os honorários da ação original. Para descartar a tese defensiva e acolher o pedido de arbitramento de honorários advocatícios pelo patrocínios dos interesses da ora apelante na ação rescisória, o julgador de piso expôs a seguinte fundamentação: Verifico que a autora apresenta email (ID 5290558074) contendo suposta confissão da ré, cujo conteúdo transcrevo: Olá, solicito que me informe os percentuais para as ações em andamentos. Pretendo subestabelecer. Para isto necessito que me informe os números dos processos, bem como a fase que se encontram. Assim poderemos avaliar qual o seu percentual até este momento. Certo de que contratamos 20% (vinte por cento) sobre todos os valores recebidos. Ressalto que com relação aos processos da Dumont, devo subestabelecer de imediato, pois os honorários já foram pagos. Atenciosamente. André e Adriana Rocha. (Grifo) O trecho grifado foi utilizado com o fundamento contra a argumentação da ré, a qual sustenta que a contratação se limitaria aos valores recebidos, ou seja, apenas as quantias que a em presa ré viesse a receber, excluindo -se os valores que deixou de perder, com o ocorreu na ação rescisória. Neste ponto, vale destacar os termos do contrato de prestação de serviços advocatícios da ação de cobrança, juntado pela ré ao ID 6518763033, m ais especificam ente sua cláusula segunda: Cláusula Segunda: Para a elaboração do objeto acima especificado, pagará o CONTRATANTE ao CONTRATADO honorários, a título de Êxito, no percentual de 20% (vinte por cento), líquidos de tributo, 05 (cinco) dias corridos a contar do recebimento do comunicado enviado especificamente para esse fim, com a devida comprovação do término do procedimento e memória de cálculo apontando com o êxito obtido. Verifico, pois, que a incidência do percentual por êxito é genérica, não havendo limitação dos honorários ao valor obtido. Todavia, visto se tratar de ação de cobrança, evidente que estes incidiram sobre o proveito econômico obtido, vez que coincidiu com o valor da causa. Não obstante, conforme defendido pela parte autora em sua impugnação, os termos da primeira contratação abarcaram tão somente a ação de cobrança, não se estendendo à ação rescisória, conforme, inclusive, lembrou a informante ouvida em juízo. Aliás, vale dizer, quando da celebração da avença, sequer seria possível se vislumbrar a necessidade de defesa em futura ação rescisória, pelo que concluo serem realmente devidos os honorários relativos a essa. Quanto ao valor desses honorários, cabe considerar que o serviço foi prestado no decorrer de 12 (doze) anos, tendo a parte realizado sustentação oral e defendido o interesse da ré em recursos interpostos pela autora daquela ação, conforme se depreende dos documentos juntados ao ID. Ademais, a ré não impugna a qualidade do serviço prestado, tampouco a quantificação dos honorários em 20%, haja vista, inclusive, este valor ser o pactuado para a ação de cobrança. Devo dizer que a limitação dos honorários a um percentual do que efetivam ente a ré recebesse, em última análise, significaria que, estando sua constituinte na condição de ré, a parte autora jamais seria remunerado, já que na melhor das hipóteses o pedido seria improcedente, não havendo nada a receber. De mais a mais, a prova produzida não autoriza a conclusão de que os autores dispensaram o pagamento de honorários nessas hipóteses. Pela argumentação lógica exposta na sentença, o julgador não se baseou na missiva nela transcrita para afirmar a existência de uma contratação de honorários advocatícios para a defesa da ora apelante em processos de seu interesse, incluída a ação rescisória em questão, mediante honorários advocatícios de 20% sobre o êxito, que corresponderia tanto o que recebesse com o o que deixasse de pagar. Na verdade, o pedido de arbitramento somente foi acolhido porque não se reconheceu existente uma contratação verbal ou escrita para a ação rescisória, nos estritos termos do que está previsto no §2º, do artigo 22 da Lei nº 8.906/1994. É que o contrato escrito foi reconhecido com o restrito à contratação para representação da ora apelante na ação de cobrança, o que de fato corresponde ao seu objeto. Até seria viável que se previsse o desdobramento dos serviços contratados para um a determinada ação, especialmente quando, como no caso, a remuneração ajustada é pelo êxito, que evidentemente significa a obtenção de um proveito econômico. Assim, ações incidentes e relacionadas à ação contratada poderiam estar compreendidas no ajuste, o que perfeitamente poderia ocorrer em relação à ação rescisória. Por tal razão, li com atenção o contrato encartado no evento 36, chegando à conclusão de que a ação rescisória não foi mesmo cogitada quando da contratação, mesmo porque todos os desdobramentos possíveis estão indicados na cláusula que regula o objeto da prestação de serviços, com o se pode ver: A propósito da tese defensiva de que houve quitação dos honorários devidos, correspondendo a 20% do valor do depósito recursal, que teria sido a importância efetivamente recebida pela ora apelante, para que fosse acolhida era indispensável a prova de que houve um a contratação verbal em tal sentido. Tal prova não foi feita, nem restou contrariada a informação posta na inicial no sentido de que o valor integral do depósito feito na ação rescisória que foi convertido em favor da ora apelante para ela foi integralmente depositado, tendo partido dela a iniciativa de pagar aos apelados R$.536,92 com o a quantia que entendiam ser devida. Portanto, cumpridos os requisitos do artigo 22, caput e §2º, da Lei nº 8.906/1994 para que fossem arbitrados os honorários advocatícios pelos serviços prestados na ação rescisória, a sentença merece confirmação. A argumentação posta no recurso é conducente a uma revisão da leitura da prova, o que importa em inadequação da via eleita." (e-STJ Fls. 376/381) (..) E, conforme consignado na decisão agravada, observa-se que o Tribunal a quo ao apreciar a questão, baseou-se no conjunto fático-probatório dos autos, pelo que rever aquele entendimento é obstado devido à aplicação da Súmula 7 desta Corte. Cumpre ainda ressaltar que a jurisprudência desta Corte admite que se promova a requalificação jurídica dos fatos ou a revaloração da prova. Trata-se, pois, de expediente diverso do reexame vedado pela Súmula 7/STJ, pois consiste "em atribuir o devido valor jurídico a fato incontroverso, sobejamente reconhecido nas instâncias ordinárias" (AgInt no REsp 1.494.266/RO, 3ª Turma, DJe 30/08/2017). Frise-se, por oportuno, que, na hipótese em tela, não se cuida de valoração de prova, o que é viável no âmbito do recurso especial, mas de reapreciação da prova buscando sufragar reforma na convicção do julgador sobre o fato, para, in casu, se ter como não provado o que a Corte de origem afirmou estar. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno no agravo em recurso especial.