AREsp 2823690 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e, porque não houve omissão ou erro no enfrentamento das questões apontadas, o Tribunal manteve que o reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais são vedados em recurso especial e que não foi demonstrado dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico e similitude fática,...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: BANCO BRADESCO S/A; Autor/agravado: GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 29 May 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo STJ Conhecendo O Agravo E Parcialmente Conhecendo O Recurso Especial, Com Decisão De Não Provimento Na Parte Conhecida
- Outcome
- Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido.
- Legal Topics
- Ação De Arbitramento De Honorários, Embargos De Declaração, Reexame De Fatos, Interpretação De Cláusulas Contratuais, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 7/stj
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Parties
BANCO BRADESCO S/A
Agravante
GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
Autor/agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão Proferida Pelo STJ Conhecendo O Agravo E Parcialmente Conhecendo O Recurso Especial, Com Decisão De Não Provimento Na Parte Conhecida
Legal Issues
- 1 Ofensa ao art. 1.022 do CPC
- 2 Possibilidade de arbitramento de honorários diante de rescisão unilateral do contrato de prestação de serviços
- 3 Proibição de reexame de fatos e de interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial (Súmulas 5 e 7)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e, porque não houve omissão ou erro no enfrentamento das questões apontadas, o Tribunal manteve que o reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais são vedados em recurso especial e que não foi demonstrado dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico e similitude fática, motivo pelo qual o recurso especial foi parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.
Court Disposition
Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido.
Orders
- Conheço do agravo
- Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, negado provimento
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por BANCO BRADESCO S/A, contra decisão interlocutória que negou seguimento a recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 19/12/2024. Concluso ao gabinete em: 06/02/2025. Ação: de arbitramento de honorários, ajuizada por GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS, em face do agravante. Sentença (e-STJ, fls. 774/786): julgou procedente o pedido para condenar o agravante pagamento de R$ 32.764,35 (trinta e dois mil setecentos e sessenta e quatro reais e trinta e cinco centavos), relativos aos honorários devidos pelos serviços prestados na ação de execução de título extrajudicial nº 0026996-27.2003.8.11.0041. Acórdão (e-STJ, fls. 967/982): deu parcial provimento à apelação interposta pelo agravante, para reduzir os honorários para quantia de R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), e julgou prejudicada a apelação do agravado, nos termos da seguinte ementa: APELAÇÕES CÍVEIS - AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS - PRELIMINARES - JULGAMENTO SEM FUNDAMENTAÇÃO E , FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL E INÉPCIA DA INICIALEXTRA PETITA REJEITADAS - MÉRITO - CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS JURÍDICOS - TERMO DE QUITAÇÃO GENÉRICO -RESCISÃO UNILATERAL E IMOTIVADA - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS INCONTROVERSA - ARBITRAMENTO JUDICIAL - POSSIBILIDADE - FIXAÇÃO DOS HONORÁRIOS DE ACORDO COM O TRABALHO DESEMPENHADO PELO CAUSÍDICO - ADEQUAÇÃO DO -QUANTUM MINORAÇÃO DEVIDA - RECURSO DO BANCO PARCIALMENTE PROVIDO E DO AUTOR PREJUDICADO. Não há falar em ausência de fundamentação, uma vez que o decisum deixa evidente que o Julgador apontou as razões de seu convencimento, que foram expostas de forma lógica e concisa, o que afasta o vício alegado pela parte requerida, bem como não há como acolher a tese de nulidade por julgamento extra petita, porquanto, não é verdade que a sentença contém natureza diversa do pedido da petição inicial. In casu, o advogado tem interesse processual de promover ação de arbitramento de honorários advocatícios contra quem a contratou para receber pelos serviços até então prestados. Conforme entendimento consolidado do STJ, nos contratos de prestação de serviços advocatícios com cláusula de remuneração exclusivamente por verbas sucumbenciais, a rescisão unilateral do contrato pelo contratante justifica o arbitramento judicial dos honorários advocatícios ao advogado, pelo serviço proporcionalmente prestado. O ajuste de quitação apresentado nos autos, embora expresso, não é claro na estipulação dos critérios para estabelecer a contraprestação financeira pelos serviços jurídicos realizados pela parte autora em favor da instituição financeira, de modo que não é possível afirmar que houve a liquidação do débito de forma administrativa. Nas ações de arbitramento de honorários advocatícios, o Julgador deve se nortear pela proporcionalidade e razoabilidade, levando em consideração as circunstâncias dos autos, o lugar da prestação do serviço, a complexidade da causa, o trabalho e o zelo do profissional, o tempo exigido para o trabalho e, ainda, o valor econômico da questão, cuja inobservância autoriza a minoração pelo órgão ad quem. Precedentes. Embargos de declaração (e-STJ, fls. 1038/1044): opostos pelo agravante, foram rejeitados. Recurso especial (e-STJ, fls. 1054/1075): alega violação do art. 1.022, II, do CPC e do art. 22, §2º, da Lei 8.906/1994, bem como dissídio jurisprudencial. Afirma que o Tribunal de origem não teria enfrentado as teses e pedidos relacionados ao julgamento extra petita, ao dispositivo que fundamenta a ação, à validade do contrato de honorários e à forma de pagamento em caso de rescisão contratual, e à quitação feita pelo agravado. Aduz ser indevido o arbitramento de honorários de êxito quando há estipulação contratual clara, razão pela qual o acórdão deveria ser reformado para jugar improcedente o pedido inicial. É O RELATÓRIO. DECIDO. - Da violação do art. 1.022 do CPC É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese, soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente, acerca das alegações de julgamento extra petita, de inépcia da inicial e de falta de interesse de agir, da validade do contrato, da rescisão unilateral pelo agravante, da forma de remuneração e do termo de quitação (e-STJ, fls. 972/981), de maneira que os embargos de declaração opostos pelo agravante de fato não comportavam acolhimento. Assim, observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC, incidindo, quanto ao ponto, a Súmula 568/STJ. - Do reexame de fatos e da interpretação de cláusulas contratuais Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere à conclusão acerca do arbitramento da verba honorária, considerado o contrato celebrado, a sua rescisão repentina e sem justa causa pelo agravante, e a alegada quitação, exige o reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. - Da divergência jurisprudencial Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1.029, §1º, do CPC e 255, §§ 1º e 2º, do RISTJ. Ademais, a incidência da Súmula 7 desta Corte acerca do tema que se supõe divergente, também impede o conhecimento da insurgência veiculada pela alínea "c" do art. 105, III, da Constituição da República. Nesse sentido: AgInt no AREsp n. 821.337/SP, Terceira Turma, DJe de 13/03/2017 e AgInt no AREsp n. 964.391/SP, Terceira Turma, DJe de 21/11/2016. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação ao pagamento das penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. Ação de arbitramento de honorários. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. A incidência da Súmula 7/STJ prejudica a análise do dissídio jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte. 6. Agravo em recurso especial conhecido. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido.