AREsp 2772715 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque não houve violação do art. 1.022 do CPC; o recurso especial não pode ensejar reexame do conteúdo fático-probatório ou a interpretação contratual, em atenção às Súmulas 5 e 7 do STJ; e o agravante não demonstrou, nos termos da Súmula 568/STJ, divergência jurisprudencial...
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- Parties
- Agravante: BANCO BRADESCO S/A; Autor: GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 September 2025
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento (sessão Virtual De 09/09/2025 a 15/09/2025)
- Outcome
- Negado provimento ao agravo interno
- Legal Topics
- Ação De Arbitramento De Honorários, Embargos De Declaração, Reexame De Fatos E Provas, Interpretação De Cláusulas Contratuais, Súmula 568/stj, Honorários De Sucumbência Recursal
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Parties
BANCO BRADESCO S/A
Agravante
GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS
Autor
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL / Julgamento (sessão Virtual De 09/09/2025 a 15/09/2025)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão recorrida (art. 1.022 CPC)
- 2 Inadmissibilidade do reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmulas 5 e 7/STJ)
- 3 Aplicabilidade da Súmula 568/STJ e requisito de demonstração de divergência jurisprudencial
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque não houve violação do art. 1.022 do CPC; o recurso especial não pode ensejar reexame do conteúdo fático-probatório ou a interpretação contratual, em atenção às Súmulas 5 e 7 do STJ; e o agravante não demonstrou, nos termos da Súmula 568/STJ, divergência jurisprudencial capaz de afastar o óbice, de modo que o acórdão recorrido que adotou a orientação da jurisprudência do STJ não merece reforma.
Court Disposition
Negado provimento ao agravo interno
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/09/2025 a 15/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro e Daniela Teixeira votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO. 1. Ação de arbitramento de honorários. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 4. O acórdão recorrido que adota a orientação firmada pela jurisprudência do STJ não merece reforma. 5. Agravo não provido.
RELATÓRIO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI Examina-se agravo interno interposto pelo BANCO BRADESCO S/A, contra decisão unipessoal que conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento. Ação: de arbitramento de honorários advocatícios, ajuizada por GALERA MARI E ADVOGADOS ASSOCIADOS, em face do agravante. Sentença: julgou procedente o pedido, para condenar condenar o agravante ao pagamento de R$ 181.302,00 (cento e oitenta e um mil trezentos e dois reais). Acórdão: negou provimento à apelação interposta pelo agravante, nos termos seguinte ementa: APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - CONTRATO DE RISCO - RESCISÃO UNILATERAL - AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA - ACOMPANHAMENTO DE INÚMEROS PROCESSOS POR VÁRIOS ANOS - DEVER DE PAGAR OS HONORÁRIOS NA PROPORÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS - NECESSIDADE DE ATENDER AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE - QUANTUM MANTIDO - RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. Ainda que tenha havido contrato com previsão de remuneração exclusivamente pela verba sucumbencial, o rompimento da avença antes de findar a demanda pelo contratante, sem justa causa, de forma a impedir o recebimento desta, garante ao profissional o direito de pleitear em Juízo o arbitramento da verba, sob pena de locupletamento ilícito da parte adversa. Nas hipóteses de ação de arbitramento de honorários não se aplica a regra de percentual sobre o valor da causa ou condenação disposta no §2º, do art. 85, do CPC, devendo o magistrado se ater aos critérios qualitativos do causídico durante a sua participação no feito, a fim de arbitrar os honorários de forma justa, razoável e proporcional. Embargos de declaração: interpostos pelo agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 1.022, II, do CPC e 22, § 2º, da Lei 8.906/94, bem como dissídio jurisprudencial. Além de negativa de prestação jurisdicional, argumenta que os honorários devidos já foram pagos. Afirma ser indevida a obrigação ao pagamento de honorários de êxito, quando este não se encontra implementado no momento da rescisão da avença. Decisão agravada: recurso especial e, nessa parte, negar-lhe provimento, com os seguintes fundamentos: i) ausência de violação do art. 1.022 do CPC; e ii) incidência dos óbices das Súmulas 5, 7 e 568, todas do STJ. Agravo interno: nas razões do presente recurso, o agravante reitera a violação do art. 1.022 do CPC. Argumenta que não é necessário o reexame de provas e a interpretação de cláusulas contratuais. Sustenta a inaplicabilidade do óbice da Súmula 568/STJ. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA RECURSAL. MAJORAÇÃO. 1. Ação de arbitramento de honorários. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. O reexame de fatos e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 4. O acórdão recorrido que adota a orientação firmada pela jurisprudência do STJ não merece reforma. 5. Agravo não provido. VOTO Relatora: MINISTRA NANCY ANDRIGHI A decisão agravada conheceu do agravo, para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento, com os seguintes fundamentos: i) ausência de violação do art. 1.022 do CPC; e ii) incidência dos óbices das Súmulas 5, 7 e 568, todas do STJ. 1. Da violação do art. 1.022 do CPC Inicialmente, o agravante reitera a existência de omissão quanto à condenação ao pagamento de honorários, considerando a existência de contrato entre as partes. Ocorre que o TJ/MT se manifestou expressamente a respeito da matéria às fls. 1.424/1.433 (e-STJ). Verifica-se, portanto, que o art. 1.022 do CPC realmente não foi violado, porquanto o acórdão recorrido não contém omissão, contradição ou obscuridade e todas as questões de mérito foram suficientemente analisadas e discutidas. Nota-se, nesse passo, que o Tribunal de origem, embora tenha apreciado toda a matéria posta a desate, tratou da questão sob viés diverso daquele pretendido pela agravante, fato que não dá ensejo à interposição de embargos de declaração. 2. Do reexame de fatos e provas De outro turno, alterar as conclusões adotadas pelo TJ/MT, notadamente quanto à interpretação do contrato firmado e ao pagamento de honorários de forma contrária ao expressamente estipulado, à impossibilidade do arbitramento da verba pretendida e aos demais elementos informativos dos processo, viabilizando-se a tese do agravante, demandaria desta Corte, inevitavelmente, a incursão no conteúdo fático-probatório e contratual dos autos. Frise-se que o STJ apenas toma os fatos conforme delineados pelo Tribunal de origem, de maneira que a incursão nesta seara implicaria ofensa aos óbices das Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. 3. Da Súmula 568/STJ Ademais, o agravante não rebateu, de maneira suficiente e específica, a incidência da Súmula 568/STJ, pois não indicou precedentes contemporâneos ou supervenientes aos referidos na decisão agravada, de forma a comprovar que o acórdão recorrido diverge da orientação jurisprudencial desta Corte Superior, tampouco realizou qualquer distinção entre o precedente aplicado à hipótese e a questão jurídica decidida neste processo. Por fim, ressalte-se que a comprovação da divergência jurisprudencial exige o confronto entre acórdãos, motivo pelo qual é inadmissível o uso de decisão unipessoal para essa finalidade. A decisão agravada, portanto, não merece reforma. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao presente agravo.