AREsp 1905032 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e apenas parcialmente do recurso especial, negando-lhe provimento, por entender que não houve omissão nos embargos de declaração (art. 1.022 CPC/15), que havia fundamento do acórdão recorrido não impugnado que impede a reforma (Súmula 283/STF), que o reexame de fatos e provas é vedado em...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: NICOLINO JOSE DA SILVA; Recorrido: BANCO ITAUCARD S.A.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 August 2021
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão (conhecimento Do Agravo; Recurso Especial Parcialmente Conhecido E Não Provido)
- Outcome
- Conheço do agravo; recurso especial parcialmente conhecido e não provido.
- Legal Topics
- Ação De Busca E Apreensão, Embargos De Declaração, Reexame De Fatos E Provas, Dissídio Jurisprudencial, Súmula 283/stf, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
NICOLINO JOSE DA SILVA
Recorrente
BANCO ITAUCARD S.A.
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão (conhecimento Do Agravo; Recurso Especial Parcialmente Conhecido E Não Provido)
Legal Issues
- 1 possível violação do art. 1.022 do CPC/15
- 2 existência de fundamento não impugnado (Súmula 283/STF)
- 3 vedação ao reexame de fatos e provas em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e apenas parcialmente do recurso especial, negando-lhe provimento, por entender que não houve omissão nos embargos de declaração (art. 1.022 CPC/15), que havia fundamento do acórdão recorrido não impugnado que impede a reforma (Súmula 283/STF), que o reexame de fatos e provas é vedado em recurso especial (Súmula 7/STJ) e que não foi demonstrado dissídio jurisprudencial por ausência de cotejo analítico e similitude fática.
Court Disposition
Conheço do agravo; recurso especial parcialmente conhecido e não provido.
Orders
- Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/15.
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto porNICOLINO JOSE DA SILVA, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentadonas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 14/04/2021. Concluso ao gabinete em: 16/08/2021. Ação:busca e apreensão do veículo dado em garantia fiduciária à cédula de crédito n. 30410-622033447 ajuizada por BANCO ITAUCARD S.A. em desfavor do recorrente. Sentença: julgou procedente a ação. Acórdão: deu parcial provimento ao recurso de apelação do recorrente para julgar improcedente o pedido de busca e apreensão, bem como para condenar o recorrido ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 12% sobre o valor da causa, nos termos da seguinte ementa (e-STJ, fl. 476): APELAÇÃO - AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO - CONTRATO ORIGINAL - DESNECESSIDADE - IMPUGNAÇÃO VALOR DA CAUSA - SOMATÓRIO DAS PARCELAS VENCIDAS E VINCENDAS - CERCEAMENTO DE DEFESA - PROVA PERICIAL DESNECESSÁRIA - PAGAMENTO DAS PARCELAS EM ABERTO ANTES DA CUMPRIDA A LIMINAR - MORA AFASTADA - ALEGAÇÃO DE ABUSIVIDADE DE CLÁUSULAS EM CONTESTAÇÃO - CABIMENTO -TARIFA DE CADASTRO - COBRANÇA NO INÍCIO DO RELACIONAMENTO - TARIFAS DE REGISTRO DE CONTRATO E AVALIAÇÃO DO BEM - PROVA DA EFETIVA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO - COMISSÃO DE PERMANÊNCIA - AUSÊNCIA DE PREVISÃO - REPETIÇÃO DO INDÉBITO - AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. - É desnecessária a juntada do contrato original para instrução da ação de busca e apreensão, porquanto a lide tem fundamento em cédula de crédito bancário, que constitui título executivo extrajudicial sem circulação cambial. - O valor da causa nas ações de busca e apreensão deve corresponder ao somatório das parcelas vencidas e vincendas. - Por demandar a matéria controvertida - revisão de cláusulas contratuais - simples verificação dos termos do respectivo ajuste, não configura cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide. - Comprovado que o réu quitou as parcelas em aberto, antes de efetivada a citação e cumprido o mandado de busca e apreensão, valendo-se de boletos emitidos pelo próprio credor, resta afastada a mora e inviabilizada a consolidação da propriedade do bem em favor da instituição financeira. - Consoante entendimento do Superior Tribunal de Justiça, é cabível, em sede de contestação, que o devedor, pautado na ampla defesa, amplie o objeto da lide para tratar de possível abusividade quanto à cobrança de encargos contratuais. - Admite-se a cobrança da tarifa de cadastro no início da relação entre a instituição financeira e o consumidor. - Só tem cabimento a cobrança das tarifas de registro de contrato e avaliação de bem quando provada a efetiva prestação do serviço, ressalvada a possibilidade de controle por onerosidade excessiva. - Os juros moratórios devem incidir sem capitalização. - A repetição em dobro dos valores efetivamente cobrados a maior depende de prova da má-fé por parte do credor. - A abusividade de encargos acessórios do contrato não descaracteriza a mora. V.V - Descabe falar em abusividade da comissão de permanência se o contrato sub judice tratou apenas de juros moratórios, remuneratórios e multa. Embargos de Declaração: opostos pelo recorrente foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 3º, § 7º, do Decreto Lei n.º 911/69; 85, § 2º, e 1.022, inciso II, do CPC/15, bem como dissídio jurisprudencial. Além de negativa de prestação jurisdicional, sustenta ser necessária a fixação, desde logo, do parâmetro das perdas e danos, em conformidade com o valor de mercado do veículo, tendo como base a Tabela FIPE, vigente à época da alienação extrajudicial, bem como que deve ser adotado o valor da condenação como base de cálculo dos honorários advocatícios. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. Julgamento: aplicação do CPC/15. - Da violação do art. 1.022 do CPC/2015 É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC/15 quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido decidiu, fundamentada e expressamente, que "somente neste momento é que as questões trazidas pela primeira vez nas razões dos embargos e que configuram inovação recursal - alusivas ao valor do bem, valor da multa e critérios de correção do quantum devido - serão objeto de análise e discussão pelas partes" (e-STJ, fl. 480), de modo a concluir que a análise dessa matéria configura supressão de instância. Assim, os embargos de declaração opostos pela parte agravante, de fato, não comportavam acolhimento. Observado o entendimento dominante desta Corte acerca do tema, portanto, não há que se falar em violação do art. 1.022 do CPC/15, incidindo, quanto ao ponto a Súmula 568/STJ. - Da existência de fundamento não impugnado O agravante não impugnou o fundamento utilizado pelo TJ/MG para reconhecer a inviabilidade de análise da matéria relacionada à fixação dos parâmetros das perdas e danos. Com efeito, ficou incólume o argumento de que cabe ao recorrente dar início ao cumprimento da sentença, a fim de que demonstre perante o Juízo singular a impossibilidade de cumprimento da obrigação de entregar coisa certa e requerer, na forma da lei, a sua conversão, razão pela qual deve ser mantido o acórdão recorrido. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 283/STF. - Do reexame de fatos e provas Noutro vértice, alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere a base de cálculo utilizada para a fixação dos honorários advocatícios, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. - Da divergência jurisprudencial Por fim, observa-se que entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 541, parágrafo único, do CPC/73 ou 1029, §1º do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III e IV, "a", do CPC/2015, bem como na Súmula 568/STJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/15. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF.REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE.DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Ação de busca e apreensão. 2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 4. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. Agravo conhecido. Recurso especial parcialmenteconhecido e não provido.