REsp 2134295 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque (i) o tribunal de origem corretamente reconheceu a prescrição da pretensão desconstitutiva, por se tratar de ação declaratória revestida de natureza constitutiva, em consonância com o entendimento do STJ; e (ii) as razões recursais eram deficientes por não indicar, de forma...
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- Parties
- Agravante: NISE DO BRASIL - EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 September 2024
- Procedural Posture
- AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL / Julgamento (sessão Virtual)
- Outcome
- Agravo interno desprovido; negar provimento ao agravo interno.
- Legal Topics
- Ação Declaratória, Prescrição, Súmula 83/stj, Súmula 284/stf, Julgamento Extra Petita, Deficiência Recursal
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Parties
NISE DO BRASIL - EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA.
Agravante
Procedural Posture
AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL / Julgamento (sessão Virtual)
Legal Issues
- 1 Ocorrência de prescrição em ação declaratória de natureza constitutiva
- 2 Alegação de julgamento extra petita
- 3 Deficiência recursal por ausência de indicação de dispositivos legais
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque (i) o tribunal de origem corretamente reconheceu a prescrição da pretensão desconstitutiva, por se tratar de ação declaratória revestida de natureza constitutiva, em consonância com o entendimento do STJ; e (ii) as razões recursais eram deficientes por não indicar, de forma objetiva e clara, os dispositivos legais supostamente violados, atraindo a incidência da Súmula n. 284/STF, não havendo elementos que justifiquem a reforma da decisão agravada.
Court Disposition
Agravo interno desprovido; negar provimento ao agravo interno.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 03/09/2024 a 09/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRETENSÃO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO MANDATO. AÇÃO DECLARATÓRIA QUE SE REVESTE DE NATUREZA CONSTITUTIVA. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA N. 83/STJ. ALEGADO JULGAMENTO EXTRA PETITA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284/STF. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A ALTERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a ação declaratória pura é imprescritível, mas as pretensões condenatórias ou constitutivas resultantes do ato nulo sujeitam-se ao fenômeno da prescrição" (REsp n. 1.046.497/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 24/8/2010, DJe de 9/11/2010). 2. A falta de indicação dos dispositivos legais que teriam sido eventualmente malferidos impede o conhecimento da insurgência, por deficiência na sua fundamentação, conforme preceitua a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por NISE DO BRASIL - EMPREENDIMENTOS E INCORPORAÇÕES LTDA. contra decisão monocrática desta relatoria assim ementada (e-STJ, fl. 1.431): RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRETENSÃO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO MANDATO. AÇÃO DECLARATÓRIA QUE SE REVESTE DE NATUREZA CONSTITUTIVA. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA N. 83/STJ. ALEGADO JULGAMENTO EXTRA PETITA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284/STF. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA EXTENSÃO, DESPROVIDO. Nas razões do agravo interno, a agravante alega, em suma, que a ocorrência do julgamento extra petita está clara, uma vez que o seu pedido foi certo e delimitado à declaração de nulidade da procuração lavrada pelo Tabelionato de Notas de Imbituva/PR; que não há falar em incidência da Súmula n. 284/STF; que a Súmula n. 83/STJ é inaplicável ao caso vertente, haja vista que não incide o prazo prescricional na presente demanda, pois sequer foi iniciado; bem como que "a pretensão da agravante (indenizatória e futura) nascerá somente com a declaração pura de nulidade do instrumento público de procuração, ou seja, o seu direito será exercitável apenas com a declaração de nulidade pelo Judiciário" (e-STJ, fl. 1.453). Impugnação não apresentada (e-STJ, fl. 1.466). É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRETENSÃO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE DO MANDATO. AÇÃO DECLARATÓRIA QUE SE REVESTE DE NATUREZA CONSTITUTIVA. PRESCRIÇÃO. OCORRÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DESTA CORTE SUPERIOR. SÚMULA N. 83/STJ. ALEGADO JULGAMENTO EXTRA PETITA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO LEGAL TIDO POR VIOLADO. DEFICIÊNCIA RECURSAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284/STF. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTOS QUE JUSTIFIQUEM A ALTERAÇÃO DA DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Segundo a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, "a ação declaratória pura é imprescritível, mas as pretensões condenatórias ou constitutivas resultantes do ato nulo sujeitam-se ao fenômeno da prescrição" (REsp n. 1.046.497/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 24/8/2010, DJe de 9/11/2010). 2. A falta de indicação dos dispositivos legais que teriam sido eventualmente malferidos impede o conhecimento da insurgência, por deficiência na sua fundamentação, conforme preceitua a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. Agravo interno desprovido. VOTO O inconformismo não merece prosperar. Com efeito, verifica-se que os argumentos expostos no bojo do agravo interno não são aptos a desconstituir a decisão recorrida, uma vez que se mostra cristalina a incidência das Súmulas n. 83/STJ e 284/STF à presente demanda. Ora, a controvérsia refere-se, em síntese, à ocorrência, ou não, (a) da prescrição da pretensão quanto à declaração de nulidade do instrumento de mandato, bem como (b) do julgamento extra petita. O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, ao dirimir a questão posta nos autos, assim consignou (e-STJ, fls. 1.381-1.386; sem grifo no original): Cinge-se a controvérsia recursal acerca da ocorrência da prescrição do direito de ação da autora/recorrente assim como, adentrado ao mérito, eventual nulidade do instrumento procuratório (Livro nº 67 de folhas nº 54), lavrado em 25.01.1995, junto ao Tabelionato de Notas e Protesto e Títulos de Imbituva, eis que padece de vício formal insanável. Inicialmente, insta salientar que a demandante busca a declaração de ineficácia de instrumento procuratório levado a registro, a despeito dos amplos poderes conferidos para negociação, sob a alegação de ser impossível de se verificar o detalhamento da área a ser alienada e, em se tratando de imóvel, é necessário a especificação das confrontações e todas as suas características, bem como o número do registro imobiliário. .. Logo, observa-se que, em verdade, a requerente pretende a anulação dos atos subsequentes ao instrumento procuratório, como bem consignado em sentença. Isso porque o objetivo principal da demanda é declarar a nulidade das procurações outorgadas por instrumento público, no Tabelionato de Notas e Protesto de Título de Imbituva/PR, e, consequentemente, invalidar os posteriores negócios jurídicos de alienação dos bens imóveis objeto das procurações. Não é crível que a intenção da recorrente seja meramente declarar a nulidade dos negócios realizados, porquanto há, também, pretensão desconstitutiva. Assim não fosse, não haveria qualquer repercussão prática pela declaração judicial de nulidade, vez que apenas declararia a inexistência de uma relação jurídica. Para além, na própria exordial a apelante aduz que a existência de vício de consentimento torna nulo tanto o instrumento quanto os atos subsequentes. Sendo assim, por não se tratar de mera ação declaratória, a. imprescritibilidade da demanda é afastada. Nesse sentido, confira-se o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: .. Assim, conclui-se que a ação declaratória é imprescritível, porém, está sujeita à prescrição quando também tem natureza declaratória-constitutiva, como no caso dos autos. .. Dito isso, aplicando-se o maior prazo prescricional, considerando o prazo vintenário disposto no artigo 177 do Código Civil de 1916 e, ainda, o prazo decenal do artigo 205 do Código Civil atual, verifica-se a ocorrência da prescrição, sob qualquer prisma que se analise, uma vez que a lavratura foi realizada em 25/01/1995, e a demanda foi proposta apenas em junho de 2013. Portanto, mantenho o reconhecimento do instituto da prescrição no caso em tela. Na espécie, vislumbra-se que a irresignação da ora agravante, de fato, não merece prosperar, uma vez que o acórdão recorrido - ao concluir que "a ação declaratória é imprescritível, porém, está sujeita à prescrição quando também tem natureza declaratória-constitutiva, como no caso dos autos" (e-STJ, fl. 1.384), bem como que deve ser reconhecida a prescrição no caso vertente - está em consonância com o entendimento desta Corte Superior. Confiram-se (sem grifo no original): CIVIL E PROCESSO CIVIL. HONORÁRIOS. CONTRATAÇÃO VERBAL. COBRANÇA. PRESCRIÇÃO. PRAZO. CONTAGEM. DIES A QUO. DISPOSITIVOS LEGAIS ANALISADOS: ARTS. 25 DA LEI Nº 8.906/94 E 206, § 5º, II, DO CC/02. 1. Agravo de instrumento interposto em 03.07.2006. Recurso especial concluso ao gabinete da Relatora em 12.12.2012. 2. Recurso especial em que se discute o dies a quo do prazo prescricional para cobrança de honorários decorrentes de contrato verbal de prestação de serviços advocatícios judiciais. 3. Somente a ação declaratória pura é imprescritível; quando ela se revestir também de natureza constitutiva, ficará sujeita à prescrição. 4. Embora, com base no princípio da especialidade, a regra específica do art. 25, II, da Lei nº 8.906/94 deva prevalecer sobre o comando geral do art. 206, § 5º, II, do CC/02, aquela norma legal se refere exclusivamente à prescrição da ação de cobrança de honorários de advogado, inexistindo qualquer alusão à ação de arbitramento. Portanto, ausente no Estatuto da OAB comando específico para a tutela da prescrição da ação de arbitramento de honorários advocatícios, aplica-se a regra geral contida no Código Civil, cuja redação é mais abrangente, comportando inclusive a pretensão de fixação da verba. 5. Embora pormenorizadas, as hipóteses enumeradas no art. 25 da Lei nº 8.906/94 se subsumem na previsão do art. 206, § 5º, II, do CC/02, de sorte que, independentemente da norma aplicada, o prazo prescricional para exercício da pretensão de arbitramento e/ou cobrança dos honorários advocatícios judiciais verbalmente contratados será sempre de 05 anos, contado do encerramento da prestação do serviço (trânsito em julgado da decisão final ou último ato praticado no processo, conforme o caso). 6. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp n. 1.358.425/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 8/5/2014, DJe de 26/5/2014.) PROCESSO CIVIL. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. PRINCÍPIOS JURA NOVIT CURIA E DA MIHI FACTUM DABO TIBI JUS. PREQUESTIONAMENTO. PRODUÇÃO DE PROVA MEDIANTE REPRODUÇÃO MECÂNICA. POSSIBILIDADE. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. DEVER DE GUARDA SUJEITO AO PRAZO PRESCRICIONAL. EXISTÊNCIA DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. SÚMULA N. 7/STJ. AÇÃO DECLARATÓRIA E PRETENSÃO CONDENATÓRIA OU CONSTITUTIVA. PRESCRIÇÃO. INEXISTÊNCIA OU NULIDADE. NÃO CONTAMINAÇÃO DE ATOS SEPARÁVEIS, CONCOMITANTES OU SUBSEQUENTES. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE. 1. Inexiste violação dos arts. 458 e 535 do CPC quando o acórdão recorrido, ratificando a sentença, examina as questões havidas como necessárias ao desate da lide, com a exposição dos elementos e premissas jurídicas que ensejaram as conclusões ali firmadas. 2. Com base nos fatos narrados pela parte na peça preambular, cabe ao magistrado atribuir a qualificação jurídica que tenha correspondência à solução do litígio diante do princípio jura novit curia, pelo qual se pressupõe o seu conhecimento do direito, cuja relevância reflete postulado de igual matiz: da mihi factum dabo tibi jus. Não há ofensa aos arts. 128 e 460 do CPC se a qualificação jurídica dos fatos difere daquela apontada pelos autores recorrentes. 3. A lei processual admite a produção de prova por meio de fotocópias de documentos particulares ou por outros tipos de reprodução mecânica. Suscitado incidente de falsidade documental das cópias reprográficas e realizado exame pericial dos documentos impugnados, não há ofensa ao art. 383, caput e parágrafo único, do CPC, mas seu estrito cumprimento. 4. A falta de exibição que dá ensejo à sanção do caput do art. 359 do CPC admitir como verdadeiros os fatos que a parte pretendia provar por meio do documento é a que decorre de recusa "havida por ilegítima". 5. Ocorrida a prescrição, não mais sobrevive o dever de guarda de documentos, sendo legítima a recusa fundada no transcurso do prazo prescricional. Pensar diferente seria impor à parte obrigação juridicamente impossível. Ausência de ofensa aos arts. 358 e 359 do CPC. Aplicação, por analogia, do revogado art. 10, n. 3, do Código Comercial de 1850 e do atual art. 1.194 do Código Civil de 2002. 6. Os atos tidos por inexistentes admitem prova pericial. Atos que, tidos como inexistentes pela parte autora, foram considerados existentes nas vias ordinárias. O reexame dessa conclusão demandaria o revolvimento de fatos e provas, o que é impossível nesta esfera decisória (Súmula n. 7/STJ). 7. A ação declaratória pura é imprescritível, mas as pretensões condenatórias ou constitutivas resultantes do ato nulo sujeitam-se ao fenômeno da prescrição. Caso em que a prescrição vintenária consumou-se antes da propositura da ação e antes da publicação do atual Código Civil. 8. A teoria das nulidades de Direito comum não se aplica, de ordinário, em matéria de sociedades anônimas, de modo que os atos societários nulos prescrevem nos prazos previstos na lei societária. 9. A eventual nulidade ou inexistência de um ato não contamina os atos e negócios jurídicos dele separáveis, concomitantes ou subsequentes. 10. A não demonstração da existência de similitude das circunstâncias fáticas e do direito aplicado no acórdão recorrido e nos arestos paradigmas implica o desatendimento de requisitos indispensáveis à comprovação do dissídio jurisprudencial, a teor dos arts. 541, parágrafo único, do Código de Processo Civil e 255, § 2º, do Regimento Interno do STJ. 11. Recurso especial conhecido e desprovido. (REsp n. 1.046.497/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 24/8/2010, DJe de 9/11/2010.) Nessa esteira, constata-se que não merece reparo o acórdão recorrido, sendo de rigor a incidência da Súmula n. 83/STJ neste ponto. Por conseguinte, no tocante ao alegado julgamento extra petita, repisa-se que não foram elencados, de forma objetiva, direta e clara, os dispositivos de lei federal tidos por violados ou objetos de divergência jurisprudencial a fim de viabilizar o conhecimento, por esta Corte Superior, da insurgência a respeito da tese de mérito. O recurso especial é reclamo de natureza vinculada e, para o seu cabimento, inclusive quando apontado o dissídio jurisprudencial, é imprescindível que se demonstrem, de forma clara, os dispositivos apontados como malferidos pela decisão recorrida, sob pena de inadmissão. Ilustrativamente (sem grifo no original): AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. EXAME. IMPOSSIBILIDADE. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA Nº 282/STF. ADVOGADO. CARGA DOS AUTOS. ATOS PROCESSUAIS. CIÊNCIA INEQUÍVOCA PRECLUSÃO. NULIDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 7/STJ. JUROS. TERMO INICIAL. RELAÇÃO CONTRATUAL. CITAÇÃO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA Nº 284/STF. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. Compete ao Superior Tribunal de Justiça, em recurso especial, a análise da interpretação da legislação federal, motivo pelo qual se revela inviável invocar nesta seara a violação de dispositivos constitucionais ainda que para fins de prequestionamento, sob pena de invasão da competência atribuída ao Supremo Tribunal Federal (art. 102, III, da Carta Magna). 3. Ausente o prequestionamento, até mesmo de modo implícito, do dispositivo apontado como violado no recurso especial, incide, por analogia, o disposto na Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 4. A carga dos autos pelo advogado da parte enseja a ciência inequívoca do ato processual. Precedentes. 5. Eventual nulidade decorrente da falta de intimação deve ser arguida na primeira oportunidade em que o patrono da parte teve para se pronunciar nos autos, o que não se verifica na presente hipótese. 6. Alterar o entendimento firmado pelas instâncias ordinárias acerca da ausência de nulidade por ausência de intimação para apresentação de contrarrazões, ante a falta de alegação oportuna, demandaria a análise de fatos e provas dos autos, procedimento inviável em recurso especial devido ao óbice da Súmula nº 7/STJ. 7. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que, em se tratando de indenização por danos morais decorrentes de responsabilidade contratual, os juros moratórios fluem a partir da citação. 8. A deficiência na fundamentação recursal restou evidenciada, pois as razões do recurso especial não indicaram especificamente quais os artigos de lei federal teriam sido contrariados pelo aresto recorrido, o que atrai a incidência da Súmula nº 284/STF. 9. A divergência jurisprudencial, com fundamento na alínea "c" do permissivo constitucional requisita comprovação e demonstração, esta, em qualquer caso, com a transcrição dos trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, mencionando-se as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados, não se oferecendo, como bastante, a simples transcrição de ementas sem realizar o necessário cotejo analítico a evidenciar a similitude fática entre os casos apontados e a divergência de interpretações. 10. Não há como aferir eventual dissídio jurisprudencial sem que tenham os acórdãos recorrido e paradigma examinado o tema com enfoque na mesma legislação infraconstitucional. 11. Agravo interno não provido. (AgInt no AgInt no AgInt no AREsp n. 1.731.772/SC, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 17/10/2022, DJe de 24/10/2022.) Dessa forma, importa reafirmar que melhor sorte não socorre à agravante, em virtude da deficiência da argumentação recursal, o que justifica a aplicação, por analogia, da Súmula n. 284/STF à questão. Assim, não merece reparo a decisão monocrática de fls.1.431-1.437 (e-STJ). Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É o voto.