REsp 2142517 - DECISAO
O Recurso Especial não foi conhecido porque a Recorrente não impugnou especificamente os fundamentos suficientes do acórdão recorrido, deixou de indicar o dispositivo de lei federal violado e não demonstrou o dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico das decisões apontadas, implicando ausência de...
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- Parties
- Recorrente: ULTRA SOM SERVIÇOS MÉDICOS S..A. e outras; Recorrida: Caixa Econômica Federal
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 06 June 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
- Outcome
- Não conheço do Recurso Especial
- Legal Topics
- Ação De Consignação Em Pagamento, FGTS, Honorários Advocatícios, Honorários Recursais, Prequestionamento, Súmulas Stf/stj
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Summary, issues, holding and outcome
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Parties
ULTRA SOM SERVIÇOS MÉDICOS S..A. e outras
Recorrente
Caixa Econômica Federal
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Não Conhecido (decisão Monocrática)
Legal Issues
- 1 Se, na ação de consignação em pagamento, os honorários advocatícios devem ser fixados com base no valor da causa ou sobre o proveito econômico mensurável
- 2 Incidência de honorários recursais diante de provimento parcial do recurso e aplicação do Tema 1.059/STJ
- 3 Admissibilidade do recurso especial diante da ausência de prequestionamento e da não indicação do dispositivo de lei federal violado
Ratio Decidendi
O Recurso Especial não foi conhecido porque a Recorrente não impugnou especificamente os fundamentos suficientes do acórdão recorrido, deixou de indicar o dispositivo de lei federal violado e não demonstrou o dissídio jurisprudencial por meio de cotejo analítico das decisões apontadas, implicando ausência de prequestionamento e deficiência de fundamentação, o que impede o exame do recurso especial (aplicação, por analogia, das súmulas do STF e entendimentos do STJ).
Court Disposition
Não conheço do Recurso Especial
Orders
- Publique-se e intimem-se
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto por ULTRA SOM SERVIÇOS MÉDICOS S..A. e outras, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, assim ementado (fl. 947e): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. RECOLHIMENTO DA PRIMEIRA PARCELA DE PARCELAMENTO DO FGTS. RECUSA EM RECEBER O PAGAMENTO RECONHECIDA. FALHA NO SISTEMA DA CEF. PROCEDÊNCIA MANTIDA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO SANADAS. EMBARGOS PROVIDOS. 1. Embargos de declaração opostos pela parte autora e pela Caixa Econômica Federal em face de acórdão que, na presente ação de consignação em pagamento, deu parcial provimento à apelação da CEF, para fixar os honorários advocatícios em 10% sobre o valor decorrente da soma dos juros de mora e da multa que a parte autora pagaria pelo atraso do recolhimento da primeira parcela do FGTS. 2. A parte autora alega que o v. acórdão foi omisso quanto à indicação da data limite para o cálculo de juros de mora, sustentando que, embora a multa pelo atraso, de fato, possua um valor fixo de 5%, sendo quantificável, os juros de mora não são quantificáveis de modo taxativo, pois dependem do tempo de atraso, já que incidem diariamente. A CEF, por sua vez, suscita a existência de contradição no julgado ao condenar-lhe ao pagamento de honorários recursais e majorar a verba honorária a despeito do parcial provimento de sua apelação. 3. Na ação de consignação em pagamento, julgada procedente, o depósito faz cessar para o devedor os efeitos da mora, inclusive a fluência de juros de mora (REsp n. 1.108.058/DF, relator Ministro Lázaro Guimarães (Desembargador Convocado do TRF 5ª Região), relatora para acórdão Ministra Maria Isabel Gallotti, Segunda Seção, julgado em 10/10/2018, DJe de 23/10/2018). O percentual de 10% fixado a título de honorários advocatícios a serem imputados a CEF deve incidir sobre a quantia que a parte autora pagaria a título de juros de mora e de multa pelo recolhimento, com atraso, da primeira parcela do FGTS, incidentes até a data do depósito judicial. 4. Quanto aos honorários recursais, a teor da tese recentemente fixada pelo STJ no Tema 1.059: "A majoração dos honorários de sucumbência prevista no art. 85, § 11, do CPC pressupõe que o recurso tenha sido integralmente desprovido ou não conhecido pelo tribunal, monocraticamente ou pelo órgão colegiado competente. Não se aplica o art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento ou limitada a consectários da condenação." 5. Embargos de declaração providos, para, sanado a omissão e contradição suscitadas, afastar a condenação da CEF ao pagamento de honorários recursais e fazer constar que o percentual de 10% fixado a título de honorários advocatícios a serem imputados a CEF deve incidir sobre o valor decorrente da soma dos juros de mora e da multa que a parte autora pagaria pelo atraso do recolhimento da primeira parcela do FGTS, incidentes até a data do depósito judicial. Com amparo no art. 105, III, a e c, da Constituição da República, as Recorrentes apontam ofensa a dispositivos legais, alegando, em síntese: - Art. 8 5, § 2º, do CPC/2015 - Na ação de consignação em pagamento não é possível mensurar o proveito econômico obtido na demanda, devendo os honorários advocatícios serem fixados com base no valor da causa. Com contrarrazões, o recurso foi admitido. Feito breve relato, decido. Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. Nos termos do art. 932, III, IV e V, do Código de Processo Civil de 2015, combinados com os arts. 34, XVIII, b e c, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, respectivamente, a: i) não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida; ii) negar provimento a recurso ou pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ; e iii) dar provimento a recurso se o acórdão recorrido for contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: "O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema". A tese defendida pelas Recorrentes acerca da impossibilidade de se mensurar o proveito econômico na ação de consignação em pagamento, devendo os honorários advocatícios ser arbitrados com base no valor da causa, não pode ser extraída do dispositivo legal tido por violado. É firme o posicionamento desta Corte segundo o qual se revela incabível conhecer do recurso especial quando o dispositivo de lei federal tido por violado não possui comando normativo capaz de impugnar os fundamentos do acórdão recorrido, incidindo, por analogia, a orientação contida na Súmula n. 284, do Supremo Tribunal Federal, segundo a qual "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". Nesse cenário impõe-se a prejudicialidade do exame da divergência jurisprudencial. De fato, os óbices os quais impedem a análise do recurso pela alínea a prejudicam o exame do especial manejado pela alínea c do permissivo constitucional para questionar a mesma matéria. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DA SÚMULA N. 282/STF. FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS. NÃO INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. ALEGAÇÃO GENÉRICA DE OFENSA A DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA, POR ANALOGIA, DAS SÚMULAS N. 283 E 284/STF. TITULARIDADE DOS CRÉDITOS EXECUTADOS. ACÓRDÃO EMBASADO EM PREMISSAS FÁTICAS E NA INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CLÁUSULAS CONTRATUAIS. REVISÃO. SÚMULAS N. 05 E 07/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. INADEQUADA AO CASO CONCRETO. I - Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplica-se o Código de Processo Civil de 2015. II - É entendimento pacífico desta Corte que a ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo tribunal a quo impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 282 do Supremo Tribunal Federal. III - Revela-se deficiente a fundamentação quando a parte deixa de impugnar fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido, apresentando razões recursais dissociadas dos fundamentos utilizados pela Corte de origem, bem como quando a arguição de ofensa ao dispositivo de lei federal é genérica ou não aponta o dispositivo de lei federal violado. Incidência, por analogia, das Súmulas n. 283 e 284/STF. IV - In casu, rever o entendimento do Tribunal de origem acerca da titularidade dos créditos executados demandaria interpretação de cláusula contratual e revolvimento de matéria fática, o que é inviável em sede de recurso especial, à luz dos óbices contidos nas Súmulas n. 05 e 07/STJ. V - Os óbices que impedem o exame do especial pela alínea a prejudicam a análise do recurso interposto pela alínea c do permissivo constitucional para discutir a mesma matéria. Precedentes. VI - Em regra, descabe a imposição da multa, prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015, em razão do mero improvimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência do recurso a autorizar sua aplicação, o que não ocorreu no caso. VII - Agravo Interno improvido. (AgInt no REsp 1883971/PR, de minha relatoria, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/10/2020, DJe 08/10/2020) Ademais, o Recurso Especial não pode ser conhecido com fundamento na alínea c do permissivo constitucional, pois a parte recorrente deixou de proceder ao cotejo analítico entre os arestos confrontados, com o escopo de demonstrar que partiram de situações fático-jurídicas idênticas e adotaram conclusões discrepantes. A Recorrente deve transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio, mencionando as circunstâncias dos casos confrontados, sendo insuficiente, para tanto, a mera transcrição de ementas. Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos enunciados administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos, quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais, em favor do patrono da parte recorrida, está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/15), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Posto isso, com fundamento no art. 932, III, do Código de Processo Civil e art. 34, XVIII, a e b, do Regimento Interno desta Corte, NÃO CONHEÇO do Recurso Especial. Publique-se e intimem-se. EMENTA