AREsp 2573237 - ACORDAO
O agravo interno foi desprovido porque a alegação de ofensa ao art. 489 do CPC/2015 foi genérica, atraindo a Súmula 284/STF; a revisão da legitimidade do consórcio e do quantum indenizatório exigiria revolvimento do acervo fático-probatório e interpretação contratual, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: Consórcio Operacional BRT
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 09 October 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual 01/10/2024 a 07/10/2024)
- Outcome
- Agravo interno desprovido (nego provimento ao agravo interno)
- Legal Topics
- Ação De Indenização, Legitimidade Passiva, Quantum Indenizatório, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 284/stf, Súmula 7/stj
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
Consórcio Operacional BRT
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento (sessão Virtual 01/10/2024 a 07/10/2024)
Legal Issues
- 1 Violação ao art. 489 do CPC/2015 (alegação genérica)
- 2 Legitimidade passiva ad causam do consórcio
- 3 Impossibilidade de reexame de fatos e provas em recurso especial
Ratio Decidendi
O agravo interno foi desprovido porque a alegação de ofensa ao art. 489 do CPC/2015 foi genérica, atraindo a Súmula 284/STF; a revisão da legitimidade do consórcio e do quantum indenizatório exigiria revolvimento do acervo fático-probatório e interpretação contratual, vedados em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7/STJ; e o valor fixado (R$ 8.000,00) mostrou-se proporcional e razoável, inviabilizando a modificação em sede extraordinária.
Court Disposition
Agravo interno desprovido (nego provimento ao agravo interno)
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
- Partes cientificadas de que a oposição de embargos de declaração manifestamente inadmissíveis ou protelatórios poderá ensejar a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 01/10/2024 a 07/10/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. 1. VIOLAÇÃO AO ART. 489 DO CPC/2015. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. 2. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO CONSÓRCIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 3. QUANTUM INDENIZATÓRIO. RAZOABILIDADE. ALTERAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A fundamentação apresentada no recurso, no tocante ao art. 489 do CPC/2015, se mostra deficiente, dada a alegação genérica de afronta a dispositivo de lei federal, atraindo, assim, a incidência do verbete n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. Não há como afastar as conclusões estaduais - no que diz respeito à legitimidade passiva do consórcio e o respectivo quantum indenizatório - sem a interpretação das cláusulas pactuadas e sem o revolvimento fático-probatório, procedimentos que se encontram obstados na seara extraordinária, em razão dos óbices contidos nos verbetes n. 5 e 7 da Súmula desta Corte Superior. 3. Agravo interno desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto por Consórcio Operacional BRT contra decisão desta relatoria assim ementada (e-STJ, fl. 382): AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. 1. VIOLAÇÃO AO ART. 489 DO CPC/2015. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. 2. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO CONSÓRCIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 3. QUANTUM INDENIZATÓRIO. RAZOABILIDADE. ALTERAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO CONHECIDO PARA NÃO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL. Em suas razões (e-STJ, fls. 397-411), a insurgente sustenta que, "por cautela, optou por opor os competentes declaratórios com intuito de não deixar a menor margem de dúvida quanto ao prequestionamento explícito, mesmo que sobre eles não tenha se manifestado expressamente o Tribunal a quo". Defende que não se faz necessário o reexame de fatos e provas, porquanto a matéria trazida à discussão (responsabilização do consórcio, figura jurídica distinta das empresas consorciadas) é eminentemente de direito. Não foi apresentada impugnação. É o relatório. EMENTA AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. 1. VIOLAÇÃO AO ART. 489 DO CPC/2015. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. 2. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM DO CONSÓRCIO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7/STJ. 3. QUANTUM INDENIZATÓRIO. RAZOABILIDADE. ALTERAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 4. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. A fundamentação apresentada no recurso, no tocante ao art. 489 do CPC/2015, se mostra deficiente, dada a alegação genérica de afronta a dispositivo de lei federal, atraindo, assim, a incidência do verbete n. 284 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. Não há como afastar as conclusões estaduais - no que diz respeito à legitimidade passiva do consórcio e o respectivo quantum indenizatório - sem a interpretação das cláusulas pactuadas e sem o revolvimento fático-probatório, procedimentos que se encontram obstados na seara extraordinária, em razão dos óbices contidos nos verbetes n. 5 e 7 da Súmula desta Corte Superior. 3. Agravo interno desprovido. VOTO Os argumentos trazidos pela insurgente não são capazes de modificar as conclusões da deliberação unipessoal. No tocante à alegação de ofensa ao art. 489, § 1º, IV, do CPC, constata-se que as razões recursais não indicam objetivamente os vícios do acórdão estadual, individualizando o erro, a obscuridade, a contradição e/ou a omissão supostamente ocorridos, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Esta Corte já assentou que "a mera referência aos vícios previstos nos arts. 489 e 1.022 do NCPC, sem a particularização das teses e dos fundamentos considerados omissos ou enfrentados de forma deficiente pela Corte de origem, constitui alegação genérica, incapaz de evidenciar o malferimento da lei federal invocada, incidindo o óbice da Súmula 284/STF" (AgInt no AREsp n. 2.299.436/SP, Relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 19/6/2023, DJe de 23/6/2023). No mesmo sentido: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS. OMISSÃO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CORRETOR DE IMÓVEIS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. COMPROVAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. AGRAVO INTERNO PROVIDO PARA, EM NOVO JULGAMENTO, CONHECER DO AGRAVO E NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. É deficiente a fundamentação do recurso especial em que a alegação de ofensa ao art. 1.022 do CPC/2015 se faz de forma genérica, sem a demonstração exata dos pontos em relação aos quais o acórdão se fez omisso, contraditório ou obscuro. Incidência da Súmula 284 do STF. 2. No caso, o eg. Tribunal de origem, com fundamento nas provas documentais trazidas aos autos, reconheceu a ilegitimidade passiva do recorrido em razão da falta de comprovação da alegada desídia na prestação de serviço de corretagem. A modificação do entendimento lançado no v. acórdão recorrido demandaria o revolvimento de suporte fático-probatório dos autos, o que é inviável em sede de recurso especial, a teor do que dispõe a Súmula 7 deste Pretório. 3. Agravo interno provido para, em novo julgamento, conhecer do agravo e negar provimento ao recurso especial. (AgInt no AREsp 1.782.468/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 09/08/2021, DJe 31/08/2021) Dessa forma, a mera citação dos dispositivos legais invocados ou referência genérica aos aclaratórios, não supre a deficiência recursal, o que atrai a incidência da Súmula 284/STF. Quanto à alegação de ilegitimidade passiva ad causam, segundo a jurisprudência desta Corte Superior, havendo previsão contratual de responsabilidade solidária, o consórcio responderá, juntamente com suas integrantes consorciadas, pelos prejuízos causados aos usuários e a terceiros. No caso, o Tribunal de origem, soberano na análise das provas, concluiu pela legitimidade do consórcio, ao fundamento de que "infere-se que as obrigações assumidas pelo Consórcio em razão do contrato firmado com o Poder Concedente serão cumpridas por todos os consorciados e mesmo pelo próprio Consórcio em razão da solidariedade existente por força de Lei e do próprio contrato" (e-STJ, fl. 285). Desse modo, a pretensão de revisão desta conclusão esbarra no óbice da Súmula 7/STJ. Nesse sentido: AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. ACIDENTE DE TRÂNSITO. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONSÓRCIO. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A violação ao art. 1.022 do CPC/2015 não ficou caracterizada, uma vez que o Tribunal de origem examinou, de forma fundamentada, todas as questões submetidas à apreciação judicial na medida necessária para o deslinde da controvérsia, ainda que tenha decidido em sentido contrário à pretensão do recorrente. 2. Tendo o Tribunal local concluído pela legitimidade do consórcio e sua responsabilização solidária no caso, não há como rever esse entendimento sem o necessário revolvimento do acervo fático-probatório dos autos e a análise e interpretação de cláusulas contratuais, o que não se admite em âmbito de recurso especial, ante o óbice das Súmulas 5 e 7/STJ. 3. Agravo interno não provido" (AgInt no REsp n. 1.827.460/MG, relator Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe de 7/6/2021) Em relação ao quantum indenizatório, verifica-se que a quantia fixada pelo Tribunal de origem (R$ 8.000,00 - oito mil reais) não se afigura exorbitante, tendo sido observados os postulados da proporcionalidade e da razoabilidade de acordo com as particularidades do caso vertente, o que torna inviável o recurso especial, nos termos do enunciado n. 7 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Por fim, registre-se que, aplicados os supramencionados enunciados sumulares, fica prejudicada a análise do dissídio jurisprudencial. Dessa forma, como o presente agravo interno não suscitou nenhuma tese capaz de modificar o conteúdo do julgado impugnado, deve-se manter inalterada a decisão agravada. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela oposição de embargos de declaração manifestamente inadmissíveis ou protelatórios a este acórdão, ensejará a imposição da multa prevista no art. 1.026, § 2º, do CPC/2015. É como voto.