AREsp 2647336 - ACORDAO
O Tribunal considerou que o acórdão de origem apresentou fundamentação suficiente, concluiu pela configuração de nexo causal e negligência na prestação do atendimento médico, e que a alteração dessa conclusão exigiria o reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; assim, não há...
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- Parties
- Agravante: MUNICÍPIO DE UBERABA; Ré: PRO-SAUDE - Fl. 5/10 ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL E HOSPITALAR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual De 13/03/2025 a 19/03/2025 (segunda Turma)
- Outcome
- Agravo interno não provido; negar provimento ao recurso
- Legal Topics
- Ação De Indenização, Danos Morais, Danos Materiais, Responsabilidade Civil Do Município, Súmula 7 Do STJ, Arts. 489 E 1.022 Do CPC
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Parties
MUNICÍPIO DE UBERABA
Agravante
PRO-SAUDE - Fl. 5/10 ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL E HOSPITALAR
Ré
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Sessão Virtual De 13/03/2025 a 19/03/2025 (segunda Turma)
Legal Issues
- 1 Alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC
- 2 Necessidade de reexame do contexto fático-probatório e incidência da Súmula 7 do STJ
- 3 Configuração de responsabilidade civil do Município por negligência no atendimento médico
Ratio Decidendi
O Tribunal considerou que o acórdão de origem apresentou fundamentação suficiente, concluiu pela configuração de nexo causal e negligência na prestação do atendimento médico, e que a alteração dessa conclusão exigiria o reexame do contexto fático-probatório, o que é vedado pela Súmula 7 do STJ; assim, não há violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC e o agravo interno deve ser negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido; negar provimento ao recurso
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Negar provimento ao recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
5 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/03/2025 a 19/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. RESPONSABILIDADE CIVIL DO MUNICÍPIO CONFIGURADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS, CONCLUIU ESTAR COMPROVADA NEGLIGÊNCIA NA PRESTAÇÃO DO ATENDIMENTO MÉDICO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamenta damente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto pelo MUNICÍPIO DE UBERABA contra a decisão que conheceu do agravo , para negar provimento ao recurso especial, em razão da inexistência de violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC e pela aplicação da Súmula 7 do STJ. Argumenta a parte agravante, em síntese, que teria ocorrido negativa de prestação jurisdicional e cerceamento de defesa, uma vez que "não foi apreciada a alegação de que não seria possível concluir que o atendimento recebido na UPA Mirante determinou o óbito do genitor das Agravadas, além de que deveria ser reconhecida a responsabilidade primária da requerida PRO-SAÚDE" (fl. 1.031). Defende que, "na remota hipótese de considerar (i) a legitimidade municipal e (ii) a existência de nexo causal, o Ente Municipal requereu expresso pronunciamento do Eg. Tribunal a quo sobre a fixação da responsabilidade subsidiária municipal, inclusive à luz dos precedentes deste C. Superior Tribunal de Justiça" (fl. 1.034). Por fim, pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pela submissão da questão ao Colegiado. Não houve impugnação da parte agravada. É o relatório. EMENTA
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. DANOS MORAIS E MATERIAIS. RESPONSABILIDADE CIVIL DO MUNICÍPIO CONFIGURADA. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 489 E 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS, CONCLUIU ESTAR COMPROVADA NEGLIGÊNCIA NA PRESTAÇÃO DO ATENDIMENTO MÉDICO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte de origem dirimiu, fundamenta damente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material, afastando-se, por conseguinte, a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido.
VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para alterar os fundamentos da decisão ora agravada torna incólume o entendimento nela firmado. Quanto à alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC, verifica-se que a Corte de origem dirimiu, fundamentadamente, a matéria submetida à sua apreciação, manifestando-se acerca dos temas necessários ao integral deslinde da controvérsia, não havendo omissão, contradição, obscuridade ou erro material. No caso, o acórdão recorrido manifestou expressamente que "a UPA MIRANTE é órgão da administração direta do Município de Uberaba, gerida pela PRO-SAUDE - Fl. 5/10 ASSOCIAÇÃO BENEFICIENTE DE ASSISTENCIA SOCIAL E HOSPITALAR, portanto, tanto o Munícipio quanto a Associação, possuem legitimidade para figurar no polo passivo da ação" (fls. 674-675). Consignou, ainda, estar configurado "o nexo de causalidade entre o dever de agir do agente público e os danos sofridos pelas postulantes. Patente a negligência. Evidente a falha na atuação dos réus que, por meio de seus agentes, tinham a obrigação de prestar o atendimento adequado, não concedendo a alta e, posteriormente, a transferência para unidade de atendimento terciário ou de alta complexidade" (fl. 677). Conforme jurisprudência: .. não há violação do art. 1.022 do CPC/2015 quando o Tribunal a quo se manifesta clara e fundamentadamente acerca dos pontos indispensáveis para o desate da controvérsia, apreciando-a (art. 165 do CPC/1973 e art. 489 do CPC/2015), apontando as razões de seu convencimento, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, como verificado na hipótese. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 confirma a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, "sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida" EDcl no MS n. 21.315/DF, relatora Ministra Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), Primeira Seção, julgado em 8/6/2016, DJe 15/6/2016 (AgInt no AREsp n. 2.417.452/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 4/12/2023, DJe de 6/12/2023). No mais, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, acerca da demonstração de responsabilidade do Município de Uberaba e do órgão público responsável pela prestação do serviço de saúde, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: O Tribunal de origem, com base no exame dos elementos fáticos dos autos, consignou que "fica evidente que o filho da apelada veio a óbito em razão de pura negligência dos agentes de saúde da apelante, que não se mostraram diligentes em suas funções profissionais no atendimento da criança enferma. Resta comprovada a responsabilidade civil do Município de Manaus, que deixou de prestar atendimento diligente ao menor, que veio a óbito, diante da gravidade da doença que estava acometido, sendo totalmente devida a indenização proferida na decisão monocrática". Tal entendimento, firmado pelo Tribunal a quo, no sentido de que restou caracterizada a responsabilidade civil do Município, não pode ser revisto, pelo Superior Tribunal de Justiça, por exigir o reexame da matéria fático-probatória dos autos. Precedentes do STJ (AgInt no AgInt no AREsp 1.728.399/AM, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 1/9/2022). Isso posto, nego provimento ao recurso.