AREsp 2449247 - ACORDAO
Negado provimento ao agravo interno porque o recurso especial não é cabível para discutir suposta violação constitucional e porque o acolhimento da pretensão exigiria o reexame do acervo fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ, além de o tribunal de origem ter considerado as provas suficientes e indeferido a...
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- Parties
- Agravante: EDILANE FERNANDES DE LIMA; Agravada: CAMPO GRANDE FERTILIZANTES ORGÂNICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 28 February 2024
- Procedural Posture
- Agrav O Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Virtual Decisão Colegiada Pela Terceira Turma
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Ação De Indenização Por Danos Morais, Cerceamento De Defesa, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7/stj, Admissibilidade Do Recurso Especial, Violação De Dispositivo Constitucional
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Parties
EDILANE FERNANDES DE LIMA
Agravante
CAMPO GRANDE FERTILIZANTES ORGÂNICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA
Agravada
Procedural Posture
Agrav O Interno No Agravo Em Recurso Especial / Julgamento Virtual Decisão Colegiada Pela Terceira Turma
Legal Issues
- 1 Violação do art. 5º, LV, da CF/88
- 2 Cerceamento de defesa por indeferimento de prova pericial (art. 369 do CPC)
- 3 Incidência da Súmula 7/STJ e vedação ao reexame de fatos e provas
Ratio Decidendi
Negado provimento ao agravo interno porque o recurso especial não é cabível para discutir suposta violação constitucional e porque o acolhimento da pretensão exigiria o reexame do acervo fático-probatório, vedado pela Súmula 7/STJ, além de o tribunal de origem ter considerado as provas suficientes e indeferido a ampliação da perícia.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno no agravo em recurso especial
- Manter a decisão que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 20/02/2024 a 26/02/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de indenização por danos morais. 2. A interposição de recurso especial não é cabível quando ocorre violação de dispositivo constitucional, de súmula ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Cuida-se de agravo interno interposto por EDILANE FERNANDES DE LIMA contra decisão da Presidência desta Corte que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial que interpusera. Ação: de indenização por danos morais ajuizada pela agravante em face de CAMPO GRANDE FERTILIZANTES ORGÂNICOS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em razão do mau cheiro intenso e constante decorrente da manipulação de material orgânico em decomposição utilizado na fabricação de fertilizantes pela empresa agravada. Sentença: julgou improcedente o pedido de indenização de danos morais. Acórdão: negou provimento à apelação da agravante, nos termos da seguinte ementa: EMENTA - APELAÇÃO CÍVEL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃOPOR DANOS MORAIS - PREVENÇÃO - NÃO CONHECIMENTO DO RECURSOPOR OFENSA À DIALETICIDADE - NULIDADE DA SENTENÇA PORCERCEAMENTO DE DEFESA - PRELIMINARES REJEITADAS - MÉRITO - ALEGAÇÃO DE MAU CHEIRO INTENSO E PROLIFERAÇÃO DE DOENÇAS EMRAZÃO DE EMPRESA QUE MANIPULA MATERIAL ORGÂNICO EMDECOMPOSIÇÃO NA FABRICAÇÃO DE FERTILIZANTES - NEXO CAUSALNÃO DEMONSTRADO - PERÍCIA REALIZADA EM JUÍZO - RECURSOCONHECIDO E DESPROVIDO.01. Consoante inteligência do artigo 158 do RITJMS, o órgão que primeiro conhecer de uma causa ou de qualquer incidente terá a competência preventa para os feitos originários conexos e para todos os recursos. Constatada tal situação junto à 4ª Câmara Cível, deve ser afastada a alegada prevenção da 1ª Câmara Cível.02. Se há a possibilidade de compreensão da pretensão formulada, não há falar em ofensa ao princípio da dialeticidade, que apenas teria lugar naqueles recursos em que as argumentações e os fundamentos não sejam expostos de maneira concatenada ou não mantenham correlação com o provimento jurisdicional.03. O juiz é o destinatário das provas e, como tal, cabe-lhe decidira cerca da necessidade e pertinência da realização de novas provas, indeferindo aquelas que julgar desnecessárias, mormente quando já firmou seu convencimento por aquelas contidas nos autos e se a complementação de perícia ampliaria indevidamente a causa de pedir da lide.04. O perito judicial é pessoa de confiança do juiz e equidistante das partes, sem qualquer interesse no deslinde da causa, sendo certo que ele possui conhecimentos técnicos especializados para a adequada apreciação dos fatos narrados pelo autor em sua petição inicial.05. Não demonstrado o nexo de causalidade entre a conduta praticada pela empresa e o dano sofrido pela parte autora, mormente mediante comprovação, por perícia técnica, que o mau cheiro também advém de outras empresa instaladas (regularmente) no local, deve ser afastada e responsabilidade civil.06. Recurso conhecido e desprovido. (e-STJ Fl. 1280) Recurso Especial: alega ofensa aos arts. 5º, LV, da CF e 369 do CPC, apontando a ocorrência de cerceamento de defesa. Decisão unipessoal: conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial manejado considerando a inadmissibilidade de recurso especial que visa discutir violação ou interpretação divergente de norma constitucional e incidência da Súmula 7/STJ. Agravo interno: nas razões de e-STJ Fls. 422/438, a agravante insurge-se contra a incidência dos óbices aplicados. Aponta que não pretendeu interpor o recurso especial por violação a dispositivo ou princípio constitucional, mas por ofensa ao art. 369 do CPC, a par da existência de cerceamento de defesa em decorrência do indeferimento de prova pericial. Aponta, ainda, inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, sustentando a desnecessidade de reexame de provas. Por fim, reprisa suas razões recursais e pugna pela reconsideração da decisão agravada . É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. VIOLAÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. DESCABIMENTO. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1. Ação de indenização por danos morais. 2. A interposição de recurso especial não é cabível quando ocorre violação de dispositivo constitucional, de súmula ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. 3. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 4. Agravo interno não provido. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Cuida-se de agravo interno, interposto por EDILANE FERNANDES DE LIMA, contra decisão da Presidência do STJ que conheceu do agravo que interpusera para não conhecer de seu recurso especial. A decisão restou assim fundamentada: Quanto à controvérsia, no que se refere à alegada violação do art. 5º, LV, da CF, é incabível o recurso especial quando visa discutir violação ou interpretação divergente de norma constitucional porque, consoante o disposto no art. 102, inciso III, da Constituição Federal, é matéria própria do apelo extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Nesse sentido: "Não cabe a esta Corte Superior, ainda que para fins de prequestionamento, examinar na via especial suposta violação de dispositivo ou princípio constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal". (AgInt nos EREsp 1.544.786/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe de 16/6/2020.) .. Ademais, o Tribunal de origem se manifestou nos seguintes termos: Analisando detidamente as provas constantes dos autos, vê-se que se mostraram suficientes a formar o livre convencimento motivado do julgador, tornando-se desnecessária a produção de outras provas, estando os autos com toca a documentação necessária para a análise dos pontos controvertidos (fl. 1.289). Assim, incide o óbice da Súmula n. 7 do STJ ("A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial"), uma vez que o acolhimento da pretensão recursal demandaria o reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita (Súmula n. 7/STJ)". (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe 7/3/2019.) .. (e-STJ Fls. 1386/1387). A despeito das alegações aduzidas neste recurso, percebe-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir o entendimento firmado na decisão ora agravada. - Da violação de dispositivo constitucional De acordo com a legislação vigente, a interposição de recurso especial só é cabível quando a decisão recorrida se baseia em violação de lei federal. Assim, não é possível a interposição de recurso especial quando a decisão se baseia em violação de súmula, de dispositivo constitucional ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal. Portanto, o presente apelo não pode ser conhecido relativamente à apontada ofensa ao art. 5º, LV, da Constituição Federal. - Do reexame de fatos e provas Da detida análise dos autos, verifica-se que o acórdão recorrido, no tocante ao indeferimento da prova pericial, adentrou na esfera fática probatória dos autos, vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ. Confira-se como o acórdão recorrido se pronunciou sobre o tema: "Entendeu-se, na ocasião, quanto ao pedido de extensão do objeto da perícia às outras atividades desempenhadas na região, que a providência seria descabida pelo fato de que eventual poluição emitida por outras entidades não é o objeto da presente demanda, mas tão-somente a constatação se a específica atividade desempenhada pela agravante é capaz de produzir os danos aventados na inicial, e assim estabelecer o nexo causal necessário para a eventual condenação da agravante. (..) Insta observar que o juiz é o destinatário das provas e, como tal, cabe-lhe decidir acerca da necessidade e pertinência da realização de novas provas, indeferindo aquelas que julgar desnecessárias, mormente quando já firmou seu convencimento por aquelas contidas nos autos. (..) Analisando detidamente as provas constantes dos autos, vê-se que se mostraram suficientes a formar o livre convencimento motivado do julgador, tornando-se desnecessária a produção de outras provas, estando os autos com toca a documentação necessária para a análise dos pontos controvertidos." (e-STJ Fls. 1287/1289) Dessa forma, alterar o decidido no acórdão impugnado, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao presente agravo interno no agravo em recurso especial.