AREsp 2381993 - ACORDAO
O Tribunal de origem fundamentou a demanda na Lei n. 10.216/2001, na qual não há prazo específico para internação compulsória, sendo o art. 23-A da Lei 11.343/2006 aplicável apenas às internações sem decisão judicial. Assim, acolher a tese do agravante exigiria novo exame do acervo fático-probatório para...
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- Parties
- Agravante: ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 07 March 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Recurso Especial / Acórdão Proferido Em Sessão Virtual Da Primeira Turma (27/02/2024 a 04/03/2024)
- Outcome
- Agravo interno não provido.
- Legal Topics
- Ação De Internação Compulsória, Limitação Do Prazo De Internação, Natureza Da Ação, Reexame De Matéria Fática, Súmula 7/stj
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Parties
ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Recurso Especial / Acórdão Proferido Em Sessão Virtual Da Primeira Turma (27/02/2024 a 04/03/2024)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade de prazo máximo para internação compulsória em ação judicial fundada na Lei n. 10.216/2001
- 2 Distinção entre internação com decisão judicial e internação sem decisão judicial (art. 23-A da Lei n. 11.343/2006)
- 3 Vedação ao reexame de matéria fático-probatória em recurso especial (Súmula 7/STJ)
Ratio Decidendi
O Tribunal de origem fundamentou a demanda na Lei n. 10.216/2001, na qual não há prazo específico para internação compulsória, sendo o art. 23-A da Lei 11.343/2006 aplicável apenas às internações sem decisão judicial. Assim, acolher a tese do agravante exigiria novo exame do acervo fático-probatório para reclassificar a natureza da ação, providência vedada em recurso especial pela Súmula 7/STJ, motivo pelo qual o agravo interno foi negado provimento.
Court Disposition
Agravo interno não provido.
Orders
- Negar provimento ao agravo interno.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 27/02/2024 a 04/03/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Paulo Sérgio Domingues votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Paulo Sérgio Domingues. EMENTA ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA. LIMITAÇÃO DO PRAZO DE INTERNAÇÃO. NATUREZA DA AÇÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. No caso dos autos, o Tribunal de origem afirmou expressamente que a demanda fundamenta-se na Lei n. 10.216/2001, não havendo falar em prazo específico para a internação. Assim, eventual alteração das premissas adotadas demandaria novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 2. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): Trata-se de agravo interno manejado pelo ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL desafiando decisão pela qual neguei provimento ao agravo em recurso especial, por entender que a alteração das premissas adotadas pela Corte de origem demandaria novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial (Súmula 7/STJ). Opostos embargos declaratórios, foram rejeitados (fls. 346/347). Em suas razões, a parte demandante sustenta que: (I) "Partindo das mesmas premissas de fato, o recurso questiona a solução jurídica conferida à hipótese pela Corte de piso" (fl. 355) e (II) "enquanto o Tribunal de origem considerou impossível a aplicação de prazo máximo a medida imposta ao menor no caso, o recurso especial alega haver prazo máximo para internação compulsória no caso exatamente porque aqui não há medida penal imposta, mas sim de internação compulsória judicializada" (fl. 356). A parte agravada não apresentou impugnação (fl. 367). É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE INTERNAÇÃO COMPULSÓRIA. LIMITAÇÃO DO PRAZO DE INTERNAÇÃO. NATUREZA DA AÇÃO. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. No caso dos autos, o Tribunal de origem afirmou expressamente que a demanda fundamenta-se na Lei n. 10.216/2001, não havendo falar em prazo específico para a internação. Assim, eventual alteração das premissas adotadas demandaria novo exame do acervo fático-probatório constante dos autos, providência vedada em recurso especial, conforme o óbice previsto na Súmula 7/STJ. 2. Agravo interno não provido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO SÉRGIO KUKINA (Relator): O inconformismo não prospera. Com efeito, tal como constatou o decisório agravado, observa-se dos autos que o Tribunal de origem, ao dirimir a controvérsia, esclareceu o seguinte (fls. 163/164): Com relação a pretensão de limitação do prazo de internação, mais uma vez sem razão o apelo do Estado de Mato Grosso do Sul. Pois bem. A Lei Federal n. 13.840/2019 trouxe mudanças no ordenamento jurídico quanto à internação involuntária de dependentes químicos. Contudo, as premissas do art. 23-A (prazo máximo de 90 dias), introduzidas à Lei 11.343/06, aplicam-se às internações em que não há decisão judicial, o que difere do caso em análise. Isso porque, a presente demanda foi ajuizada e fundamentada na Lei n. 10.216/01, utilizada nos casos de internação compulsória, em que não há previsão de prazo específico (conforme dispõe o art. 6º, inciso III da Lei 10.216/011). Assim, a internação deve ocorrer pelo prazo necessário, de acordo com a prescrição médica, que analisa a evolução do tratamento, não cabendo ao Judiciário estipular prazo máximo de internação para tratamento de saúde. Assim, para acolher os argumentos deduzidos pela parte postulante e decidir acerca da natureza da ação ordinária seria necessária nova incursão no conteúdo probatório da demanda, providência que encontra óbice no teor da Súmula 7/STJ. Nessa linha: PROCESSO CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE COBRANÇA. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. RECURSO ESPECIAL. ENTENDIMENTO DO ACÓRDÃO DE ORIGEM DE ACORDO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. AGRAVO INTERNO. PRETENSÃO DE ALTERAÇÃO DE PREMISSA FÁTICA QUANTO À NATUREZA DA AÇÃO ORIGINÁRIA. SÚMULA N. 7 DO STJ. DECISÃO MANTIDA. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto por concessionária de serviço público distribuidora de energia elétrica contra decisão que, nos autos da ação de cobrança ajuizada por sociedade empresária, determinou o sobrestamento dos autos, haja vista o objeto da ação encontrar-se inserido no contexto de demanda proposta pelo Ministério Público, além de afastar prejudicial de mérito quanto à ocorrência de prescrição, por não se ter operado o transcurso do prazo quinquenal aplicável ao caso. No Tribunal a quo, a decisão foi mantida. II - A respeito da apontada violação do art. 206, §3º, IV, do Código Civil, sem razão a recorrente, encontrando-se o aresto recorrido em consonância com o entendimento desta Corte Superior, no sentido da não aplicação do prazo prescricional trienal previsto no art. 206, §3º, IV, nas ações de cobrança de valores constantes de relação contratual. Confiram-se os seguintes julgados: REsp 1.591.951/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 10/8/2021, DJe 17/8/2021; AgInt no REsp 1.696.558/SP, relator Ministro Antonio Carlos Ferreira, Quarta Turma, julgado em 13/12/2021, DJe 16/12/2021. III - A alegação do agravo interno de que o objeto da controvérsia seria distinto e, consequentemente, atrairia a incidência de prazo prescricional diverso conflita com o entendimento do acórdão de origem, que estabeleceu a seguinte premissa: "Veja que a pretensão da autora/agravada é fazer valer os termos do contrato, que remunera a contratada em relação à prestação de serviço" (fl. 157). Nesse sentido: O recurso especial não será cabível quando a análise da pretensão recursal exigir o reexame do quadro fático-probatório, sendo vedada a modificação das premissas fáticas firmadas nas instâncias ordinárias na via eleita. (Súmula 07/STJ) (AgRg no REsp n. 1.773.075/SP, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, DJe de 7/3/2019.) IV - Agravo interno improvido. (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.023.182/GO, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 12/9/2022, DJe de 14/9/2022.) ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAÇÃO. INDIRETA. PRESCRIÇÃO. DECENAL. NATUREZA DA AÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. O prazo prescricional da ação indenizatória por desapropriação indireta é, na vigência do Código Civil de 2002, decenal. 2. A desconstituição da natureza da ação, para afastar a ocorrência de desapropriação indireta, demanda, no caso, reexame direto de fatos e provas, vedado a esta Corte em recurso especial. Incidência da Súmula 7/STJ. 3. Recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, não provido. (REsp n. 1.185.335/RS, relator Ministro Og Fernandes, Segunda Turma, julgado em 3/4/2018, DJe de 9/4/2018.) ANTE O EXPOSTO, nega-se provimento ao agravo interno. É o voto.