REsp 1938190 - ACORDAO
Negou-se provimento porque o Tribunal de origem, com base nas provas, concluiu pela regularidade das notificações de autuação e de aplicação de penalidade (inclusive por carta simples), e a reforma dessa conclusão exigiria reexame do contexto fático-probatório, proibido pela Súmula 7 do STJ.
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- Parties
- Agravante: ALINE GONÇALVES DOS SANTOS ROCAMORA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 02 September 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (acórdão) Segunda Turma, Sessão Virtual De 21/08/2025 a 27/08/2025
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Ação Indenizatória, Autuação Por Infração De Trânsito, Imposição De Penalidade, Notificação, Cerceamento De Defesa, Súmula 7 Do STJ
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Parties
ALINE GONÇALVES DOS SANTOS ROCAMORA
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno No Recurso Especial / Julgamento (acórdão) Segunda Turma, Sessão Virtual De 21/08/2025 a 27/08/2025
Legal Issues
- 1 Configuração de cerceamento de defesa em razão de suposta falha na notificação
- 2 Regularidade da notificação por carta simples e necessidade de dupla notificação (autuação e aplicação da pena)
- 3 Incidência da Súmula 7 do STJ em razão da necessidade de reexame fático-probatório
Ratio Decidendi
Negou-se provimento porque o Tribunal de origem, com base nas provas, concluiu pela regularidade das notificações de autuação e de aplicação de penalidade (inclusive por carta simples), e a reforma dessa conclusão exigiria reexame do contexto fático-probatório, proibido pela Súmula 7 do STJ.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Nego provimento ao recurso
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 21/08/2025 a 27/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO DE TRÂNSITO. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. CONCLUSÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS, PELA REGULARIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. COMPROVAÇÃO DE RECEBIMENTO DAS NOTIFICAÇÕES PELA PARTE INFRATORA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte de origem concluiu, com base nas provas dos autos, que não ficou configurado o cerceamento de defesa, uma vez que a parte infratora teria recebido as notificações das autuações e da aplicação das penas de suspensão e cassação do direito de dirigir. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por ALINE GONÇALVES DOS SANTOS ROCAMORA contra a decisão que não conheceu do recurso especial, pela aplicação da Súmula 7 do STJ e sob o fundamento de que o entendimento do acórdão recorrido encontra-se em conformidade com a orientação desta Corte Superior, no sentido de que a legislação de regência apenas determina o envio da notificação por meio que assegure a ciência, destacando que sua expedição por carta simples satisfaz a formalidade legal. Argumenta a parte agravante, em síntese, que: Não incide a vedação da Súmula 7 porquanto a matéria em discussão limita-se a invalidar as evidências documentais admitidas como suficientes pelo Tribunal a quo, para a escorreita qualificação jurídica do desatendimento a garantia conferida a agravante, pelo inciso II do parágrafo único do art. 281 e do caput do art. 282 do CTB, de ter ciência inequívoca das infrações que lhe são imputadas para permitir o esclarecimento da verdade e produzir evidências de que não as praticou (fl. 760). Pugna pela reconsideração da decisão agravada ou pelo provimento do agravo interno pelo Colegiado. Como certificado nos autos, transcorreu in albis o prazo para impugnação. É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. AUTUAÇÃO POR INFRAÇÃO DE TRÂNSITO. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. CONCLUSÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS, PELA REGULARIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. COMPROVAÇÃO DE RECEBIMENTO DAS NOTIFICAÇÕES PELA PARTE INFRATORA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A Corte de origem concluiu, com base nas provas dos autos, que não ficou configurado o cerceamento de defesa, uma vez que a parte infratora teria recebido as notificações das autuações e da aplicação das penas de suspensão e cassação do direito de dirigir. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7 do STJ. 3. Agravo interno não provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para desconstituir os fundamentos da decisão ora agravada torna inalterado o entendimento nela firmado. Com efeito, a Corte de origem concluiu não ter ocorrido cerceamento de defesa, uma vez que a parte recorrente teria recebido as notificações das autuações e da aplicação das penas de suspensão e cassação do direito de dirigir. Consignou que "a parte autora recebeu as notificações, por via postal, a respeito das decisões proferidas nos referidos processos administrativos, expedidas pelo Departamento Estadual de Trânsito, ao contrário do alegado na petição inicial. E, tal situação demonstra que foi garantido ao infrator o exercício dos direitos constitucionais ao contraditório e ampla defesa" (fl. 495). Asseverou, ainda, que "as notificações foram endereçadas ao respectivo proprietário do veículo automotor pela empresa de correios, conforme a referida prova documental, não havendo qualquer ilegalidade ou irregularidade, passível de reconhecimento e correção" (fl. 495). Desse modo, o entendimento do acórd ão recorrido encontra-se em conformidade com a orientação desta Corte Superior, no sentido de que a legislação de regência apenas determina o envio da notificação por meio que assegure a ciência, destacando que sua expedição por carta simples satisfaz a formalidade legal. Nesse sentido, "a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é de que o envio da notificação, por carta simples ou registrada, satisfaz a necessidade de garantir a ciência do infrator ou responsável pelo veículo da aplicação da penalidade. Nesse sentido: PUIL 372/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Seção, DJe 27.3.2020" (AgInt no PUIL 1.654/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe de 9/9/2020). Além disso, a alteração da conclusão do Tribunal a quo, acerca da inexistência de cerceamento de defesa, considerada a regularidade nas notificações enviadas ao recorrente, ensejaria o necessário reexame da matéria fático-probatória dos autos, atraindo, por conseguinte, a incidência da Súmula 7 do STJ. Nesse sentido: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. INFRAÇÃO DE TRÂNSITO. AUSÊNCIA PARCIAL DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. FALTA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO VIOLADO. SÚMULA 284/STF. REEXAME DO CONTEXTO FÁTICO-PROBATÓRIO PRODUZIDO NOS AUTOS. SÚMULA 7 DO STJ. 1. Trata-se, na origem, de Ação de Cobrança movida pela Companhia de Engenharia de Tráfego de Santos - CET de Santos contra Transportes SANCAP S/A, "objetivando o pagamento de multas por infrações de trânsito incidentes sobre o veículo de sua propriedade, tipo semirreboque", que somam R$ 2.127,81. .. 4. Quanto ao procedimento administrativo para imposição de multa de trânsito, a posição do STJ é no sentido da indispensabilidade de duas notificações: a) a primeira, que poderá ser feita pelo correio, cabe na autuação a distância ou por equipamento eletrônico, com o desiderato de ensejar conhecimento da lavratura do auto de infração (art. 280, caput e inciso VI, do CTB), dispensável, por óbvio, nas hipóteses de flagrante, já que o infrator é notificado de modo presencial (art. 280, VI, § 3º, c/c o art. 281, II, do CTB); e b) a segunda deverá ocorrer após julgada a subsistência do auto de infração, com a imposição de penalidade (art. 282, do CTB). Esse entendimento encontra-se consubstanciado na Súmula 312/STJ: "No processo administrativo para imposição de multa de trânsito, são necessárias as notificações da autuação e da aplicação da pena decorrente da infração". 5. In casu, conforme noticia o acórdão impugnado, as notificações relativas à autuação e à aplicação da penalidade foram efetivadas. Modificar a conclusão a que chegou a Corte de origem, de modo a acolher a tese da recorrente, demanda reexame do acervo fático-probatório dos autos, o que é inviável em Recurso Especial, sob pena de violação da Súmula 7 do STJ: "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial". 6. Recurso Especial não conhecido (REsp 1.805.863/SP, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 25/10/2019 - grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. INFRAÇÃO DE TRÂNSITO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INEXISTÊNCIA. MULTA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. REVISÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULA 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. .. 3. Hipótese em que as instâncias ordinárias concluíram pela legalidade do procedimento administrativo, consignando expressamente que houve a dupla notificação, tanto para a defesa prévia quanto para o recurso administrativo, nos termos dos arts. 280, VI, e 281 do CTB, bem como das Súmulas 127 e 312 do STJ, deixando o agravante, contudo, transcorrer o prazo sem qualquer impugnação. 4. Na fase de homologação do auto de infração, a autoridade de trânsito cinge-se a verificar a regularidade formal do ato administrativo, não sendo exigida motivação específica no tocante a todos os requisitos legais para a sua validação. 5. Se o auto de infração expõe as razões de fato e de direito que levaram o agente público à lavratura do ato e a parte interessada, apesar de devidamente notificada, não apresenta nenhuma defesa ou recurso, não há que se exigir da autoridade administrativa novas justificativas para a imposição da penalidade. 6. A alteração do julgado demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, providência vedada pela Súmula 7 do STJ, bem como a análise da Resolução n. 149/2003-CONTRAN, ato normativo que não está compreendido na expressão "lei federal", de acordo com o art. 105, III, alínea "a", da Carta Magna. 7. Agravo interno desprovido (AgInt nos EDcl no AREsp 742.956/RS, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe de 7/5/2018 - grifo nosso). PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO DECLARATÓRIA. PRETENSÃO DE ANULAÇÃO DE MULTAS DE TRÂNSITO. NOTIFICAÇÃO. VALIDADE. ANÁLISE DE DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DA SUPREMA CORTE. PRETENSÃO DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ALEGAÇÕES DE VÍCIOS NO ACÓRDÃO. INEXISTENTES. I - Na origem, trata-se de ação anulatória de multa de trânsito, por incompetência do DNIT e ausência de notificação válida. Na sentença, julgou-se procedente o pedido e prejudicada a análise da legitimidade do DNIT. No Tribunal a quo, a sentença foi reformada para declarar a competência do DNIT e a validade da notificação. .. V - No caso dos autos, a multa imposta ao autor foi lavrada em 04/08/2012 e, conforme documentos encartados no Evento 19 (COMP2) a notificação de autuação por infração de trânsito foi enviado ao proprietário do veículo através da ECT em 21/08/2012, sendo a correspondência devolvida ao remetente pela ECT após três tentativas frustradas de entrega do objeto (24/08/2012 às 11h20min; 27/08/2012 às 11h36min e 28/08/2012 às 11h25min), sem, contudo, indicar o motivo da devolução. A notificação de aplicação de penalidade foi enviado para a ECT em 27/10/2015, sendo a correspondência devolvida ao DNIT após três tentativas frustradas de entregar o objeto (04/11 às 14h10min, 05/11 às 16h00min e 06/11 às 11h22min), indicando o motivo de "ausente". VI - Desta forma restou cumprida a exigência legal, pois foram feitas 03 (três) tentativas de notificação no endereço do autor (que até a data da prolação da sentença) ainda era o mesmo. Ora, se o Código de Trânsito Brasileiro (§ 1 do artigo 282), prevê até na hipótese de ser devolvida por desatualização do endereço a notificação considerada válida, não há razão para se alegar o descumprimento da notificação, visto que é certo que a ECT sempre, nesta hipótese, deixa a comunicação das visitas na caixa postal, noticiando a necessidade da notificando comparecer na sua agência mais próxima. VII - Não é razoável se entender imperfeito tal procedimento e se exigir, somente porque o autor ainda reside no mesmo endereço, que se faça a publicação de Edital. Exigir quiçá intimação por Oficial de Justiça para se justificar a publicação de editais em multa de trânsito, data máxima vênia, seria inviabilizar o procedimento administrativo do órgão. Não é razoável tal interpretação e nem há exigência de tal rigor a na legislação de regência do trânsito. VIII - Dos excertos colacionados do acórdão recorrido, o Tribunal a quo, com base nos elementos fáticos dos autos, concluiu pela regularidade do procedimento de notificação do recorrente, a uma, porque foram realizadas três tentativas pela ECT, via AR, a duas, porque seu endereço ainda era o mesmo, fundamentos estes impossíveis de se refutar sem revolvimento do mesmo acervo fático-probatório já analisado, providência impossível pela via estreita do recurso especial, ante a incidência do óbice da Súmula n. 7/STJ. A esse respeito, os seguintes julgados: AgRg no REsp 1444869 / AL, Relator Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, Julgamento em 05/06/2014, DJe 25/06/2014 e AgRg no AREsp 26836 / PE, Relator Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, Julgamento em 15/09/2011, DJe 21/09/2011. V - A análise do dissídio jurisprudencial suscitado também também encontra entrave no óbice da Súmula n. 7/STJ. VI - Agravo interno improvido (AgInt no REsp 1.833.792/RS, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 20/5/2020 - grifo nosso). Isso posto, nego provimento ao recurso.