AREsp 2498748 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque a análise das pretensões indenizatórias e da perda de uma chance exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado no recurso especial pela Súmula 7/STJ, e porque o pedido de restituição da Taxa de Mandato dependeu da interpretação de legislação estadual, atraindo, por...
Source-derived case information.
- Parties
- Recorrente: MARIA CARLOTA PORTELLA CARNEIRO; Recorrido: ESTADO DE SÃO PAULO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Virtual Da Segunda Turma (negar Provimento)
- Outcome
- Agravo interno improvido (negado provimento).
- Legal Topics
- Ação Indenizatória, Danos Morais, Danos Materiais, Perda De Uma Chance, Taxa De Mandato, Responsabilidade Civil, Súmula 7/stj, Súmula 280/stf
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
MARIA CARLOTA PORTELLA CARNEIRO
Recorrente
ESTADO DE SÃO PAULO
Recorrido
Procedural Posture
Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial / Acórdão Julgamento Virtual Da Segunda Turma (negar Provimento)
Legal Issues
- 1 Se a extinção da Carteira de Previdência dos Advogados de São Paulo (CPA) gerou dever de indenizar por danos morais, materiais e perda de uma chance
- 2 Se o recurso especial exige reexame do contexto fático-probatório (incidência da Súmula 7/STJ)
- 3 Se a pretensão de restituição da Taxa de Mandato depende de interpretação de legislação estadual, atraindo a aplicação, por analogia, da Súmula 280/STF
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque a análise das pretensões indenizatórias e da perda de uma chance exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado no recurso especial pela Súmula 7/STJ, e porque o pedido de restituição da Taxa de Mandato dependeu da interpretação de legislação estadual, atraindo, por analogia, a aplicação da Súmula 280/STF, o que impede revisão na via eleita; além disso o tribunal a quo concluiu pela ausência de ato ilícito que justificasse indenização.
Court Disposition
Agravo interno improvido (negado provimento).
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a decisão que não conheceu do recurso especial e o acórdão do Tribunal de origem
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 07/08/2025 a 13/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Marco Aurélio Bellizze e Teodoro Silva Santos votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Afrânio Vilela. EMENTA ADMINISTRATIVO E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ALEGAÇÃO DE DANOS MORAIS, MATERIAIS E PERDA DE UMA CHANCE. REEXAME CONTEXTO FÁTICO E PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SUMULA 7/STJ. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AOS ARTS. 186, 187, 884 e 927 DO CC. TAXA DE MANDATO. OFENSA A LEI FEDERAL REFLEXA. ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO LOCAL. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. O recorrente alega que a extinção da Carteira de Previdência dos Advogados de São Paulo (CPA), frustrou seu direito à aposentadoria, ocasionando-lhe danos morais, materiais e indenização pela perda de uma chance, razão pela qual aduz afronta aos arts. 186,187, 884 e 927 do CC. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ. 3. No tocante ao pedido de restituição da taxa de mandato, a controvérsia foi dirimida mediante análise e interpretação da legislação local de regência, fato que atrai a aplicação, por analogia, da Súmula 280 do STF, que dispõe: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." 4. Agravo interno im provido.
RELATÓRIO MINISTRO AFRÂNIO VILELA: Em análise, agravo interno interposto por MARIA CARLOTA PORTELLA CARNEIRO contra a decisão que conheceu do agravo em recurso especial para não conhecer do recurso especial, pela incidência das Súmulas 280 e 282/STF, aplicada por analogia, bem como pela aplicação da Súmula 7 deste STJ. Assevera a parte agravante, em síntese, a ausência de contrariedade às Súmulas 280 e 282/STF, apontando a ocorrência de violação ao Código Civil, e não sobre legislação estadual. Acrescenta que houve prequestionamento implícito, pois as teses debatidas foram expressamente discutidas no Tribunal de origem. Destaca, ainda , que o Tribunal se manifestou sobre a responsabilidade civil e o dever de indenizar, vinculados aos artigos do Código Civil. Sustenta que: .. embora parte do v. acórdão tenha se debruçado sobre a legislação estadual, a violação apontada no recurso especial - e que não foi objeto de mínima análise pela decisão do E. Ministro Relator -, incidiu sobre dispositivos da legislação federal, a saber, o Código Civil. .. recorde-se que o próprio E. STF não declarou a aplicação da Súmula 280/STF ao julgar a ADI nº 4429/SP. .. Ora, na hipótese dos autos a Agravante sustentou, desde a inicial, que as condutas do Estado violavam diretamente os artigos 186, 187, 884 e 927 do Código Civil, cujos dispositivos versam, sobretudo, a respeito da responsabilidade civil e do dever de indenizar danos materiais e morais. Nesse contexto, a tese da Agravante obviamente foi debatida pelo v. acórdão do Tribunal a quo, haja vista que há passagens em que o TJSP se manifestou no sentido de que os danos não teriam ocorrido (fls. 420-422). Pugna, por fim, pela reconsideração da decisão agravada ou pelo provimento do agravo interno pelo Colegiado. Como certificado nos autos, transcorreu in albis o prazo para impugnação (fl. 431). É o relatório. EMENTA ADMINISTRATIVO E CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA. ALEGAÇÃO DE DANOS MORAIS, MATERIAIS E PERDA DE UMA CHANCE. REEXAME CONTEXTO FÁTICO E PROBATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. SUMULA 7/STJ. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AOS ARTS. 186, 187, 884 e 927 DO CC. TAXA DE MANDATO. OFENSA A LEI FEDERAL REFLEXA. ANÁLISE DE LEGISLAÇÃO LOCAL. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. O recorrente alega que a extinção da Carteira de Previdência dos Advogados de São Paulo (CPA), frustrou seu direito à aposentadoria, ocasionando-lhe danos morais, materiais e indenização pela perda de uma chance, razão pela qual aduz afronta aos arts. 186,187, 884 e 927 do CC. 2. Inviável a análise da pretensão veiculada no recurso especial, por demandar o reexame do contexto fático-probatório dos autos, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ. 3. No tocante ao pedido de restituição da taxa de mandato, a controvérsia foi dirimida mediante análise e interpretação da legislação local de regência, fato que atrai a aplicação, por analogia, da Súmula 280 do STF, que dispõe: "Por ofensa a direito local não cabe recurso extraordinário." 4. Agravo interno im provido. VOTO MINISTRO AFRÂNIO VILELA (Relator): Conheço do recurso, porquanto presentes os seus pressupostos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade. O cerne do apelo consiste no pleito indenizatório da recorrente contra o ESTADO DE SÃO PAULO, referente à extinção da Carteira de Previdência dos Advogados de São Paulo - CPA. A Corte local manteve a sentença de parcial procedência que reconheceu o direito à restituição de imposto de renda sobre as contribuições recebidas, mas afastou a restituição da "Taxa de Mandato" e a indenização por perda de uma chance e dano moral, por ausência de ato ilícito (fls. 214-223). Nas razões do recurso, a recorrente alegou que o acórdão recorrido violou os arts. 186, 187, 927 do Código Civil, ao não reconhecer o dever de indenizar por danos materiais, morais e pela perda de uma chance, causados pela extinção da CPA, requerendo, além da indenização, a restituição dos saldos, incluindo a taxa de mandato. A controvérsia recursal sobre a indenização por danos morais, materiais, perda de uma chance e restituição da taxa de mandato envolve questões que exigem o revolvimento do conjunto fático-probatório. No tocante à indenização por perda de uma chance do direito de se aposentar pela Carteira de Previdência dos Advogados, devido à extinção da CPA, observo que a recorrente possuía apenas expectativa de direito, não configurando uma chance real e iminente, portanto, eventual alteração da conclusão do Tribunal a quo demandaria o reexame das provas sobre a expectativa e as condições para a aposentadoria. De igual modo, no que tange ao pedido de indenização por danos morais pelo abalo e quebra da confian ça causados pela extinção da CPA, o acórdão recorrido nega a existência de ato ilícito que justificaria tal indenização, de modo que o debate dessa questão requer a reanálise das provas sobre o impacto psicológico e a conduta do Estado. Por sua vez, quanto ao pedido de danos materiais, em que pleiteia a restituição da Taxa de Mandato, argumentando que esta compunha o patrimônio da CPA, o acórdão recorrido, por sua vez, afirma que a restituição da Taxa de Mandato não foi prevista nas leis estaduais que regulamentaram a extinção da CPA. Logo, o pleito envolve a análise das provas sobre a composição do patrimônio da CPA e a aplicação das leis estaduais. Com efeito, da análise dos autos é possível verificar que a apreciação da pretensão do recorrente de restituição da Taxa de Mandato, ainda que sustentada com base em suposta violação à lei federal, demandaria, necessariamente, a interpretação da legislação local considerada pelo acórdão recorrido, o que é inviável na estreita via do recurso especial, nos termos da Súmula 280/STF. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. DECISÃO FUNDAMENTADA EM LEI LOCAL. SÚMULA 280. 1. A Corte regional dirimiu a controvérsia nestes termos (fls. 58-63, e-STJ, grifei): "No mesmo sentido, pelo desprovimento do recurso, o percuciente parecer de lavra do Procurador de Justiça atuante no feito, Dr. Eduardo Roth Dalcin, que acrescentou, ainda, que "os créditos devidos ao Estado a título de honorários advocatícios de sucumbência não integram o patrimônio econômico dos procuradores do estado, motivo pelo qual é inviável receberem o mesmo tratamento dado aos créditos devidos aos advogados privados, não se aplicando os artigos 85, § 14, do CPC Os honorários constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de sucumbência parcial e 23 da Lei nº 8.906/1994 Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor . A correção deste entendimento fica mais evidente a partir da análise da Lei Estadual nº 10.298/1994, que "Extingue o Fundo de Assistência Judiciária e cria o Fundo de Reaparelhamento da Procuradoria-Geral do Estado e o Fundo de Aparelhamento da Defensoria Pública", regulamentada pelo Decreto Estadual nº 54.454/2018 Dispõe sobre o Fundo de Reaparelhamento da Procuradoria-Geral do Estado - FURPGE, de que trata a Lei nº 10.298, de 16 de novembro de 19941 e pela Resolução nº 151/2019 estabelece o pagamento de prêmio de produtividade aos procuradores do Estado , que estabeleceu o prêmio de produtividade aos procuradores do Estado. O FURPGE é composto, exclusivamente, pelos valores arrecadados dos honorários de sucumbência devidos em razão da vitória da PGE/RS em ações judiciais, a indicar que integram o patrimônio do ente público, razão pela qual é viável a compensação pretendida e deferida". 2. A questão controvertida nos autos foi solucionada, pelo Tribunal de origem, com fundamento na interpretação da legislação local (Lei Estadual 10.298/1994, Decreto Estadual 54.454/2018 e Resolução 151/2019). Logo, a revisão do aresto, na via eleita, encontra óbice na Súmula 280 do STF. 3. A decisão impugnada encontra-se em conformidade com a jurisprudência do STJ de que os honorários advocatícios de sucumbência, quando vencedora a Fazenda Pública, não constituem direito autônomo do procurador judicial, porque integram o patrimônio público do ente público, de modo a permitir, nessa hipótese, a compensação da verba honorária devida ao ente público com o montante a que o credor tem direito de receber do Estado, via precatório. 4. Agravo Interno não provido (AgInt no AREsp n. 2.330.769/RS, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 30/10/2023, DJe de 18/12/2023). Assim, o agravo interno não merece prosperar, pois a ausência de argumentos hábeis para desconstituir os fundamentos da decisão ora agravada torna inalterado o entendimento nela firmado. Isso posto, nego provimento ao recurso.