AREsp 2477441 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, não demonstrando a prescindibilidade do reexame fático-probatório exigida diante da incidência da Súmula n. 7/STJ, de modo que aplica-se a Súmula n. 182/STJ e...
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- Parties
- Autor: VALDIR CAVALCANTE DE MATOS; Agravante: MARIA IZABEL MACHADO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 12 April 2024
- Procedural Posture
- Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Improvido
- Outcome
- Agravo interno improvido; negar provimento ao recurso
- Legal Topics
- Ação Monitória, Súmula N. 7/stj, Súmula N. 182/stj, Impugnação Específica De Fundamentos, Princípio Da Dialeticidade Recursal
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Parties
VALDIR CAVALCANTE DE MATOS
Autor
MARIA IZABEL MACHADO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Em Agravo Em Recurso Especial / Agravo Interno Improvido
Legal Issues
- 1 Incidência da Súmula n. 182/STJ por ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial
- 2 Aplicabilidade da Súmula n. 7/STJ e necessidade de demonstrar a prescindibilidade do reexame fático-probatório
- 3 Ônus da prova do embargante/ devedor quanto à ilegitimidade da causa debendi
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque a agravante não impugnou especificamente todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, não demonstrando a prescindibilidade do reexame fático-probatório exigida diante da incidência da Súmula n. 7/STJ, de modo que aplica-se a Súmula n. 182/STJ e impede-se o conhecimento do agravo em recurso especial.
Court Disposition
Agravo interno improvido; negar provimento ao recurso
Orders
- Negar provimento ao agravo interno
- Manter a incidência da Súmula n. 182/STJ e a decisão que inadmitiu o recurso especial na origem
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 02/04/2024 a 08/04/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. Em síntese, cuida-se de ação monitória interposta com o objetivo de constituir título executivo judicial. 2. O recurso especial interposto foi inadmitido na origem com fundamento na Súmula n. 7/STJ. 3. Incide o óbice da Súmula n. 182/STJ quando a parte recorrente deixa de demonstrar a prescindibilidade do reexame fático-probatório para impugnar a Súmula n. 7/STJ. 4. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia. Agravo interno improvido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Cuida-se de agravo interno interposto por MARIA IZABEL MACHADO contra decisão monocrática proferida pela Ministra Maria Thereza de Assis Moura, por meio da qual aplicou a Súmula n. 182 do STJ (fls. 1.032-1.033). Extrai-se dos autos que o recurso especial inadmitido foi interposto, com fundamento no art. 105, inciso III, da Constituição Federal, contra acórdão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA assim ementado (fls. 133-134): APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO MONITORIA. CHEQUE PRESCRITO. PRELIMINAR DE NULIDADE DA SENTENÇA REJEITADA. MÉRITO. DISCUSSÃO DE CAUSA DEBENDI. DESNESSECIDADE. ALEGAÇÃO DE PRÁTICA DE AGIOTAGEM. ÔNUS PROBATÓRIO DO DEVEDOR/EMBARGANTE. ART. 373, II, DO CPC/2015. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE COBRANÇA EXCESSIVA. IN EXIGIBILIDADE DO TÍTULO NÃO DEMONSTRADA. IMPROCEDÊNCIA DOS EMBARGOS MONITÓRIOS. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO IMPROVIDO. Ab initio, alega a apelante a nulidade de sentença recorrida posto que a audiência de conciliação foi presidida por Conciliador da Justiça irmão do Advogado do Autor. Pelo Princípio do não prejuízo - pas de nullité sans grief - a nulidade dos atos processuais não deve ser declarada quando o vício não causar prejuízo às partes. Levando-se em consideração o não comparecimento da apelante na audiência de conciliação, e, especialmente, o conteúdo do ata de conciliação, que se limitou a fazer constar a sua ausência, verifica-se que a alegada nulidade, não resultou efetivamente em qualquer prejuízo à apelante, devendo o aludido princípio ser aplicado à hipótese. Preliminar rejeitada. Cuida-se de embargos à monitoria, nos quais a apelante/embargante sustenta a irregularidade da cobrança ao argumento de que os cheques são oriundos de prática de agiotagem. Levantada nos autos a discussão do negócio subjacente, ao devedor é que cumpre o encargo de provar que o cheque não tem causa ou que a sua causa é ilegítima, devendo fazê- lo de forma robusta e convincente, descabendo a mera alegação de que a causa na origem do título não é plenamente legítima. Desta feita, o ônus de provar a ausência ou ilegitimidade de "causa debendi" competia à embargante/recorrente, nos termos do art. 373, inc. II, do CPC/15. Na situação em estudo, vê-se que restou sem amparo a alegação de cobrança abusiva e prática de agiotagem, uma vez que prova acostada aos autos não permite concluir pela existência de tal prática, mas apenas a prática de mútua entre o autor e a ré. A análise da memória de cálculo colacionada pelo autor às fls. 09, simples cálculo aritmético leva à conclusão de que não há cobrança excessiva de juros e correção sobre o valor original da dívida. Destarte, como não restou comprovado que a emissão dos cheques objetivava garantir empréstimo ilegal onde estariam embutidos juros extorsivos, impõe-se a manutenção da procedência do pedido monitório. Rejeitados os embargos de declaração opostos (fls. 162-169). Alega a parte agravante que apresentou argumentação clara e específica. Aduz que (fl. 1.040): .. os fatos e fundamentos apresentados pela agravante, sem dúvida, merecem atenção, bem como estão presentes todos os requisitos para admissibilidade do recurso especial, o qual deve ser remetido ao STJ para conhecimento e julgamento do recurso. Pugna, por fim, caso não seja reconsiderada a decisão agravada, pela submissão do presente agravo à apreciação da Turma. A parte agravada, instada a manifestar-se, silenciou (fl. 1.045). É, no essencial, o relatório. EMENTA CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. SÚMULA N. 7/STJ. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DE ADMISSIBILIDADE DO TRIBUNAL DE ORIGEM. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182/STJ. 1. Em síntese, cuida-se de ação monitória interposta com o objetivo de constituir título executivo judicial. 2. O recurso especial interposto foi inadmitido na origem com fundamento na Súmula n. 7/STJ. 3. Incide o óbice da Súmula n. 182/STJ quando a parte recorrente deixa de demonstrar a prescindibilidade do reexame fático-probatório para impugnar a Súmula n. 7/STJ. 4. Em atenção ao princípio da dialeticidade recursal, a impugnação deve ser realizada de forma efetiva, concreta e pormenorizada, não sendo suficientes alegações genéricas ou relativas ao mérito da controvérsia. Agravo interno improvido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS (relator): Em síntese, cuida-se de ação monitória interposta por VALDIR CAVALCANTE DE MATOS contra MARIA IZABEL MACHADO objetivando a constituição de título executivo judicial. O Juízo de primeiro grau rejeitou os embargos monitórios apresentados por MARIA IZABEL MACHADO e constituiu o processo em título executivo judicial, com ordem para satisfação da dívida (fls. 82-84). Quando do julgamento da apelação, o Tribunal a quo negou-lhe provimento (fls. 133-141), ensejando a interposição de recurso especial. O Tribunal de origem inadmitiu o recurso especial interposto por MARIA IZABEL MACHADO, por entender que as razões recursais têm óbice na Súmula n. 7/STJ quanto à alegada violação dos arts. 144 e 145 do CPC. No caso dos autos, não houve impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial. Da leitura das razões recursais, percebe-se que a parte agravante não impugnou a Súmula n. 7/STJ, a qual sequer foi citada, na medida em que não demonstrou a prescindibilidade da reanálise fático-probatória para alterar as conclusões do Tribunal de origem quanto à suposta nulidade por impedimento ou suspeição. Isso posto, a ausência de impugnação à Súmula n. 7/STJ impede o prosseguimento do feito, conforme precedente desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. A GRAVO INTERNO EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. DECISÃO DA PRESIDÊNCIA DO STJ MANTIDA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 182/STJ. .. 3. O STJ possui orientação de que são insuficientes para considerar como impugnação aos fundamentos da decisão que inadmite o Recurso Especial na origem: meras alegações genéricas sobre as razões que levaram à negativa de seguimento, o combate genérico e não específico e a simples menção a normas infraconstitucionais, feita de maneira esparsa e assistemática no corpo das razões do agravo em recurso especial. 4. É cediço que "o recurso com fundamento na Súmula 7 do STJ, é de rigor que, além da contextualização do caso concreto, a impugnação contenha as devidas razões pelas quais se entende ser possível o conhecimento da pretensão independentemente do reexame fático-probatório, mediante, por exemplo, a apresentação do cotejo entre as premissas fáticas e as conclusões delineadas no acórdão recorrido e sua tese recursal, a fim de demonstrar a prescindibilidade do reexame fático-probatório" (AgInt no AREsp 1.135.014/SP, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 27.3.2020). Isso, no caso dos autos, indubitavelmente não ocorreu. Incide, assim, a Súmula 182 do STJ. 5. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp n. 2.009.427/CE, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 23/6/2022, grifo meu.) Nos termos do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil e do art. 253, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno desta Corte, não se conhecerá do agravo em recurso especial que "não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão recorrida". É firme a jurisprudência no sentido de que a decisão de inadmissibilidade do recurso especial não é formada por capítulos autônomos, mas por um único dispositivo, o que exige que a parte agravante impugne todos os fundamentos da decisão que, na origem, não admitiu o recurso especial. A propósito, confira-se precedente: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DE TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. ART. 544, § 4º, I, DO CPC/1973. ENTENDIMENTO RENOVADO PELO NOVO CPC, ART. 932. 1. No tocante à admissibilidade recursal, é possível ao recorrente a eleição dos fundamentos objeto de sua insurgência, nos termos do art. 514, II, c/c o art. 505 do CPC/1973. Tal premissa, contudo, deve ser afastada quando houver expressa e específica disposição legal em sentido contrário, tal como ocorria quanto ao agravo contra decisão denegatória de admissibilidade do recurso especial, tendo em vista o mandamento insculpido no art. 544, § 4º, I, do CPC, no sentido de que pode o relator "não conhecer do agravo manifestamente inadmissível ou que não tenha atacado especificamente os fundamentos da decisão agravada" - o que foi reiterado pelo novel CPC, em seu art. 932. 2. A decisão que não admite o recurso especial tem como escopo exclusivo a apreciação dos pressupostos de admissibilidade recursal. Seu dispositivo é único, ainda quando a fundamentação permita concluir pela presença de uma ou de várias causas impeditivas do julgamento do mérito recursal, uma vez que registra, de forma unívoca, apenas a inadmissão do recurso. Não há, pois, capítulos autônomos nesta decisão. 3. A decomposição do provimento judicial em unidades autônomas tem como parâmetro inafastável a sua parte dispositiva, e não a fundamentação como um elemento autônomo em si mesmo, ressoando inequívoco, portanto, que a decisão agravada é incindível e, assim, deve ser impugnada em sua integralidade, nos exatos termos das disposições legais e regimentais. 4. Outrossim, conquanto não seja questão debatida nos autos, cumpre registrar que o posicionamento ora perfilhado encontra exceção na hipótese prevista no art. 1.042, caput, do CPC/2015, que veda o cabimento do agravo contra decisão do Tribunal a quo que inadmitir o recurso especial, com base na aplicação do entendimento consagrado no julgamento de recurso repetitivo, quando então será cabível apenas o agravo interno na Corte de origem, nos termos do art. 1.030, § 2º, do CPC. 5. Embargos de divergência não providos. (EAREsp n. 746.775/PR, relator Ministro João Otávio de Noronha, relator para acórdão Ministro Luis Felipe Salomão, Corte Especial, DJe de 30/11/2018.) No mesmo sentido, cito: AgInt no AREsp n. 2.022.410/RJ, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 22/8/2022; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.063.004/SP, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 21/9/2022; AgInt no AREsp n. 1.998.052/PR, relator Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe de 5/5/2022; AgInt no AREsp n. 2.042.472/SP, relatora Ministra Assusete Magalhães, Segunda Turma, DJe de 23/5/2022. Portanto, é inviável o conhecimento do agravo em recurso especial que não tenha impugnado especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. Incidência da Súmula n. 182 do STJ. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É como penso. É como voto.