AREsp 2580023 - DECISAO
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido examinou as questões de mérito de forma fundamentada (não havendo violação do art. 489 do CPC), parte dos fundamentos do acórdão não foi impugnada, houve interrupção do prazo prescricional com a constrição patrimonial...
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- Parties
- Autor (exequente): SOUZA & FAVORETTO LTDA; Agravante (executado): ANTONIO DO CARMO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 June 2024
- Procedural Posture
- Ação Monitória / Agravo Em Recurso Especial Decisão (agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido)
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Ação Monitória, Exceção De Pré Executividade, Prescrição Intercorrente, Preclusão, Prequestionamento, Dissídio Jurisprudencial, Ineptidão Da Petição Inicial
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Parties
SOUZA & FAVORETTO LTDA
Autor (exequente)
ANTONIO DO CARMO
Agravante (executado)
Procedural Posture
Ação Monitória / Agravo Em Recurso Especial Decisão (agravo Conhecido; Recurso Especial Não Conhecido)
Legal Issues
- 1 Violação do art. 489 do CPC
- 2 Ocorrência de prescrição intercorrente
- 3 Preclusão da matéria suscitada em exceção de pré-executividade
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo, mas não se conheceu do recurso especial porque o acórdão recorrido examinou as questões de mérito de forma fundamentada (não havendo violação do art. 489 do CPC), parte dos fundamentos do acórdão não foi impugnada, houve interrupção do prazo prescricional com a constrição patrimonial registrada (afastando a alegação de prescrição intercorrente), não houve prequestionamento de dispositivos apontados e não ficou demonstrada similitude fática suficiente para configurar dissídio jurisprudencial.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial não conhecido.
Orders
- CONHEÇO do agravo em recurso especial
- NÃO CONHEÇO do recurso especial
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por ANTONIO DO CARMO contra decisão que inadmitiu recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 09/02/2024. Concluso ao gabinete em: 27/05/2024. Ação: monitória proposta por SOUZA & FAVORETTO LTDA contra o ora agravante. Decisão interlocutória: rejeitou a exceção de pré-executividade apresentada pelo agravante. Acórdão: negou provimento ao recurso de agravo de instrumento interposto pelo agravante, nos termos da seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO MONITÓRIA. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. DECISÃO QUE REJEITOU A SEGUNDA MEDIDA INCIDENTAL DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PLEITO PELO RECONHECIMENTO DE INÉPCIA DA PETIÇÃO INICIAL. ALEGAÇÃO DE QUE AS NOTAS FISCAIS NÃO SERIAM DOCUMENTOS APTOS A COMPROVAR A EXISTÊNCIA DA RELAÇÃO JURÍDICA. QUESTÃO NÃO DEBATIDA NA FASE DE CONHECIMENTO E NEM NA PRIMEIRA OPORTUNIDADE EM QUE O EXECUTADO SE MANIFESTOU NO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA QUE NÃO PODE SER REAVIVADA EM SEDE DE EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE, EM RAZÃO DA PRECLUSÃO. PRECEDENTES. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. ALEGAÇÃO DA NÃO OCORRÊNCIA DE CONSTRIÇÃO PATRIMONIAL. PENHORA DEFERIDA E REGISTRADA. OPOSIÇÃO DE INCIDENTE MANIFESTAMENTE INFUNDADO. ADVERTÊNCIA SOBRE A POSSIBILIDADEDE CONDENAÇÃO POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Embargos de Declaração: opostos pelo agravante, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 206, §5º, do Código Civil, 320, 485, 489, §1º, 502 e 700 do Código de Processo Civil, bem como dissídio jurisprudencial. Além de negativa de prestação jurisdicional, sustenta a ocorrência de prescrição intercorrente, uma vez que houve o transcurso de 7 anos entre a citação do executado e os dias atuais, bem como de 5 anos e 3 meses desde a penhora. Defende que as questões levantadas na exceção de pré-executividade não podem ser consideradas preclusas ou cobertas pela coisa julgada, pois não haveria decisão anterior de mérito sobre elas. Aduz que o ato judicial que transformou a ação monitória em título executivo tem natureza jurídica de despacho, sendo assim irrecorrível e incapaz de gerar preclusão ou formar coisa julgada. Argumenta que a inicial da ação monitória é inepta, pois foi instruída apenas com notas fiscais emitidas unilateralmente, sem outros documentos comprovando a relação jurídica ou o recebimento das mercadorias. RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da violação do art. 489 do CPC Do exame do acórdão recorrido, constata-se que as questões de mérito foram devidamente analisadas e discutidas, de modo que a prestação jurisdicional foi esgotada. É importante salientar que a ausência de manifestação a respeito de determinado ponto não deve ser confundida com a adoção de razões contrárias aos interesses da parte. Logo, não há contrariedade ao art. 489 do CPC, pois o Tribunal de origem decidiu de modo claro e fundamentado. No mesmo sentido: AgInt nos EDcl no AREsp 1547208/SP, TERCEIRA TURMA, DJe 19/12/2019 e AgInt no AREsp 1480314/RJ, QUARTA TURMA, DJe 19/12/2019. - Da existência de fundamento não impugnado O agravante não impugnou os seguintes fundamentos utilizados pelo TJ/PR(e-STJ fl. 170 e 220): Contudo, referido entendimento não se aplica ao caso concreto, pois não se observa a ocorrência da aventada prescrição intercorrente. Isso porque o agravante foi citado, na fase executiva, em 25.7.2017, e, em 25.5.2018, deferiu-se a penhora de direitos hereditários, após, no mov. 83.1, a 3ª Vara Cível de Londrina, informou que promoveu o registro da penhora no rosto dos autos, nº 0043773-57.2008.8.16.0014, no dia 2.7.2018. Logo, com a constrição patrimonial, houve a interrupção do curso do prazo de prescrição intercorrente, não chegando o feito executivo ao desfecho final, pois, após a ordem de constrição, devidamente efetivada, o executado, ora agravante, apresentou duas exceções de pré-executividade, mov. 80.1 e 183.1, além de outros expedientes de defesa, existindo a pendência da análise de pedido de avaliação dos direitos hereditários penhorados, mov.220.1- origem. .. Isso porque, inobstante defenda o embargante que o acórdão deixou de observar as jurisprudências atinentes a natureza jurídica da decisão que converte a ação monitória em título executivo judicial, verifica-se do acórdão que a questão não foi o cerne do julgado, uma vez que a preclusão da matéria discutida se reporta a fase de conhecimento, e não somente à decisão que converteu o rito procedimental nos autos. Desse modo, deve ser mantido o acórdão recorrido ante a aplicação, na hipótese, da Súmula 283/STF. Nesse sentido: AgInt no REsp 2.072.391/SP, 4ª Turma, DJe de 25/4/2024; e AgInt no REsp n. 2.013.576/SP, 3ª Turma, DJe de 11/4/2024. - Da ausência de prequestionamento O acórdão recorrido não decidiu acerca dos arts. 320, 485, 502 e 700 do Código de Processo Civil, indicados como violados, apesar da oposição de embargos de declaração. Por isso, o julgamento do recurso especial é inadmissível. Aplica-se, na hipótese, a Súmula 211/STJ. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.820.915/SP, 3ª Turma, DJe de 17/4/2024 e AgInt no AREsp n. 2.116.675/MG, 4ª Turma, DJe de 2/5/2024. - Da divergência jurisprudencial A comprovação da divergência jurisprudencial demanda que a parte recorrente realize uma análise comparativa detalhada entre o acórdão recorrido e o paradigma, de modo a identificar as semelhanças entre as situações de fato e a existência de interpretações jurídicas diferentes sobre mesmo dispositivo legal, além de observar os requisitos formais, consoante previsão dos arts. 1029, § 1º, do CPC e 255, §§ 1º e 3º, do RISTJ. No entanto, neste recurso, evidencia-se a ausência da similitude fática. Ressalte-se que é necessário que se aponte e explicite como os casos são semelhantes e qual é a proximidade fática e jurídica entre os julgados comparados, de forma consistente, o que não foi realizado na hipótese. Nesse sentido: AgInt no REsp n. 1.961.625/SP, Terceira Turma, DJe de 12/9/2022 e AgInt no AREsp n. 2.334.899/SP, Quarta Turma, DJe de 7/12/2023. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar sua condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. SIMILITUDE FÁTICA NÃO DEMONSTRADA. 1. Ação monitória. 2. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC. 3. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 4. A ausência de decisão acerca dos dispositivos legais indicados como violados, não obstante a interposição de embargos de declaração, impede o conhecimento do recurso especial. 5. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 6. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.