AREsp 2784810 - DECISAO
O agravo foi conhecido e o recurso especial teve seu provimento negado porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente que o réu comprovou a quitação do débito por meio de transferências que totalizaram R$ 32.000,00, não havendo omissão a ser sanada (art. 1.022 CPC/15), e as razões do recurso especial...
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- Parties
- Recorrente: ALAN PATRICK ROBERTO DE ANDRADE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 18 December 2024
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo; Decisão Sobre O Recurso Especial
- Outcome
- Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
- Legal Topics
- Ação Monitória, Cheque, Ônus Da Prova (art. 373, II, Cpc), Admissibilidade De Recurso Especial, Fundamentação Judicial, Honorários Advocatícios (art. 85, §11, Súmula 284/stf, Súmula 83/stj
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Parties
ALAN PATRICK ROBERTO DE ANDRADE
Recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Conhecimento E Julgamento Do Agravo; Decisão Sobre O Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Alegada omissão do acórdão em relação aos comprovantes de pagamento (arts. 489 e 1.022 CPC/15)
- 2 Alegada inobservância dos requisitos da petição inicial (arts. 319 e 320 CPC/15)
- 3 Se o réu se desincumbiu do ônus de provar a quitação do débito (art. 373, II, CPC)
Ratio Decidendi
O agravo foi conhecido e o recurso especial teve seu provimento negado porque o Tribunal de origem fundamentou suficientemente que o réu comprovou a quitação do débito por meio de transferências que totalizaram R$ 32.000,00, não havendo omissão a ser sanada (art. 1.022 CPC/15), e as razões do recurso especial estavam dissociadas dos fundamentos do acórdão recorrido, atraindo a Súmula 284/STF; por isso manteve-se a improcedência do pedido monitório e majoraram‑se honorários em 10%.
Court Disposition
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial.
Orders
- Major o os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC.
- Publique-se. Intimem-se.
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DECISÃO Cuida-se de agravo em recurso especial interposto por ALAN PATRICK ROBERTO DE ANDRADE contra decisão que negou seguimento ao recurso especial, fundado na alínea a do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, em desafio a acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DA PARAIBA, assim ementado (e-STJ, fl. 458): APELAÇÃO. AÇÃO MONITÓRIA FUNDADA EM CHEQUE. IMPROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA DA PARTE AUTORA. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PELA PARTE CONTRÁRIA. ÔNUS DO ART. 373, II DO CPC/15 CUMPRIDO. SENTENÇA MANTIDA. DESPROVIMENTO. - Considerando que o réu/apelado se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 373, II do CPC/15 quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, trazendo aos autos elementos que demonstram a quitação do débito, não merece reparo a sentença que julgou improcedente o pedido monitório. - Desprovimento. Opostos embargos de declaração, esses foram rejeitados (e-STJ, fls. 489-494). Nas razões do especial (e-STJ, fls. 498-502), a parte recorrente sustentou violação aos seguintes dispositivos: a) arts. 489 e 1022 do Código de Processo Civil de 2015, defendendo que a Corte de origem não sanou omissões supostamente perpetradas pelo acórdão embargado quanto aos comprovantes apresentados pelo réu não servirem como pagamento da dívida, já que tinham relação com outros títulos, os quais foram restituídos ao devedor, mesmo diante da oposição dos embargos declaratórios, o que teria configurado negativa de prestação jurisdicional; b) arts. 319 e 320 do CPC/15, alegando que o tribunal de origem conferiu efeito de quitação a comprovantes bancários genéricos que não identificavam os títulos a que se referiam. Oferecidas as contrarrazões às fls. (e-STJ). Em sede de juízo provisório de admissibilidade, o Tribunal local inadmitiu o recurso especial (fls. 514-518, e-STJ), o que ensejou o manejo do presente agravo (fls. 520-524, e-STJ), buscando destrancar o processamento daquela insurgência. Sem contraminuta. É o relatório. Decido. O presente recurso não merece prosperar. 1. Inicialmente, a apontada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC/15 não se configura, haja vista o Tribunal estadual ter dirimido clara e integralmente a controvérsia, porém em sentido contrário ao pretendido pela agravante. Assim constou do acórdão (fl. 461, e-STJ): Consoante destacado na sentença, observa-se que as transferências realizadas pela apelada tiveram início no mês seguinte à data de emissão do cheque (14/11/2012), totalizando R$ 32.000,00 (trinta e dois mil reais). Ademais, a ausência de justificativa das transferências e o fato de que o cheque não foi apresentado ao banco só reforçam a convicção do magistrado acerca da vinculação dos pagamentos e da plena quitação do débito representado pelo cheque objeto da ação. Desse modo, o réu/apelado desincumbiu-se do ônus estabelecido no art. 373, II do CPC/15 quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, trazendo aos autos elementos que demonstram a quitação do débito, não merecendo reparo, portanto, a sentença que julgou improcedente o pedido monitório. Ademais, a jurisprudência desta Casa é pacífica ao proclamar que, se os fundamentos adotados bastam para justificar o concluído na decisão - situação facilmente constatável no presente caso -, o julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos suscitados pela parte em embargos declaratórios, cuja rejeição, nesse contexto, não implica contrariedade ao art. 1.022 do CPC/15. A propósito: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SUFICIÊNCIA. AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO QUE PÔS TERMO À EXECUÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE, PORQUANTO NÃO HÁ DÚVIDA A RESPEITO DO RECURSO ADEQUADO. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Não há violação aos arts. 489 e 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, tendo em vista que o v. acórdão recorrido, embora não tenha examinado individualmente cada um dos argumentos suscitados pela parte, adotou fundamentação suficiente, decidindo integralmente a controvérsia. 2. A interposição de agravo de instrumento contra sentença que extingue processo de execução configura erro grosseiro e inviabiliza a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Precedentes. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1520112/RJ, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 04/02/2020, DJe 13/02/2020) AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO DEVIDAMENTE FUNDAMENTADO. ENTENDIMENTO NO SENTIDO DA AUSÊNCIA DE NOVAÇÃO. MERO PARCELAMENTO DA DÍVIDA. SÚMULAS 5 E 7/STJ. APLICAÇÃO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. Inexistem omissões ou mesmo contradição a serem sanadas no julgamento estadual, portanto inexistentes os requisitos para reconhecimento de ofensa aos arts. 10, 489, § 1º, IV e VI, e 1.022 do CPC/2015 do novo CPC. O acórdão dirimiu a controvérsia com base em fundamentação sólida, sem tais vícios, o que não se confunde com omissão ou contradição, tendo em vista que apenas resolveu a celeuma em sentido contrário ao postulado pela parte insurgente. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas apenas a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorre nos autos. (..) 3. Agravo interno desprovido. (AgInt nos EDcl no AREsp 1445088/SP, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em 16/12/2019, DJe 19/12/2019) Ressalta-se que não há falar em omissão quando não acolhida a tese ventilada pelo recorrente, mormente se o acórdão abordar todos os pontos relevantes ao deslinde do feito, como ocorre na hipótese. Inexiste, portanto, violação ao artigo 1.022 do CPC/15, visto que as questões foram apreciadas pelo Tribunal de origem, cuja fundamentação foi clara e suficiente para o deslinde da controvérsia. 2. A parte recorrente sustenta, ainda, violação aos arts. 319 e 320 do CPC/15, que versam sobre os requisitos da petição inicial. Tal alegação também não merece acolhida. Conforme se observa do acórdão recorrido, o Tribunal analisou a questão à luz do art. 373, II, do CPC/15, ou seja, com base no fundamento de que o réu se desincumbiu do seu ônus. É o que se extrai do seguinte trecho (e-STJ, fl. 461): Consoante destacado na sentença, observa-se que as transferências realizadas pela apelada tiveram início no mês seguinte à data de emissão do cheque (14/11/2012), totalizando R$ 32.000,00 (trinta e dois mil reais). Ademais, a ausência de justificativa das transferências e o fato de que o cheque não foi apresentado ao banco só reforçam a convicção do magistrado acerca da vinculação dos pagamentos e da plena quitação do débito representado pelo cheque objeto da ação. Desse modo, o réu/apelado desincumbiu-se do ônus estabelecido no art. 373, II do CPC/15 quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, trazendo aos autos elementos que demonstram a quitação do débito, não merecendo reparo, portanto, a sentença que julgou improcedente o pedido monitório. Desse modo, tendo em vista que a questão foi decidida com base em fundamento diverso dos dispositivos suscitado pela insurgente, resta caracterizada a deficiência na fundamentação do apelo extremo no que tange à violação aos arts. 319 e 320 do CPC/15, pois apresenta razões dissociadas do que foi decidido pelo acórdão recorrido, circunstância atrativa do óbice contido na Súmula 284/STF. Nesse sentido, confiram-se os seguintes precedentes: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. INCIDENTE DE HABILITAÇÃO DE CRÉDITO EM INVENTÁRIO. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADOS. RAZÕES RECURSAIS DISSOCIADAS DOS FUNDAMENTOS DO JULGADO ATACADO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 283 E 284 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. HARMONIA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SÚMULA 83/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. (..) 3. É inadmissível o inconformismo por deficiência na fundamentação quando as razões do recurso estão dissociadas do decidido no acórdão recorrido. Aplicação da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 4. O entendimento adotado pelo acórdão recorrido está em harmonia com a jurisprudência assente desta Corte Superior, circunstância que atrai a incidência da Súmula 83/STJ. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1616899/RS, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 04/05/2020) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. VIOLAÇÃO DE SÚMULA. DESCABIMENTO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. RAZÕES DISSOCIADAS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 283/STF. 1. A interposição de recurso especial não é cabível quando ocorre violação de súmula ou de qualquer ato normativo que não se enquadre no conceito de lei federal, conforme disposto no art. 105, III, "a" da CF/88. 2. Ausentes os vícios do art. 535 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 3. Quando a parte apresenta razões dissociadas do que foi decidido pelo Tribunal de origem, incide a Súmula n. 284 do STF ante a impossibilidade de compreensão da controvérsia. 4. A existência de fundamento do acórdão recorrido não impugnado - quando suficiente para a manutenção de suas conclusões - impede a apreciação do recurso especial. 5. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. (AgInt no AREsp 970.977/MT, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 27/02/2018, DJe 02/03/2018) 3. Do exposto, com fundamento no art. 932 do Novo Código de Processo Civil c/c Súmula 568/STJ, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Por conseguinte, nos termos do art. 85, § 11, do CPC, majoro os honorários advocatícios em 10% (dez por cento) sobre o valor já fixado na origem, observado, se for o caso, o disposto no art. 98, § 3º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA