AREsp 2778499 - ACORDAO
O agravo interno foi negado porque o acórdão recorrido enfrentou de forma fundamentada todas as questões relevantes; a competência foi corretamente fixada na praça de pagamento indicada nas duplicatas/notas fiscais (art. 17, Lei 5.474/1968); o recebimento das mercadorias restou demonstrado por notas fiscais com...
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- Parties
- Agravante: PIACENTINI & CIA. LTDA.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Julgamento (decisão Colegiada, Negado Provimento)
- Outcome
- Agravo interno não provido
- Legal Topics
- Ação Monitória, Entrega De Mercadoria, Inversão Do Ônus Da Prova, Preclusão, Súmulas 5, 7 E 283 (stf/stj), Correção Monetária, Sucumbência
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Parties
PIACENTINI & CIA. LTDA.
Agravante
Procedural Posture
Agravo Interno Nos Embargos De Declaração No Recurso Especial / Julgamento (decisão Colegiada, Negado Provimento)
Legal Issues
- 1 Negativa de prestação jurisdicional quanto à correção monetária e sucumbência
- 2 Competência territorial da comarca da praça de pagamento
- 3 Análise do recebimento das mercadorias e inversão do ônus da prova
Ratio Decidendi
O agravo interno foi negado porque o acórdão recorrido enfrentou de forma fundamentada todas as questões relevantes; a competência foi corretamente fixada na praça de pagamento indicada nas duplicatas/notas fiscais (art. 17, Lei 5.474/1968); o recebimento das mercadorias restou demonstrado por notas fiscais com canhotos assinados e pela teoria da aparência; houve preclusão da prova pericial pela inércia do embargante; e a pretensão de reforma exigiria reexame do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula 7 do STJ, além de parte dos fundamentos não terem sido impugnados atraindo a Súmula 283 do STF por analogia.
Court Disposition
Agravo interno não provido
Orders
- Negado provimento ao agravo interno
- Publicar-se
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/08/2025 a 12/08/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Nancy Andrighi, Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. ENTREGA DE MERCADORIA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. INCIDÊNCIA DOS ÓBICES DAS SÚMULAS 5, 7 E 283 DO STF/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto contra decisão da relatoria do Ministro Marco Aurélio Bellizze, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em ação monitória. A parte agravante alegou negativa de prestação jurisdicional, incompetência territorial, ausência de prova do recebimento das mercadorias, inversão indevida do ônus da prova, erro no termo inicial da correção monetária e erro na distribuição dos ônus sucumbenciais. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há quatro questões em discussão: (i) verificar se houve negativa de prestação jurisdicional quanto aos temas da correção monetária e sucumbência; (ii) examinar se o acórdão incorreu em erro ao reconhecer a competência territorial da comarca da praça de pagamento; (iii) determinar se a análise do recebimento das mercadorias e da inversão do ônus da prova violou normas legais; (iv) avaliar a possibilidade de reexame das matérias relativas à correção monetária e à sucumbência em recurso especial. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O acórdão recorrido apreciou fundamentadamente todas as questões postas, inexistindo omissão ou negativa de prestação jurisdicional, o que afasta a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. 4. A decisão reconheceu a competência do foro da praça de pagamento indicada nas duplicatas e notas fiscais, com base em provas documentais e interpretação contratual, o que atrai a incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ. 5. Quanto à alegação de ausência de recebimento das mercadorias, o acórdão baseou-se na teoria da aparência e no conteúdo das notas fiscais com canhotos assinados. Além disso, houve preclusão quanto à produção de prova pericial, fato também já julgado e coberto por coisa julgada. A revisão desse entendimento demanda reexame de provas, vedado pela Súmula 7 do STJ. 6. A alegação de sucumbência recíproca também não pode ser conhecida, por demandar reanálise do grau de decaimento das partes, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 7. Parte dos fundamentos do acórdão recorrido não foi impugnada nas razões do recurso especial, especialmente quanto à ausência de interesse recursal e à preclusão da prova, atraindo a incidência da Súmula 283 do STF por analogia. IV. DISPOSITIVO 8. Agravo interno não provido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo interno interposto contra decisão da relatoria do Ministro Marco Aurélio Bellizze, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ fls. 686/691). Segundo a parte agravante, o recurso preenche os requisitos necessários ao conhecimento e provimento (e-STJ fls. 716/741). Intimada nos termos do art. 1.021, § 2º, do Código de Processo Civil, a parte agravada não se manifestou. É o relatório. EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. AÇÃO MONITÓRIA. ENTREGA DE MERCADORIA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. INCIDÊNCIA DOS ÓBICES DAS SÚMULAS 5, 7 E 283 DO STF/STJ. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto contra decisão da relatoria do Ministro Marco Aurélio Bellizze, que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo em ação monitória. A parte agravante alegou negativa de prestação jurisdicional, incompetência territorial, ausência de prova do recebimento das mercadorias, inversão indevida do ônus da prova, erro no termo inicial da correção monetária e erro na distribuição dos ônus sucumbenciais. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há quatro questões em discussão: (i) verificar se houve negativa de prestação jurisdicional quanto aos temas da correção monetária e sucumbência; (ii) examinar se o acórdão incorreu em erro ao reconhecer a competência territorial da comarca da praça de pagamento; (iii) determinar se a análise do recebimento das mercadorias e da inversão do ônus da prova violou normas legais; (iv) avaliar a possibilidade de reexame das matérias relativas à correção monetária e à sucumbência em recurso especial. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O acórdão recorrido apreciou fundamentadamente todas as questões postas, inexistindo omissão ou negativa de prestação jurisdicional, o que afasta a alegada violação aos arts. 489 e 1.022 do CPC. 4. A decisão reconheceu a competência do foro da praça de pagamento indicada nas duplicatas e notas fiscais, com base em provas documentais e interpretação contratual, o que atrai a incidência das Súmulas 5 e 7 do STJ. 5. Quanto à alegação de ausência de recebimento das mercadorias, o acórdão baseou-se na teoria da aparência e no conteúdo das notas fiscais com canhotos assinados. Além disso, houve preclusão quanto à produção de prova pericial, fato também já julgado e coberto por coisa julgada. A revisão desse entendimento demanda reexame de provas, vedado pela Súmula 7 do STJ. 6. A alegação de sucumbência recíproca também não pode ser conhecida, por demandar reanálise do grau de decaimento das partes, o que encontra óbice na Súmula 7 do STJ. 7. Parte dos fundamentos do acórdão recorrido não foi impugnada nas razões do recurso especial, especialmente quanto à ausência de interesse recursal e à preclusão da prova, atraindo a incidência da Súmula 283 do STF por analogia. IV. DISPOSITIVO 8. Agravo interno não provido. VOTO O agravo interno é tempestivo, nos termos do art. 1.003, § 5º, do Código de Processo Civil. A análise dos argumentos recursais não indica, contudo, hipótese que resulte na reconsideração dos argumentos fáticos e jurídicos anteriormente lançados, motivo pelo qual mantenho a decisão agravada pelos fundamentos anteriormente expostos, os quais transcrevo para que passem a fazer parte da presente decisão (e-STJ fls. 686/691): .. Trata-se de agravo interposto por PIACENTINI & CIA. LTDA. contra decisão que não admitiu o recurso especial, fundado na alínea a do inciso III do art. 105 da Constituição Federal, que desafiou acórdão prolatado pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo assim ementado (e-STJ, fl. 581): Apelação Ação monitória Nota fiscal Sentença de procedência, rejeitados os embargos monitórios Recurso do embargante. Preliminar de incompetência territorial Rejeição Ação proposta na comarca de entrega das mercadorias, sede do requerido e endereço de cobrança constante dos pedidos. Duplicatas Compra e venda de mercadorias Relação comercial entre as partes incontroversa, ante a ausência de impugnação específica Embargante que se insurge apenas em relação ao recebimento das mercadorias Notas fiscais apresentadas com aposição de assinaturas nos canhotos e data de recebimento Aplicação da teoria da aparência ante recebimento das mercadorias, por terceiro, no estabelecimento comercial da sacada - Ônus probatório, ademais, que recaiu sobre o embargante e do qual não se desincumbiu, mormente diante da ausência de depósito dos honorários referentes à perícia técnica requerida Preclusão bem decretada - Sentença mantida. Despesas cartorárias com protesto - Reembolso Cobrança antecipada de valores Descabimento Custas, emolumentos e despesas que são cobrados no ato do cancelamento do protesto conforme Lei nº 11.331/2002 Indevida inclusão no cálculo exequendo, mormente diante da ausência de prova de seu desembolso Sentença reformada neste ponto. Sucumbência exclusiva do requerido mantida. Recurso provido em parte. Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (e-STJ, fls. 620-624). Nas razões do recurso especial (e-STJ, fls. 593-611), a recorrente apontou violação aos arts. 53, IV, d, 86 caput, 373, I, e 1.022 do CPC/2015; 492 do CC; e 1º, § 2º da Lei nº 6.899/1981. Sustentou a ocorrência de negativa de prestação jurisdicional por omissão no acórdão recorrido acerca da incidência da correção monetária a partir do ajuizamento da ação e da sucumbência recíproca, tendo em vista o acolhimento parcial dos embargos. Alegou a incompetência relativa do Juízo, por se tratar de cumprimento da obrigação que, em regra, se dá no local de execução do serviço. Defendeu que o julgador não poderia afirmar que as mercadorias foram entregues ao destinatário, com base em documentos unilaterais, sem a submissão ao crivo do contraditório, invertendo-se, indevidamente, o ônus probatório, além de ser do vendedor a responsabilidade até a tradição. Afirmou a necessidade de correção monetária sobre o débito não oriundo de execução a partir do ajuizamento da ação, bem como do redimensionamento dos ônus sucumbenciais. Foram apresentadas contrarrazões (e-STJ, fls. 627-634). O recurso especial não foi admitido na origem, o que ensejou a interposição do presente agravo. Brevemente relatado, decido. De início, no que tange à suposta negativa de prestação jurisdicional, é preciso deixar claro que o acórdão recorrido resolveu satisfatoriamente as questões deduzidas no processo, sem incorrer nos vícios de obscuridade, contradição, erro material ou omissão com relação a ponto controvertido relevante, cujo exame pudesse levar a um diferente resultado na prestação de tutela jurisdicional. Assinala-se que as instâncias ordinárias expressamente enfrentaram todas as questões suscitadas pela recorrente, de forma clara e fundamentada, tratando-se, na verdade, de pretensão de novo julgamento das matérias. Ademais, o órgão julgador não está obrigado a responder a questionamentos das partes, mas apenas a declinar as razões de seu convencimento motivado, como de fato ocorre nos autos. A propósito: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. (..) 3. O órgão julgador não é obrigado a se manifestar sobre todos os pontos alegados pelas partes, mas somente sobre aqueles que entender necessários para a sua decisão, de acordo com seu livre e fundamentado convencimento, não caracterizando omissão ou ofensa à legislação infraconstitucional o resultado diferente do pretendido pela parte. Precedentes. 4. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no REsp n. 2.015.401/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 13/3/2023, D Je de 15/3/2023.) Por outro lado, cuida-se de definir qual o juízo competente para processar e julgar ação monitória em razão de duplicatas vencidas e não pagas. Com efeito, o foro competente para cobrança da duplicata é o da praça de pagamento indicado no título, nos termos do art. 17 da Lei n. 5.474/1968. Sobre o tema, o Tribunal de origem consignou a seguinte fundamentação (e- STJ, fls. 583-589): Inicialmente, rejeita-se a preliminar de incompetência arguida pelo apelante. Com efeito, como bem consignado pelo douto juízo a quo à fls. 142, a Comarca de Piracicaba era o destino dos bem adquiridos, conforme dispõe as notas apresentadas (fls. 32/34), sendo certo, ainda, que das duplicatas consta Piracicaba como praça de pagamento (fls. 54/57), o que não foi impugnado pelo embargante. Assim, impende registrar que, a partir dos pressupostos analisados pelo acórdão recorrido, a questão foi resolvida com base nas cláusulas contratuais e nos elementos fáticos que permearam a demanda. Assim, rever os fundamentos que ensejaram a conclusão alcançada pelo Colegiado local implicaria na análise dos termos contratuais e no reexame do conjunto fático-probatório, o que é vedado pelas Súmulas n. 5 e 7 deste Tribunal. Em relação à comprovação de recebimento das mercadorias, consta do acórdão recorrido (e-STJ, fls. 583-589, sem destaque no original): Superada esta questão, a insurgência do recorrente se resume à ausência de prova do recebimento das mercadorias, a cobrança das despesas de protesto e consectários aplicados, de modo que este é o âmbito de análise recursal, segundo a regra do tantum devolutum quantum apellatum. Trata-se, na origem, de ação monitória por meio da qual a parte autora objetiva o recebimento da quantia de R$ 126.586,19, referente a duplicatas vencidas e não pagas. A recorrente não nega a existência da relação comercial com a autora, limitando sua impugnação à alegação de não recebimento das mercadorias, para afastar a exigibilidade do crédito. Neste ponto, as notas fiscais apresentadas pelo autor contém canhoto de recebimento no endereço da requerida, constando data e assinatura (fls. 32/34), que foram impugnados em sede de embargos monitórios. Em despacho saneador, diante da documentação apresentada, o MM. Juíz a quo atribuiu à empresa embargante o ônus probatório no que tange à entrega das mercadorias, ante o disposto no artigo 373, II, do Código de Processo Civil (fls. 142). Contra esta decisão foi interposto agravo de instrumento, improvido por esta C. Câmara (fls. 224/228), assim ementado: Agravo de instrumento Monitória Duplicatas - Empresa requerida que alega não reconhecer as assinaturas apostas nos canhotos das notas fiscais - Decisão proferida na origem que entendeu ser dela o ônus da prova quanto ao recebimento das mercadorias Cabimento Recorrente que não nega a existência de relação comerciais entre as partes Decisão mantida - Recurso desprovido. Negado seguimento ao Recurso Especial (fls. 236/238), o agravo contra despacho denegatório foi improvido pelo E. STJ (fls. 241/243), com trânsito em julgado 21.05.2020 (fls. 246). Portanto, a discussão atinente ao ônus probatório referente a entrega das mercadorias está abarcada pela coisa julgada, não cabendo qualquer nova discussão nesse sentido. Incumbindo-lhe tal encargo processual, o embargante manifestou interesse na produção de prova pericial (fls. 291), o que foi deferido pelo juízo a quo (fls. 293); nomeada a perita (fls. 298), o embargante impugnou os honorários periciais estimados (Fls. 317/321), que foram definitivamente fixados em R$ 3.000,00 (fls. 478), tendo sido, inclusive, deferido o pleito de parcelamento (fls. 487). Contudo, diante da inércia do embargante em iniciar os depósitos, a despeito de devidamente intimado (fls. 492), foi corretamente reconhecida a preclusão da prova pericial (fls. 500), não manifestando o embargante interesse na produção de outra prova (fls. 508). Diante do conjunto probatório colhido nos autos, aplica- se no presente caso a teoria da aparência, em que, via de regra, se admitem regulares as entregas das mercadorias à pessoa jurídica destinatária, quando realizadas no endereço de seu estabelecimento, sendo ali recebidas por qualquer de seus funcionários, o que poderia ser desconsiderado em caso de prova em sentido contrário, do que não se desincumbiu a apelante. Assim, restou incontroverso nos autos o regular recebimento das mercadorias pelo requerido, inexistindo óbice à exigibilidade do débito. (..) No que tange aos consectários, a r. sentença determinou que fosse aplicada correção monetária desde o ajuizamento da ação (fls. 511), nos moldes em que elaborada a planilha de cálculo pelo autor (fls. 31), nos exatos termos da pretensão recursal, inexistindo, em verdade, interesse neste ponto. Logo, não há como desconstituir o entendimento delineado no acórdão impugnado, sem que se proceda ao reexame dos fatos e das provas dos autos, o que não se admite nesta instância extraordinária, em decorrência do disposto na Súmula 7/STJ. No tocante à alegada ofensa ao art. 373, I, do CPC/2015 e à correção monetária, atentando-se aos argumentos trazidos pela recorrente e aos fundamentos adotados pela Corte estadual (a discussão atinente ao ônus probatório referente a entrega das mercadorias está abarcada pela coisa julgada; e ausência de interesse recursal quanto ao termo inicial da correção monetária), verifica-se que estes não foram objeto de impugnação nas razões do recurso especial, e a manutenção de argumento que, por si só, mantém o acórdão recorrido torna inviável o conhecimento do apelo nobre, atraindo a aplicação do enunciado n. 283 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. Em relação à alegada sucumbência reciproca, observa-se que a jurisprudência deste Superior Tribunal é no sentido de que "é inviável a apreciação, em sede de recurso especial, do quantitativo em que autor e réu saíram vencedores ou vencidos na demanda, bem como da existência de sucumbência mínima ou recíproca, a teor do disposto na Súmula 7 do STJ" (AgInt no AREsp 1.907.253/MG, Rel. Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 21/02/2022, DJe 09/03/2022). A propósito: PROCESSO CIVIL. DIREITO CIVIL. INTERMEDIAÇÃO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. AUSÊNCIA DE NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. LEGITIMIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL PARA REPRESENTAR A PESSOA JURÍDICA EM JUÍZO. COMISSÃO DE CORRETAGEM ACORDADA EM CONTRATO VERBAL. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO EXCLUSIVAMENTE POR TESTEMUNHA. SÚM. 83 DO STJ. REVISÃO DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚM. 5 E 7 DO STJ. PEDIDOS CUMULATIVOS COM ACOLHIMENTO APENAS DO PEDIDO MENOS ABRANGENTE. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. SÚM. 83/STJ. REVISÃO DO DECAIMENTO DE CADA PARTE NO PEDIDO E DA DISTRIBUIÇÃO DOS ÔNUS SUCUMBENCIAIS. SÚM. 7 DO STJ. INCOGNOSCIBILIDADE DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL DIANTE DOS ÓBICES SUMULARES INCIDENTES À INTERPOSIÇÃO PELA ALÍNEA "A" DO ART. 105, III, DA CF. (..) 6. A redistribuição de honorários advocatícios para adequá-los à proporção em que cada parte foi sucumbente é providência inviável em recurso especial. Súmula 7 do STJ. 7. O revolvimento da distribuição dos ônus sucumbenciais para aferir o decaimento das partes nas instâncias de origem não é compatível com a via do recurso especial. Súmula 7 do STJ. 8. Não se conhece do recurso especial interposto pela alínea "c" do permissivo constitucional, quando a interposição pela alínea "a" tem seu conhecimento obstado por enunciados sumulares, pois, consequentemente, advirá o prejuízo da análise da divergência jurisprudencial. Agravo interno improvido. (AgInt no REsp n. 2.059.044/MG, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 18/3/2024, DJe de 20/3/2024) Ante o exposto, conheço do agravo para não conhecer do recurso especial. Fiquem as partes cientificadas de que a insistência injustificada no prosseguimento do feito, caracterizada pela apresentação de recursos manifestamente inadmissíveis ou protelatórios contra esta decisão, ensejará a imposição, conforme o caso, das multas previstas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC/2015. Publique-se .. . Para conhecer da controvérsia apresentada neste recurso, mostra-se necessário o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, procedimento incompatível com o entendimento firmado pela súmula 7 deste Superior Tribunal de Justiça, que estabelece que "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial." De fato, presente a função uniformizadora do Recurso Especial, não se pode cogitar de seu emprego para a realização de rejulgamento do contexto fático-probatório, em atitude típica de revisão promovida por nova instância. Diante disso, é reiterada a jurisprudência desta Corte que assenta que "o reexame de fatos e provas (é) vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ."(AgInt no REsp n. 2.151.760/SC, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgado em 9/12/2024, DJEN de 12/12/2024.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL CUMULADA COM RESTITUIÇÃO DE VALORES E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. RESTITUIÇÃO DE QUANTIA PAGA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. RESOLUÇÃO POR CULPA DA CONSTRUTORA/VENDEDORA. DEVOLUÇÃO DA COMISSÃO DE CORRETAGEM. PRESCRIÇÃO. PRAZO TRIENAL. INAPLICABILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. Ação de rescisão contratual cumulada com restituição de valores e indenização por danos morais e materiais. 2. Alterar o decidido no acórdão impugnado no que se refere às teses atinentes à alegada ilegitimidade passiva dos recorrentes no tocante à relação jurídica havida entre as partes e à delimitação de suposta responsabilidade, envolve o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. (..) (AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.627.058/MG, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 11/11/2024, DJe de 13/11/2024.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DE PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 283 DO STF, POR ANALOGIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. REFORMA DO JULGADO. ANÁLISE DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. NÃO CABIMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 7 DO STJ. TEMA NÃO DEBATIDO PELAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 282 DO STF. PREQUESTIONAENTO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. NECESSIDADE. AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. A falta de impugnação a fundamento suficiente para manter o acórdão recorrido acarreta o não conhecimento do recurso. Inteligência da Súmula n.º 283 do STF, aplicável, por analogia, ao recurso especial. 2. A alteração das conclusões do acórdão recorrido exige reapreciação do acervo fático-probatório da demanda, o que faz incidir o óbice da Súmula n.º 7 do STJ. (..) (AgInt no AREsp n. 2.662.287/SP, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 28/10/2024, DJe de 30/10/2024.) Não há, portanto, dúvida acerca da inaptidão do recurso especial para promover a revisão do quadro fático-probatório, viabilizando reformar da compreensão firmada pela Corte de origem acima do tema. Não se quer dizer, contudo, que o debate do quadro fático não possa ser revisado nesta instância especial. Ao revés, é também pacífico o entendimento de que "a revaloração jurídica de fatos e provas incontroversos delineados no acórdão impugnado afasta a aplicação da Súmula 7 do STJ na espécie." (AgInt no AREsp n. 1.742.678/MT, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 8/6/2021, DJe de 11/6/2021.) Cuida-se, contudo, de ônus imputado à parte agravante, que não pode se limitar a afirmar que sua pretensão demanda apenas o reenquadramento fático à moldura legal pretendida, devendo, isto sim, evidenciar, objetivamente, que a análise fática estabilizada melhor se enquadra em outra forma jurídica. Daí porque este colegiado também tem afirmado, reiteradamente, que "No tocante às Súmulas nºs 5 e 7/STJ, não basta a parte sustentar genericamente a não aplicação dos óbices, sem explicitar, à luz do contexto fático delineado no acórdão e da tese recursal trazida no recurso especial, de que maneira a análise não dependeria do reexame fático-probatório ou da análise das cláusulas contratuais." (AgInt no AREsp n. 2.250.305/DF, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 2/10/2023, DJe de 6/10/2023.) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO MANEJADO SOB A ÉGIDE DO NCPC. AÇÃO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. INDENIZAÇÃO. DANOS MATERIAIS. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA A TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PRECONIZADOS PELO ART. 932, III, DO NCPC (ART. 544, § 4º, I, DO CPC/73). AGRAVO INTERNO NÃO PROVIDO. 1. Aplica-se o NCPC a este julgamento ante os termos do Enunciado Administrativo n.º 3, aprovado pelo Plenário do STJ na sessão de 9/3/2016: Aos recursos interpostos com fundamento no CPC/2015 (relativos a decisões publicadas a partir de 18 de março de 2016) serão exigidos os requisitos de admissibilidade recursal na forma do novo CPC. 2. Não se mostra viável o agravo em recurso especial que, apresentado em desacordo com os requisitos preconizados pelo art. 932, III, do NCPC (544, § 4º, I, do CPC/73), não impugna os fundamentos da respectiva inadmissibilidade (incidência das Súmulas n.ºs 5 e 7 do STJ e 284 do STF). 3. Não basta para considerar "especificamente impugnados" os fundamentos da decisão recorrida a mera transcrição de súmulas ou reprodução de dispositivos legais violados. Necessário, além das indicações expressas e claras, a sua vinculação aos fatos tal como analisados pelo acórdão ou decisão para então, mediante enfrentamento dialético desse conjunto de permissivos constitucionais em face do exame soberano do material de cognição pela Corte estadual, se chegar ao almejado entendimento de que a classificação jurídica concluída não espelha o melhor direito ao caso. 4. Agravo interno não provido. (AgInt no AREsp n. 1.925.017/SC, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 5/9/2022, DJe de 8/9/2022.) No presente feito, o acolhimento da tese recursal demandaria inevitável revisão do quadro fático-probatório estabelecido na instância de origem, providência que, como visto, é inviável nesta sede. Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno. É o voto.