AREsp 2542540 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem examinou e fundamentou expressamente as matérias apontadas como omissas, não havendo violação do art. 1.022 do CPC, e porque a pretensão de modificar a conclusão sobre a decadência demandaria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial pela...
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- Parties
- Autor: LUCIANO FERNANDES ABUD; Autor: ADRIANA MARIA SILVA CARDOSO ABUD; Réu/agravante: MATHEUS RESENDE PIOVESAN MARIOTTO; Réu/agravante: DORISELMA MARIA RESENDE MARIOTTO; Réu/agravante: EDMILSON FLAVIO MARIOTTO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 11 September 2024
- Procedural Posture
- Ação Pauliana / Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (julgamento No Stj, 3ª Turma)
- Outcome
- Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
- Legal Topics
- Ação Pauliana, Embargos De Declaração, Decadência, Tutela De Urgência, Reexame De Fatos E Provas, Súmula 7/stj
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Parties
LUCIANO FERNANDES ABUD
Autor
ADRIANA MARIA SILVA CARDOSO ABUD
Autor
MATHEUS RESENDE PIOVESAN MARIOTTO
Réu/agravante
DORISELMA MARIA RESENDE MARIOTTO
Réu/agravante
EDMILSON FLAVIO MARIOTTO
Réu/agravante
Procedural Posture
Ação Pauliana / Agravo Interno No Agravo Em Recurso Especial (julgamento No Stj, 3ª Turma)
Legal Issues
- 1 Existência de omissão, contradição ou obscuridade nos embargos de declaração (art. 1.022 CPC)
- 2 Aplicabilidade do instituto da decadência e início do prazo decadencial em ação pauliana
- 3 Possibilidade de contágio da decadência entre litisconsortes
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo interno porque o Tribunal de origem examinou e fundamentou expressamente as matérias apontadas como omissas, não havendo violação do art. 1.022 do CPC, e porque a pretensão de modificar a conclusão sobre a decadência demandaria reexame de fatos e provas, vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
Orders
- Nego provimento ao presente agravo interno no agravo em recurso especial.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 03/09/2024 a 09/09/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Humberto Martins, Ricardo Villas Bôas Cueva, Marco Aurélio Bellizze e Moura Ribeiro votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PAULIANA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Ação pauliana. 2. É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. 3. Alterar o decidido no acórdão impugnado no que se refere à tese atinente à alegada decadência em relação a um dos agravantes que fora citado posteriormente poder atingir os demais agravantes, envolve o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido.
RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Examina-se agravo interno interposto por MATHEUS RESENDE PIOVESAN MARIOTTO, DORISELMA MARIA RESENDE MARIOTTO, EDMILSON FLAVIO MARIOTTO contra decisão que conheceu do agravo para conhecer parcialmente de seu recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento. Ação: pauliana ajuizada por LUCIANO FERNANDES ABUD, ADRIANA MARIA SILVA CARDOSO ABUD em face de MATHEUS RESENDE PIOVESAN MARIOTTO, DORISELMA MARIA RESENDE MARIOTTO, EDMILSON FLAVIO MARIOTTO Decisão interlocutória: indeferiu a tutela de urgência de arresto de cotas sociais e protesto junto ao registro de imóveis. Acórdão: deu provimento ao agravo de instrumento interposto por LUCIANO FERNANDES ABUD, ADRIANA MARIA SILVA CARDOSO ABUD, nos termos da seguinte ementa: "AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO PAULIANA. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA. EXERCÍCIO DE DIREITO POTESTATIVO. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. TUTELA DE URGÊNCIA. COTAS SOCIAIS. TRANSFERÊNCIA AO FILHO. BLOQUEIO. PROTESTO IMOBILIÁRIO. DECISÃO REFORMADA. 1. De início, cumpre ressaltar que o agravo de instrumento é um recurso "secundum eventum litis", que deve se limitar a análise do acerto ou desacerto da decisão agravada, ou seja, examinar se estão presentes aos requisitos necessários para a manutenção da decisão proferida no caso. 2. Nos termos do art. 178, II, do Código Civil, "é de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado" "no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico". O termo inicial do prazo decadencial, é a data do registro do negócio jurídico ou averbação, posto que a partir dela o ato se mostra dotado de publicidade perante terceiros. 3. O direito potestativo, por sua própria natureza, considera-se exercido no momento do ajuizamento da ação, quando então cessa o curso do prazo de decadência em relação a todos os partícipes do ato fraudulento. Com a propositura da ação o titular do direito potestativo o exercita e com isso, impede que a decadência ocorra. 4. O deferimento da tutela provisória de urgência pressupõe a demonstração da probabilidade do direito, bem como a comprovação do perigo de dano ou de ilícito, ou ainda, do comprometimento da utilidade do resultado final que a demora do processo pode causar. 5. A transferência das cotas da empresa realizada de pai para filhos e a doação de imóveis a estes, caracteriza o consilium fraudis, haja vista que a relação de parentesco constitui circunstância que leva à presunção de que o comprador tinha conhecimento da inexistência de outros bens de propriedade do vendedor, e consequentemente, do seu estado de insolvência. 6. Com isso, entendo como relevantes os argumentos dos agravantes, ao menos por enquanto, posto que a transferência das quotas quando já contraída dívida, capaz de levar o devedor à insolvência, tal como determina o art. 158 do Código Civil. 7. Da mesma sorte, o risco de que sobrevenha danos de difícil reparação ao autor é evidente, uma vez que posteriores alienações poderão atingir direitos de terceiros de boa-fé, e, em caso de procedência, ensejar tumulto capaz de prejudicar a eficácia deste processo, lesando o seu direito enquanto credor. 8. Assim, por prudência e cautela, é necessário que a situação fática quanto à propriedade de tais cotas sociais não se altere durante o processo, sobretudo porque tal medida, em princípio, não é capaz de gerar danos irreversíveis ou de difícil reparação aos requeridos, sendo evidentemente reversível. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PROVIDO." (fls. 308/309, e-STJ)." (fl. 148, e-STJ). Embargos de declaração: opostos por MATHEUS RESENDE PIOVESAN MARIOTTO, DORISELMA MARIA RESENDE MARIOTTO, EDMILSON FLAVIO MARIOTTO, foram rejeitados. Recurso especial: alega violação dos arts. 240, caput e §§ 1º e 4º; e 1.022, II, do CPC; e 178, II, 204, § 1º, 207 e 265, do CC. Sustenta, em síntese: i) a negativa de prestação jurisdicional quanto à data da emenda da inicial, com a finalidade de incluir o agravante no polo passivo da ação, já se teria ou não operado a decadência; e ii) a consumação da decadência em relação a um dos agravantes prejudica o exame em relação aos demais. Decisão unipessoal: conheceu do agravo para conhecer parcialmente do recurso especial e, nessa extensão, negou-lhe provimento, com base nos seguintes fundamentos: i) ausência de demonstração de ofensa ao art. 1.022 do CPC; e ii) aplicação da Súmula 7 do STJ relativamente à alegada decadência em relação ao agravante que fora citado posteriormente poder atingir os demais agravantes. Agravo interno: a parte agravante alega a negativa de prestação jurisdicional do Tribunal de origem, bem como a inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, repetindo as mesmas razões recursais despendidas em seu apelo extremo atinente à arguição de decadência. Requer, assim, o provimento do agravo para que seja determinado o processamento do recurso especial e apreciado o mérito. É o relatório. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO PAULIANA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. Ação pauliana. 2. É firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação, ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. 3. Alterar o decidido no acórdão impugnado no que se refere à tese atinente à alegada decadência em relação a um dos agravantes que fora citado posteriormente poder atingir os demais agravantes, envolve o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. 4. Agravo interno no agravo em recurso especial não provido. VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): A despeito das alegações aduzidas neste recurso, percebe-se que a parte agravante não trouxe qualquer argumento novo capaz de ilidir o entendimento firmado na decisão ora agravada. 1. Da violação do art. 1.022 do CPC Confirma-se o assentando de que é firme a jurisprudência do STJ no sentido de que não há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem, aplicando o direito que entende cabível à hipótese soluciona integralmente a controvérsia submetida à sua apreciação; ainda que de forma diversa daquela pretendida pela parte. A propósito, confira-se: AgInt nos EDcl no AREsp 1.094.857/SC, 3ª Turma, DJe de 02/02/2018 e AgInt no AREsp 1.089.677/AM, 4ª Turma, DJe de 16/02/2018. No particular, verifica-se que o acórdão recorrido nas instâncias ordinárias decidiu, fundamentada e expressamente acerca dos pontos supostamente omissos, de maneira que os embargos de declaração opostos pela parte recorrente, de fato, não comportavam acolhimento. Nesse sentido, o Tribunal de origem ao julgar os embargos de declaração opostos pelos recorrentes, já havia esclarecido o que segue: "Trata-se, em derrogação excepcional da regra de que interruptio civilis non fit de persona ad personam, do princípio da contagiabilidade da interrupção da prescrição (interruptio civilis fit de persona ad personam), constante da regra excepcional do § 1º do art. 204 acima, acerca da solidariedade, com óbvios reflexos na formação do litisconsórcio necessário. (..) Desta feita, não se pode desconsiderar que o ajuizamento da demanda, por si só, representa o exercício do direito potestativo, o que afasta o prazo decadencial. (..) A citação extemporânea de litisconsorte necessário unitário, após decorrido o prazo de quatro anos para a propositura da ação que visa à desconstituição de negócio jurídico realizado com fraude a credores, não enseja a decadência do direito do credor. Isso porque, conforme já mencionado no acordão recorrido, o direito potestativo, por sua própria natureza, considera-se exercido no momento do ajuizamento da ação, quando então cessa o curso do prazo de decadência em relação a todos os partícipes do ato fraudulento." (fls. 366/368, e-STJ). Referida conclusão, repise-se, encontra-se suficientemente fundamentada pelo Tribunal de origem, não havendo que se falar em vício do julgado pela mera ausência de menção a determinado dispositivo legal invocado pela parte agravante, ou a tese incapaz de alterar a conclusão posta. De fato, é certo que "o julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos invocados pelas partes quando, por outros meios que lhes sirvam de convicção, tenha encontrado motivação satisfatória para dirimir o litígio. As proposições poderão ou não ser explicitamente detalhadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto" (AgInt no REsp 1.708.568/SP, 2ª Turma, DJe 10/03/2020). Dessa maneira, em suma, rigorosamente analisadas as questões relevantes à solução da controvérsia, e fundamentado suficientemente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a prestação jurisdicional, não prospera a alegação de violação do art. 1.022 do CPC. 2. Do reexame de fatos e provas Da renovada análise dos autos, reitero a assertiva de que, no tocante à tese atinente à alegação de consumação da decadência em relação a um dos agravantes prejudicar o exame em relação aos demais agravantes; o acórdão recorrido adentrou na esfera fática probatória dos autos, vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ. Vejamos. Confira-se como o acórdão do Tribunal de origem se pronunciou sobre a questão: "Nos termos do art. 178, II, do Código Civil, "é de quatro anos o prazo de decadência para pleitear-se a anulação do negócio jurídico, contado" "no de erro, dolo, fraude contra credores, estado de perigo ou lesão, do dia em que se realizou o negócio jurídico". O termo inicial do prazo decadencial, é a data do registro do negócio jurídico ou averbação, posto que a partir dela o ato se mostra dotado de publicidade perante terceiros. (..) O direito potestativo, por sua própria natureza, considera-se exercido no momento do ajuizamento da ação, quando então cessa o curso do prazo de decadência em relação a todos os partícipes do ato fraudulento. Convém notar que, na realidade, não se pode pensar em interromper o prazo decadencial nos mesmos termos em que se concebe a interrupção da prescrição. Com efeito, quando o direito potestativo somente pode ser exercido por meio de ação (anulação do negócio jurídico, ação pauliana, anulação de casamento etc.), a citação do demandado não interrompe prazo decadencial. Com a propositura da ação o titular do direito potestativo o exercita e com isso, impede que a decadência ocorra. Não é pela interrupção ou suspensão do prazo de decadência, que esse direito decai: o exercício afasta a decadência, pois esta só ocorre, se o direito não é exercido. Todavia, não é possível a revogação dos atos jurídicos relativamente a apenas um dos réus, dada a indivisibilidade do direito da agravada, decorrente da inevitabilidade de se estender os efeitos de obstar a decadência, contra um litisconsorte. O objeto da ação pauliana ajuizada pelos agravantes é uno e indivisível, sendo o resultado da demanda uniforme dada a natureza unitária do litisconsórcio (necessário) formado no polo passivo. Trata-se do mesmo negócio jurídico que deverá afetar a todos de forma idêntica. (..) Sendo assim, a citação posterior do litisconsorte Matheus Mariotto, não gerou decadência do direito ora pleiteado." (fls. 311/314, e-STJ). Dessa forma, alterar o decidido no acórdão impugnado, exige o reexame de fatos e provas, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7 do STJ. Logo, a decisão agravada não merece reforma. DISPOSITIVO Forte nessas razões, NEGO PROVIMENTO ao presente agravo interno no agravo em recurso especial.