REsp 2145750 - DECISAO
O Relator conheceu parcialmente do Recurso Especial, mas negou-lhe provimento porque não houve omissão relevante no acórdão recorrido nem prequestionamento das matérias federais indicadas pelo INSS, e a controvérsia de mérito estava fundada em avaliação probatória da instância originária (imprópria de revisão em...
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- Parties
- Recorrente: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS; Recorrida: empresa ré
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 13 February 2025
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão Monocrática (conheço Parcialmente E Nego Provimento)
- Outcome
- Conheço parcialmente do Recurso Especial e nego-lhe provimento
- Legal Topics
- Ação Regressiva Acidentária, Prequestionamento, Embargos De Declaração (art. 1.022 Cpc), Força Probatória De Laudo/relatório De Fiscalização, Honorários Advocatícios Recursais, Impossibilidade De Reexame De Fato No Recurso Especial (súmula 7/stj), Inadmissibilidade De Alegação De Ofensa a Decreto Em Recurso Especial (súmula 518/stj)
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Parties
INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
Recorrente
empresa ré
Recorrida
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão Monocrática (conheço Parcialmente E Nego Provimento)
Legal Issues
- 1 Se houve omissão no acórdão quanto à valoração do Relatório de Fiscalização elaborado por Auditor do Trabalho
- 2 Se restou comprovada a culpa/neglegência da empregadora que justificasse ação regressiva do INSS (arts. 120 e 121 da Lei 8.213/91)
- 3 Se as matérias invocadas foram prequestionadas pelo Tribunal de origem
Ratio Decidendi
O Relator conheceu parcialmente do Recurso Especial, mas negou-lhe provimento porque não houve omissão relevante no acórdão recorrido nem prequestionamento das matérias federais indicadas pelo INSS, e a controvérsia de mérito estava fundada em avaliação probatória da instância originária (imprópria de revisão em Recurso Especial); ademais, alegação de ofensa a decreto é incabível na via especial. Em consequência, manteve-se o entendimento de que o INSS não comprovou a culpa da empregadora e majoraram-se os honorários recursais de 12% para 14% do valor da causa.
Court Disposition
Conheço parcialmente do Recurso Especial e nego-lhe provimento
Orders
- Conheço parcialmente do Recurso Especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
- Nego provimento ao Recurso Especial
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1 paragraphs
DECISÃO Vistos. Trata-se de Recurso Especial interposto pelo INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região no julgamento de Apelação, assim ementado (fls. 420/433e): RESPONSABILIDADE CIVIL. AÇÃO REGRESSIVA. ARTIGOS 120 E 121 DA LEI Nº 8.213/91. NEGLIGÊNCIA DA EMPRESA NÃO COMPROVADA. I - Quando houver o pagamento de benefício previdenciário decorrente de acidente laboral causado pelo descumprimento das normas de saúde e segurança do trabalho, cabe ao INSS o ajuizamento de ação regressiva acidentária, devendo a empresa responsável ser compelida a reembolsar a autarquia previdenciária pelos valores correspondentes ao benefício previdenciário implantado. Precedentes. II - Hipótese em que não restou comprovado que a empresa ré não agiu com a diligência e precaução necessárias e que desrespeitou normas padrão de segurança e higiene do trabalho. III - Recurso desprovido, com majoração da verba honorária. Opostos embargos de declaração, foram rejeitados (fls. 410/414e). Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, aponta-se ofensa aos dispositivos a seguir relacionados, alegando-se, em síntese: Arts. 489, IV, e 1.022, do Código de Processo Civil - vício integrativo consubstanciado em omissão, por ausência de prestação jurisdicional, porquanto " .. a força do Relatório de Fiscalização, elaborado por Auditor do Trabalho, com eficácia de prova pré-constituída e que goza da presunção relativa de veracidade e legitimidade inerentes aos atos administrativos praticados por agentes públicos no exercício de suas funções é e que não foi questão essencial ao julgamento da lide afastada, nem mesmo apreciada pelo Tribunal Regional" (fl. 425e); Art. 156 da Consolidação da Leis do Trabalho - " .. o Tribunal Regional negou vigência ao artigo 156 da Consolidação das Leis do Trabalho ao ignorar a e a atribuição legal da Auditoria do Trabalho para verificar a ocorrência de falhas graves na expertise segurança do ambiente de trabalho, falhas essas que causaram o acidente de trabalho, decorrente assim do descumprimento das normas de segurança exigidos pela legislação" (fl. 429e);Arts. 18, VIII, XIV e XV, do Decreto n. 4.552/2002, e 155, II, e 200 da CLT - "Os acórdãos regionais impugnados ignoraram e o documento produzido pelo Ministério do Trabalho (Relatório de Análise de Acidente de Trabalho (Num. 266910234 e autos de infração (Num. 266910234 - Pág. 9/13) entendendo que não teriam força probatória da negligência da Recorrida";Art. 374, IV, do estatuto processual civil - "A decisão ora atacada, não valorou integralmente o laudo elaborado através da fiscalização realizada por Auditor do Trabalho, profissional com atribuição legal para realizar a fiscalização nas empresas no tocante a segurança do trabalho, e pertencente aos quadros do Ministério do Trabalho e Emprego MTE, e entendeu que houve culpa da vítima para a ocorrência do acidente" (fl. 430e); eArt. 157, I e II, da Consolidação das Leis do Trabalho - " .. houve violação ao artigo 157, I e II, da Consolidação das Leis do Trabalho, segundo o qual a empregadora tem o dever de fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho e efetuar treinamento correto e adequado em segurança do trabalho, que se estende às especificidades de cada procedimento de trabalho, para abranger todo e qualquer risco à saúde do trabalhador (não houve comprovação do treinamento específico, segundo a legislação do trabalho) - fl. 431e.Com contrarrazões (fls. 435/443e), o recurso foi inadmitido (fls. 445/446e), tendo sido interposto Agravo, posteriormente convertido em Recurso Especial (fl. 473e). Feito breve relato, decido. Nos termos do art. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015, combinado com os arts. 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, mediante decisão monocrática, respectivamente, a não conhecer de recurso inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida, bem como a negar provimento a recurso ou a pedido contrário à tese fixada em julgamento de recurso repetitivo ou de repercussão geral (arts. 1.036 a 1.041), a entendimento firmado em incidente de assunção de competência (art. 947), à súmula do Supremo Tribunal Federal ou desta Corte ou, ainda, à jurisprudência dominante acerca do tema, consoante Enunciado da Súmula n. 568/STJ: O Relator, monocraticamente e no Superior Tribunal de Justiça, poderá dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema. O Recorrente sustenta a existência de omissão no acórdão recorrido, não suprida no julgamento dos embargos de declaração, porquanto " .. a força do Relatório de Fiscalização, elaborado por Auditor do Trabalho, com eficácia de prova pré-constituída e que goza da presunção relativa de veracidade e legitimidade inerentes aos atos administrativos praticados por agentes públicos no exercício de suas funções é e que não foi questão essencial ao julgamento da lide afastada, nem mesmo apreciada pelo Tribunal Regional" (fl. 425e). Ao prolatar o acórdão recorrido, o Tribunal de origem enfrentou a controvérsia nos seguintes termos (fls. 379/381): Na hipótese dos autos, verifica-se que, em decorrência de acidente laboral, foi implementado benefício previdenciário de auxílio-doença acidentário NB 6128481195 (ID 266910239), seguido de auxílio-acidente NB 6210036957 (ID 266910241). O cerne da controvérsia reside, portanto, na prova da alegada conduta culposa da empresa ré quanto às normas de segurança e higiene do trabalho, de modo a estabelecer sua responsabilidade no evento acidentário, sujeitando-a, em consequência, ao ressarcimento do órgão securitário. No caso dos autos, consta do Relatório de Análise de Acidente de Trabalho (ID 266910234, fls. 2/5) que "o trabalhador foi moer carne. Não encontrando o socador, que havia sido levado e não se encontrava no ambiente, utilizou primeiramente a chaira (..). Não obtendo sucesso desejado, utilizou a mão com o aparelho em funcionamento, que foi colhida pela rosca sem fim, decepando-lhe os dedos". Ainda, ao analisar os fatores que contribuíram para a ocorrência do acidente, concluiu o relatório que "a proteção coletiva contra a penetração da mão no duto de alimentação (barras metálicas no bocal do duto de alimentação (..)) só foi adotada após o acidente" e que "as informações colhidas durante a inspeção apontam para a ausência do socador em local específico na ocasião do acidente", pois "aparentemente o mesmo tinha sido encaminhado para higienização e se encontrava fora da sala de trabalho do moedor". De outra parte, colhe-se das oitivas das testemunhas Francisco Valério Filho (ID 266910438) e Alex de Almeida Vieira (ID 266910439), então funcionários da empresa e o primeiro presente no momento do acidente, que havia socador no local e na data do ocorrido, bem como chapa de proteção no bocal da máquina para impedir que fosse colocada mão no tubo. Embora os elementos narrados tragam versões colidentes dos fatos, anoto que as informações constantes do Relatório de Análise de Acidente de Trabalho (ID 266910234, fls. 2/5) foram colhidas com base nos depoimentos do acidentado, de Jemerson Almeida dos Santos, gerente de RH, e de Thiago Furtado, gerente, declarações, entretanto, que não foram carreadas aos autos. Portanto, tendo a empresa ré se desincumbido do ônus probatório quanto a fato extintivo do direito do autor, cabia ao INSS o ônus de refutá-lo, para tanto sendo insuficiente a alegação de que "os testemunhos, do Sr. Francisco Valério Filho e do Sr. Alex de Almeida Vieira são absolutamente imprestáveis como prova dos fatos. Isto porque o primeiro foi o responsável direto pelo acidente (atuando como superior e preposto da ré) e o segundo afirma fatos totalmente incompatíveis com a prova documental produzida nos autos". Destarte, da análise do contexto fático-probatório, verifica-se que o INSS deixou de comprovar que a empresa ré não agiu com a diligência e precaução necessárias e que desrespeitou normas padrão de segurança e higiene do trabalho, relacionadas à ausência de instrumento necessário ao exercício seguro da função, qual seja, socador, e de barreira de proteção no maquinário causador do acidente, nada havendo a objetar à sentença ao aduzir: Em que pese a existência de informação no auto de infração lavrado nº 21.013.139-0 de que no dia dos fatos não havia socador substituto, é certo que esta informação não foi corroborada pelas testemunhas em audiência de instrução, ônus processual que competia ao Instituto Nacional do Seguro Social. De fato, a testemunha Francisco Valério Filho afirmou que era encarregado do açougue no Supermercado. Mencionou que só pode usar luva de PVC no equipamento, pois a luva de metal deve ser usada apenas para corte de carne. Informou que o equipamento de segurança utilizado é o socador. Relatou que por imprudência usou o chaira, peça de amolar faca, que subiu para cima. Enfatizou que o socador estava do lado da máquina. Encontravam-se apenas os dois no local, tendo alertado o funcionário, mas, ao ser chamado por uma cliente, o funcionário colocou a própria mão no equipamento e daí a única coisa possível foi acionar o dispositivo de segurança, o que foi feito. Esclareceu que há uma barra de proteção só que a mão do funcionário era muito pequena, o que permitiu passar. Por fim, afirmou que o acidente ocorreu por um descuido dele, já que os equipamentos de segurança foram fornecidos e tinha sido devidamente treinado para manusear a máquina de moer carne. A testemunha Alex de Almeida Vieira afirmou que no dia dos fatos estava trabalhando no fechamento da loja. Disse que é responsável pelos treinamentos dos funcionários, tendo Romenig participado efetivamente. Questionado sobre o socador, ressaltou que existia esta ferramenta no local. Esclareceu que como dispositivo de segurança tinha uma chapa, mas não soube esclarecer como ele conseguiu passar a mão. Não teve outros acidentes desta natureza no período. Afirmou que o acidente ocorreu por culpa de ato do funcionário. Assim, não restou demonstrado o nexo causal entre a conduta da ré e o dano gerado. Merece ser destacado que foi comprovado nos autos a presença do funcionário em curso de treinamento acerca da importância do uso dos EPI. No caso, não verifico omissão acerca de questão essencial ao deslinde da controvérsia e oportunamente suscitada, tampouco de outro vício a impor a revisão do julgado. Consoante o art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015, cabe a oposição de embargos de declaração para: i) esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; ii) suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; e, iii) corrigir erro material. A omissão, definida expressamente pela lei, ocorre na hipótese de a decisão deixar de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento. O Código de Processo Civil considera, ainda, omissa, a decisão que incorra em qualquer uma das condutas descritas em seu art. 489, § 1º, no sentido de não se considerar fundamentada a decisão que: i) se limita à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; ii) emprega conceitos jurídicos indeterminados; iii) invoca motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; iv) não enfrenta todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; v) invoca precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes, nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; e, vi) deixa de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Sobreleva notar que o inciso IV do art. 489 do Código de Processo Civil de 2015 impõe a necessidade de enfrentamento, pelo julgador, dos argumentos que possuam aptidão, em tese, para infirmar a fundamentação do julgado embargado. Esposando tal entendimento, o precedente da Primeira Seção desta Corte: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam-se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDcl no MS 21.315/DF, Rel. Ministra DIVA MALERBI - DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2016, DJe 15/06/2016). E depreende-se da leitura do acórdão recorrido que a controvérsia foi examinada de forma satisfatória, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao firme posicionamento jurisprudencial aplicável ao caso. O procedimento encontra amparo em reiteradas decisões no âmbito desta Corte Superior, de cujo teor merece destaque a rejeição dos embargos declaratórios uma vez ausentes os vícios do art. 1.022 do Código de Processo Civil de 2015 (v.g. Corte Especial, EDcl no AgRg nos EREsp 1.431.157/PB, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJe de 29.06.2016; 1ª Turma, EDcl no AgRg no AgRg no REsp 1.104.181/PR, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe de 29.06.2016; e 2ª Turma, EDcl nos EDcl no REsp 1.334.203/PR, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe de 24.06.2016). Por outro lado, no que se refere à questão de fundo, verifico que as insurgências carecem de prequestionamento, uma vez que não foram analisadas pelo Tribunal de origem. Com efeito, o requisito do prequestionamento pressupõe prévio debate da questão pela Corte de origem, à luz da legislação federal indicada, com emissão de juízo de valor acerca dos dispositivos legais apontados como violados. No caso, malgrado a oposição de embargos declaratórios, o Tribunal a quo não analisou, ainda que implicitamente, a aplicação dos itens acima arrolados. Desse modo, não tendo sido apreciada tal questão pelo Tribunal de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração, aplicável, à espécie, o teor da Súmula n. 211/STJ, in verbis: "Inadmissível recurso especial quanto à questão que, a despeito da oposição de embargos declaratórios, não foi apreciada pelo Tribunal a quo". Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. APLICAÇÃO DA SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. BENS PÚBLICOS. TERRENO DE MARINHA. ILEGALIDADE DO PROCEDIMENTO DEMARCATÓRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 211 DESTA CORTE SUPERIOR. REGISTRO IMOBILIÁRIO. CARACTERIZAÇÃO DO BEM COMO TERRENO DE MARINHA. MANDADO DE SEGURANÇA. VIA ADEQUADA. QUESTÃO MERAMENTE DE DIREITO. OPONIBILIDADE EM FACE DA UNIÃO. CARACTERIZAÇÃO DO BEM COMO PROPRIEDADE PARTICULAR. IMPOSSIBILIDADE. PROPRIEDADE PÚBLICA CONSTITUCIONALMENTE ASSEGURADA (CR/88, ART. 20, INC. VII). (..) 2. A controvérsia acerca da ilegalidade do procedimento demarcatório na espécie, pela desobediência do rito específico previsto no Decreto-lei n. 9.760/46 - vale dizer: ausência de notificação pessoal dos recorrentes - não foi objeto de análise pela instância ordinária, mesmo após a oposição de embargos de declaração, razão pela qual aplica-se, no ponto, a Súmula n. 211 desta Corte Superior. (..) 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, não provido. Julgamento submetido à sistemática do art. 543-C do CPC e à Resolução n. 8/2008. (REsp 1.183.546/ES, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/09/2010, DJe 29/09/2010 - destaques meus). Cumpre anotar que, de acordo com o entendimento firmado por esta Corte, somente poderá se considerar prequestionada determinada matéria, nos moldes do art. 1.025 do Código de Processo Civil, quando alegada e reconhecida a violação ao art. 1.022 do estatuto processual, circunstância não verificada no caso em tela. Na mesma esteira: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. DEMORA NO RESTABELECIMENTO DO SERVIÇO. RESPONSABILI DADE CIVIL. DANOS MORAIS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PREQUESTIONAMENTO FICTO. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 1.025 DO CPC/2015. CONTROVÉRSIA RESOLVIDA, PELO TRIBUNAL DE ORIGEM, À LUZ DAS PROVAS DOS AUTOS. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO, NA VIA ESPECIAL. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão publicada em 14/12/2016, que, por sua vez, julgara recurso interposto contra decisum publicado na vigência do CPC/2015. II. Na origem, trata-se de Ação de Indenização, ajuizada pela parte agravante contra AES SUL Distribuidora Gaúcha de Energia S/A, em decorrência da interrupção do serviço de energia elétrica pelo período de 9 (nove) dias, após a ocorrência de um temporal no Município de São Sepé/RS. O acórdão do Tribunal de origem reformou a sentença que julgara improcedente a ação, condenando a ré ao pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). III. Não tendo o acórdão hostilizado expendido qualquer juízo de valor sobre os arts. 2º da Lei 9.427/96 e 29, I, da Lei 8.987/95, a pretensão recursal esbarra em vício formal intransponível, qual seja, o da ausência de prequestionamento - requisito viabilizador da abertura desta instância especial -, atraindo o óbice da Súmula 282 do Supremo Tribunal Federal ("É inadmissível o recurso extraordinário, quando não ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada"), na espécie. IV. Na forma da jurisprudência, "a admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei" (STJ, REsp 1.639.314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, DJe de 10/04/2017). (..) VI. Agravo interno improvido. (AgInt no AREsp 1.017.912/RS, Rel. Ministra ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2017, DJe 16/08/2017 - destaques meus). CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. INVENTÁRIO. - LIQUIDAÇÃO PARCIAL DE SOCIEDADE LIMITADA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PROPORCIONAIS ÀS COTAS INVENTARIADAS - HERDEIROS SÓCIOS EM CONDOMÍNIO - CABIMENTO - PRESCRIÇÃO DO DIREITO - NÃO OCORRÊNCIA. (..) 04. A admissão de prequestionamento ficto (art. 1.025 do CPC/15), em recurso especial, exige que no mesmo recurso seja indicada violação ao art. 1.022 do CPC/15, para que se possibilite ao Órgão julgador verificar a existência do vício inquinado ao acórdão, que uma vez constatado, poderá dar ensejo à supressão de grau facultada pelo dispositivo de lei. (..) 06. Recurso especial não provido. (REsp 1.639.314/MG, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 04/04/2017, DJe 10/04/2017 - destaques meus). Sublinhe-se, por oportuno, que a exigência do prequestionamento se impõe mesmo em relação às matérias de ordem pública, na linha do precedente deste Tribunal Superior, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. PRESCRIÇÃO. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA ALHEIA AOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. OBSCURIDADE. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. SÚMULA N. 284 DO STF. CARÁTER PROTELATÓRIO. RECONHECIMENTO. EMBARGOS DECLARATÓRIOS REJEITADOS COM APLICAÇÃO DE MULTA. .. 2. As matérias de ordem pública, mesmo passíveis de conhecimento de ofício pelas instâncias ordinárias, necessitam estar devidamente prequestionadas para ensejar o debate no âmbito do STJ. .. 5. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa. (EDcl no AgInt nos EREsp n. 1.946.950/PA, Relator Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, CORTE ESPECIAL, julgado em 21.08.2024, DJe de 26.08.2024 - destaque meu). Além disso, consoante pacífica jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, o conceito de tratado ou lei federal, previsto no art. 105, inciso III, a, da Constituição da República, deve ser considerado em seu sentido estrito, não compreendendo súmulas de Tribunais, bem como atos administrativos normativos. Nessa linha, a orientação firmada por esta Corte na Súmula 518 segundo a qual "para fins do art. 105, III, a, da Constituição Federal, não é cabível recurso especial fundado em alegada violação de enunciado de súmula", impondo-se, assim, o não conhecimento do Recurso Especial quanto à alegação de ofensa ao Decreto n. 4.552/2002, como espelham os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL. SÚMULA. NÃO ENQUADRAMENTO NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. OMISSÃO INEXISTENTE. LEVANTAMENTO DE DEPÓSITOS JUDICIAIS. CONTROVÉRSIA RELATIVA AO ESTORNO INDEVIDO DE JUROS. DESNECESSIDADE DE AJUIZAMENTO DE AÇÃO PRÓPRIA. (..) (REsp 1.359.988/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/06/2013, DJe 28/06/2013 - destaques meus). ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. ANÁLISE DE RESOLUÇÃO. REGRAMENTO QUE NÃO SE SUBSUME AO CONCEITO DE LEI FEDERAL. NÃO OCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INTERRUPÇÃO DO FORNECIMENTO DE ENERGIA ELÉTRICA. COBRANÇA INDEVIDA. DANO MORAL IN RE IPSA. REEXAME DE MATÉRIA FÁTICO-PROBATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. 1.Não é possível, em recurso especial, a análise de resolução de agência reguladora, visto que o referido ato normativo não se enquadra no conceito de "tratado ou lei federal" de que cuida o art. 105, III, a, da CF. (..) 6. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 518.470/RS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2014, DJe 20/08/2014 - destaques meus). AGRAVO REGIMENTAL. ADMINISTRATIVO. AÇÃO ANULATÓRIA DE ATO ADMINISTRATIVO. MULTA APLICADA PELO PROCON. ALEGADA VIOLAÇÃO DE DECRETO. OFENSA QUE NÃO SE ENQUADRA NO CONCEITO DE LEI FEDERAL. REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1.Conforme consignado na análise monocrática, é entendimento assentado na jurisprudência desta Corte que a alegação de violação de decreto regulamentar não pode ser conhecida, porquanto tal espécie normativa não se enquadra no conceito de "lei federal", conforme o permissivo constitucional do art. 105, III, "a". Precedentes. (..). (AgRg no AREsp 490.509/MS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 08/05/2014, DJe 15/05/2014 - destaques meus). Por fim, no que tange aos honorários advocatícios, da conjugação dos Enunciados Administrativos ns. 3 e 7, editados em 09.03.2016 pelo Plenário desta Corte, depreende-se que as novas regras relativas ao tema, previstas no art. 85 do Código de Processo Civil de 2015, serão aplicadas apenas aos recursos sujeitos à novel legislação, tanto nas hipóteses em que o novo julgamento da lide gerar a necessidade de fixação ou modificação dos ônus da sucumbência anteriormente distribuídos quanto em relação aos honorários recursais (§ 11). Ademais, vislumbrando o nítido propósito de desestimular a interposição de recurso infundado pela parte vencida, entendo que a fixação de honorários recursais em favor do patrono da parte recorrida está adstrita às hipóteses de não conhecimento ou de improvimento do recurso. Quanto ao momento em que deva ocorrer o arbitramento dos honorários recursais (art. 85, § 11, do CPC/2015), afigura-se-me acertado o entendimento segundo o qual incidem apenas quando esta Corte julga, pela vez primeira, o recurso, sujeito ao Código de Processo Civil de 2015, que inaugure o grau recursal, revelando-se indevida sua fixação em agravo interno e embargos de declaração. Registre-se que a possibilidade de fixação de honorários recursais está condicionada à existência de imposição de verba honorária pelas instâncias ordinárias, revelando-se vedada aquela quando esta não houver sido imposta. Na aferição do montante a ser arbitrado a título de honorários recursais, deverão ser considerados o trabalho desenvolvido pelo patrono da parte recorrida e os requisitos previstos nos §§ 2º a 10 do art. 85 do estatuto processual civil de 2015, sendo desnecessária a apresentação de contrarrazões (v.g. STF, Pleno, AO 2.063 AgR/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, Redator para o acórdão Min. Luiz Fux, j. 18/05/2017), embora tal elemento possa influir na sua quantificação. Assim, nos termos do art. 85, §§ 2º e 11, do Código de Processo Civil, de rigor a majoração dos honorários anteriormente fixados de 12 % (doze por cento; fl. 381e) para 14 % (quatorze por cento) do valor da causa. Posto isso, com fundamento nos arts. 932, III e IV, do Código de Processo Civil de 2015, e 34, XVIII, a e b, e 255, I e II, do RISTJ, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Especial e, nessa extensão, NEGO-LHE PROVIMENTO. Publique-se e intimem-se. EMENTA