AREsp 2843817 - DECISAO
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a agravante não demonstrou violação dos dispositivos apontados (incidência da Súmula 284/STF), a alteração do decidido demandaria reexame de fatos e provas e interpretação contratual vedados pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, e não houve cotejo analítico...
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- Parties
- Agravante: CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS; Autor: LUIZ CARLOS CARDOZO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 March 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (agravo Conhecido)
- Outcome
- Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
- Legal Topics
- Ação Revisional De Contrato, Repetição De Indébito, Súmula 284/stf, Reexame De Fatos E Provas, Dissídio Jurisprudencial, Honorários Advocatícios, Limitação De Juros Pela Taxa Média De Mercado, Tema 1.198 Do STJ
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Parties
CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS
Agravante
LUIZ CARLOS CARDOZO
Autor
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento Do Recurso Especial (agravo Conhecido)
Legal Issues
- 1 Fundamentação deficiente e incidência da Súmula 284/STF
- 2 Reexame de fatos e provas vedado (Súmulas 5 e 7 do STJ)
- 3 Dissídio jurisprudencial exige cotejo analítico e similitude fática (arts. 1.029, § 1º, CPC/2015 e 255, § 1º, RISTJ)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo e não se conheceu do recurso especial porque a agravante não demonstrou violação dos dispositivos apontados (incidência da Súmula 284/STF), a alteração do decidido demandaria reexame de fatos e provas e interpretação contratual vedados pelas Súmulas 5 e 7 do STJ, e não houve cotejo analítico nem demonstração de similitude fática para configurar dissídio jurisprudencial, nos termos dos arts. 1.029, § 1º, CPC/2015 e 255, § 1º, RISTJ; aplicou-se o art. 932, III, do CPC para não conhecer do recurso.
Court Disposition
Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.
Orders
- Conhecer do agravo
- Não conhecer do recurso especial (fundamento: art. 932, III, CPC)
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Examina-se agravo em recurso especial interposto por CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS, contra decisão que negou seguimento a recurso especial fundamentado nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional. Agravo em recurso especial interposto em: 29/11/2024. Concluso ao gabinete em: 06/02/2025. Ação: revisional de contrato cumulada com repetição de indébito, ajuizada por LUIZ CARLOS CARDOZO, em face de CREFISA S/A CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTOS. Sentença: julgou procedentes os pedidos, para definir os juros remuneratórios no limite da taxa média de mercado para o período da contratação (nº 040100051751), autorizar a restituição de valores na forma simples, corrigida pelo IGP-M desde a data do desembolso e acrescida de juros de mora de 1% ao mês, a contar da citação e, sendo o caso, sua compensação no saldo em aberto, em havendo, bem como para afastar os consectários legais da mora até o trânsito em julgado e recálculo das parcelas. Desta forma, condenou a parte agravante ao pagamento das custas e dos honorários, estes fixados em R$ 1.500,00. (e-STJ fls. 236/246) Acórdão: negou provimento à Apelação interposta pela parte agravante, nos termos da seguinte ementa: "Direito Civil, Processual Civil e do consumidor - Ação revisional de contrato bancário - Pedido de suspensão do feito com fundamento no Tema 1.198, do STJ - Ausência de controvérsia sobre a questão - Medida incabível - Preliminares rejeitadas - Mérito - Manutenção dos juros conforme fixado em contratos de empréstimo pessoal - Inviabilidade - Juros contratados muito acima da taxa média de mercado - Limitação à média conforme a tabela do Banco Central (BACEN) - Redução mantida - Descaracterização da mora - Sentença preservada - Recurso não provido." (e-STJ fls. 421) Embargos de Declaração: opostos, pela parte agravante, foram rejeitados. (e-STJ fls. 463/470) Recurso especial: alega violação dos arts. 421, CC, 927, CPC, bem como dissídio jurisprudencial, sustentando que: i) a taxa média de mercado apurada pelo Banco Central para cada segmento de crédito é referencial útil para o controle da abusividade, mas o simples fato de a taxa efetiva cobrada no contrato estar acima da taxa média de mercado não significa, por si só, abusividade, devendo ser considerados fatores como os custos da captação dos recursos no local e época do contrato, o valor e o prazo do financiamento, fontes de renda e as garantias ofertadas, dentre outros; e, ii) não é apropriada a utilização de taxas médias divulgadas pelo Banco Central como critério exclusivo para a caracterização de prática abusiva. (e-STJ fls. 476/491) RELATADO O PROCESSO, DECIDE-SE. - Da fundamentação deficiente Os argumentos invocados pela parte agravante não demonstram como o acórdão recorrido violou os arts. 421, CC, 927, CPC, o que importa na inviabilidade do recurso especial ante a incidência da Súmula 284/STF. - Do reexame de fatos e provas e da interpretação de cláusulas contratuais Alterar o decidido no acórdão impugnado, no que se refere ao fato de que se verifica, da análise minuciosa feita pela juíza a quo, a patente abusividade das taxas de juros praticadas no caso, exige o reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais, o que é vedado em recurso especial pelas Súmulas 5 e 7, ambas do STJ. - Da divergência jurisprudencial Entre os acórdãos trazidos à colação, não há o necessário cotejo analítico nem a comprovação da similitude fática, elementos indispensáveis à demonstração da divergência. Assim, a análise da existência do dissídio é inviável, porque foram descumpridos os arts. 1.029, § 1º do CPC/2015 e 255, § 1º, do RISTJ. Forte nessas razões, CONHEÇO do agravo e, com fundamento no art. 932, III, do CPC, NÃO CONHEÇO do recurso especial. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC, considerando o trabalho adicional imposto ao advogado da parte recorrida em virtude da interposição deste recurso, majoro os honorários fixados anteriormente em R$ 1.800,00 (e-STJ fl. 433) para R$ 3.500,00. Previno as partes que a interposição de recurso contra esta decisão, se declarado manifestamente inadmissível, protelatório ou improcedente, poderá acarretar a condenação às penalidades fixadas nos arts. 1.021, § 4º, e 1.026, § 2º, do CPC. Publique-se. Intimem-se. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSENTE. DEFICIENTE. SÚMULA 284/STF. REEXAME DE FATOS E PROVAS E INTERPRETAÇÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS. INADMISSIBILIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA. AUSÊNCIA. 1. Ação revisional de contrato cumulada com repetição de indébito. 2. A ausência de fundamentação ou a sua deficiência importa no não conhecimento do recurso quanto ao tema. 3. O reexame de fatos e provas e a interpretação de cláusulas contratuais em recurso especial são inadmissíveis. 4. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas. 5. Agravo conhecido. Recurso especial não conhecido.