HC 1097220 - DECISAO
O habeas corpus foi indeferido liminarmente por estar deficientemente instruído, na medida em que não trouxe o ato coator proferido por órgão colegiado de segundo grau, e, nos termos dos arts. 21‑E, IV, e 210 do RISTJ, impõe‑se o indeferimento liminar; reconhece‑se, contudo, a autonomia da DPU e a possibilidade de...
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- Parties
- Paciente: RENATO ZEVIANI GONÇALVES CORDEIRO; Impetrante: Defensoria Pública da União
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 May 2026
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Decisão Interlocutória (indeferimento Liminar)
- Outcome
- Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
- Legal Topics
- Acordo De Cooperação Técnica Stj/dpu Nº 3/2025, Autonomia Da Defensoria Pública, Instrução Do Habeas Corpus, Indeferimento Liminar Por Falta De Ato Coator De Segundo Grau, Acesso À Justiça
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Parties
RENATO ZEVIANI GONÇALVES CORDEIRO
Paciente
Defensoria Pública da União
Impetrante
Procedural Posture
Habeas Corpus / Decisão Interlocutória (indeferimento Liminar)
Legal Issues
- 1 Competência e atuação da Defensoria Pública da União na instrução de habeas corpus
- 2 Necessidade de juntada do ato coator proferido por órgão colegiado de segundo grau
- 3 Limites procedimentais do STJ quanto à instrução interna de habeas corpus
Ratio Decidendi
O habeas corpus foi indeferido liminarmente por estar deficientemente instruído, na medida em que não trouxe o ato coator proferido por órgão colegiado de segundo grau, e, nos termos dos arts. 21‑E, IV, e 210 do RISTJ, impõe‑se o indeferimento liminar; reconhece‑se, contudo, a autonomia da DPU e a possibilidade de novo ingresso de habeas corpus devidamente instruído nos termos do Acordo STJ/DPU nº 3/2025 e do art. 44, X, da LC 80/1994.
Court Disposition
Indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.
Orders
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
- Nada impede que a Defensoria Pública da União, no exercício de sua autonomia funcional e, conforme avaliação técnica, ingresse com novo Habeas Corpus devidamente instruído, caso entenda que há elementos suficientes para tanto, nos termos do Acordo de Cooperação Técnica STJ/DPU nº 3/2025.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de Habeas Corpus, de próprio punho, impetrado em favor de RENATO ZEVIANI GONÇALVES CORDEIRO. Consta dos autos que, intimada a Defensoria Pública da União nos termos do Acordo de Cooperação Técnica STJ/DPU nº 3/2025, foi apresentada petição requerendo o regular processamento deste habeas corpus, trazendo apenas a decisão de primeiro grau, sem instruir com o ato coator de segundo grau. É o relatório. Decido. A Defensoria Pública da União (DPU) exerce papel essencial na defesa da população carcerária, oferecendo assistência jurídica gratuita e integral aos mais vulneráveis, conforme prevê a Constituição Federal. Diante da realidade de presos necessitados e sem acesso a advogados, a DPU tem por objetivo garantir o contraditório e a ampla defesa, combatendo injustiças estruturais no sistema penal. Sua atuação se torna ainda mais crucial quando atende presos que recorrem ao Judiciário por meio de cartas, muitas vezes redigidas de próprio punho, em busca de algum socorro jurídico. O Acordo de Cooperação Técnica nº 3/2025 firmado entre o STJ e a DPU fortalece esse papel ao criar um canal institucional para o encaminhamento de correspondências de presos sem defesa técnica. O STJ se compromete a triar, digitalizar e repassar tais documentos à DPU, que poderá analisar juridicamente as demandas, elaborar peças processuais e responder diretamente aos presos ou encaminhar os casos às defensorias competentes. Esse acordo representa um avanço significativo no acesso à justiça e na proteção da dignidade humana, ao assegurar que pedidos, ainda que informalmente apresentados, recebam o devido tratamento técnico. Ao se comprometer institucionalmente com essa parceria, o STJ reafirma sua função garantidora da legalidade e se articula com a DPU para oferecer respostas concretas a quem mais precisa, promovendo uma justiça mais inclusiva e efetiva. Ressalte-se que o Habeas Corpus, por sua natureza célere e vocação para a tutela imediata da liberdade, não admite procedimentos de instrução interna no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, cabendo exclusivamente ao impetrante apresentar os elementos necessários à análise do pedido. Nesse cenário, o Acordo de Cooperação Técnica STJ/DPU nº 3/2025 atribui à Defensoria Pública da União a função de suprir a ausência de defesa técnica dos presos, trazendo as informações necessárias para o efetivo julgamento, inclusive instruindo a demanda, dando o adequado encaminhamento à questão. O referido Acordo de Cooperação, bem como a prerrogativa prevista no art. 44, X, da Lei Complementar n. 80/1994, conferem autonomia técnica à Defensoria para atuar diretamente, porém, em vez de realizar diligências informativas por iniciativa própria, optou por requerer que esta Corte concedesse a ordem do presente writ, mas sem instruir devidamente o feito, tendo em vista que não consta o ato coator proferido por órgão colegiado de segundo grau. Ante o exposto, em razão de o mandamus estar deficientemente instruído, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Nada impede que a Defensoria Pública da União, no exercício de sua autonomia funcional e, conforme avaliação técnica, ingresse com novo Habeas Corpus devidamente instruído, caso entenda que há elementos suficientes para tanto, nos termos do Acordo de Cooperação Técnica STJ/DPU nº 3/2025. Publique-se. Intimem-se. EMENTA