AREsp 2902953 - DECISAO
Não conheço do agravo em recurso especial porque o recorrente não impugnou fundamento suficiente adotado pelo acórdão recorrido — notadamente a cláusula 7ª do ANPC que condiciona a produção de efeitos à homologação do Conselho Superior do MPPR e à homologação judicial — incidindo, por analogia, a Súmula 283/STF;...
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- Parties
- Agravante: Ministério Público do Estado do Paraná; Agravado: Luciano Marcelo Dias Queiroz
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 05 August 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade
- Outcome
- não conheço do agravo em recurso especial
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Cível, Homologação Judicial, Desistência Unilateral Do Acordo, Súmula 283/stf
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Parties
Ministério Público do Estado do Paraná
Agravante
Luciano Marcelo Dias Queiroz
Agravado
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Admissibilidade
Legal Issues
- 1 possibilidade de desistência unilateral do ANPC antes da homologação judicial
- 2 irretroatividade da Lei n. 14.230/2021 e aplicação de nova exigência (homologação judicial) a acordos firmados anteriormente
- 3 incidência da Súmula 283/STF quando houver fundamento suficiente não impugnado
Ratio Decidendi
Não conheço do agravo em recurso especial porque o recorrente não impugnou fundamento suficiente adotado pelo acórdão recorrido — notadamente a cláusula 7ª do ANPC que condiciona a produção de efeitos à homologação do Conselho Superior do MPPR e à homologação judicial — incidindo, por analogia, a Súmula 283/STF; decisão tomada com fundamento no art. 932, III, do CPC e art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do STJ.
Court Disposition
não conheço do agravo em recurso especial
Orders
- Publique-se.
- Intimem-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CÍVEL. DESISTÊNCIA UNILATERAL DO PARTICULAR. AUSÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. EXERCÍCIO REGULAR DO DIREITO. IRRESIGNAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. APLICAÇÃO ART. 17-B, § 1º, III, DA LEI 8.429/1992. RETRATAÇÃO VÁLIDA. HOMOLOGAÇÃO CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO. PERFECTIBILIZAÇÃO DO ATO APENAS COM HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. DESCABIMENTO MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ. FUNDAMENTO DA CORTE DE ORIGEM NÃO ATACADO NAS RAZÕES DO RECURSO. SÚMULA 283/STF. RECURSO NÃO CONHECIDO. Trata-se de agravo de instrumento interposto pelo Ministério Público do Estado do Paraná contra decisão proferida pelo Juízo da Vara da Fazenda Pública da Comarca de Santo Antônio da Platina - PR que, nos autos da Ação Civil Pública a n. 0001206-88.2017.8.16.0145, não homologou o Acordo de Não Persecução Civil n. 01/2021 realizado entre o Ministério Público do Estado do Paraná e o ora agravado Luciano Marcelo Dias Queiroz. O Tribunal de Justiça do Estado do Paraná, em cognição sumária, indeferiu a liminar pleiteada e, em análise ao agravo de instrumento, conheceu e negou provimento, nos termos da seguinte ementa (fls. 1.516-1532): AGRAVO DE INSTRUMENTO - AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA - DECISÃO AGRAVADA QUE ACOLHEU O PEDIDO DE DESISTÊNCIA DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CIVIL (ANPC) FORMULADO PELO ACUSADO, TODAVIA, APLICOU AO RÉU MULTA DE 2% SOBRE O VALOR DA CAUSA, POR ENTENDER QUE HOUVE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ EM RAZÃO DA RETRATAÇÃO MANIFESTADA PELA PARTE - IRRESIGNAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARANÁ - PRETENSÃO PARA QUE O ACORDO (ANPC) FEITO SEJA HOMOLOGADO PELO JUÍZO A QUO- NÃO ACOLHIMENTO - POSSIBILIDADE DE O ACUSADO SE RETRATAR ANTES DA HOMOLOGAÇÃO DO ACORDO - PEDIDO DE DESISTÊNCIA ANTERIOR À HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL - PRODUÇÃO DE EFEITOS NÃO CONCRETIZADA - PRECEDENTES DESTE TRIBUNAL DE JUSTIÇA -PLEITO PARA MAJORAÇÃO DA MULTA POR LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ APLICADA EM 2%, PARA 10% SOBRE O VALOR ATUALIZADO DA CAUSA -IMPOSSIBILIDADE - APARENTE AUSÊNCIA DE TEMERIDADE NA CONDUTA DO AGRAVADO - PRECEDENTES - REQUERIMENTO DE PREVENÇÃO - INEXISTÊNCIA DE CONEXÃO ENTRE AS DIVERSAS AÇÕES CIVIS PÚBLICAS AJUIZADAS - DECISÃO AGRAVADA MANTIDA - RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Opostos embargos de declaração (fls. 1556-1570), estes foram rejeitados (fls. 1608-1618). Irresignado, o Ministério Público do Estado do Paraná, interpôs recurso especial com fundamento no art. 105, inciso III, alínea "a", da Constituição Federal (fls. 1.628-1646) . No referido recurso sustenta violação ao artigo 1.022, inciso II, do Código de Processo Civil, vez que o Tribunal a quo teria sido omisso na análise da tese de que, à luz dos artigos 14, 104 e 849 do Código Civil, do artigo 81 do CPC, do art. 17, §1º, da Lei n. 8.429/92, o ato negocial perfectibilizado na vigência da legislação então vigente não poderia ser alcançado, retroativamente, pelas exigências que foram posteriormente trazidas pela Lei n. 14.230/21, sendo incabível a desistência unilateral do pacto, ainda que anterior à homologação judicial. Defende que foram violados os artigos 17, §1º, da Lei n. 8.429/92 e artigos 14, 104 e 849 do CC, tendo em vista que, ao negar provimento ao recurso interposto, aplicou as exigências do art. 17-B, §1º, inc. III, da Lei n. 8.429/1992 (Lei n. 14.230/2021), ao tempo em que o negócio jurídico sui generis - ANPC - já se encontrava consumado, existente, válido e eficaz, bem como permitiu, com fundamento na inovação legislativa, a desistência unilateral do acordo firmado entre as partes, ao arrepio da consolidada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Ainda, sustentou a existência de violação ao art. 14 do CPC, "o TJPR, ao negar provimento ao Agravo de Instrumento do Ministério Público, ignorou que o ANPC, ao tempo da homologação pelo CSMP, tornou-se existente, válido e eficaz, bem como que, de acordo com a jurisprudência do STJ, é descabida a desistência unilateral do pacto, mesmo antes da sua homologação judicial." (fls. 1642). Contrarrazões ao recurso especial (fls. 1.650-1665). Em juízo de admissibilidade, o Tribunal de Justiça do Estado do Paraná não admitiu o recurso especial (fls. 1.693-1696). Interposto agravo em recurso especial às fls. 1702-1718. Recurso contrarrazoado (fls. Devidamente intimado, o Ministério Público Federal, em parecer da lavra do Subprocurador-Geral da República Aurélio Virgílio Veiga Rios, na condição de custos legis, opinou pelo não provimento do agravo em recurso especial (fls. 1.783-1789), em parecer assim ementado: AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA POR ATO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. DESISTÊNCIA DE ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CÍVEL (ANPC) ANTES DA HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL. POSSIBILIDADE. PRODUÇÃO DE EFEITOS NÃO CONCRETIZADA. AUSÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. ANPC QUE PREVÊ A NECESSIDADE DA HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL PARA A PRODUÇÃO DE SEUS EFEITOS. FUNDAMENTO SUFICIENTE NÃO IMPUGNADO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 283/STF. PARECER PELO NÃO PROVIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. I - Não há o que falar em violação ao art. 1.022, II, do CPC/2015, visto que, do exame do acórdão recorrido, percebe-se que o Tribunal de origem apreciou, fundamentadamente, todas as questões necessárias à solução da controvérsia, inexistindo vício de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. II - O recorrente não impugnou fundamento suficiente para manter, por si só, o entendimento firmado no acórdão recorrido, qual seja: "o próprio ANPC, em sua cláusula 7ª, prevê que seus efeitos serão produzidos "quando da homologação do Conselho Superior do Ministério Público do Paraná e após homologação judicial no juízo das ações", o que não ocorreu no caso em análise." III - Inafastável, assim, a incidência da Súmula 283/STF, por analogia, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". IV - Parecer pelo não provimento do agravo em recurso especial. É o relatório. Decido. Da leitura do agravo em recurso especial, verifica-se que as suas teses se limitam, basicamente, às argumentações de afronta aos artigos 1.022, II, do Código de Processo Civil, aos artigos 1104 e 849 do Código Civil, art. 14 do CPC, art. 17, §1º, da Lei n. 8.429/92, defendendo, em apertada síntese, a existência de omissão no acórdão recorrido, a impossibilidade de desistência unilateral do acordo realizado, em confronto ao entendimento jurisprudencial consolidado pelo STJ, bem como a irretroatividade da alteração legislativa que impôs a homologação judicial como requisito do Acordo de Não Persecução Cível. A homologação judicial é ato imprescindível à materialização do Acordo de Não Persecução Cível, facultando-se às partes a desistência ou rejeição da proposta. Dessa forma, em que pese as alegações do ilustre membro do Ministério Público, a desistência do acordo, antes da sua homologação, impede a formalização do ato. Ademais, nota-se que na Cláusula 7ª do Acordo de Não Persecução Cível consta expressamente que o ANPC produzirá efeitos quando da homologação do Conselho Superior do Ministério Público do Paraná e após homologação judicial, vejamos: "Cláusula 7ª - O presente Acordo de Não Persecução Cível produzirá efeitos quando da homologação do Conselho Superior do Ministério Público do Paraná e após homologação judicial no juízo das ações devendo o cumprimento ocorrer no prazo de 15 (quinze) dias a contar da notificação pelo Ministério Público acerca da homologação, nos termos da Cláusula 2ª e seguintes, informando-se o compromissário ao Ministério Público sobre o pagamento de cada parcela até 05 (cinco) dias após o vencimento de cada uma, sob pena de caracterização de descumprimento do presente acordo." (mov. 1.80) (fl. 1358) Como bem ponderado pelo eminente Subprocurador-Geral da República Aurélio Virgílio Veiga Rios em seu abalizado parecer, a parte recorrente, em suas razões recursais, o recurso não merece ser conhecido: Da análise das razões recursais, observa-se que o recorrente não impugnou fundamento suficiente para manter, por si só, o entendimento firmado no acórdão recorrido, qual seja: "o próprio ANPC, em sua cláusula 7ª, prevê que seus efeitos serão produzidos "quando da homologação do Conselho Superior do Ministério Público do Paraná e após homologação judicial no juízo das ações", o que não ocorreu no caso em análise." (fl. 1531). Inafastável, assim, a incidência da Súmula 283/STF, por analogia, segundo a qual "é inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles".(fl. 1787-1788) A matéria não é inédita nesta Egrégia Corte de Justiça, que em processo diverso envolvendo o mesmo recorrido foi assentado que o acordo de não persecução cível depende de homologação judicial para produzir efeitos, vejamos acórdão da minha relatoria: PROCESSUAL CIVIL. DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO CIVIL. ART. 1.022, II, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ARTS. 104 E 849 DO CÓDIGO CIVIL. ART. 14 DO CPC. ART. 17, §1º, DA LEI N. 8.429/92. ART. 6º, CAPUT, §1º, DA LINDB. DESPROVIMENTO DO AGRAVO INTERNO. MANUTENÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. SÚMULA N. 283 DO STF. I - Na origem, trata-se de agravo de instrumento interposto contra decisão que, nos autos da Ação Civil Pública n. 0001465-18.2017.8.16.0102, não homologou o Acordo de Não Persecução Civil n. 01/2021. Objetivando a reforma e a suspensão da decisão agravada. No Tribunal a quo, negou-se provimento ao agravo de instrumento. II - Da leitura do recurso especial, verifica-se que as suas teses se limitam, basicamente, às argumentações de afronta ao art. 1.022, II, do Código de Processo Civil, aos arts. 104 e 849 do Código Civil, art. 14 do CPC, art. 17, §1º, da Lei n. 8.429/92 e ao art. 6º, caput, §1º, da LINDB. Acerca de tais alegações, vejamos os termos em que lançada a decisão proferida pelo Tribunal de origem (fls. 1.500-1.502). Como bem ponderado a parte, em suas razões recursais, deixou de impugnar os seguintes fundamentos: "(..) existência da Cláusula 7ª do Acordo de Não Persecução Cível, na qual consta expressamente que o ANPC somente produziria efeitos após a homologação do Conselho Superior do Ministério Público do Paraná e após homologação judicial."(fl. 1.718). Assim, diante do cotejo realizado entre as razões recursais e os fundamentos que deram amparo a decisão, incide, portanto, a normativa constante na Súmula n. 283 do Supremo Tribunal Federal. O referido verbete sumular é explícito a respeito da necessidade de serem impugnadas todas as razões de decidir, quando essas, singularmente consideradas, são capazes, como no presente caso, de manter o acórdão objurgado. Oportuno salientar que a aplicação analógica da súmula supramencionada ao recurso especial é entendimento pacífico nesta Corte. Nesse sentido: AgInt no AREsp 923.157/SP, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, julgado em 22/9/2016, DJe 4/10/2016; AgRg no AgRg no REsp 1.388.255/MG, relator Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 25/10/2016, DJe 8/11/2016; REsp n. 1.962.603/PE, relator Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, julgado em 6/6/2023, DJe de 15/8/2023. III - Agravo interno improvido (AgInt no REsp n. 2.162.808/PR, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, julgado em 19/2/2025, DJEN de 24/2/2025). Oportuno salientar que a aplicação analógica da Súmula supramencionada ao recurso especial é entendimento pacífico nesta Corte. Vejam-se os seguintes precedentes: ADMINISTRATIVO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE. DANO E DOLO EFETIVOS. ISONOMIA. TRANSCRIÇÕES DOS DEPOIMENTOS. SÚMULAS 283 E 284/STF; 7 E 83/STJ. REENQUADRAMENTO JURÍDICO DA CONDENAÇÃO. SÚMULA 356/STF. SEGUNDO RECURSO ESPECIAL, APÓS JUÍZO DE RETRATAÇÃO NEGATIVO. MERA COMPLEMENTAÇÃO QUANTO A FUNDAMENTOS EVENTUALMENTE ACRESCIDOS NO REEXAME DA CAUSA. IMPOSSIBILIDADE DE CORREÇÃO, ADITAMENTO OU EXPANSÃO DAS TESES RECURSAIS ANTERIORES. PRIMEIRO RECURSO ESPECIAL PROVIDO APENAS PARA AFASTAR MULTA POR INTUITO PROTELATÓRIO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SEGUNDO RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. 1. O agravo interno não demonstra efetiva impugnação dos fundamentos do acórdão recorrido aptos a sustentá-lo de forma autônoma, nem aponta a distinção entre seu caso e a jurisprudência, nem indica qual o dispositivo de lei federal daria suporte a sua tese recursal quanto à transcrição ou como seu recurso especial permitiria a alteração das conclusões fáticas por mera interpretação jurídica. Adequada aplicação das Súmulas 283 e 284/STF; 7 e 83/STJ. 2. O acórdão que julgou inicialmente a apelação não tratou da matéria na perspectiva da impossibilidade de requalificação jurídica da imputação, suscitada no recurso especial. A parte apenas questionou, nos respectivos embargos de declaração, a suposta ausência de provas dos elementos objetivos e subjetivos do tipo, mas não a possibilidade ou impossibilidade de o enquadramento jurídico ser alterado no acórdão. Incidência da Súmula 356/STF. 3. O segundo recurso especial, após juízo negativo de retratação pelo tribunal local, só é cabível na forma de complementação, abordando eventuais novos fundamentos acrescidos pela origem em relação às matérias objeto do juízo de retratação. A via não se presta a corrigir o recurso especial original, acrescentar-lhe capítulos ou argumentos, notadamente quanto a matérias não submetidas ao reexame do julgado e que já foram ou deviam ter sido objeto do primeiro recurso especial. A reanálise da causa à luz de precedentes vinculantes não se confunde com rejulgamento amplo da apelação. 4. No caso dos autos, o acórdão não expandiu sua fundamentação, limitando-se a reconhecer que o julgado reexaminado à luz do Tema 1.199/STF afirmava a existência de dolo e dano efetivos. A presença ou ausência desses elementos deveria ter sido discutida no recurso especial de origem, porque esses fundamentos já estavam presentes naquele julgado. Tanto assim que efetivamente o foram, embora sem sucesso ante a incidência dos óbices acima elencados. 5. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp n. 1.842.368/RS, relator Ministro Afrânio Vilela, Segunda Turma, julgado em 18/2/2025, DJEN de 21/2/2025.) PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. FUNDAMENTO DA CORTE DE ORIGEM NÃO ATACADO NAS RAZÕES DO RECURSO ESPECIAL. SÚMULA 283/STF. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. INCIDÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. PROVIMENTO NEGADO. 1. Não se conhece de recurso especial que não rebate fundamento autônomo e suficiente à manutenção do acórdão proferido, incidindo na espécie, por analogia, o óbice da Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal (STF). 2. A ausência de enfrentamento no acórdão recorrido da matéria impugnada, objeto do recurso, impede o acesso à instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento. Incidência, por analogia, das Súmulas 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal (STF). 3. É pacífico o entendimento desta Corte Superior de que os mesmos óbices impostos à admissão do recurso pela alínea a do permissivo constitucional impedem a análise recursal pela alínea c, ficando prejudicada a apreciação do dissídio jurisprudencial referente ao mesmo dispositivo de lei federal apontado como violado ou à tese jurídica. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp n. 1.946.896/SP, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, julgado em 26/8/2024, DJe de 2/9/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 932, III, do Código de Processo Civil e no art. 253, parágrafo único, I, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA