REsp 2103596 - DECISAO
O acórdão recorrido está em conformidade com a literalidade do art. 28-A, caput e IV, do CPP, que atribui ao juízo da execução a competência para determinar a destinação dos valores da prestação pecuniária previstos no ANPP; a constitucionalidade do dispositivo foi confirmada pelo STF na ADI 6.305/DF, e o...
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- Parties
- Recorrente: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 March 2024
- Procedural Posture
- Recurso Especial / Decisão (nego Provimento)
- Outcome
- recurso especial negar provimento
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Prestação Pecuniária, Competência Do Juízo Da Execução, Constitucionalidade Do Art. 28 a, IV, Do CPP, Súmula 568/stj
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Parties
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Recorrente
Procedural Posture
Recurso Especial / Decisão (nego Provimento)
Legal Issues
- 1 Competência do juízo da execução para determinar a destinação dos valores arrecadados com a prestação pecuniária prevista no ANPP
- 2 Se o art. 28-A, IV, do CPP viola o princípio acusatório ao permitir que o juiz determine a destinação da prestação pecuniária
Ratio Decidendi
O acórdão recorrido está em conformidade com a literalidade do art. 28-A, caput e IV, do CPP, que atribui ao juízo da execução a competência para determinar a destinação dos valores da prestação pecuniária previstos no ANPP; a constitucionalidade do dispositivo foi confirmada pelo STF na ADI 6.305/DF, e o entendimento consolidado desta Corte (Quinta Turma) afasta a alegação de violação do princípio acusatório, razão pela qual o recurso especial foi negado provimento.
Court Disposition
recurso especial negar provimento
Orders
- Nego provimento ao recurso especial
- Publique-se. Intimem-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de recurso especial interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, no qual se insurge contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS, assim ementado (e-STJ, fls. 249-254): "RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP) - DESTINAÇÃO DA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA- COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO - RECURSO MINISTERIAL DESPROVIDO". Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ, fls. 295-300). Em suas razões recursais, a parte recorrente aponta violação do art. 28-A, IV, do CPP. Aduz para tanto, em síntese, que o referido dispositivo foi impugnado em sede de ADI perante o STF, por violar o princípio acusatório, "ao permitir que o Juiz de Direito, fora da arena do litígio, defina a destinação de valores de prestação pecuniária ajustada pelo Ministério Público por meio do instrumento do Acordo de não Persecução Penal" (e-STJ, fl. 317). Alega que o Judiciário não poderia alterar as cláusulas do ANPP, cabendo-lhe apenas homologá-lo ou não. Com contrarrazões (e-STJ, fls. 331-334), o recurso especial foi admitido na origem (e-STJ, fls. 340-341). Remetidos os autos a esta Corte Superior, o MPF manifestou-se pelo desprovimento do recurso (e-STJ, fls. 425-431 ). É o relatório. Decido. A insurgência é improcedente em seu mérito. Consoante recentemente decidido pela Quinta Turma deste STJ, não fere o art. 28-A, IV, do CPP, o acórdão que determina caber ao juízo da execução decidir sobre a destinação dos valores arrecadados com o ANPP, mesmo porque é exatamente isso que manda a redação legal. Eis a ementa do acórdão, que desproveu o recurso especial da mesma parte ora recorrente: "PROCESSO PENAL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. DESTINAÇÃO DOS VALORES DA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA. COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO PENAL. ART. 28-A, IV, DO CPP. CONSTITUCIONALIDADE DO DISPOSITIVO LEGAL. ADI 6.305/DF. AGRAVO CONHECIDO PARA NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL. 1. O art. 28-A, caput e IV, do CPP estabelece que, em casos nos quais o investigado confesse formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça, com pena mínima inferior a 4 anos e não havendo arquivamento do caso, o Ministério Público pode propor acordo de não persecução penal. Tal acordo pode incluir o pagamento de prestação pecuniária, cujo destino será determinado pelo juízo da execução penal, preferencialmente a uma entidade pública ou de interesse social que proteja bens jurídicos semelhantes aos lesados pelo delito. 2. A literalidade da norma de regência indica que, embora caiba ao Ministério Público a propositura do ANPP, a partir da ponderação da discricionariedade do Parquet como titular da ação penal, compete ao Juízo da Execução a escolha da instituição beneficiária dos valores, de modo que o acórdão combatido não viola o disposto no art. 28-A, IV, do CPP, mas com ele se conforma. 3. O Supremo Tribunal Federal recentemente abordou o assunto na ADI 6.305/DF, cujo registro de decisão foi divulgado em 31/8/2023. Na decisão unânime, a Corte Suprema declarou a constitucionalidade do art. 28-A, seus subitens III, IV, e os parágrafos 5º, 7º e 8º, todos do CPP, os quais foram adicionados pela Lei 13.964/2019. Agora, não há mais dúvidas quanto à necessidade de cumprimento dessas disposições legais. 4. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial". (AREsp n. 2.419.790/MG, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 15/2/2024.) As razões do recurso especial, na realidade, mostram que o Parquet estadual discorda da decisão tomada pelo legislador, que conferiu ao juízo da execução o poder-dever de deliberar a respeito da destinação dos valores. O recorrente, na realidade, questiona o próprio acerto ou desacerto da escolha legislativa em si, mas nem sequer demonstra como o Tribunal local teria descumprido o art. 28-A, IV, do CPP ao simplesmente aplicá-lo. Assim, estando o acórdão recorrido em sintonia com o entendimento desta Corte Superior, a Súmula 568/STJ obsta o acolhimento da insurgência recursal. Ante o exposto, com fundamento no art. 255, § 4º, II, do Regimento Interno do STJ, nego provimento ao recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA