HC 941512 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido porque a impetração substitui recurso próprio, haveria supressão de instância ao conhecer-se da matéria não debatida ou decidida na origem, e houve preclusão consumativa por ausência de provocação da parte; por tais razões e com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ, a...
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- Parties
- Paciente: ANA CLAUDIA APARECIDA DE SOUZA; Órgão Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 September 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Liminar Indeferida E Não Conhecimento Do Writ
- Outcome
- liminar indeferida; habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Retroatividade, Preclusão, Supressão De Instância, Competência, Liminar
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Parties
ANA CLAUDIA APARECIDA DE SOUZA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Órgão Recorrido
Procedural Posture
Habeas Corpus / Liminar Indeferida E Não Conhecimento Do Writ
Legal Issues
- 1 aplicação retroativa do art. 28-A do CPP
- 2 direito ao Acordo de Não Persecução Penal (ANPP)
- 3 preclusão consumativa por ausência de provocação
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido porque a impetração substitui recurso próprio, haveria supressão de instância ao conhecer-se da matéria não debatida ou decidida na origem, e houve preclusão consumativa por ausência de provocação da parte; por tais razões e com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do STJ, a liminar foi indeferida e o writ não conhecido.
Court Disposition
liminar indeferida; habeas corpus não conhecido
Orders
- Indeferida a liminar.
- Publique-se.
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de ANA CLAUDIA APARECIDA DE SOUZA, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA no julgamento dos Embargos de Declaração na Apelação Criminal n. 5003413-34.2021.8.24.0008. Extrai-se dos autos que a paciente foi condenada à pena de 8 meses de detenção, no regime inicial aberto, pela prática do crime tipificado no art. 133, § 3º, do Código Penal - CP, sendo a pena privativa de liberdade substituída por restritiva de direitos, consistente na prestação de serviços à comunidade. O Tribunal de origem negou provimento à apelação interposta pela paciente, e, após, rejeitou os embargos de declaração, em acórdão que restou assim ementado (fl. 13): "EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CRIMINAL. ALEGADA OMISSÃO INDIRETA NO ACÓRDÃO. PLEITEADO O RECONHECIMENTO DA NECESSIDADE DE OFERECIMENTO DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. TESE NÃO ARGUIDA NAS RAZÕES RECURSAIS. INVIABILIDADE DE CONHECIMENTO. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. EMBARGOS NÃO CONHECIDOS." No presente writ, a defesa sustenta que a paciente faz jus ao Acordo de Não Persecução Penal, na medida em que atende aos requisitos estabelecidos pelo art. 28-A do Código de Processo Penal - CPP. Ressalta que os preceitos fixados no referido dispositivo, após o advento da Lei n. 13.964/2019, devem ser aplicados retroativamente, ainda que recebida a denúncia ou proferida sentença condenatória, consoante a recente jurisprudência do Supremo Tribunal Federal - STF sobre o tema. Requer, em liminar e no mérito, a concessão da ordem para que seja anulado o acórdão recorrido, a fim de que o Tribunal converta o julgamento em diligência e determine a intimação do Ministério Público, para oferecer o Acordo de Não Persecução Penal em favor da paciente. É o relatório. Decido. Diante da hipótese de habeas corpus substitutivo de recurso próprio, a impetração não deve ser conhecida, segundo orientação jurisprudencial do Supremo Tribunal Federal e do próprio Superior Tribunal de Justiça. Ademais, a possibilidade de análise da matéria para eventual concessão da ordem de ofício não se mostra adequada ao presente caso. Da atenta leitura do acórdão impugnado verifica-se que o Tribunal de origem não se manifestou expressamente sobre a possibilidade de aplicação retroativa do disposto no art. 28-A do CPP, com conversão do julgamento em diligência para intimação do parquet, a fim de que fosse oferecido o ANPP. A bem da verdade, a preclusão a que se referiu o Tribunal catarinense foi de natureza consumativa, ou seja, por ausência de provocação da própria parte para que a Corte se manifestasse acerca do tema, e não sobre o momento preclusivo dirigido ao Ministério Público para o oferecimento do acordo. Desse modo, resta afastada a competência desta Corte Superior para conhecimento do feito, sob pena de incorrer em indevida supressão de instância. Nesse sentido: PENAL. PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ILEGALIDADE INEXISTENTE. OMISSÃO DEVE SER QUESTIONADA VIA EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. SUPRESSÃO. AINDA QUE NULIDADE ABSOLUTA. DESÍGNIOS AUTONOMOS. ABSORÇÃO. REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. INVIABILIDADE NA VIA DO WRIT. AUSÊNCIA DE ARGUMENTOS NOVOS APTOS A ALTERAR A DECISÃO AGRAVADA. AGRAVO DESPROVIDO. I - É assente nesta Corte Superior de Justiça que o agravo regimental deve trazer novos argumentos capazes de alterar o entendimento anteriormente firmado, sob pena de ser mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos. II - Ainda que a Defesa alegue que houve o prequestionamento implícito, porquanto ventilou a questão nas peças de defesa, todavia, ante a não manifestação daquela Corte, caberia o manejo dos embargos de declaração, aptos a prequestionar a matéria. III - Ausente manifestação do Tribunal sobre a questão de fundo também ora vindicada, incabível a análise de tal matéria, no presente habeas corpus, porquanto está configurada a absoluta supressão de instância quanto ao ponto debatido, ficando impedida esta Corte de proceder à sua análise. IV - A instância ordinária, diante do conjunto fático-probatório dos autos, concluiu por provas suficientes à condenação pelos 2 (dois) delitos, como sendo autônomos, bem como a defesa não logrou demonstrar o contrário. V - É iterativa a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça no sentido de ser imprópria a via do habeas corpus (e do seu recurso) para a análise de teses de insuficiência probatória, de negativa de autoria ou até mesmo de desclassificação, em razão da necessidade de incursão no acervo fático-probatório. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 823.044/DF, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 18/12/2023, DJe de 20/12/2023.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. ROUBO CIRCUNSTANCIADO. WRIT IMPETRADO CONTRA CONDENAÇÃO TRANSITADA EM JULGADO. SUCEDÂNEO DE REVISÃO CRIMINAL. INADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE JULGAMENTO DE MÉRITO NESTA CORTE. INCOMPETÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. TEMAS NÃO DEBATIDOS PELA CORTE DE ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. TEMAS DEBATIDOS EM CONSONÂNCIA COM O ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. 1. Não deve ser conhecido o writ que se volta contra sentença condenatória já transitada em julgado, manejado como substitutivo de revisão criminal, em hipótese na qual não houve inauguração da competência desta Corte Superior. Nos termos do art. 105, I, e, da Constituição Federal, compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, as revisões criminais e as ações rescisórias de seus julgados. Precedentes. 2. A Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça "é pacífica no sentido de que, ainda que se trate de matéria de ordem pública, é imprescindível o seu prévio debate na instância de origem para que possa ser examinada por este Tribunal Superior (AgRg no HC 530.904/PR, Rel. Ministro JORGE MUSSI, Quinta Turma, julgado em 24/9/2019, DJe de 10/10/2019) - (AgRg no HC n. 726.326/CE, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 28/3/2022). 3. Quanto aos temas efetivamente debatidos pela Corte de origem, verifica-se que não há qualquer ilegalidade flagrante a ser sanada, na medida em que o acórdão objurgado se encontra em consonância com a jurisprudência desta Corte, no sentido de que as condenações alcançadas pelo período depurador de 5 anos, previsto no art. 64, inciso I, do Código Penal, afastam os efeitos da reincidência, mas não impedem a configuração de maus antecedentes, permitindo, assim, o aumento da pena-base; bem como de que para a incidência da causa de aumento relativa ao emprego de arma de fogo, dispensável a apreensão e perícia da arma, desde que o emprego do artefato fique comprovado por outros meios de prova. Precedentes. 3. Agravo regimental improvido. (AgRg no HC n. 842.953/SP, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 6/2/2024, DJe de 8/2/2024.) Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA