REsp 2056925 - DECISAO
Tendo sido fixadas teses no Tema n. 1.098 do STJ que oportunizam a celebração do ANPP e reconhecem a retroatividade do art. 28-A do CPP, o relator tornou sem efeito a decisão agravada e determinou a devolução dos autos ao tribunal de origem para que sejam adotadas as providências necessárias para adequação do...
Source-derived case information.
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 22 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental Em Recurso Especial / Decisão Que Torna Sem Efeito a Decisão Agravada E Determina Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Adequação Às Teses Do Tema N. 1.098 Do STJ
- Outcome
- Decisão que torna sem efeito a decisão agravada e determina a devolução dos autos ao tribunal de origem para adequação às teses do Tema n. 1.098 do STJ
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Retroatividade Da Norma Penal Benéfica, Tema 1.098 Do STJ, Art. 28 a Do Código De Processo Penal, Devolução Ao Tribunal De Origem, Precedente Vinculante
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Procedural Posture
Agravo Regimental Em Recurso Especial / Decisão Que Torna Sem Efeito a Decisão Agravada E Determina Devolução Dos Autos Ao Tribunal De Origem Para Adequação Às Teses Do Tema N. 1.098 Do STJ
Legal Issues
- 1 Possibilidade de celebração de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) posteriormente ao recebimento da denúncia
- 2 Aplicação retroativa do art. 28-A do CPP em benefício do réu
- 3 Obrigação do Ministério Público de manifestar-se motivadamente sobre o cabimento do ANPP em processos em andamento na data-limite
Ratio Decidendi
Tendo sido fixadas teses no Tema n. 1.098 do STJ que oportunizam a celebração do ANPP e reconhecem a retroatividade do art. 28-A do CPP, o relator tornou sem efeito a decisão agravada e determinou a devolução dos autos ao tribunal de origem para que sejam adotadas as providências necessárias para adequação do processo a essas teses, garantindo, quando cabível, a oportunidade de celebração do ANPP antes do trânsito em julgado e a manifestação motivada do Ministério Público sobre seu cabimento.
Court Disposition
Decisão que torna sem efeito a decisão agravada e determina a devolução dos autos ao tribunal de origem para adequação às teses do Tema n. 1.098 do STJ
Orders
- Torno sem efeito a decisão agravada
- Determino, independentemente de prazo, a devolução dos autos à origem para adequação do presente processo às teses fixadas no Tema n. 1.098 do STJ, especialmente quanto à possibilidade de aplicação retroativa do art. 28-A do Código de Processo Penal
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo regimental em recurso especial interposto contra a decisão que conheceu em parte do recurso especial e nesta parte, negou provimento. Ao apreciar a questão da "(im)possibilidade de acordo de não persecução penal posteriormente ao recebimento da denúncia", objeto do Tema n. 1.098 dos recursos repetitivos, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça fixou as seguintes teses (destaquei): 1 - O Acordo de Não Persecução Penal constitui um negócio jurídico processual penal instituído por norma que possui natureza processual, no que diz respeito à possibilidade de composição entre as partes com o fim de evitar a instauração da ação penal, e, de outro lado, natureza material em razão da previsão de extinção da punibilidade de quem cumpre os deveres estabelecidos no acordo (art. 28-A, § 13, do Código de Processo Penal (CPP). 2 - Diante da natureza híbrida da norma, a ela deve se aplicar o princípio da retroatividade da norma pena benéfica (art. 5º, XL, da CF), pelo que é cabível a celebração de Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado da condenação. 3 - Nos processos penais em andamento em 18/09/2024 (data do julgamento do HC n. 185.913/DF, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal), nos quais seria cabível em tese o ANPP, mas ele não chegou a ser oferecido pelo Ministério Público ou não houve justificativa idônea para o seu não oferecimento, o Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou mediante provocação do magistrado da causa, deverá, na primeira oportunidade em que falar nos autos, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ou não do acordo no caso concreto. 4 - Nas investigações ou ações penais iniciadas a partir de 18/09/2024, será admissível a celebração de ANPP antes do recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de propositura do acordo, no curso da ação penal, se for o caso. (REsp n. 1.890.344/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024.) A solução em questão, como denotam as teses fixadas, foi adotada em sintonia com o que entendeu o Supremo Tribunal Federal ao julgar o HC n. 185.931/DF, fixando teses sobre a matéria. No caso dos autos, afiguram-se presentes os parâmetros legais abstratos que viabilizam a discussão de acordo de não persecução penal, independentemente da matéria alegada no recurso especial ou do conteúdo do acórdão recorrido. Conforme fixado no mencionado recurso repetitivo, a solução consensual deve ser ao menos oportunizada, inclusive por provocação do Poder Judiciário, em todos os processos que não tenham transitado em julgado até o dia 18/9/2024 nos quais não tenha havido proposta de acordo ou fundamentação idônea para o seu não oferecimento pelo Ministério Público, exceto se tiver havido expressa manifestação de desinteresse do réu. Devem, portanto, ser adotadas as providências necessárias ao cumprimento das determinações fixadas no Tema n. 1.098 do STJ, assim dispondo o Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça - RISTJ, quanto ao tratamento de processos aos quais seja aplicável conclusão adotada em precedente vinculante: Art. 34. São atribuições do relator: .. XXIV - determinar a devolução ao Tribunal de origem dos recursos especiais fundados em controvérsia idêntica àquela já submetida ao rito de julgamento de casos repetitivos para adoção das medidas cabíveis; (Incluído pela Emenda Regimental n. 24, de 2016.) A previsão em questão atende à legislação processual, devendo o Tribunal de origem adotar as providências necessárias para dar cumprimento às conclusões alcançadas em precedente qualificado, que deve ser observado por juízes e tribunais (art. 927, III, do Código de Processo Civil). Ante o exposto, torno sem efeito a decisão agravada e determino, independentemente de prazo, a devolução dos autos à origem para adequação do presente processo às teses fixadas no Tema n. 1.098 do STJ, especialmente quanto à possibilidade de aplicação retroativa do art. 28-A do Código de Processo Penal. Havendo acordo, fica prejudicado o recurso de competência do Superior Tribunal de Justiça. Caso esgotadas as providências cabíveis na instância de origem sem que seja firmado o ajuste, deverá o feito ser restituído a esta Corte Superior. Ressalto que a eventual pretensão da defesa de ver esgotada a apreciação do recurso pendente neste Superior Tribunal de Justiça só pode ser acolhida em caso de prévia e expressa manifestação acerca do desinteresse em discutir o possível acordo de não persecução penal, pois o referido instituto, por sua natureza pré-processual, só pode ser cogitado antes da apreciação do recurso pendente. Publique-se. EMENTA