AREsp 2598515 - DECISAO
Verificados os pressupostos legais para a celebração do ANPP (ausência de violência ou grave ameaça, pena mínima inferior a 4 anos, não reincidência em crime doloso e possibilidade de confissão formal), determinou-se a suspensão do feito nesta instância e do curso do prazo prescricional e a remessa dos autos ao...
Source-derived case information.
- Parties
- Embargante: WELTON DANIEL DOS SANTOS; Embargante: JOÃO BATISTA DOS SANTOS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 03 September 2025
- Procedural Posture
- Embargos De Declaração / Decisão
- Outcome
- Determino a suspensão do feito nesta instância, suspensão do curso do prazo prescricional e remessa dos autos ao juízo de origem para que oficie o promotor de justiça natural da causa para análise fundamentada da viabilidade do oferecimento do acordo de não persecução penal, cabendo ao juízo a homologação do acordo,...
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Art. 28 a Do CPP, Retroatividade De Norma Penal Benéfica, Suspensão Do Processo, Suspensão Do Prazo Prescricional, Remessa Ao Ministério Público
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
WELTON DANIEL DOS SANTOS
Embargante
JOÃO BATISTA DOS SANTOS
Embargante
Procedural Posture
Embargos De Declaração / Decisão
Legal Issues
- 1 Necessidade de abertura de vista ao Ministério Público para análise de viabilidade de Acordo de Não Persecução Penal (ANPP)
- 2 Aplicação retroativa do art. 28-A do CPP a processos em curso na data da vigência da Lei nº 13.964/2019
- 3 Cabimento do ANPP mesmo sem confissão prévia quando preenchidos os requisitos
Ratio Decidendi
Verificados os pressupostos legais para a celebração do ANPP (ausência de violência ou grave ameaça, pena mínima inferior a 4 anos, não reincidência em crime doloso e possibilidade de confissão formal), determinou-se a suspensão do feito nesta instância e do curso do prazo prescricional e a remessa dos autos ao juízo de origem para que oficie o promotor natural, a fim de que analise fundamentadamente a viabilidade do oferecimento do acordo, cabendo ao juízo a homologação, se for o caso.
Court Disposition
Determino a suspensão do feito nesta instância, suspensão do curso do prazo prescricional e remessa dos autos ao juízo de origem para que oficie o promotor de justiça natural da causa para análise fundamentada da viabilidade do oferecimento do acordo de não persecução penal, cabendo ao juízo a homologação do acordo,...
Orders
- Determino a suspensão do feito nessa instância.
- Suspensão do curso do prazo prescricional.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de embargos de declaração opostos por WELTON DANIEL DOS SANTOS e por JOÃO BATISTA DOS SANTOS em face de acórdão que negou provimento ao agravo regimental interposto (fls. 3473-3475). Em razões recursais, a defesa sustenta remanescer omissão no acórdão impugnado, ao argumento de que não foi enfrentada a questão de ordem relativa à necessidade de abertura de vista ao Ministério Público para análise da viabilidade de oferecimento de ANPP. Pondera que o dissídio jurisprudencial foi devidamente comprovado. Requer o acolhimento dos aclaratórios, com atribuição de efeitos infringentes (fls. 3480-3489). É o relatório. DECIDO. Os autos devem ser encaminhados para análise de viabilidade de celebração de acordo de não persecução penal. Prevê o art. 28-A. do CPP, que: "Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime", mediante o cumprimento de condições a serem ajustadas entre as partes. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o leading case, no HC n.185.913/DF, fixou tese vinculante segundo a qual "É cabível a celebração de Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vigência da Lei nº 13.964, de 2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado". Na esteira do sobredito julgamento, a Terceira Seção deste STJ, ao julgar o Tema Repetitivo 1098, fixou entendimento no sentido de que: "RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. NORMA DE CONTEÚDO HÍBRIDO (PROCESSUAL E PENAL). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A PROCESSOS EM CURSO NA DATA DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 13.964/2019, DESDE QUE AINDA NÃO TRANSITADA EM JULGADO A CONDENAÇÃO. MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL DESTA CORTE. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DESPROVIDO. 1. Recurso representativo de controvérsia, para atender ao disposto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e na Resolução STJ n. 8/2008. 2. Delimitação da controvérsia: "(im)possibilidade de acordo de não persecução penal posteriormente ao recebimento da denúncia". 3. TESE: 3.1 - O Acordo de Não Persecução Penal constitui um negócio jurídico processual penal instituído por norma que possui natureza processual, no que diz respeito à possibilidade de composição entre as partes com o fim de evitar a instauração da ação penal, e, de outro lado, natureza material em razão da previsão de extinção da punibilidade de quem cumpre os deveres estabelecidos no acordo (art. 28-A, § 13, do Código de Processo Penal - CPP). 3.2 - Diante da natureza híbrida da norma, a ela deve se aplicar o princípio da retroatividade da norma penal benéfica (art. 5º, XL, da CF), pelo que é cabível a celebração de Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado da condenação. 3.3 - Nos processos penais em andamento em 18/09/2024 (data do julgamento do HC n. 185.913/DF pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal), nos quais seria cabível em tese o ANPP, mas ele não chegou a ser oferecido pelo Ministério Público ou não houve justificativa idônea para o seu não oferecimento, o Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou mediante provocação do magistrado da causa, deverá, na primeira oportunidade em que falar nos autos, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ou não do acordo no caso concreto. 3.4 - Nas investigações ou ações penais iniciadas a partir de 18/09/2024, será admissível a celebração de ANPP antes do recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de propositura do acordo, no curso da ação penal, se for o caso. .. (REsp n. 1.890.344/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024.) Fixadas as premissas acima, verifico que os requerentes atendem aos pressupostos legais do benefício, porque (i) o crime pelos quais foram condenados não envolveu violência ou grave ameaça; (ii) a pena mínima cominada ao tipo penal é inferior a 4 (quatro) anos; (iii) os requerentes não são reincidentes em crime doloso e (iv) é possível a confissão formal dos acusados. Pelo exposto, determino a suspensão do feito nessa instância, bem como a suspensão do curso do prazo prescricional, devendo os autos ser remetidos ao Juízo de origem, para que oficie o promotor de justiça natural da causa, a quem compete analisar, fundamentadamente, a viabilidade do oferecimento do acordo de não persecução penal na espécie, cabendo àquele Juízo a homologação do acordo, em sendo o caso. Publique-se. Intimem-se. EMENTA