AREsp 2428979 - ACORDAO
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o recorrente não impugnou o fundamento decisivo do acórdão recorrido (ausência de confissão que impediu o ANPP), incorrendo nas Súmulas 283 e 284/STF, e não exerceu no momento oportuno o procedimento previsto no art. 28-A, § 14, do CPP para a remessa ao órgão especial.
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- Parties
- Agravante: LUIZ GONZAGA SOARES PINTO; Agravado: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO TOCANTINS
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 15 February 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Negar Provimento Ao Agravo Regimental
- Outcome
- Agravo regimental desprovido
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Súmulas 283 E 284/stf, Preclusão Consumativa, Art. 28 a, § 14, Do CPP, Inércia Defensiva
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Parties
LUIZ GONZAGA SOARES PINTO
Agravante
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO TOCANTINS
Agravado
Procedural Posture
Agravo Regimental No Agravo Em Recurso Especial / Decisão Colegiada Negar Provimento Ao Agravo Regimental
Legal Issues
- 1 Incidência das Súmulas 283 e 284/STF por ausência de impugnação aos fundamentos do acórdão recorrido
- 2 Aplicabilidade do art. 28-A, § 14, do CPP quanto ao pedido de remessa ao órgão especial pela defesa
- 3 Requisito da confissão para celebração do ANPP e sua relevância no caso concreto
Ratio Decidendi
Negou-se provimento ao agravo regimental porque o recorrente não impugnou o fundamento decisivo do acórdão recorrido (ausência de confissão que impediu o ANPP), incorrendo nas Súmulas 283 e 284/STF, e não exerceu no momento oportuno o procedimento previsto no art. 28-A, § 14, do CPP para a remessa ao órgão especial.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Daniela Teixeira e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES DE TRÂNSITO. ANPP. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS 283 E 284/STF. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INÉRCIA DEFENSIVA QUANTO À PROVIDÊNCIA DO ART. 28-A, § 14, DO CPP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A falta de impugnação aos fundamentos do acórdão recorrido atrai a incidência das Súmulas 283 e 284/STF. 2. Se a defesa discordava da opção ministerial pelo não oferecimento do ANPP, deveria ter se valido do procedimento previsto no art. 28-A, § 14, do CPP no momento processual oportuno, o que não fez. 3. "Caso em que, por cota à denúncia, o Ministério Público apresentou fundamentação acerca do não preenchimento dos requisitos legais para a realização do acordo de não persecução penal, oportunidade em que, após a citação, a defesa poderia exercer o direito de remessa dos autos ao órgão especial, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP" (AgRg no REsp n. 2.006.770/RN, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/9/2022, DJe de 19/9/2022). 4. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO O EXMO. SR. MINISTRO RIBEIRO DANTAS (Relator): Trata-se de agravo regimental interposto por LUIZ GONZAGA SOARES PINTO, contra decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial (e-STJ, fls. 262-264). A parte agravante aduz, em síntese, que: (I) a falta de confissão não impediria a celebração do ANPP; e (II) o recurso especial teria impugnado adequadamente os fundamentos do acórdão recorrido e indicado os dispositivos de lei federal tidos por violados, o que afastaria a incidência das Súmulas 283 e 284/STF. Pede, ao final, o provimento do agravo regimental, para prover também o recurso especial. É o relatório. AgRg no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 2.428.979 - TO (2023/0274041-9) RELATOR : MINISTRO RIBEIRO DANTAS AGRAVANTE : LUIZ GONZAGA SOARES PINTO ADVOGADO : DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO TOCANTINS AGRAVADO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO TOCANTINS EMENTA PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRIMES DE TRÂNSITO. ANPP. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS 283 E 284/STF. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. INÉRCIA DEFENSIVA QUANTO À PROVIDÊNCIA DO ART. 28-A, § 14, DO CPP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A falta de impugnação aos fundamentos do acórdão recorrido atrai a incidência das Súmulas 283 e 284/STF. 2. Se a defesa discordava da opção ministerial pelo não oferecimento do ANPP, deveria ter se valido do procedimento previsto no art. 28-A, § 14, do CPP no momento processual oportuno, o que não fez. 3. "Caso em que, por cota à denúncia, o Ministério Público apresentou fundamentação acerca do não preenchimento dos requisitos legais para a realização do acordo de não persecução penal, oportunidade em que, após a citação, a defesa poderia exercer o direito de remessa dos autos ao órgão especial, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP" (AgRg no REsp n. 2.006.770/RN, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/9/2022, DJe de 19/9/2022). 4. Agravo regimental desprovido. VOTO O EXMO. SR. MINISTRO RIBEIRO DANTAS (Relator): Apesar das alegações da parte agravante, razão não lhe assiste. Com efeito, embora a defesa afirme que o MP/TO não teria apresentado fundamentos para o oferecimento de denúncia (em vez do ANPP), não é isso que consta no acórdão recorrido. Para o Tribunal local, a recusa do Parquet quanto à celebração do acordo decorreu de ausência de cumprimento de um dos requisitos legais - a confissão - por parte do réu, como se vê à fl. 141 (e-STJ): "Ademais, como bem pontuou o recorrente, a norma é clara que o acordo de não persecução penal será possível quando o investigado confessar formal e circunstancialmente a prática da infração penal sem violência ou grave ameaça, situação que não se aplica a hipótese dos Autos, tendo em vista que o investigado não confessou a prática do crime." Isso não é abordado pela defesa no recurso especial, que trata de um quadro fático dissociado daquele constatado pelo Tribunal local e ignora esse aspecto da fundamentação do aresto impugnado. Essa evidente deficiência na formulação das razões recursais atrai a incidência das Súmulas 283 e 284/STF, como já se pronunciou o STJ: "PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONSTRIÇÃO DE BENS. FALTA DE IMPUGNAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS 283 E 284/STF. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DO DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL TIDO POR VIOLADO. NOVA INCIDÊNCIA DA SÚMULA 284/STF. SEQUESTRO DO DECRETO-LEI 3.240/1941. PRESCINDIBILIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA ORIGEM ILÍCITA DOS BENS. PRECEDENTES. PROTEÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA. INAPLICABILIDADE. RESSALVA DO ART. 3º, VI, DA LEI 8.009/1990. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A falta de combate aos fundamentos do acórdão recorrido atrai a incidência das Súmulas 283 e 284/STF. .. 5. Agravo regimental desprovido". (AgRg no REsp n. 1.923.283/PR, de minha relatoria, Quinta Turma, julgado em 5/10/2021, DJe de 13/10/2021.) Outrossim, se a defesa discorda da opção ministerial, deveria ter se valido do procedimento previsto no art. 28-A, § 14, do CPP no momento processual oportuno, o que encontra amparo na jurisprudência deste STJ: "PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. NÃO OFERECIMENTO. PODER-DEVER DO MINISTÉRIO PÚBLICO. FUNDAMENTAÇÃO. NOTIFICAÇÃO PRÉVIA AO INVESTIGADO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que compete ao Ministério Público avaliar, fundamentadamente, se é cabível, no caso concreto, propor o acordo de não persecução penal, previsto no art. 28-A do CPP, não se constituindo o referido negócio jurídico pré-processual direito subjetivo do investigado, mas poder-dever do órgão de acusação. 2. Embora o §14 do art. 28-A do CPP disponha que o investigado, diante da recusa do Ministério Público em oferecer o acordo, possa requerer a remessa dos autos ao órgão superior, na forma do art. 28 do CPP, inexiste previsão normativa sobre o momento em que o investigado deva ser cientificado do não oferecimento de ANPP, não havendo obrigação de o Ministério Público expedir notificação prévia, ao oferecimento da denúncia, de que não o oferecerá Precedentes do STJ. 3. Caso em que, por cota à denúncia, o Ministério Público apresentou fundamentação acerca do não preenchimento dos requisitos legais para a realização do acordo de não persecução penal, oportunidade em que, após a citação, a defesa poderia exercer o direito de remessa dos autos ao órgão especial, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP. 4. Agravo regimental improvido". (AgRg no REsp n. 2.006.770/RN, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/9/2022, DJe de 19/9/2022.) Ante o exposto, nego provimento ao agravo regimental. É o voto.