HC 912479 - DECISAO
O habeas corpus não foi conhecido por esta Corte porque o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ originário; aplica-se a Súmula 691/STF que veda conhecimento de HC contra indeferimento liminar proferido em outra instância salvo flagrante ilegalidade, e não se constatou flagrante ilegalidade; assim,...
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- Parties
- Paciente: ANA AUREA FONSECA CARDOSO RODRIGUES
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 May 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Indeferimento Liminar Pelo Superior Tribunal De Justiça
- Outcome
- Indeferimento liminar do habeas corpus
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Remessa Ao Órgão Superior Do Ministério Público (art. 28 a, §14, Cpp), Aplicação Da Súmula 691/stf
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Parties
ANA AUREA FONSECA CARDOSO RODRIGUES
Paciente
Procedural Posture
Habeas Corpus / Indeferimento Liminar Pelo Superior Tribunal De Justiça
Legal Issues
- 1 Cabimento de habeas corpus contra decisão que indeferiu liminar em outro writ
- 2 Necessidade de demonstrar flagrante ilegalidade para superar a Súmula 691/STF
- 3 Remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público para oferecimento do ANPP (art. 28-A, §14, CPP)
Ratio Decidendi
O habeas corpus não foi conhecido por esta Corte porque o tribunal de origem ainda não julgou o mérito do writ originário; aplica-se a Súmula 691/STF que veda conhecimento de HC contra indeferimento liminar proferido em outra instância salvo flagrante ilegalidade, e não se constatou flagrante ilegalidade; assim, indefiro liminarmente o pedido com fundamento no art. 21-E, IV, c/c art. 210 do RISTJ.
Court Disposition
Indeferimento liminar do habeas corpus
Orders
- Indefiro liminarmente o presente habeas corpus.
- Cientifique-se o Ministério Público Federal.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de ANA AUREA FONSECA CARDOSO RODRIGUES em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 0806496-11.2024.8.14.0000. Consta dos autos que a paciente foi denunciada pela suposta prática do delito capitulado no art. 88, caput, da Lei n. 13.146/2015, c/c o art. 70 do Código Penal. Diante da negativa do parquet de oferta do acordo de não persecução penal, a defesa solicitou a remessa dos autos ao órgão superior do Ministério Público, nos termos do art. 28-A, § 14, do CPP, o qual deixou de se manifestar, ocasião em que o juízo de origem indeferiu o pleito e deu continuidade ao processo. Em suas razões, sustenta o impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, uma vez que a decisão que indeferiu a referida remessa ao órgão de instância superior do MP encontra-se despida de fundamentação idônea. Aduz que o paciente preenche todos os requisitos necessários para a propositura do ANPP. Requer, assim, liminarmente, a suspensão da ação penal, bem como da audiência de instrução e julgamento designada para o dia 10/05/2024, até o julgamento definitivo do presente writ. No mérito, pugna pela cassação da decisão que ratificou o recebimento da denúncia, com a declaração de nulidade de todos os atos processuais a partir do "recebimento da exordial, determinando-se a remessa dos autos à PGJ do Ministério Público do Estado do Pará, para fins de revisão e oferecimento do ANPP, nos termos do art. 28-A, § 14 c.c. art. 28, caput, ambos do CPP" (fl. 18). É, no essencial, o relatório. Decido. Constata-se, desde logo, que a pretensão não pode ser acolhida por esta Corte Superior, pois a matéria não foi examinada pelo tribunal de origem, que ainda não julgou o mérito do writ originário. Aplica-se à hipótese o enunciado 691 da Súmula do STF: Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus contra decisão do relator que, em habeas corpus requerido a Tribunal Superior, indefere a liminar. Confiram-se, a propósito, os seguintes precedentes: AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. .. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO QUE INDEFERIU LIMINAR NO TRIBUNAL A QUO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA n. 691/STF. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DA CONDUTA. PRISÃO DOMICILIAR. AUSÊNCIA DE PROVA INEQUÍVOCA DE QUE O RÉU ESTEJA EXTREMAMENTE DEBILITADO. EXCESSO DE PRAZO NA FORMAÇÃO DA CULPA. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem compreensão firmada no sentido de não ser cabível habeas corpus contra decisão que indefere o pleito liminar em prévio mandamus, a não ser que fique demonstrada flagrante ilegalidade. Inteligência do verbete n. 691 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 2. .. 3. .. 4. A demora ilegal não resulta de um critério aritmético, mas de aferição realizada pelo julgador, à luz dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, levando em conta as peculiaridades do caso concreto, de modo a evitar retardo injustificado na prestação jurisdicional. 5. .. 6. Ausência de flagrante ilegalidade a justificar a superação da Súmula 691 do STF. 7. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 778.187/PE, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 8/11/2022, DJe de 16/11/2022.) AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. PETIÇÃO INICIAL IMPETRADA CONTRA DECISÃO INDEFERITÓRIA DE LIMINAR PROFERIDA EM HABEAS CORPUS PROTOCOLADO NA ORIGEM, CUJO MÉRITO AINDA NÃO FOI JULGADO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INEXISTÊNCIA DE TERATOLOGIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUPERAÇÃO DO ÓBICE PROCESSUAL REFERIDO NA SÚMULA N. 691 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. WRIT INCABÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO. 1. Em regra, não se admite habeas corpus contra decisão denegatória de liminar proferida em outro writ na instância de origem, salvo nas hipóteses em que se evidenciar situação absolutamente teratológica e desprovida de qualquer razoabilidade (por forçar o pronunciamento adiantado da Instância Superior e suprimir a jurisdição da Inferior, em subversão à regular ordem de competências). Na espécie, não há situação extraordinária que justifique a reforma da decisão em que se indeferiu liminarmente a petição inicial. 2. .. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 763.329/SP, relatora Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 14/9/2022, DJe de 27/9/2022.) In casu, não visualizo manifesta ilegalidade a autorizar que se excepcione a aplicação do referido verbete sumular, pois tratam-se de matérias sensíveis e que demandam maior reflexão, sendo prudente, portanto, aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus impetrado no tribunal de origem antes de eventual intervenção desta Corte Superior. Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente habeas corpus. Cientifique-se o Ministério Público Federal. Publique-se. Intimem-se. EMENTA