REsp 2107646 - ACORDAO
O recurso foi negado porque, conforme o entendimento predominante do STJ, o art. 28-A do CPP é norma processual cuja retroatividade não alcança processos em que a denúncia já havia sido recebida antes da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019; no caso concreto, a denúncia foi recebida em 13/12/2018, anterior à...
Source-derived case information.
- Parties
- Agravante: VANDERLAN MACHADO
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 19 June 2024
- Procedural Posture
- Agravo Regimental No Recurso Especial / Decisão Colegiada Agravo Regimental Desprovido
- Outcome
- Agravo regimental desprovido; recurso especial conhecido e desprovido.
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Retroatividade, Art. 28 a, Caput, Do CPP, Lei N. 13.964/2019
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
VANDERLAN MACHADO
Agravante
Procedural Posture
Agravo Regimental No Recurso Especial / Decisão Colegiada Agravo Regimental Desprovido
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa do art. 28-A, caput, do Código de Processo Penal (possibilidade de oferecimento de ANPP a processos com denúncia já recebida)
- 2 Alegada violação do art. 28-A, caput, do CPP
Ratio Decidendi
O recurso foi negado porque, conforme o entendimento predominante do STJ, o art. 28-A do CPP é norma processual cuja retroatividade não alcança processos em que a denúncia já havia sido recebida antes da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019; no caso concreto, a denúncia foi recebida em 13/12/2018, anterior à vigência da norma em 23/1/2020, impedindo a aplicação retroativa do ANPP.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido; recurso especial conhecido e desprovido.
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão agravada por seus próprios fundamentos.
Full Case Text
Judgment text and source record
2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em sessão virtual de 11/06/2024 a 17/06/2024, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Messod Azulay Neto e Daniela Teixeira votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Ribeiro Dantas. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E DESPROVIDO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 28-A, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL - ANPP. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA RECEBIDA ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI N. 13.964/2019. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Na hipótese dos autos, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina - TJSC entendeu pela impossibilidade de oferecimento de ANPP ao agravante, tendo em vista que a celebração do referido acordo é inviável aos processos penais cuja denúncia já tenha sido recebida antes da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019. 2. Tal posicionamento vai ao encontro do entendimento prevalente nesta Corte, adotado por ambas as turmas de direito criminal, no sentido de que o art. 28-A, caput, do Código de Processo Penal, introduzido pela Lei n. 13.964/2019, é norma de natureza processual e, portanto, sua retroatividade deve alcançar somente os processos em que não houve o recebimento da denúncia até a data da entrada em vigor do referido diploma legal. 3. No caso analisado, a denúncia foi recebida em 13/12/2018, antes, portanto, da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, ocorrida somente em 23/1/2020, não havendo falar-se, pois, em aplicação retroativa do ANPP. 4. Agravo regimental desprovido.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por VANDERLAN MACHADO contra decisão de minha lavra de fls. 369/375, em que conheci do recurso especial para, com fundamento na Súmula n. 568 do Superior Tribunal de Justiça - STJ, negar-lhe provimento. No presente regimental (fls. 383/387), o agravante sustenta nulidade na decisão agravada, em aplicação do art. 315, § 2º, VI do Código de Processo Penal - CPP, por ela não ter seguido jurisprudência oriunda do Supremo Tribunal Federal - STF, a qual vai ao encontro da aplicação retroativa do art. 28-A, caput, do CPP, e, portanto, da possibilidade de oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal - ANPP. Alega que o referido dispositivo legal é norma de natureza híbrida e que deve sempre retroagir quando for benéfica, em respeito ao direito fundamental inscrito no art. 5º, XL, da Constituição Federal - CF, conforme dispõe a jurisprudência atual do STF. Requer, assim, a reconsideração da decisão agravada ou a submissão do agravo regimental para julgamento do órgão colegiado. É o relatório. EMENTA PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E DESPROVIDO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART. 28-A, CAPUT, DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL - CPP. NÃO OCORRÊNCIA. APLICAÇÃO RETROATIVA DO ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL - ANPP. IMPOSSIBILIDADE. DENÚNCIA RECEBIDA ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI N. 13.964/2019. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Na hipótese dos autos, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina - TJSC entendeu pela impossibilidade de oferecimento de ANPP ao agravante, tendo em vista que a celebração do referido acordo é inviável aos processos penais cuja denúncia já tenha sido recebida antes da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019. 2. Tal posicionamento vai ao encontro do entendimento prevalente nesta Corte, adotado por ambas as turmas de direito criminal, no sentido de que o art. 28-A, caput, do Código de Processo Penal, introduzido pela Lei n. 13.964/2019, é norma de natureza processual e, portanto, sua retroatividade deve alcançar somente os processos em que não houve o recebimento da denúncia até a data da entrada em vigor do referido diploma legal. 3. No caso analisado, a denúncia foi recebida em 13/12/2018, antes, portanto, da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, ocorrida somente em 23/1/2020, não havendo falar-se, pois, em aplicação retroativa do ANPP. 4. Agravo regimental desprovido. VOTO O recurso não merece provimento, porquanto o agravante não trouxe nenhum argumento apto a ensejar a reforma do juízo monocrático, razão pela qual fica mantida a decisão agravada por seus próprios fundamentos. Conforme exposto, o Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina - TJSC entendeu pela impossibilidade de oferecimento de ANPP ao agravante, tendo em vista que a celebração do referido acordo para processos penais em curso é reservada àqueles cuja denúncia tenha sido recebida após a entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019. Embora não se ignore os precedentes do STF em sentido contrário, frisa-se que o entendimento que ainda prevalece nesta Corte, adotado por ambas as turmas de direito criminal, é no sentido de que o art. 28-A, caput, do Código de Processo Penal -CPP, introduzido pela Lei n. 13.964/2019, é norma de natureza processual, cuja retroatividade deve alcançar somente os processos pré-existentes à lei em que ainda não tenha havido o recebimento da denúncia até a data de entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019. Vejam-se precedentes (grifos nossos): PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. ICMS DECLARADO E NÃO PAGO. ANPP. APLICAÇÃO RETROATIVA. NÃO POSSIBILIDADE. DENÚNCIA RECEBIDA. INÉPCIA DA DENÚNCIA. SUPERVENIÊNCIA DE SENTENÇA CONDENATÓRIA. SÚMULA N. 83 DO STJ. ABSOLVIÇÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. CONDUTA TÍPICA. CONTUMÁCIA E DOLO DE APROPRIAÇÃO. DOZE AÇÕES DELITIVAS EM SEQUÊNCIA. SÚMULA N. 83 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A superveniência de sentença ou acórdão condenatórios inviabiliza a análise do reconhecimento de inépcia da denúncia. Precedentes. A pretensão é inviável pelo entendimento da Súmula n. 83 do STJ. 2. O STJ, por ambas as turmas de direito criminal, unificou entendimento de que o art. 28-A do Código de Processo Penal, introduzido pela Lei n. 13.964/2019 (Pacote Anticrime), é norma de natureza processual cuja retroatividade deve alcançar somente os processos em que não houve o recebimento da denúncia. Na hipótese, a denúncia foi recebida em 24/7/2019, antes, portanto, da vigência do art. 28-A do CPP. .. 5. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp n. 2.113.576/SC, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 29/4/2024, DJe de 2/5/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS SUBSTITUTIVO DE RECURSO ORDINÁRIO. CRIME DE FURTO QUALIFICADO. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP). RECEBIMENTO DA DENÚNCIA EM MOMENTO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI N. 13.964/2019. NEGATIVA DE OFERECIMENTO DO ACORDO PELO PROMOTOR DE JUSTIÇA, ANTE A AUSÊNCIA DE REQUISITO SUBJETIVO. RATIFICAÇÃO PELO ÓRGÃO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. FUNDAMENTAÇÃOCONCRETA. IMPOSSIBILIDADE DE O PODER JUDICIÁRIO AVALIAR A PERTINÊNCIA DA MOTIVAÇÃO APRESENTADA PELO PARQUET. PRECEDENTES DO STJ. AUSÊNCIA DE FLAGRANTE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Como é de conhecimento, A jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça é de que o acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei n. 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia à data de sua vigência. Precedentes (AgRg no HC n. 827.202/SC, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 22/9/2023). 2. No caso dos autos, o delito foi cometido em 2013 e a denúncia recebida antes da entrada em vigor da norma que introduziu o ANPP - Lei n. 13.964/2019, que passou a vigorar em 23/1/2020. Assim, cumpre destacar, de plano, que não haveria possibilidade de oferecimento do acordo de não persecução penal, conforme o atual entendimento desta Corte Superior, quando já recebida a denúncia antes da vigência da referida Lei. Soma-se a isso o fato de que a condenação do paciente transitou em julgado no dia 19/7/2021, mas apenas em 12/9/2023 a nova defesa requereu que fosse oportunizada ao Ministério Público a análise do feito para fins de propositura do acordo de não persecução penal. 3. Ainda que assim não fosse, é cediço que o acordo de não persecução penal não constitui direito subjetivo do investigado, podendo ser proposto pelo Ministério Público conforme as peculiaridades do caso concreto e quando considerado necessário e suficiente para a reprovação e a prevenção da infração penal. .. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no HC 872940/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe de 15/12/2023.) No caso analisado, a denúncia foi recebida em 13/12/2018 (fl. 43), antes, portanto, da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, ocorrida somente em 23/ 1/2020, não havendo falar-se, pois, em aplicação retroativa do ANPP. Ante o exposto, voto pelo desprovimento do agravo regimental.