AREsp 2524017 - DECISAO
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial porque o ANPP não se aplica retroativamente quando já houve o recebimento da denúncia e sentença condenatória confirmada nas instâncias ordinárias; alternativamente, mesmo sob a orientação da Segunda Turma do STF, o recorrente não formulou o pedido na primeira...
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- Parties
- Recorrente: LUIZ HENRIQUE DA SILVA PARENTE
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 08 August 2024
- Procedural Posture
- Processo Penal / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
- Outcome
- Agravo conhecido e negado provimento
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Retroatividade, Artigo 28 a Do CPP, Preclusão/boa Fé Objetiva
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Parties
LUIZ HENRIQUE DA SILVA PARENTE
Recorrente
Procedural Posture
Processo Penal / Agravo Contra Decisão Que Não Admitiu Recurso Especial
Legal Issues
- 1 Aplicação retroativa do ANPP
- 2 Momento processual de cabimento do ANPP (pré-processual)
- 3 Efeito do recebimento da denúncia sobre a retroatividade
Ratio Decidendi
Conheço do agravo e nego provimento ao recurso especial porque o ANPP não se aplica retroativamente quando já houve o recebimento da denúncia e sentença condenatória confirmada nas instâncias ordinárias; alternativamente, mesmo sob a orientação da Segunda Turma do STF, o recorrente não formulou o pedido na primeira oportunidade após a vigência do art. 28-A, ficando precluso.
Court Disposition
Agravo conhecido e negado provimento
Orders
- Conheço do agravo
- Nego provimento ao recurso especial
Full Case Text
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1 paragraphs
DECISÃO Agrava-se da decisão que não admitiu o recurso especial interposto por LUIZ HENRIQUE DA SILVA PARENTE, com fundamento nas alíneas "a" e "c" do permissivo constitucional, contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, assim ementado (e-STJ fl. 280): PROCESSO PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP). APLICAÇÃO RETROATIVA DO ARTIGO 28-A DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL APÓS RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E SENTENÇA DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. SENTENÇA MANTIDA PELOS SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. A condenação do apelante pelo delito de tráfico de entorpecentes se deu por meio de sentença legitimamente fundamentada no conjunto fático-probatório que instrui os autos, por meio do qual se verifica a configuração da materialidade e autoria delitivas. 2. A tese defensiva de aplicação retroativa do Acordo de Não Persecução Penal após recebimento da denúncia e sentença condenatória de mérito não se compatibiliza com o o instituto. 3. Cumpre rememorar que sua finalidade é evitar o início da demanda processual, devendo ser firmado em fase pré-processual e, não se reveste de boa-fé o apelante em querer se valer da sua omissão, para após a prolação da sentença primeva se manifestar. 4. Apelação criminal conhecida e desprovida, em consonância com o Graduado Órgão Ministerial. Nas razões do recurso especial, alega a parte recorrente violação do artigo 28-A, do Código de Processo Penal. Sustenta, em síntese, a possibilidade de aplicação retroativa do benefício do Acordo de Não Persecução Penal - ANPP.. Apresentadas as contrarrazões (e-STJ fls. 314/326), o Tribunal a quo não admitiu o recurso especial (e-STJ fls. 327/328). O Ministério Público Federal, instado a se manifestar nesta instância, opinou pelo não provimento do recurso (e-STJ fls. 375/378). É o relatório. Decido. Acerca da aplicação retroativa do ANPP, sabe-se que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do HC n. 191.464/SC, de relatoria do Ministro ROBERTO BARROSO (DJe 18/9/2020) - que invocou os precedentes do HC n. 186.289/RS, Relatora Ministra CARMEN LÚCIA (DJe 1º/6/2020), e do ARE n. 1.171.894/RS, Relator Ministro MARCO AURÉLIO (DJe 21/2/2020) -, externou a impossibilidade de fazer-se incidir o ANPP quando já existente condenação, conquanto ela ainda esteja suscetível de impugnação. Abaixo a ementa do referido acórdão: Direito penal e processual penal. Agravo regimental em habeas corpus. Acordo de não persecução penal (art. 28-A do CPP). Retroatividade até o recebimento da denúncia. 1. A Lei nº 13.964/2019, no ponto em que institui o acordo de não persecução penal (ANPP), é considerada lei penal de natureza híbrida, admitindo conformação entre a retroatividade penal benéfica e o tempus regit actum. 2. O ANPP se esgota na etapa pré-processual, sobretudo porque a consequência da sua recusa, sua não homologação ou seu descumprimento é inaugurar a fase de oferecimento e de recebimento da denúncia. 3. O recebimento da denúncia encerra a etapa pré-processual, devendo ser considerados válidos os atos praticados em conformidade com a lei então vigente. Dessa forma, a retroatividade penal benéfica incide para permitir que o ANPP seja viabilizado a fatos anteriores à Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia. 4. Na hipótese concreta, ao tempo da entrada em vigor da Lei nº 13.964/2019, havia sentença penal condenatória e sua confirmação em sede recursal, o que inviabiliza restaurar fase da persecução penal já encerrada para admitir-se o ANPP. 5. Agravo regimental a que se nega provimento com a fixação da seguinte tese: "o acordo de não persecução penal (ANPP) aplica-se a fatos ocorridos antes da Lei nº 13.964/2019, desde que não recebida a denúncia" (HC 191464 AgR, Rel. Ministro ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 11/11/2020, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-280 DIVULG 25/11/2020, PUBLIC 26/11/2020). No mesmo sentido, ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção deste Superior Tribunal de Justiça alinharam a compreensão de que a retroatividade do art. 28-A, do CPP, introduzido pela Lei n. 13.964/2019, se revela incompatível com o propósito do instituto, quando já recebida a denúncia e já encerrada a prestação jurisdicional nas instâncias ordinárias, estando o feito sentenciado, como na espécie. Precedentes: AgRg no HC n. 872.940/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 12/12/2023, DJe 15/12/2023; AgRg no HC n. 827.202/SC, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe 22/9/2023; AgRg no REsp n. 2.090.942/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 12/9/2023, DJe 18/9/2023; AgRg no REsp n. 1.960.357/PE, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, Sexta Turma, julgado em 28/8/2023, DJe 30/8/2023; AgRg no AREsp n. 2.249.126/SC, Rel. Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, Quinta Turma, julgado em 6/6/2023, DJe 12/6/2023; AgRg no HC 648.864/MS, Rel. Ministro OLINDO MENEZES (DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), Sexta Turma, julgado em 15/6/2021, DJe 18/6/2021; AgRg no REsp 1840572/PR, Rel. Ministra LAURITA VAZ, Sexta Turma, julgado em 20/4/2021, DJe 30/4/2021; AgRg no REsp 1898529/RS, Rel. Ministro RIBEIRO DANTAS, Quinta Turma, julgado em 9/3/2021, DJe 15/3/2021; AgRg no REsp 1882601/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, Quinta Turma, julgado em 9/3/2021, DJe 12/3/2021; AgRg no HC 629.225/SC, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Quinta Turma, julgado em 23/2/2021, DJe 1º/3/2021; EDcl no AgRg no AgRg no AREsp 1635787/SP, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, Quinta Turma, julgado em 4/8/2020, DJe 13/8/2020. Ademais, não se desconhece que a matéria atinente à retroatividade do Acordo de Não Persecução Penal - ANPP se encontra afetada ao Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do HC n. 185.913/DF, pendente de julgamento, e que a Segunda Turma do STF, em recentes julgados, divergindo do entendimento da Primeira Turma, vem reiteradamente decidindo pela possibilidade de se admitir a aplicação da benesse a processos iniciados antes da vigência da Lei n. 13.964/2019, ainda em curso, desde que ainda não tenha ocorrido o trânsito em julgado da condenação. De qualquer sorte, ainda que apreciada a controvérsia posta nos presentes autos à luz da orientação jurisprudencial firmada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (pela possibilidade de aplicação retroativa do ANPP, mesmo havendo sentença condenatória em grau de recurso), consoante entendimento sedimentado pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, o acusado somente fará jus à análise do ANPP se houver apresentado o pleito na primeira oportunidade de intervenção nos autos após a data de vigência do art. 28-A, do CPP, sob pena de estabilização da controvérsia por meio dos efeitos preclusivos do comportamento omisso, em observância aos princípios da boa-fé objetiva e da cooperação processual, o que não ocorreu na hipótese ora apreciada. A propósito: EMENTA Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. Matéria criminal. Acordo de não persecução penal (ANPP). Tema afetado ao Pleno (HC nº 185.913/DF). Divergência entre as Turmas da Suprema Corte. Possibilidade de aplicação a processos iniciados antes da vigência da Lei nº 13.964/19 (desde que ainda não transitados em julgado). Precedentes da Segunda Turma. Necessidade de formulação do pedido de análise do ANPP na primeira oportunidade de intervenção nos autos após a data de vigência do art. 28-A do CPC. Não ocorrência de preclusão no caso concreto. Regimental não provido. 1. A despeito da divergência entre as Turmas da Suprema Corte, tendo em vista a pendência de julgamento pelo Plenário do HC nº 185.913/DF (Rel. Min. Gilmar Mendes), mantém-se a recente jurisprudência da Segunda Turma, a qual decide reiteradamente pela possibilidade de aplicação retroativa do ANPP, mesmo havendo sentença condenatória em grau de recurso. Precedentes. 2. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (HC 232672 AgR, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 19-12-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 6/3/2024 PUBLIC 7/3/2024). - grifei Agravo regimental no habeas corpus. 2. A Segunda Turma tem entendimento no sentido de que o ANPP é possível a processos ainda em curso até o trânsito em julgado, isto é, com sentença que ainda não transitou em julgado. 3. O acusado somente tem direito desde que tenha formulado o pedido de análise do ANPP na primeira oportunidade de intervenção nos autos após a data de vigência do art. 28-A do CPC sic , sob pena de estabilização da controvérsia por meio dos efeitos preclusivos do comportamento omisso, em observância da boa-fé objetiva e do princípio da cooperação processual. 4. Agravo não provido. (HC 231789 AgR, Rel. Ministro GILMAR MENDES, Segunda Turma, julgado em 18/10/2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 23/10/2023 PUBLIC 24/10/2023). - grifei Na hipótese dos autos, o ora recorrente somente postulou a aplicação do ANPP após a sentença de mérito, já em embargos de declaração, protocolizado em 24/9/2021 (e-STJ fl. 208), não obstante a Lei n. 13.964/2019 já se encontrasse em vigor desde 23/1/2020, contexto que reforça a impossibilidade de acolhimento do pleito. Ante o exposto, conheço do agravo para negar provimento ao recurso especial. Intimem-se. EMENTA