HC 933571 - DECISAO
Não conhecer do habeas corpus por ter sido impetrado após o trânsito em julgado da condenação, de modo que o writ configuraria tentativa de substituição da revisão criminal, o que importaria supressão de instância; além disso, a defesa não suscitou a possibilidade de ANPP no momento processual adequado, e o STJ não...
Source-derived case information.
- Parties
- Paciente: JOÃO PAULO HOLANDA MARQUES JUSSARA; Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ; Manifestante Nos Autos: MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 04 November 2024
- Procedural Posture
- Habeas Corpus / Impetrado Após Trânsito Em Julgado; Liminar Indeferida; Habeas Corpus Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
- Outcome
- habeas corpus não conhecido
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Trânsito Em Julgado, Revisão Criminal, Supressão De Instância, Competência Do Superior Tribunal De Justiça, Habeas Corpus
Source-derived case record
Summary, issues, holding and outcome
More case intelligence is available
Unlock the full research layer for this judgment.
Parties
JOÃO PAULO HOLANDA MARQUES JUSSARA
Paciente
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ
Órgão Prolator Do Acórdão Recorrido
MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
Manifestante Nos Autos
Procedural Posture
Habeas Corpus / Impetrado Após Trânsito Em Julgado; Liminar Indeferida; Habeas Corpus Não Conhecido (decisão De Não Conhecimento)
Legal Issues
- 1 cabimento do habeas corpus após trânsito em julgado
- 2 possibilidade de oferecimento do ANPP após o trânsito em julgado
- 3 uso do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal
Ratio Decidendi
Não conhecer do habeas corpus por ter sido impetrado após o trânsito em julgado da condenação, de modo que o writ configuraria tentativa de substituição da revisão criminal, o que importaria supressão de instância; além disso, a defesa não suscitou a possibilidade de ANPP no momento processual adequado, e o STJ não tem competência para processar revisão de acórdãos de instância estadual, nos termos do art. 105, I, e, da CF e de precedentes citados.
Court Disposition
habeas corpus não conhecido
Orders
- Liminar indeferida
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de habeas corpus com pedido liminar impetrado em favor de JOÃO PAULO HOLANDA MARQUES JUSSARA contra acórdão prolatado pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARÁ. Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado às penas de 1 ano e 8 meses de reclusão em regime aberto e de pagamento de 13 dias-multa, como incurso na sanção do art. 140, § 3º, c/c o art. 141, III, ambos do Código Penal, substituída a pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Irresignada, a defesa interpôs recurso de apelação, por meio do qual buscava a absolvição do paciente ou o redimensionamento da pena. O Tribunal de origem deu parcial provimento ao recurso, para reduzir a pena imposta ao paciente para 1 ano e 4 meses de reclusão, mantidos os demais termos da sentença. A defesa opôs embargos de declaração, nos quais inovou o pedido, alegando a ocorrência de violação do art. 28-A do Código de Processo Penal, e dos embargos não se conheceu. A condenação transitou em julgado, antes da impetração do presente writ, conforme admitido pelo próprio impetrante à fl. 6 da petição inicial. A ação penal originária foi arquivada definitivamente no dia 18/12/2023 conforme consulta ao sítio eletrônico da Corte estadual. No presente writ, o impetrante sustenta a ocorrência de constrangimento ilegal, consubstanciado na ausência de oferecimento do Acordo de Não Persecução Penal - ANPP. Alega que o paciente confessou a prática do crime e pediu a remessa dos autos ao Ministério Público antes do trânsito em julgado da condenação. Requer, ao final, a concessão da ordem para que seja determinada a suspensão dos efeitos da condenação e da execução penal, além da remessa dos autos ao Ministério Público para análise da possibilidade de oferecimento do ANPP. A liminar foi indeferida às fls. 51-52 e as informações foram prestadas às fls. 57-62. O Ministério Público Federal manifestou-se pelo não conhecimento do writ e pela não concessão da ordem de ofício no parecer de fls. 67-73. É o relatório. Como relatado, o presente writ foi impetrado após o trânsito em julgado da condenação. Portanto, pretende-se utilizar o habeas corpus como substitutivo da revisão criminal, o que não é autorizado, uma vez que não há flagrante ilegalidade que autorize a pretendida supressão de instância. A defesa não requereu a análise da possibilidade de oferecimento do ANPP durante a instrução processual nem nas razões do recurso de apelação, optando por apresentar a tese nos embargos de declaração, inadequados para tal fim, e não apresentou o pedido por nenhum outro meio às instâncias ordinárias, antes ou depois do trânsito em julgado da condenação. Consoante dispõe o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência do Superior Tribunal de Justiça para julgar revisão criminal é limitada às hipóteses de revisão de seus próprios julgados, o que não é o caso dos autos, nos quais se pretende que esta Corte julgue originariamente revisão criminal de condenação transitada em julgado proferida Tribunal estadual. Nesse sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PENA-BASE. MATÉRIA NÃO DEBATIDA NA ORIGEM. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. CONSUMAÇÃO DO CRIME. PRÁTICA DE QUALQUER ATO DE LIBIDINAGEM OFENSIVO À DIGNIDADE SEXUAL DA VÍTIMA. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE VESTÍGIOS NO LAUDO PERICIAL. IRRELEVÂNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. .. 2. Por força do art. 105, I, "e", da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados. Por se tratar de habeas corpus substitutivo de via processual específica, não compete a esta Corte analisar os fundamentos de apelação transitada em julgado, a qual deve ser objeto de recurso interposto na origem, a fim de evitar inadmissível subversão de competência. Cabia à defesa trazer seus argumentos relativos à diminuição da reprimenda-base na ação revisional e depois impetrar o habeas corpus, a fim de possibilitar o exame da matéria por este Superior Tribunal, o que não fez. .. (AgRg no HC n. 914.206/RJ, Sexta Turma, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, DJe de 15/8/2024.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NULIDADE. BUSCA PESSOAL E DOMICILIAR. IMPETRAÇÃO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO DA CONDENAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INCOMPETÊNCIA DESSA CORTE SUPERIOR. WRIT SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. 1. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento segundo o qual: "o advento do trânsito em julgado impossibilita a admissão do writ, visto que o conhecimento de habeas corpus em substituição à revisão criminal subverte o sistema de competências constitucionais, transferindo a análise do feito de órgão estadual para este Tribunal Superior" (AgRg no HC n. 789.984/GO, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 20/4/2023). 2. De acordo com o art. 105, I, e, da Constituição Federal, a competência desta Corte para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, o que não ocorre no presente caso, em que se insurge a defesa contra acórdão proferido pela instância antecedente, no julgamento de apelação criminal, cujo trânsito em julgado ocorreu em 28/9/2022. 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 876.697/MG, Sexta Turma, relator Ministro Jesuíno Rissato - Desembargador convocado do TJDFT, DJe de 16/8/2024.) Consoante referido acima, a ação penal de que se cuida transitou em julgado em 18 de dezembro de 2023, enquanto a presente impetração foi manejada em 1º /8/2024. Não se mostra cabível, assim, a postulação de oferecimento de acordo de não persecução penal, pois realizada após o trânsito em julgado da condenação. Observa-se, a propósito, o que ficou decidido pelo Supremo Tribunal Federal no HC n. 185.913, Tribunal Pleno, relator Ministro Gilmar Mendes, DJe de 18/9/2024: Compete ao membro do Ministério Público oficiante, motivadamente o no exercício do seu poder dever, avaliar o preenchimento dos requisitos para negociação e celebração do ANPP, sem prejuízo do regular exercício dos controles jurisdicional e interno. É cabível a celebração do ANPP em casos de processo em andamento quando da entrada em vigência da Lei 13.964/2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado. Nos processos penais em andamento na data da proclamação do resultado deste julgamento, nos quais em tese seja cabível a negociação de ANPP, se este ainda não foi oferecido ou não houve motivação para o seu não oferecimento, o Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou mediante provocação do magistrado da causa deverá, na primeira oportunidade em que falar nos autos, após a publicação da ata deste julgamento, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ao não do acordo. Nas investigações ou ações penais iniciadas a partir da proclamação do resultado deste julgamento, a proposição de ANPP pelo Ministério Público, ou a motivação para o seu não oferecimento, devem ser apresentadas antes do recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de propositura pelo órgão ministerial no curso da ação penal, se for o caso. Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus. Publique-se. Intimem-se. EMENTA