AREsp 2722720 - DECISAO
Conheceu-se do agravo; o recurso especial foi conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento, pois entendeu-se que: a recusa do ANPP foi devidamente fundamentada pela ausência de confissão formal e pela existência de outro processo indicativo de conduta habitual; não houve comprovação de quebra da cadeia de...
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- Parties
- Agravante/recorrente: ISRAEL GOMES GUIMARAES JUNIOR
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 30 January 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Mérito
- Outcome
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Cadeia De Custódia, Princípio Da Insignificância, Princípio Da Congruência, Porte/posse De Arma De Fogo E Munição, Súmula 7/stj, Súmula 284/stf
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Parties
ISRAEL GOMES GUIMARAES JUNIOR
Agravante/recorrente
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Conhecimento E Mérito
Legal Issues
- 1 Negativa de oferecimento do ANPP e requisitos do art. 28-A do CPP
- 2 Quebra da cadeia de custódia (art. 158-A do CPP)
- 3 Aplicação do princípio da insignificância em crime de porte/posse de munição e arma (Lei 10.826/2003)
Ratio Decidendi
Conheceu-se do agravo; o recurso especial foi conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento, pois entendeu-se que: a recusa do ANPP foi devidamente fundamentada pela ausência de confissão formal e pela existência de outro processo indicativo de conduta habitual; não houve comprovação de quebra da cadeia de custódia que maculasse as provas; o princípio da insignificância é inaplicável diante do porte de arma e das munições apreendidas; e a alegação de violação ao princípio da congruência não foi conhecida por falta de indicação precisa de dispositivos federais, sendo também vedado o reexame das provas pela Súmula 7/STJ.
Court Disposition
Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e, nessa extensão, negado provimento.
Orders
- Agravo conhecido; recurso especial conhecido em parte e negado provimento nessa extensão.
- Publique-se.
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DECISÃO Trata-se de agravo contra a decisão que inadmitiu o recurso especial interposto por ISRAEL GOMES GUIMARAES JUNIOR com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional, em oposição a acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO, assim ementado (e-STJ, fls. 497 - 512): "Apelação criminal. Denúncia que imputou ao Apelante a prática da conduta tipificada no art. 14 da Lei n.º 10.826/03 c/c o art. 61, II, "j" do Código Penal. Pretensão acusatória julgada parcialmente procedente. Irresignação defensiva. Nulidade da sentença. Ausência de oferecimento de acordo de não-persecução penal. Preliminar de mérito. Inocorrência. Ausência de confissão do acusado. Pendência de investigação acerca da suposta prática de um crime de roubo tentado antes da prisão em flagrante pelo delito de porte ilegal de arma de fogo de uso permitido imputado na denúncia. Ausência dos requisitos objetivos e subjetivos previstos no art. 28-A do Código de Processo Penal. Valoração e verificação pelo Parquet. Ausência de requerimento de reexame pela PGJ no momento oportuno. Vedação à utilização da chamada "nulidade de algibeira ou de bolso". Jurisprudência dos Tribunais superiores. Rejeição. Quebra de cadeia de custódia da prova. Preliminar de mérito. Instituto previsto no art. 158-A do CPP. Laudos indexados nos autos que não descrevem qualquer dado incomum. Inexistência de mácula que pudesse comprometer a idoneidade dos elementos recebidos pelos peritos. Ausência de lacre que, por si só, não determina a imprestabilidade da prova. Acervo amealhado do qual não se extrai qualquer indício de que a conduta dos agentes tenha viciado a prova. Rejeição. Autoria e materialidade da infração penal devidamente comprovadas pelas provas angariadas no feito. Situação de flagrância. Laudo de exame em munições às fls. 271/272. Laudo de exame em arma de fogo às fls. 273/275. Prova oral produzida. Declarações prestadas pelos policiais militares Maycon Delizo da Silva e Anderson Freitas da Silva em sede policial. Corroboradas de forma coerente e harmônicas entre si em Juízo. Dinâmica dos fatos narradas com riqueza de detalhes. Ausência de impedimento para a aceitação do testemunho dos policiais militares como meio de prova. Jurisprudência consolidada. Verbete sumular nº 70 do TJ/RJ. Atipicidade material da conduta. Princípio da insignificância. Alegação defensiva. Inocorrência. Relato testemunhal no sentido de o Apelante tentou praticar delito de roubo, com o emprego da arma de fogo e das munições apreendidas, momentos antes de ser preso em flagrante pelos policiais militares. Particularidades no caso concreto que demonstram a periculosidade social da ação, a afastar, por conseguinte, a aplicação do aludido princípio. Apenação. Crítica. Dosimetria. Observância do sistema trifásico. Pena-base fixada no mínimo legal, ou seja, em 2 (dois) anos de reclusão e 10 (dez) dias-multa, à razão unitária mínima. Ausência de atenuantes e agravantes. Ausência, ainda, de causas de aumento e de diminuição de pena. Consolidação da reprimenda definitiva como fixada na primeira fase. Regime inicial de cumprimento de pena aberto. Consonância com o disposto no art. 33, §2º, "c", do Código Penal. Substituição da pena privativa de liberdade por duas penas restritivas de direitos. Prestação de serviços à comunidade. Presença dos requisitos previstos no art. 44 do Código Penal. Recurso conhecido e desprovido. Sentença condenatória mantida em sua integralidade." Os embargos de declaração foram rejeitados (e-STJ, fls. 556 - 568). Em suas razões de recurso especial, a parte recorrente aponta violação do art. 1º do CP, e dos arts. 28-A, 157 e 158-D, todos do CPP, argumentando, para tanto, que (i) o Ministério Público não poderia ter negado o ANPP sem advertir o recorrente sobre os benefícios da confissão; (ii) após a renúncia da oferta do acordo, a defesa requereu, oportunamente, a remessa dos autos ao PGJ, não havendo falar em preclusão; (iii) as munições apreendidas foram apresentadas à perícia sem o devido lacre de segurança, comprometendo a confiabilidade das provas; (iv) a apreensão de cinco munições de calibre .22 desacompanhadas de arma de fogo funcional carece de lesividade material, configurando hipótese de aplicação do princípio da insignificância; (v) houve violação ao princípio da congruência, uma vez que o acórdão afastou o princípio da bagatela com base em suposta tentativa de roubo ocorrida antes do flagrante, todavia, este fato não está descrito na denúncia. Sem contrarrazões (e-STJ, fls. 514), o recurso especial foi inadmitido na origem (e-STJ, fls. 616 - 638), ao que se seguiu a interposição de agravo. Ouvido, o MPF opinou pelo não desprovimento do recurso (e-STJ, fls. 718 - 723). É o relatório. Decido. O agravo impugna adequadamente os fundamentos da decisão agravada, devendo ser conhecido. Passo, portanto, ao exame do recurso especial propriamente dito. De início, verifico que, diante da negativa de oferta do Acordo de Não Persecução Penal, os autos foram encaminhados à Procuradoria-Geral de Justiça, que, após reanálise, ratificou a recusa ao oferecimento do ANPP, conforme fundamentado no parecer ministerial (e-STJ, fls. 286 - 309). Destacou-se a ausência de confissão formal e circunstanciada pelo acusado, além do fato de ele responder a outro processo criminal pelo crime de roubo, havendo elementos probatórios a indicar conduta criminal habitual. Desse modo, não há ofensa ao art. 28-A do CPP. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRABANDO DE CIGARROS. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. NEGATIVA FUNDAMENTADA PELO MP LOCAL. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO DESPROVIDO. 1. O acordo de não persecução penal foi negado pelo Tribunal de Justiça pois, apesar de o réu ser primário, responde por outra ação penal, o que foi considerado fundamento válido pelo Ministério Público local para a negativa. Nesse sentido, não há ilegalidade verificável, nos termos da jurisprudência desta Corte Superior. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido." (AgRg no REsp n. 2.062.778/MS, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, julgado em 21/5/2024, DJe de 24/5/2024.) No que tange à aventada quebra da cadeia de custódia, a Corte local expressamente desacolheu as alegações da defesa afirmando que os laudos periciais confirmaram que as munições foram recebidas sem qualquer irregularidade ou mácula que comprometesse a sua confiabilidade (fls 504) . Assim, a inversão do julgado, no ponto, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos, providência inviável nesta instância especial, nos termos da Súmula 7/STJ. A corroborar: "DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO CONHECIDO E RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. QUEBRA DE CADEIA DE CUSTÓDIA E AUSÊNCIA DE DOLO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. I. Caso em exame1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu do agravo e não conheceu do recurso especial - que alegava quebra de cadeia de custódia e ausência de dolo na conduta do recorrente - com base no art. 932, inc. III, do Código de Processo Civil - CPC. II. Questão em discussão2. A questão em discussão consiste em saber se houve quebra da cadeia de custódia do material apreendido e se o dolo na conduta do recorrente foi devidamente comprovado. III. Razões de decidir3. O Tribunal de origem concluiu que não houve quebra da cadeia de custódia, pois a apreensão e análise do material seguiram os procedimentos legais e técnicos adequados. 4. A materialidade e autoria delitivas foram comprovadas por laudos periciais e depoimentos, demonstrando o dolo do recorrente em relação aos delitos previstos nos arts. 241-A e 241-B da Lei 8.069/90. 5. A modificação do julgado demandaria reexame de provas, o que é vedado pela Súmula n. 7 do STJ. IV. Dispositivo e tese6. Agravo regimental desprovido. Tese de julgamento: "1. A cadeia de custódia é preservada quando a apreensão e análise do material seguem os procedimentos legais e técnicos adequados. 2. O dolo pode ser inferido do contexto probatório e das circunstâncias da conduta do agente." Dispositivos relevantes citados: CPP, arts. 158-A, 158-B; Lei 8.069/90, arts. 241-A, 241-B. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 1.958.129/SP, Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 17/10/2022; STJ, AgRg no AREsp 2.476.740/GO, Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 6/2/2024. (AgRg no AREsp n. 2.507.843/SP, relator Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 22/10/2024, DJe de 25/10/2024.) No mais, a pretensão de incidência do princípio da insignificância pelo crime do art. 14 da Lei 10.826/2003 não encontra resguardo na jurisprudência desta Corte, uma vez que, embora o STJ reconheça a aplicação do princípio da bagatela para a posse de pequenas quantidades de munição desacompanhada de arma funcional, no caso dos autos o agravante foi surpreendido portando um revólver calibre 22 e cinco cartuchos de mesmo calibre. Com efeito, "a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça aponta que os crimes previstos nos arts. 12, art. 14 e art. 16 da Lei n. 10.826/2003 são de perigo abstrato, não se exigindo comprovação da potencialidade lesiva do armamento, prescindindo, portanto, de exame pericial, porquanto o objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física e sim a segurança pública e a paz social, colocadas em risco com o porte ou posse de munição, ainda que desacompanhada de arma de fogo. Por esses motivos, via de regra, é inaplicável o princípio da insignificância aos crimes de posse e de porte de arma de fogo ou munição" (AgRg no HC n. 729.926/PR, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/5/2022, DJe de 20/5/2022). Por fim, não pode ser conhecido o questionamento da parte recorrente quanto à alegada violação do princípio da congruência, pois o recurso, neste ponto, não indicou especificamente quais seriam os dispositivos de lei federal afrontados pelo acórdão recorrido. Tal circunstância configura deficiência na fundamentação recursal e atrai a incidência da Súmula 284/STF. Ressalte-se que o recurso especial é meio de impugnação de fundamentação vinculada, e por isso exige a indicação ostensiva dos textos normativos federais a que negou vigência o aresto impugnado. Não basta, para tanto, a menção de passagem a leis federais, tampouco a exposição do tratamento jurídico da matéria que o recorrente entende correto, como se estivesse a redigir uma apelação. Para inaugurar a instância especial, é imprescindível que o recurso especial aponte, com precisão, quais dispositivos legais teriam sido violados pela Corte de origem, o que não foi feito no presente caso. O tema é bem explicado no seguinte julgado: "AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. INCLUSÃO DA ESPOSA NO POLO PASSIVO DECORRENTE DA AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA QUE OSTENTA NATUREZA REAL. ROL DE DISPOSITIVOS AFRONTADOS, SEM INDIVIDUALIZAÇÃO. SÚMULA Nº 284/STF. DECISÃO MANTIDA. 1. O recurso especial não é um menu onde a parte recorrente coloca à disposição do julgador diversos dispositivos legais para que esse escolha, a seu juízo, qual deles tenha sofrido violação. Compete à parte recorrente indicar de forma clara e precisa qual o dispositivo legal (artigo, parágrafo, inciso, alínea) que entende ter sofrido violação, sob pena de, não o fazendo, ver negado seguimento ao seu apelo extremo em virtude da incidência, por analogia, da Súmula 284/STF. 2. Agravo regimental a que se nega provimento". (AgRg no AREsp n. 583.401/RJ, relator Ministro Luís Felipe Salomão, Quarta Turma, julgado em 17/3/2015, DJe de 25/3/2015.) Ante o exposto, conheço do agravo para conhecer em parte do recurso especial e, nessa extensão, negar-lhe provimento. Publique-se. Intimem-se. EMENTA