AREsp 2679397 - DECISAO
Verificado que o requerente preenche os requisitos legais previstos no art. 28-A do CPP (crime sem violência ou grave ameaça; pena mínima inferior a 4 anos em razão do tráfico privilegiado; não ser reincidente em crime doloso; possibilidade de confissão formal), aplicam-se os precedentes do STF (HC 185.913/DF) e do...
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- Parties
- Requerente: ADRIANO RIBEIRO DE ALMEIDA
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 27 March 2025
- Procedural Posture
- Petição Incidental / Decisão Interlocutória Nesta Instância
- Outcome
- Acolhido o pleito do requerente para determinar a suspensão do feito nessa instância e solicitar ao juízo de origem que oficie o promotor natural para análise da viabilidade do acordo de não persecução penal
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Art. 28 a Do Código De Processo Penal, Tráfico De Drogas (art. 33, Caput E §4º, Lei N. 11.343/06), Retroatividade Da Norma Penal Benéfica
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Parties
ADRIANO RIBEIRO DE ALMEIDA
Requerente
Procedural Posture
Petição Incidental / Decisão Interlocutória Nesta Instância
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade do art. 28-A do CPP a processos em curso na vigência da Lei nº 13.964/2019
- 2 Possibilidade de remessa ao Ministério Público para avaliação de oferecimento de Acordo de Não Persecução Penal
- 3 Verificação dos requisitos legais para celebração do ANPP (ausência de violência ou grave ameaça, pena mínima inferior a 4 anos, confissão)
Ratio Decidendi
Verificado que o requerente preenche os requisitos legais previstos no art. 28-A do CPP (crime sem violência ou grave ameaça; pena mínima inferior a 4 anos em razão do tráfico privilegiado; não ser reincidente em crime doloso; possibilidade de confissão formal), aplicam-se os precedentes do STF (HC 185.913/DF) e do STJ (REsp 1.890.344/RS - Tema 1098) em caráter retroativo aos processos em curso, autorizando a suspensão do feito nesta instância e a remessa ao juízo de origem para que o Ministério Público analise, fundamentadamente, a viabilidade de oferecimento do ANPP.
Court Disposition
Acolhido o pleito do requerente para determinar a suspensão do feito nessa instância e solicitar ao juízo de origem que oficie o promotor natural para análise da viabilidade do acordo de não persecução penal
Orders
- Suspender o feito nessa instância
- Oficiar o juízo de origem para que oficie o promotor natural da causa para analisar, fundamentadamente, a viabilidade do oferecimento do acordo de não persecução penal
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de petição incidental apresentada por ADRIANO RIBEIRO DE ALMEIDA, na qual requer a aplicação do entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do HC 185.913/DF, com a remessa dos autos ao Ministério Público Estadual para que avalie a possibilidade de oferecimento de acordo de não persecução penal ao requerente. É o relatório. DECIDO. Conforme se extrai dos autos, o ora requerente, que foi condenado às penas de 1 (um) ano e 8 (oito) meses de reclusão, em regime aberto, além de 166 (cento e sessenta e seis) dias-multa, no valor unitário mínimo legal, em razão da prática do delito previsto no art. 33, caput e § 4º, da Lei n. 11.343/06 (fls. 574-601), pleiteia a aplicação do art. 28-A, do Código de Processo Penal ao caso vertente. Prevê o art. 28-A que: "Não sendo caso de arquivamento e tendo o investigado confessado formal e circunstancialmente a prática de infração penal sem violência ou grave ameaça e com pena mínima inferior a 4 (quatro) anos, o Ministério Público poderá propor acordo de não persecução penal, desde que necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime", mediante o cumprimento de condições a serem ajustadas entre as partes. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o leading case, no HC n.185.913/DF, fixou tese vinculante segundo a qual "É cabível a celebração de Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vigência da Lei nº 13.964, de 2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado". Na esteira do sobredito julgamento, a Terceira Seção deste STJ, ao julgar o Tema Repetitivo 1098, fixou entendimento no sentido de que: "RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. NORMA DE CONTEÚDO HÍBRIDO (PROCESSUAL E PENAL). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A PROCESSOS EM CURSO NA DATA DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 13.964/2019, DESDE QUE AINDA NÃO TRANSITADA EM JULGADO A CONDENAÇÃO. MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL DESTA CORTE. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DESPROVIDO. 1. Recurso representativo de controvérsia, para atender ao disposto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e na Resolução STJ n. 8/2008. 2. Delimitação da controvérsia: "(im)possibilidade de acordo de não persecução penal posteriormente ao recebimento da denúncia". 3. TESE: 3.1 - O Acordo de Não Persecução Penal constitui um negócio jurídico processual penal instituído por norma que possui natureza processual, no que diz respeito à possibilidade de composição entre as partes com o fim de evitar a instauração da ação penal, e, de outro lado, natureza material em razão da previsão de extinção da punibilidade de quem cumpre os deveres estabelecidos no acordo (art. 28-A, § 13, do Código de Processo Penal - CPP). 3.2 - Diante da natureza híbrida da norma, a ela deve se aplicar o princípio da retroatividade da norma penal benéfica (art. 5º, XL, da CF), pelo que é cabível a celebração de Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado da condenação. 3.3 - Nos processos penais em andamento em 18/09/2024 (data do julgamento do HC n. 185.913/DF pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal), nos quais seria cabível em tese o ANPP, mas ele não chegou a ser oferecido pelo Ministério Público ou não houve justificativa idônea para o seu não oferecimento, o Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou mediante provocação do magistrado da causa, deverá, na primeira oportunidade em que falar nos autos, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ou não do acordo no caso concreto. 3.4 - Nas investigações ou ações penais iniciadas a partir de 18/09/2024, será admissível a celebração de ANPP antes do recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de propositura do acordo, no curso da ação penal, se for o caso. .. (REsp n. 1.890.344/RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024.) Fixadas as premissas acima, verifico que o requerente atende aos pressupostos legais do benefício, porque (i) o crime pelo qual foi condenado não envolveu violência ou grave ameaça; (ii) como foi aplicado o tráfico privilegiado, a pena mínima cominada ao tipo penal é inferior a 4 (quatro) anos; (iii) o requerente não é reincidente em crime doloso (fl. 425) e (iv) é possível a confissão formal do acusado. Pelo exposto, acolho o pleito do requerente para determinar a suspensão do feito nessa instância, com a solicitação ao juízo de origem que oficie o promotor natural da causa para que analise, fundamentadamente, a viabilidade do oferecimento do acordo de não persecução penal na espécie. Publique-se. Intimem-se. EMENTA