AREsp 3095378 - DECISAO
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma integral, específica e dialética os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, não demonstrando analiticamente a inadequação dos precedentes (Súmula 83/STJ) nem apresentando julgados supervenientes ou distinções...
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- Parties
- Agravante: ANTONIO DA PENHA MACHADO DE CAMARGO; Órgão De Origem: Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 24 December 2025
- Procedural Posture
- Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissibilidade)
- Outcome
- Agravo não conhecido (não conhecimento)
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal (anpp), Súmula 83/stj, Súmula 182/stj, Inadmissibilidade De Recurso Especial, Ônus Da Impugnação Específica, Lei N. 10.826/2003, Confissão Espontânea, Art. 28 a Do Código De Processo Penal
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Parties
ANTONIO DA PENHA MACHADO DE CAMARGO
Agravante
Tribunal de Justiça do Estado de Goiás
Órgão De Origem
Procedural Posture
Agravo Em Recurso Especial / Decisão De Não Conhecimento (inadmissibilidade)
Legal Issues
- 1 Aplicabilidade da Súmula n. 83/STJ como óbice à admissão de recurso especial
- 2 Ônus de impugnação específica para agravo em recurso especial (art. 932, III, CPC; Súmula 182/STJ)
- 3 Requisitos para celebração do Acordo de Não Persecução Penal e fundamentação da recusa ministerial
Ratio Decidendi
O agravo em recurso especial não foi conhecido porque o agravante não impugnou de forma integral, específica e dialética os fundamentos da decisão de inadmissibilidade, não demonstrando analiticamente a inadequação dos precedentes (Súmula 83/STJ) nem apresentando julgados supervenientes ou distinções fáticas/jurídicas capazes de superar o óbice; aplica-se a Súmula 182/STJ e o art. 932, III, do CPC (aplicável ao processo penal por força do art. 3º do CPP).
Court Disposition
Agravo não conhecido (não conhecimento)
Orders
- Agravo não conhecido.
- Publique-se.
Full Case Text
Judgment text and source record
1 paragraphs
DECISÃO Trata-se de agravo interposto por ANTONIO DA PENHA MACHADO DE CAMARGO contra a decisão do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE GOIÁS, que inadmitiu recurso especial manejado contra acórdão proferido na Apelação Criminal n. 5484853-94.2021.8.09.0172. Consta dos autos que o agravante foi condenado pela prática dos delitos previstos nos arts. 12 e 16, § 1º, I, da Lei n. 10.826/2003 (posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse de arma de fogo com numeração suprimida), em concurso material. A Corte de origem deu parcial provimento à apelação defensiva apenas para reconhecer a atenuante da confissão espontânea, sem reflexo na pena final (Súmula n. 231/STJ), e manteve a negativa de oferecimento do Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) por parte do Ministério Público. Nas razões do recurso especial, a defesa alegou violação ao art. 28-A do Código de Processo Penal, sustentando, em síntese, que o réu preenche os requisitos objetivos e subjetivos para a celebração do ANPP e que a recusa ministerial carece de fundamentação idônea. A decisão agravada inadmitiu o recurso especial aplicando o óbice da Súmula n. 83 do STJ, sob o fundamento de que o acórdão recorrido está em conformidade com a jurisprudência desta Corte Superior, no sentido de que o ANPP não constitui direito subjetivo do acusado, sendo legítima a recusa ministerial fundada na gravidade concreta do delito e na existência de outros procedimentos criminais A parte agravante sustenta em suas razões a inaplicabilidade do óbice da súmula 83 do STJ, reiterando os argumentos de mérito quanto ao preenchimento dos requisitos para a celebração do Acordo de Não Persucução Penal e citando jurisprudência que entende favorável à necessidade de fundamentação concreta para a recusa. (fls.514/517). Contrarrazões às fls. 514/517. A Procuradoria-Geral da República manifestou-se pelo não conhecimento do agravo (fls.540/548). É o relatório. Decido. O conhecimento do agravo pressupõe o integral cumprimento do ônus da impugnação específica dos fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial na origem. Conforme o princípio da dialeticidade, se o agravante não refuta, de maneira pontual e suficiente, cada um dos óbices aplicados, o agravo não supera seu próprio juízo de admissibilidade, o que impede a análise do recurso especial. No caso concreto, o agravante não observou tal requisito processual. A decisão de inadmissibilidade fundamentou-se no seguinte entrave: a incidência da Súmula n. 83/STJ (fls. 507/509). A argumentação do agravo, contudo, falhou em infirmar adequadamente a aplicação do referido verbete sumular. A superação do óbice da Súmula n. 83/STJ exige que a parte agravante demonstre, de forma analítica e fundamentada, a inadequação dos precedentes aplicados na origem. Esse ônus dialético se cumpre por duas vias: (i) pela comprovação da alteração da jurisprudência, mediante a colação de julgados supervenientes que configure m a superação (overruling) da tese; ou (ii) pela demonstração, por meio de cotejo analítico, de que as particularidades fáticas ou jurídicas do caso concreto o distinguem (distinguishing) dos paradigmas invocados. Trata-se de entendimento pacificado no âmbito deste Tribunal (AgRg no AREsp 2956824/AC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 05/08/2025, DJEN de 15/08/2025). Nesse mesmo sentido: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. NÃO IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA N. 182 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. A ausência de impugnação dos fundamentos da decisão de inadmissão do recurso especial obsta o conhecimento do agravo - incidência do art. 932, III, do CPC e aplicação da Súmula n. 182 do STJ. 2. É consolidado o entendimento deste Superior Tribunal de que para impugnar o óbice da Súmula n. 83, a parte deve demonstrar que os precedentes citados na decisão agravada não se aplicavam ao caso, ou trazer precedentes contemporâneos ou supervenientes que apontem orientação em sentido oposto ou divergência jurisprudencial, o que não foi feito adequadamente. 3. Portanto, verifica-se que o agravante não rebateu, concretamente, todos os óbices de admissão do REsp. Assim, é inegável que a defesa não se desincumbiu do ônus de expor integral, específica e detalhadamente os motivos de fato e de direito por que entende incorreta a decisão agravada, a atrair, à espécie, a Súmula n. 182 desta Corte Superior, segundo a qual "É inviável o agravo do art. 1.021, § 1º, do novo CPC que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada". 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 2185719/PR, Rel. Ministro Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 18/03/2025, DJEN de 25/03/2025 ) Na hipótese dos autos, contudo, a parte recorrente não se desincumbiu dessa incumbência. Limitou-se a alegações genéricas, sem apresentar julgados atuais que indicassem a modificação da jurisprudência, tampouco realizou a necessária confrontação analítica para demonstrar a distinção entre o caso em tela e os precedentes que fundamentaram a decisão agravada. A parte agravante limitou-se a afirmar genericamente a não incidência da súmula e a reiterar a tese de mérito de que "preenche os requisitos objetivos" e que a recusa não foi idônea, citando um precedente isolado (REsp n. 2.038.947/SP) que, em verdade, reforça a necessidade de fundamentação concreta, exatamente como realizado pelas instâncias ordinárias. Ademais, no que tange à Súmula 83/STJ, a jurisprudência deste Tribunal é pacífica no sentido de que sua aplicação é válida tanto para os recursos especiais interpostos com fundamento na alínea "a" (violação de lei federal) quanto na alínea "c" (divergência jurisprudencial) do permissivo constitucional (AgRg no AREsp 2964941/PR, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 12/08/2025, DJEN de 19/08/2025). Esse entendimento é reiterado em diversos outros julgados desta Corte: AgRg no AREsp 2682906/SP, Rel. Ministro OG Fernandes, Sexta Turma, julgado em 12/08/2025, DJEN de 22/08/2025; e AgRg no AREsp 2769700/ES, Rel. Ministro Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 03/06/2025, DJEN de 09/06/2025. Dessa forma, conclui-se que o agravo não preenche os requisitos de admissibilidade. A parte recorrente não impugnou, de forma específica e dialética, todos os fundamentos da decisão que, na origem, inadmitiu o recurso especial. Incide, portanto, a Súmula n. 182 do STJ, bem como a regra do art. 932, inciso III, do Código de Processo Civil, aplicável ao processo penal por força do art. 3º do Código de Processo Penal. Sobre a matéria: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECURSO NÃO CONHECIDO POR INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 182 DO STJ. ÓBICE DA SÚMULA N. 7 DO STJ NÃO INFIRMADO PELO AGRAVANTE. DECISÃO MANTIDA. 1. A ausência de impugnação de todos os fundamentos da decisão que inadmitiu o recurso especial, ônus da parte recorrente, obsta o conhecimento do agravo, nos termos do art. 932, III, do CPC/2015; art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ; e da Súmula n. 182 do STJ, aplicável por analogia. 2. "O momento processual adequado para a impugnação completa dos termos da decisão de inadmissibilidade é o agravo em recurso especial, e não o agravo regimental oposto contra a decisão que aplicou o mencionado óbice sumular" (AgRg no REsp n. 1.991.029/PR, relator Ministro Antônio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 18/9/2023, DJe de 20/9/2023). 3 . Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 2400759/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 05/03/2024, DJe de 11/03/2024) Ante o exposto, não conheço do agravo em recurso especial. Publique-se. Intimem-se. EMENTA