AREsp 2709089 - ACORDAO
Por se tratar de negócio jurídico processual firmado entre o Ministério Público e o investigado e não havendo previsão legal que autorize a vítima a impugnar a homologação do acordo de não persecução penal, bem como por existir entendimento consolidado desta Corte e súmula aplicável, a vítima não possui legitimidade...
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- Parties
- Agravante: ADAIR ANTONIO DE OLIVEIRA; Vítima (empresa Vítima): Colégio Olimpo; Investigado/indiciado: Lucas Marinho Alves; Titular Da Ação Penal: Ministério Público
- Court
- Superior Tribunal de Justiça
- Jurisdiction
- Brazil
- Judgment Date
- 14 April 2025
- Procedural Posture
- Agravo Regimental / Decisão Colegiada (turma)
- Outcome
- Agravo regimental desprovido
- Legal Topics
- Acordo De Não Persecução Penal, Legitimidade Da Vítima Para Recorrer, Homologação Do Acordo
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Parties
ADAIR ANTONIO DE OLIVEIRA
Agravante
Colégio Olimpo
Vítima (empresa Vítima)
Lucas Marinho Alves
Investigado/indiciado
Ministério Público
Titular Da Ação Penal
Procedural Posture
Agravo Regimental / Decisão Colegiada (turma)
Legal Issues
- 1 Se a vítima possui legitimidade para recorrer contra a homologação de acordo de não persecução penal celebrado entre o Ministério Público e o investigado
Ratio Decidendi
Por se tratar de negócio jurídico processual firmado entre o Ministério Público e o investigado e não havendo previsão legal que autorize a vítima a impugnar a homologação do acordo de não persecução penal, bem como por existir entendimento consolidado desta Corte e súmula aplicável, a vítima não possui legitimidade para recorrer contra a homologação do ANPP; assim, negou-se provimento ao agravo regimental.
Court Disposition
Agravo regimental desprovido
Orders
- Negar provimento ao agravo regimental.
- Manter a decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer do recurso especial e negou-lhe provimento.
Full Case Text
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2 paragraphs
ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Messod Azulay Neto e Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental. Acordo de não persecução penal. Ilegitimidade da vítima para recorrer. precedente desta corte. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento, mantendo o acórdão que, em razão da falta de legitimidade da vítima para se contrapor à celebração de acordo de não persecução penal, deixou de conhecer da apelação. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a vítima possui legitimidade para recorrer contra a homologação de acordo de não persecução penal celebrado entre o Ministério Público e o investigado. III. Razões de decidir 3. O acordo de não persecução penal é um negócio jurídico processual penal firmado entre o Ministério Público e o investigado, sem previsão legal de impugnação por parte da vítima. 4. A legislação vigente não confere à vítima a prerrogativa de discutir ou impugnar os termos do acordo de não persecução penal, limitando-se a sua intimação sobre a homologação e eventual descumprimento do acordo. IV. Dispositivo e tese 5. Agravo desprovido. Tese de julgamento: "1. A vítima não possui legitimidade para recorrer contra a homologação de acordo de não persecução penal celebrado entre o Ministério Público e o investigado". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 28-A. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.890.343/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 23/10/2024 ; STJ, AgRg no HC 745.056/SP, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, julgado em 30/10/2024.
RELATÓRIO Trata-se de agravo regimental interposto por ADAIR ANTONIO DE OLIVEIRA contra decisão monocrática de minha lavra, às fls. 1.324/1.332, em que conheci do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento. No presente recurso (fls. 1.337/1.352), o agravante, em síntese, reitera que possuiria legitimidade, haja vista que "o magistrado de primeiro grau homologou acordo de não persecução penal em dissonância com os critérios legais exigidos para pactuação do negócio jurídico processual penal" (fl. 1.346). Ressalta a inaplicabilidade do disposto na Súmula 568 do STJ, pois os precedentes citados na decisão monocrática tratam de situações distintas e que, no caso dos autos, "em uma primeira oportunidade, o Magistrado divergiu da proposta de acordo de não persecução penal" (fl. 1.344). Afirma, por fim, que o decisum agravado "não confrontou o dissídio jurisprudencial presente naquelas razões recursais" (fl. 1.347). Requer a reconsideração do decisum ou o julgamento do recurso pelo órgão colegiado. É o relatório. EMENTA Direito processual penal. Agravo regimental. Acordo de não persecução penal. Ilegitimidade da vítima para recorrer. precedente desta corte. Agravo desprovido. I. Caso em exame 1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para conhecer do recurso especial e negar-lhe provimento, mantendo o acórdão que, em razão da falta de legitimidade da vítima para se contrapor à celebração de acordo de não persecução penal, deixou de conhecer da apelação. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a vítima possui legitimidade para recorrer contra a homologação de acordo de não persecução penal celebrado entre o Ministério Público e o investigado. III. Razões de decidir 3. O acordo de não persecução penal é um negócio jurídico processual penal firmado entre o Ministério Público e o investigado, sem previsão legal de impugnação por parte da vítima. 4. A legislação vigente não confere à vítima a prerrogativa de discutir ou impugnar os termos do acordo de não persecução penal, limitando-se a sua intimação sobre a homologação e eventual descumprimento do acordo. IV. Dispositivo e tese 5. Agravo desprovido. Tese de julgamento: "1. A vítima não possui legitimidade para recorrer contra a homologação de acordo de não persecução penal celebrado entre o Ministério Público e o investigado". Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 28-A. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.890.343/SC, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 23/10/2024 ; STJ, AgRg no HC 745.056/SP, Rel. Min. Otávio de Almeida Toledo, Sexta Turma, julgado em 30/10/2024. VOTO O inconformismo não prospera. Não há razões para alterar o decisório agravado, que deve ser mantido por seus próprios fundamentos. No caso, o Tribunal a quo não conheceu da apelação do ora recorrente sob a seguinte fundamentação: " .. Conforme relatado, o apelante ADAIR ANTÔNIO DE OLIVEIRA, um dos sócios proprietários do colégio Olimpo, que figurou como empresa vítima, se insurge contra a decisão que homologou o acordo de não persecução penal - ANPP, celebrado entre o Ministério Público e Lucas Marinho Alves (movimento 50), indiciado pela suposta prática do crime previsto no artigo 168, § 1º, inciso III, do Código Penal. Ocorre que o manejado recurso apelatório não pode ser conhecido por ausência de pressuposto subjetivo (ilegitimidade de parte). Analisando as normas de regência do ANPP, introduzido no ordenamento jurídico pela Lei 13.964/2019 (artigo 28-A e seguintes, do Código de Processo Penal), forçoso concluir que a vítima não faz, formalmente, parte da negociação entabulada entre o órgão acusatório e o investigado. Com efeito, o artigo 28-A, § 9º, do Código de Processo Penal, ao prever a intimação da vítima sobre o acordo e seu, eventual, descumprimento, não lhe conferiu a prerrogativa de discutir os termos da avença, à míngua de previsão legal nesse sentido, que autorizou apenas ao juiz a devolução dos autos ao Ministério Público para a reformulação da proposta se considerar inadequadas, insuficientes ou abusivas as condições dispostas ou a recusa da homologação no caso de não atendimento dos requisitos legais, a teor dos §§ 5º e 7º, do mesmo dispositivo. Conforme ponderado pelo órgão ministerial de cúpula, apesar da inegável importância da relevância outorgada ao ofendido no processo penal brasileiro, notadamente, a partir das últimas reformas legislativas, a mens legis não o inseriu na função de protagonista, mormente no âmbito das ações penais públicas. Note-se que a previsão é expressa no sentido de que a vítima será intimada da homologação do acordo de não persecução penal e de seu descumprimento , ou seja, em momento posterior ao entabulado, até mesmo pela reparação do dano estipulada como uma das condições, salvo quando verificada a impossibilidade de fazê-lo (artigo 28-A, inciso I, do CPP), o que não significa que o acordo dependa de sua anuência. Acresce-se que o § 3º, do dispositivo em voga, dispõe que o acordo de não persecução penal será formalizado por escrito e será firmado pelo membro do Ministério Público, pelo investigado e por seu defensor . Assim, mostra-se incabível a vítima controlar e determinar a atividade ministerial nesse particular, o que a impede de recorrer com o propósito de impugnar o acordo por considerar as condições insatisfatórias para o seu interesse patrimonial. Importante anotar que a atuação do assistente de acusação somente é autorizada quando deflagrada a ação penal, nos termos do artigo 268, do Código de Processo Penal, não encontrando guarida na fase pré-processual, ficando, portanto, limitada à eventual colaboração com o fim de subsidiar o Ministério Público com informações para melhor desempenhar as suas atribuições e não substituí-lo na função de celebrante do negócio, visando especificar as condições que acredita serem devidas. Além disso, o assistente de acusação tem atuação supletiva, auxiliar e mitigada, não tendo legitimidade para interpor recurso fora das hipóteses previstas no artigo 271, do Código de Processo Penal. A propósito, somente ad argumentandum, a reparação, eminentemente, patrimonial perseguida pela vítima, com base no apontado prejuízo suportado com as condutas criminosas praticadas pelo apelado, pode ser buscada na seara cível, de modo que a ausência do ressarcimento integral não deve servir como óbice para a celebração do ajuste, notadamente, porque este não constitui condição legal prevista, tanto que excetuada a impossibilidade de fazê- lo. Nessa linha de intelecção, colaciono os seguintes julgados do Tribunal de Justiça de São Paulo: .. Pelo exposto, acolho o parecer ministerial para, monocraticamente, não conhecer do recurso pela ilegitimidade da parte." (fls. 835/837) Extrai-se do trecho acima colacionado que a Corte estadual deixou de conhecer do recurso de apelação do ora recorrente levando em consideração a ausência de legitimidade para interpor tal recurso. De fato, o Acordo de Não Persecução Penal possui natureza de negócio jurídico a ser firmado entre a acusação e o investigado, cabendo ao Ministério Público avaliar se tal acordo será suficiente à reprovação e prevenção do crime. Ao judiciário, por sua vez, cabe a análise acerca do preenchimento dos requisitos legais. Não há qualquer previsão legal de impugnação ou recurso por terceiro contra decisão judicial que homologa o acordo entre o Ministério Público e o investigado. A divergência que pode existir é entre o Magistrado e o representante do Ministério Público oficiante, na hipótese de recusa da proposta de acordo. Na hipótese, não houve a referida divergência, já que restou homologado o acordo proposto pelo Parquet. Assim, carece de previsão legal a intervenção de terceiros, devendo prevalecer o entendimento do acórdão recorrido. Sobre o tema: RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. ART. 28-A DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. NORMA DE CONTEÚDO HÍBRIDO (PROCESSUAL E PENAL). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA A PROCESSOS EM CURSO NA DATA DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI 13.964/2019, DESDE QUE AINDA NÃO TRANSITADA EM JULGADO A CONDENAÇÃO. MODIFICAÇÃO DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL DESTA CORTE. RECURSO DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DESPROVIDO. 1. Recurso representativo de controvérsia, para atender ao disposto no art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 e na Resolução STJ n. 8/2008. 2. Delimitação da controvérsia: "(im)possibilidade de acordo de não persecução penal posteriormente ao recebimento da denúncia". 3. TESE: 3.1 - O Acordo de Não Persecução Penal constitui um negócio jurídico processual penal instituído por norma que possui natureza processual, no que diz respeito à possibilidade de composição entre as partes com o fim de evitar a instauração da ação penal, e, de outro lado, natureza material em razão da previsão de extinção da punibilidade de quem cumpre os deveres estabelecidos no acordo (art.28-A, § 13, do Código de Processo Penal - CPP). 3.2 - Diante da natureza híbrida da norma, a ela deve se aplicar o princípio da retroatividade da norma penal benéfica (art. 5º, XL, da CF), pelo que é cabível a celebração de Acordo de Não Persecução Penal em casos de processos em andamento quando da entrada em vigor da Lei n. 13.964/2019, mesmo se ausente confissão do réu até aquele momento, desde que o pedido tenha sido feito antes do trânsito em julgado da condenação. 3.3 - Nos processos penais em andamento em 18/09/2024 (data do julgamento do HC n. 185.913/DF pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal), nos quais seria cabível em tese o ANPP, mas ele não chegou a ser oferecido pelo Ministério Público ou não houve justificativa idônea para o seu não oferecimento, o Ministério Público, agindo de ofício, a pedido da defesa ou mediante provocação do magistrado da causa, deverá, na primeira oportunidade em que falar nos autos, manifestar-se motivadamente acerca do cabimento ou não do acordo no caso concreto. 3.4 - Nas investigações ou ações penais iniciadas a partir de 18/09/2024, será admissível a celebração de ANPP antes do recebimento da denúncia, ressalvada a possibilidade de propositura do acordo, no curso da ação penal, se for o caso. 4. CASO CONCRETO: Situação em que, ao examinar apelação criminal interposta por dois réus, ambos condenados, no primeiro grau de jurisdição, por infração aos arts. 171, § 3º, c/c art. 14, II, do Código Penal, art. 297 e 298 do Código Penal, o TRF da 4ª Região decidiu, em preliminar, determinar a remessa do feito ao juízo de origem para verificação de eventual possibilidade de oferecimento do acordo de não persecução penal, julgando prejudicado o recurso defensivo. Entendeu o TRF que o art. 28-A do CPP possui natureza híbrida e deveria retroagir para alcançar os processos em fase recursal. Constatou, também que os delitos imputados aos recorrentes não haviam sido cometidos com violência ou grave ameaça e que as penas mínimas em abstrato dos delitos imputados a ambos os réus, mesmo somadas, não ultrapassavam o limite de 4 (quatro) anos previsto no art. 28-A do CPP. Inconformado, o órgão do Ministério Público Federal que atua perante a 4ª Região interpôs recurso especial sustentando, em síntese, que a possibilidade de realização de acordo de não persecução penal trazida pela novel legislação deve-se restringir ao momento anterior ao recebimento da denúncia. 5. Recurso especial do Ministério Público Federal a que se nega provimento. (REsp n. 1.890.343/SC, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, julgado em 23/10/2024, DJe de 28/10/2024; sem grifos no original.) DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. RECURSO EM HABEAS CORPUS. APROPRIAÇÃO INDÉBITA PRATICADA NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP). NEGATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. REQUISITOS LEGAIS NÃO ATENDIDOS. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Recurso em habeas corpus interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. A recorrente, denunciada por apropriação indébita (art. 168, § 1.º, inciso III, do Código Penal) por reter valores de cliente no exercício da advocacia, buscava a concessão de acordo de não persecução penal (ANPP). A negativa do ANPP pelo Ministério Público foi fundamentada na ausência de confissão formal e na existência de outra ação penal em andamento contra a recorrente por crime de mesma natureza. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) verificar se a confissão quando da lavratura do Auto de Prisão em Flagrante Delito ou durante o inquérito policial é requisito indispensável para a celebração do ANPP; e (ii) se a existência de outro processo criminal contra a recorrente constitui fundamento legítimo para a negativa do acordo pelo Ministério Público. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O acordo de não persecução penal (ANPP) não configura direito subjetivo do investigado, cabendo ao Ministério Público, conforme o art. 28-A do CPP, a decisão de oferecê-lo ou não, a depender das particularidades do caso concreto e da necessidade e suficiência do acordo para a reprovação e prevenção do crime. 4. Nos termos da jurisprudência desta Corte de Justiça, a formalização da confissão para fins do ANPP deve ocorrer no momento da assinatura do acordo, sendo irrelevante o fato de não ter o investigado confessado o crime quando da lavratura do Auto de Prisão em Flagrante Delito ou durante o inquérito policial. 5. A existência de outra ação penal contra a recorrente por crime da mesma natureza, com condenação em primeira instância é fundamento idôneo para o não oferecimento do ANPP, pois sinaliza que o acordo não seria suficiente para a reprovação e prevenção da conduta delitiva. 6. A negativa do Ministério Público ao oferecimento do ANPP foi fundamentada em elementos concretos do caso fático, o que afasta a configuração de constrangimento ilegal. IV. DISPOSITIVO 7. Recurso desprovido. (RHC n. 191.774/BA, relatora Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, julgado em 10/12/2024, DJEN de 17/12/2024; sem grifos no original.) AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. DEFICIÊNCIA NA DEFESA TÉCNICA. RÉU DEVIDAMENTE ASSISTIDO. NÃO DEMONSTRAÇÃO DE PREJUÍZO. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL (ANPP). ART. 28-A DO CPP. NÃO OFERECIMENTO DO ANPP. FACULDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. DOSIMETRIA. PENA-BASE. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO ILEGAL. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1. O Superior Tribunal de Justiça tem posicionamento jurisprudencial (..), em homenagem ao art. 563 do CPP, no sentido de que não se declara a nulidade de ato processual se a irregularidade: a) não foi suscitada em prazo oportuno e b) não vier acompanhada da prova do efetivo prejuízo para a parte. Precedentes. (AgRg no HC n. 910.142/GO, relator Ministro Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 17/9/2024, DJe de 23/9/2024). 2. Consoante dispõe a Súmula n. 523/STF, No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. Na hipótese, o agravante foi condenado como incurso no artigo 1º, inciso I, da Lei n. 8.137/1990 e foi representado em todos os atos do processo, não tendo demonstrado nenhum prejuízo, bem como não sendo possível concluir que o réu estava indefeso ou sua defesa foi deficiente. 3. Esta Corte Superior entende que O acordo de não persecução penal não constitui direito subjetivo do investigado, podendo ser proposto pelo Ministério Público conforme as peculiaridades do caso concreto e quando considerado necessário e suficiente para a reprovação e a prevenção da infração penal (AgRg no REsp n. 1.912.425/PR, relator Ministro Sebastião Reis Júnior, Sexta Turma, julgado em 20/3/2023, DJe de 23/3/2023). 4. Ademais, esta Corte já se posicionou no sentido de que, "Cuidando-se de faculdade do Parquet, a partir da ponderação da discricionariedade da propositura do acordo, mitigada pela devida observância do cumprimento dos requisitos legais, não cabe ao Poder Judiciário determinar ao Ministério Público que oferte o acordo de não persecução penal (RHC n. 159.643/RJ, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 19/4/2022, DJe de 26/4/2022.)(AgRg no RHC n. 185.308/DF, relator Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 1/3/2024). 5. No tocante ao pedido de alteração da dosimetria da pena, considerou o Tribunal de origem que as circunstâncias do crime ficaram dentro do parâmetro de normalidade para o tipo penal, porém as consequências do delito apresentaram gravidade acima do normal, uma vez que a ação do agravante causou prejuízo de grande monta aos cofres públicos: R$ 925.519.17 (novecentos e vinte e cinco mil, quinhentos e dezenove reais e dezessete centavos). Devidamente justificado o aumento da pena-base, não se constata constrangimento ilegal. 6. Agravo regimental não provido. (AgRg no HC n. 745.056/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do Tjsp), Sexta Turma, julgado em 30/10/2024, DJe de 6/11/2024; sem grifos no original.) PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL EM HABEAS CORPUS. SÚMULA N. 691 DO STF. TERATOLOGIA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE MANIFESTA. DECISUM MANTIDO. PRISÃO PREVENTIVA. REQUISITOS PRESENTES. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO VERIFICAÇÃO. GRAVIDADE CONCRETA. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS. IRRELEVÂNCIA. ACORDO DE NÃO PERSECUÇÃO PENAL. DISCRICIONARIEDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. Não cabe habeas corpus contra o indeferimento de pedido liminar em outro writ, salvo no caso de flagrante ilegalidade. Incidência da Súmula n. 691 do STF. 2. A prisão preventiva é cabível mediante decisão fundamentada em dados concretos, quando evidenciada a presença dos requisitos previstos nos arts. 312, 313 e 315 do Código de Processo Penal. 3. A gravidade concreta da conduta e o risco de reiteração delitiva constituem fundamentos idôneos para a decretação/manutenção da segregação cautelar. 4. Eventuais condições pessoais favoráveis do réu, por si sós, não ensejam a revogação automática de prisão preventiva decretada em observância aos requisitos legais. 5. É vedada a substituição da figura do Ministério Público pela do juiz na celebração do acordo de não persecução penal, instrumento jurídico extrajudicial concretizador da política criminal exercida pelo titular da ação penal pública cuja homologação judicial tem natureza meramente declaratória. 6. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 685.200/RJ, relator Ministro João Otávio de Noronha, Quinta Turma, julgado em 24/8/2021, DJe de 30/8/2021; sem grifos no original.) Cito, ainda, a decisão monocrática: REsp n. 2.161.024, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, DJEN de 23/12/2024, em hipótese idêntica a dos autos, DJEN de 23/12/2024. Por fim, destaca-se que não há falar em ausência de enfrentamento do dissídio jurisprudencial, haja vista que, analisando a fundamentação apresentada no acórdão impugnado, restou constatado que o entendimento aplicado está em consonância com o desta Corte, cabendo, portanto, a sua manutenção, nos termos do disposto no enunciado n. 568 da Súmula do STJ. Ante o exposto, voto pelo desprovimento do agravo regimental.